Baile de Máscaras
segunda-feira, 19/01/09 - 13h52
A ofensiva lançada pelo governo do Estado
do Pará visando combater a violência que toma conta
de nossas ruas, na capital e pelos municípios do interior,
vem de encontro ao clamor da população que há
muito implora e aguarda por uma ação mais enérgica
e eficaz dos órgãos de segurança pública.
As ruas de Belém foram literalmente invadidas por policiais
armados até os dentes, numa operação que
segundo informou o Cel. Augusto Leitão, do Comando da Polícia
Militar, será uma política pública permanente.
Torcemos para que realmente o governo do estado tenha condições
de manter o aparato policial nas ruas. O que chama a atenção
de nossa editoria são alguns pontos ainda nebulosos dentro
do mesmo contexto.
Bares e festas
A portaria número 010/2009, da Polícia
Civil, limita o funcionamento de bares até às 22h
e suspende as festas com aparelhagens somente nos bairros de Canudos,
Condor, Cremação, Guamá, Jurunas e Terra
Firme. E os outros bairros? Será que não ficarão
sobrecarregados com festas e bares funcionando até altas
horas da madrugada e a bandidagem atuando em descontrolados ‘bundalelês’?
Por que essas medidas serão tomadas só no entorno
onde se realizará o Fórum Social Mundial? Isso não
é mascarar a realidade? Os outros bairros também
clamam pela mesma segurança.
Sai da rua menino(a)!
E vai pra onde, doutor?
Muita gente talvez ainda não tenha percebido,
mas, quanto mais organismos de proteção às
crianças e aos adolescentes são criadas em Belém
e no interior, maior é o número dessas crianças
e adolescentes nas ruas. Das duas, uma; ou não sabem fazer
contas ou falta competência para cumprir tal missão.
A maioria das crianças e adolescentes que vivem nas ruas
de Belém e do interior não tem casa para morar,
foi abandona pelas famílias, pela sociedade e pelo Estado,
vivem ao léu. Retirá-las das ruas e levá-las
ao DATA, ao EREC? Não resolve. E depois do Fórum
Social Mundial? Voltarão às ruas? Esse problema
precisa ser serialmente discutido no Fórum.
600 mil camisinhas
Achamos corretas quaisquer campanhas que visem
preservar a saúde pública, entre elas, as preventivas
e contra as doenças sexualmente transmissíveis –
DSTs, mas espera aí! ‘Imagina só’, se
o número esperado de visitantes para o FSM é de
100 mil, teremos 6 (seis) camisinhas para cada um, com um detalhe,
os preservativos serão masculinos e as mulheres, não
ganham?
Pergunta-se, será que essa turma vai
ter tempo para usar esses preservativos? ‘Imagina só’,
a Terra Firme e o Guamá irão tremer; de qualquer
maneira boa sorte e todo cuidado é pouco.
Êpa, êpa, êpa! - Nem todo mundo é
bandido...
Domingo, dia 18, por volta das 15h30, um ônibus
da linha Guamá foi parado e abordado por policiais militares
fortemente armados, que retiraram todos os passageiros e os colocaram
encostados às grades do cemiterio Santa Isabel, no melhor
estilo, mãos ao alto! Abre as pernas, não te mexe,
se falares alguma coisa vais preso por desacato... Tudo bem, que
diante da violência que domina Belém, essas operações
sejam necessárias, mas a abordagem por mais austera que
seja, tem que ser de forma meticulosa.
Nem todo mundo é bandido, e cidadãos
de bem não devem ser expostos a situações
humilhantes e constrangedoras, sem dever nada à polícia
e à sociedade. Portanto, ao querer mostrar serviço,
a Polícia Militar, no caso acima, poderia ter cometido
excessos, talvez para ‘aparecer bem na foto’ à
equipe de fotógrafos e cinegrafistas que registravam a
operação para dar visibilidade a quem de direito.
Finalizando, Segurança Futebol Clube!
Em defesa do delegado geral, Raimundo Benassuly,
o também delegado Wilson Ronaldo Monteiro em carta ao jornal
Diário do Pará, publicado no espaço do leitor
no dia 17/01, sexta-feira p.p, sob o título Segurança
Pública F. C., afirma que estão tratando a segurança
pública como um time de futebol, e que, perder duas ou
três partidas significa trocar o técnico e toda a
comissão técnica; diz ainda o delgado Wilson, que
a governadora Ana Julia, exonerou Benassuly anteriormente APENAS
por uma declaração que não foi aceita pela
opinião pública, referindo-se ao caso da ‘Menina
de Abaetetuba’, que ficou enclausurada com 20 (vinte) detentos
e que teria sido abusada sexualmente, como ficou realmente comprovado
pelos laudos da Polícia Científica. Declaração
essa que classificou a menina como ‘débil mental’.
E, que o retorno de Benassuly causou surpresa a várias
ONGs e pessoas, queixando-se ainda que os que criticam o time
deles jogam com os adversários...
Sem querer entrar no mérito da questão,
nós da Amazônia Nossa Terra e do saite Acorda Pará,
não jogamos com os adversários e nosso ataque é
formado por jornalistas, escritores, advogados e ambientalistas
compromissados com o Pará e com a Amazônia. Jogamos
para ganhar, em defesa do nosso e de nossa região. Torcemos
para que o time da Segurança F.C. entre em campo para ganhar.
Infelizmente o IBIS ganhou um forte concorrente e o time ao qual
o delegado se refere só tem perdido de goleada, talvez
seja uma questão não dos atletas, mas da ‘diretoria’
ou da presidência do clube; Mesmo assim engrossamos o coro
da torcida que espera há muito tempo por grandes vitórias
desse time. Perder, o povo não aguenta mais.
Respeitando a opinião do delegado Wilson
Monteiro, e lamentando as declarações passadas do
delegado geral Benassuly, nos mantemos em guarda, mesmo assim
desejamos sucesso à frente da Delegacia Geral, da mesma
forma ao Comando Geral de Polícia Militar, ao Secretário
de Segurança Pública e a governadora Ana Julia Carepa.
Usamos armas diferentes, mas lutamos pela mesma causa, um Pará
desenvolvido, seguro e em paz. Uma Amazônia verde, viva,
Brasil! Que consigamos, unidos resgatar o direito de ir e vir
de todos nós, que deixemos de ter todos os dias paraenses
tombados por assassinos frios, covardes e traiçoeiros,
e possamos livres de outras mazelas caminhar em paz e em busca
da realização de nossos sonhos.
E para não fugir a regra, se o Fórum
Social Mundial acabar, e tudo voltar ao que era antes, que cada
um pegue o seu nariz de palhaço e sua máscara, pois
sábado passado, dia 17 p.p., às 06h30 uma limusine
desfilava reluzente em frente ao Ver-o-Peso, tranquila, tranquila,
feito uma carruagem real; Nosso ‘time’ torce para
que não seja um rei, ou um lorde convidado para que, se
as ações contra a violência em nosso estado
não forem verdadeiras e eficazes, participar de um baile
de máscaras onde todos iremos dançar.
Todos contra a violência!
Pará unido inteiro, verdadeiro!
Amazônia Verde e Viva, Brasil.
Acorda Pará...
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