Caro Deputado Federal Jader Barbalho
sexta-feira, 29/01/10 - 21h15
Saudações Peemedebistas
(?)
Permita-me a audácia de na falta
de oportunidades de um encontro pessoal. Pois, tentei
de todas as formas possíveis, porém não
consegui deixar o endereço da residência
de meu pai Raimundo Tupinambá Alho, seu velho companheiro
de lutas no PMDB, como combinamos pessoalmente há
mais ou menos um ano, quando informei que ele tinha sofrido
um AVC, e ficado entre a vida e a morte, salvo milagrosamente
por Deus e pelas mãos abençoadas dos médicos
que o atenderam, auxiliados por uma equipe de enfermeiros,
e para ser mais justo, aproveito a oportunidade para agradecer
de Salomão Zoghbi aos outros funcionários
do HSM, um dos maiores anunciantes do grupo RBA, e até
aos lixeiros que limparam até o lixo hospitalar,
que meu pai produziu, quando esteve internado. Isto significa
gratidão a ele, pois não foi em função
disso que ele o atendeu e sim por ter como Personal Trainner,
meu irmão Juscelino Alho.

Tentarei ser breve para não tomar-lhe
vosso precioso tempo, se for possível conceda-me
dez minutos, tempo suficiente para que esclareçamos
pequenos detalhes, que embora a V.Exª. possam não
ter a menor importância, para mim permitirão
retirar alguns espinhos que trago ‘entranhados’
em meu corpo, uns na garganta, esses com uma ‘cusparada’
bem dada, os retiro todos, outros, divido a missão
com V. Exª., a minha parte farei, a outra cabe, não
só a V. Exª., mas, a todos que por um motivo,
ou por outro, temem se pronunciar. Os espinhos mais difíceis
de arrancar estão fincados na nossa Bandeira do
PMDB, partido que V. Exª. fundou no Pará,
mas não sozinho; com o suor e o sangue de outros
companheiros, muitos dos quais se foram sem se despedir,
eles de V. Exª. e, V. Exª. deles...
Entre os fundadores do PMDB, além
de outros bravos, estava meu pai, caboclo do Estado do
Pará, do interior de Cametá, terra dos Romualdos
e da família Alho, terra de intelectuais e notáveis
desta nação chamada Pará, entre os
quais os Laredo, Mockbel, Corrêa, terra de Dom Milton
Corrêa Pereira, 3°. Arcebispo que a cidade histórica
de Cametá legou ao Pará, ao Brasil e ao
mundo, tendo sido momentaneamente capital do Estado, e
com muito orgulho digo: Filho de meus avós maternos,
irmão de minha mãe, cunhado de meu pai e
para minha sorte, meu tio, padrinho e tutor -a ele devo
minha formação. E digo de passagem. Que
formação!
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Esse caboclo de Cametá que até
hoje conserva suas raízes, bebedor de açaí
e comedor de Mapará, de homem simples se fez Vereador
pelo Partido que V. Exª., e o grupo de autênticos
fundaram. Alho foi um dos primeiros Vereadores do PMDB,
à época MDB, no Pará e no Brasil.
Estufo o peito para falar, com muito orgulho: - Eleito
pelas mãos do povo e pelo voto direto dos eleitores
do bairro do Marco e outros bairros de Belém, muitos
deles ainda vivos visitam meu pai eu sua casa e perguntam:
- o seu Alho está bem? Uns dizem -Teu pai muito
me ajudou. Outros, teu pai me ajudou a tirar meu primeiro
título de eleitor! Lembra quando se formava uma
fila em frente a tua casa e teu pai às seis da
manhã, conferia um por um para pagar as passagens
para irem ao Tribunal Eleitoral solicitar os títulos
e a Juíza perguntava: Alho cadê teu ‘pessoá’?
Parecia até que ela era de Cametá. Nós
sempre éramos os primeiros à chegar e às
8 horas a fila começava a andar... Outros passavam
por lá somente para perguntar à época,
o Jader vem? É para votar nele? E eu Peemedebista
que só respondia: É! De certo...
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Exa., esses são
alguns cartões dos muitos que o
senhor enviou da Itália ao meu
pai, quando de uma de suas viagens internacionais.
Lembra?
Velhos tempos, velhos
dias... (RC)
PS: As gravatas que o
senhor deu ao meu pai, quem as usa sou
eu..., que por sinal, são legítimas
Pierre Cardin, pois naquela época
não existia as 'Made in Paraguai'
com muito orgulho de ser paraense, mas
não quero sair na CULUNA
de nenhum Bacana, sou mais a coluna Horrível,
do Acorda Pará!
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Depois desses esclarecimentos, sei que
o tempo de V. Exª. é curtíssimo devido
aos afazeres, mas Exª., o tempo é linear,
um só para todo mundo; o que o faz menor ou maior
é o que fazemos, às vezes pequenino e às
vezes gigante. Tentei de todas as maneiras contatar pessoalmente,
não consegui, dr. Francisco Melo não pode
me receber, seu filho Jader Filho não pode me receber,
depois de três horas de “chá de cadeira”
fui avisado que não seria recebido. Uso essa forma
por esses motivos, e esta carta envio a V. Exª. por
vários motivos.
•
Recordar os velhos tempos em que V. Exª. acompanhado
da então esposa hoje, Deputada Elcione Barbalho
vinham deixar meu pai aqui em casa no tempo da ditadura,
às altas horas ou madrugadas (lembra?) era em um
carro Corcel...
• Ao comemoramos 25 anos da Redemocratização,
lembrar velhos companheiros para avivar a memória
de alguns já que dizem que o povo não tem
memória.
• Hermínio Calvinho Filho,
Fernando Velasco, Raimundo Apolinário, Vicente
Queiroz, Manoel Oliveira, Ozéias Silva, José
Guilherme, Tenente Carlos Gomes, Carlos Vinagre, João
Caroço, Gurjão Sampaio, Miguel Sampaio,
Hélio Gueiros, Nuno Miranda, Nicias Ribeiro -Desgarrado,
Salomãozinho-Desgarrado, Coutinho Jorge, Hamilton
Guedes, Wilson Ribeiro, Dionísio Bentes, Itamar
Francês, Mimico Francês, Ararinha da Pedreira,
Maria da Silva Costa, Coronel Gomes -grande amigo de minha
família, Elcione Barbalho, Raimundo Tupinambá
Alho filho (lembra dele?) Juscelino Pereira Alho -viajou
de Brasília para Belém para fazer companhia
ao saudoso Laércio Barbalho, ainda pré-adolescente,
só porque era filho do amigo do filho dele Jader,
era filho do Alho - pelo caminho vários goles de
geladíssima cerveja em uma caneca do Fluminense
e muitas histórias, boas histórias e segundo
Juscelino, inesquecíveis... Na pessoa de seu Laércio
homenageio todos que sob o comando de V. Exª. contribuíram
para o fim da ditadura...
• Por fim, vamos aos espinhos:
Nunca engoli uma história que o hoje deputado pelo
PMDB, Parsifal Pontes, vosso “mensageiro na Assembleia
Legislativa do Estado, espalhava aos quatro cantos de
Tucuruí e região: “No palanque de
Jader Barbalho estão todos os ladrões do
Estado do Pará...”. Nunca engoli essa história,
mas os espinhos que trago comigo, vou cuspi-los agora
numa “cusparada” só. Nunca engoli pelo
fato de que nesse palanque sempre esteve meu pai e ele
nunca foi ladrão e esteve no palanque o tempo todo
porque ajudou a construir, um palanque que no Pará
deveria ser Sagrado e hoje abriga quem acusou V. Exª.
de “LADRÃO” e a todos os que lutaram
pelo fim da ditadura, inclusive eu, que também
dei minha humilde colaboração...
• Exª. quem o chamou de ladrão
nunca conseguirá provar, como um verme entranhou-se
na lama que tentou jogar, e hoje está no mesmo
palanque. Nesse palanque à época, não
tinha lama, tinha honra, civismo, moral, sangue de muitos
que morreram lutando, tinha Fé e Esperança.
Dou minha "cusparada" e pergunto: O que mudou?
O palanque ou os ladrões? Que faz Parsifal Pontes
no palanque do PMDB que ele nem viu quando foi erguido?
Deixou de ser honesto e subiu?
• Ou confessa que mentiu e subiu
por interesses outros e inconfessáveis?
• O ônus da prova cabe à
quem acusa. O ônus taí exposto, prove quem
quiser, o ônus é todos... Minha ficha de
filiação foi abonada por V. Exª. e
beijando a Bandeira do PMDB que ajudei a tecer peço
meu desligamento, prestando uma homenagem a meu pai.
• Se falar a ‘verdade
for crime’, eis minhas mãos para as Algemas’...
Palavras proferidas por Raimundo Tupinambá Alho,
em um discurso à Câmara Muncipal de Belém
em plena Ditadura...
• Em um livro escrito por V. Exª.,
‘Guerras à Vencer’ tem para meu pai
um abraço do tamanho da Amazônia, enviado
por Jader Barbalho e por ele assinado. Ele continua esperando
esse abraço de novo na mesma casa em que vinha
deixá-lo, no mesmo endereço, próximo
à RBA, casa essa cuja história o Coronel
Gomes e o Senhor conhecem muito bem, pois ajudaram a construí-la,
nossa gratidão permanece, pode vir à pé
se quiser, se as mesmas pessoas que não me permitiram
falar-lhe pessoalmente não o fizerem desistir...
Eu só fui levar o endereço conforme combinamos.
Enfim, e por mim, poderia estar aí no Diário
do Pará, servindo cafezinho se preciso fosse, apesar
de jornalista, escritor e ambientalista, ‘somos
recebidos pelo traje que envergamos, e nos despedimos
conforme a cultura que mostramos’ levei
um chá de banco de três horas, não
tive chance... Tentei.
• Nesta carta estão algumas
recordações... Lembrando que entre os jovens
que meu pai levou à Assembleia a vosso pedido,
eu estava na primeira fila e das lições
que aprendi crescendo junto com a história do PMDB,
uma me fez publicar esta carta: “Nunca Baixar a
Cabeça e Vencer os Obstáculos”. O
PMDB derrubou a ditadura e hoje retirei meus espinhos.
Aí ninguém me conhece, mas em outros lugares
eu sou respeitado. Meu pai manda o mesmo abraço
do tamanho da Amazônia, bem forte e Verdadeiro.
• “Não deixes que
as desventuras sepultem teus ideais: Vê que nas
noites escuras as estrelas brilham mais...”. (Juraci
Siqueira)
• Eu poderia estar aí, porém
estou como colunista no site Acorda, Pará! Na redação
de textos e como criador e redator da ‘Coluna Horrível’,onde
me assino cacique “Tô Cunsca Alho” e
aqui em quem não me respeita eu baixo a paxiúba
e ainda conto com a parceria do Aji na Moita, que baixa
a espada de samurai e que muito também já
contribui aí para o seu jornal ‘O Diário
do Pará’.
Na foto: ao centro o radialista José
Guilherme e ao lado direito Raimundo Tupinambá
Alho.
“É melhor morrer em pé
do que viver de Joelhos!”
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