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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Caro Deputado Federal Jader Barbalho

sexta-feira, 29/01/10 - 21h15

Saudações Peemedebistas (?)

Permita-me a audácia de na falta de oportunidades de um encontro pessoal. Pois, tentei de todas as formas possíveis, porém não consegui deixar o endereço da residência de meu pai Raimundo Tupinambá Alho, seu velho companheiro de lutas no PMDB, como combinamos pessoalmente há mais ou menos um ano, quando informei que ele tinha sofrido um AVC, e ficado entre a vida e a morte, salvo milagrosamente por Deus e pelas mãos abençoadas dos médicos que o atenderam, auxiliados por uma equipe de enfermeiros, e para ser mais justo, aproveito a oportunidade para agradecer de Salomão Zoghbi aos outros funcionários do HSM, um dos maiores anunciantes do grupo RBA, e até aos lixeiros que limparam até o lixo hospitalar, que meu pai produziu, quando esteve internado. Isto significa gratidão a ele, pois não foi em função disso que ele o atendeu e sim por ter como Personal Trainner, meu irmão Juscelino Alho.

Tentarei ser breve para não tomar-lhe vosso precioso tempo, se for possível conceda-me dez minutos, tempo suficiente para que esclareçamos pequenos detalhes, que embora a V.Exª. possam não ter a menor importância, para mim permitirão retirar alguns espinhos que trago ‘entranhados’ em meu corpo, uns na garganta, esses com uma ‘cusparada’ bem dada, os retiro todos, outros, divido a missão com V. Exª., a minha parte farei, a outra cabe, não só a V. Exª., mas, a todos que por um motivo, ou por outro, temem se pronunciar. Os espinhos mais difíceis de arrancar estão fincados na nossa Bandeira do PMDB, partido que V. Exª. fundou no Pará, mas não sozinho; com o suor e o sangue de outros companheiros, muitos dos quais se foram sem se despedir, eles de V. Exª. e, V. Exª. deles...

Entre os fundadores do PMDB, além de outros bravos, estava meu pai, caboclo do Estado do Pará, do interior de Cametá, terra dos Romualdos e da família Alho, terra de intelectuais e notáveis desta nação chamada Pará, entre os quais os Laredo, Mockbel, Corrêa, terra de Dom Milton Corrêa Pereira, 3°. Arcebispo que a cidade histórica de Cametá legou ao Pará, ao Brasil e ao mundo, tendo sido momentaneamente capital do Estado, e com muito orgulho digo: Filho de meus avós maternos, irmão de minha mãe, cunhado de meu pai e para minha sorte, meu tio, padrinho e tutor -a ele devo minha formação. E digo de passagem. Que formação!

 

 

Esse caboclo de Cametá que até hoje conserva suas raízes, bebedor de açaí e comedor de Mapará, de homem simples se fez Vereador pelo Partido que V. Exª., e o grupo de autênticos fundaram. Alho foi um dos primeiros Vereadores do PMDB, à época MDB, no Pará e no Brasil. Estufo o peito para falar, com muito orgulho: - Eleito pelas mãos do povo e pelo voto direto dos eleitores do bairro do Marco e outros bairros de Belém, muitos deles ainda vivos visitam meu pai eu sua casa e perguntam: - o seu Alho está bem? Uns dizem -Teu pai muito me ajudou. Outros, teu pai me ajudou a tirar meu primeiro título de eleitor! Lembra quando se formava uma fila em frente a tua casa e teu pai às seis da manhã, conferia um por um para pagar as passagens para irem ao Tribunal Eleitoral solicitar os títulos e a Juíza perguntava: Alho cadê teu ‘pessoá’? Parecia até que ela era de Cametá. Nós sempre éramos os primeiros à chegar e às 8 horas a fila começava a andar... Outros passavam por lá somente para perguntar à época, o Jader vem? É para votar nele? E eu Peemedebista que só respondia: É! De certo...

 

Exa., esses são alguns cartões dos muitos que o senhor enviou da Itália ao meu pai, quando de uma de suas viagens internacionais. Lembra?

Velhos tempos, velhos dias... (RC)

PS: As gravatas que o senhor deu ao meu pai, quem as usa sou eu..., que por sinal, são legítimas Pierre Cardin, pois naquela época não existia as 'Made in Paraguai' com muito orgulho de ser paraense, mas não quero sair na CULUNA de nenhum Bacana, sou mais a coluna Horrível, do Acorda Pará!

 

Depois desses esclarecimentos, sei que o tempo de V. Exª. é curtíssimo devido aos afazeres, mas Exª., o tempo é linear, um só para todo mundo; o que o faz menor ou maior é o que fazemos, às vezes pequenino e às vezes gigante. Tentei de todas as maneiras contatar pessoalmente, não consegui, dr. Francisco Melo não pode me receber, seu filho Jader Filho não pode me receber, depois de três horas de “chá de cadeira” fui avisado que não seria recebido. Uso essa forma por esses motivos, e esta carta envio a V. Exª. por vários motivos.

 

• Recordar os velhos tempos em que V. Exª. acompanhado da então esposa hoje, Deputada Elcione Barbalho vinham deixar meu pai aqui em casa no tempo da ditadura, às altas horas ou madrugadas (lembra?) era em um carro Corcel...

• Ao comemoramos 25 anos da Redemocratização, lembrar velhos companheiros para avivar a memória de alguns já que dizem que o povo não tem memória.

• Hermínio Calvinho Filho, Fernando Velasco, Raimundo Apolinário, Vicente Queiroz, Manoel Oliveira, Ozéias Silva, José Guilherme, Tenente Carlos Gomes, Carlos Vinagre, João Caroço, Gurjão Sampaio, Miguel Sampaio, Hélio Gueiros, Nuno Miranda, Nicias Ribeiro -Desgarrado, Salomãozinho-Desgarrado, Coutinho Jorge, Hamilton Guedes, Wilson Ribeiro, Dionísio Bentes, Itamar Francês, Mimico Francês, Ararinha da Pedreira, Maria da Silva Costa, Coronel Gomes -grande amigo de minha família, Elcione Barbalho, Raimundo Tupinambá Alho filho (lembra dele?) Juscelino Pereira Alho -viajou de Brasília para Belém para fazer companhia ao saudoso Laércio Barbalho, ainda pré-adolescente, só porque era filho do amigo do filho dele Jader, era filho do Alho - pelo caminho vários goles de geladíssima cerveja em uma caneca do Fluminense e muitas histórias, boas histórias e segundo Juscelino, inesquecíveis... Na pessoa de seu Laércio homenageio todos que sob o comando de V. Exª. contribuíram para o fim da ditadura...

• Por fim, vamos aos espinhos: Nunca engoli uma história que o hoje deputado pelo PMDB, Parsifal Pontes, vosso “mensageiro na Assembleia Legislativa do Estado, espalhava aos quatro cantos de Tucuruí e região: “No palanque de Jader Barbalho estão todos os ladrões do Estado do Pará...”. Nunca engoli essa história, mas os espinhos que trago comigo, vou cuspi-los agora numa “cusparada” só. Nunca engoli pelo fato de que nesse palanque sempre esteve meu pai e ele nunca foi ladrão e esteve no palanque o tempo todo porque ajudou a construir, um palanque que no Pará deveria ser Sagrado e hoje abriga quem acusou V. Exª. de “LADRÃO” e a todos os que lutaram pelo fim da ditadura, inclusive eu, que também dei minha humilde colaboração...

• Exª. quem o chamou de ladrão nunca conseguirá provar, como um verme entranhou-se na lama que tentou jogar, e hoje está no mesmo palanque. Nesse palanque à época, não tinha lama, tinha honra, civismo, moral, sangue de muitos que morreram lutando, tinha Fé e Esperança. Dou minha "cusparada" e pergunto: O que mudou? O palanque ou os ladrões? Que faz Parsifal Pontes no palanque do PMDB que ele nem viu quando foi erguido? Deixou de ser honesto e subiu?

• Ou confessa que mentiu e subiu por interesses outros e inconfessáveis?

• O ônus da prova cabe à quem acusa. O ônus taí exposto, prove quem quiser, o ônus é todos... Minha ficha de filiação foi abonada por V. Exª. e beijando a Bandeira do PMDB que ajudei a tecer peço meu desligamento, prestando uma homenagem a meu pai.

• Se falar a ‘verdade for crime’, eis minhas mãos para as Algemas’... Palavras proferidas por Raimundo Tupinambá Alho, em um discurso à Câmara Muncipal de Belém em plena Ditadura...

• Em um livro escrito por V. Exª., ‘Guerras à Vencer’ tem para meu pai um abraço do tamanho da Amazônia, enviado por Jader Barbalho e por ele assinado. Ele continua esperando esse abraço de novo na mesma casa em que vinha deixá-lo, no mesmo endereço, próximo à RBA, casa essa cuja história o Coronel Gomes e o Senhor conhecem muito bem, pois ajudaram a construí-la, nossa gratidão permanece, pode vir à pé se quiser, se as mesmas pessoas que não me permitiram falar-lhe pessoalmente não o fizerem desistir... Eu só fui levar o endereço conforme combinamos. Enfim, e por mim, poderia estar aí no Diário do Pará, servindo cafezinho se preciso fosse, apesar de jornalista, escritor e ambientalista, ‘somos recebidos pelo traje que envergamos, e nos despedimos conforme a cultura que mostramos’ levei um chá de banco de três horas, não tive chance... Tentei.

• Nesta carta estão algumas recordações... Lembrando que entre os jovens que meu pai levou à Assembleia a vosso pedido, eu estava na primeira fila e das lições que aprendi crescendo junto com a história do PMDB, uma me fez publicar esta carta: “Nunca Baixar a Cabeça e Vencer os Obstáculos”. O PMDB derrubou a ditadura e hoje retirei meus espinhos. Aí ninguém me conhece, mas em outros lugares eu sou respeitado. Meu pai manda o mesmo abraço do tamanho da Amazônia, bem forte e Verdadeiro.

• “Não deixes que as desventuras sepultem teus ideais: Vê que nas noites escuras as estrelas brilham mais...”. (Juraci Siqueira)

• Eu poderia estar aí, porém estou como colunista no site Acorda, Pará! Na redação de textos e como criador e redator da ‘Coluna Horrível’,onde me assino cacique “Tô Cunsca Alho” e aqui em quem não me respeita eu baixo a paxiúba e ainda conto com a parceria do Aji na Moita, que baixa a espada de samurai e que muito também já contribui aí para o seu jornal ‘O Diário do Pará’.

Na foto: ao centro o radialista José Guilherme e ao lado direito Raimundo Tupinambá Alho.

“É melhor morrer em pé do que viver de Joelhos!”

 
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