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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Deu no Esporte Espetacular

segunda-feira, 18/01/10 - 23h00

Uma imagem que marcou o repórter Régis da Rede Globo de Televisão quando da matéria no Haiti, foi a do pequeno Ênio, um garotinho Haitiano que no colo da mãe comia um biscoito feito de lama. Uma fórmula que os Haitianos inventaram para matar a fome: Barro, manteiga se conseguirem e sal, para saciar uma filha de muitas mães: A indiferença, a insensatez, a miséria...

Essa matéria não foi levada ao ar por nenhum programa sensacionalista. Foi exibida em rede Nacional pelo programa Esporte Espetacular, apresentado por um time de Jornalistas que dessa vez foi além do espírito esportivo- O jogo é em equipe; e Régis, o apresentador-centroavante não marcou um gol de bicicleta. Marcou um gol de avião, que levou em suas asas não só mensagens de esperança ao povo Haitiano levou o exemplo que foi dado ao mundo por um repórter Brasileiro, bem antes de o Estádio vir ao chão... Um exemplo raro de um ser humano raríssimo.

Vamos ao replay...

Ao fazer a matéria, Régis carregou no colo o pequeno Ênio e deu-lhe chocolate- um doce gesto em um momento amargo- perfeito! Chocolate, além de nutritivo, tem do doce e do amargo. Régis deu o doce ao pequeno haitiano e engoliu o amargo. Um golaço!

Se eu estivesse lá, agora, depois que o 'Estádio' desabou... Daria ao pequeno Ênio, uma cuia com açaí, com farinha de tapioca. Aqui no Pará, na Amazônia nós temos de sobra. Diz a lenda que o açaí salvou uma tribo inteira de ser dizimada pela fome. Hoje esse néctar dos deuses é “comido” feito pão num país inteiro que se chama Pará, no coração da floresta amazônica, nesse colosso chamado Brasil. Deixaria com ele alguns caroços para plantar... E depois que as sementes germinarem quem sabe a lenda se repita por lá e salve o Haiti da fome também. E depois de tudo isso, se a Rede Globo patrocinasse, eu pegaria ele no colo e se sua mãe permitisse, embarcava em um navio e o trazia pra cá. E, depois que desembarcasse no Ver-o-Peso eu o apresentaria a Belém do Pará, que apesar de tudo é o melhor lugar do mundo para viver. Pretendo muito em breve convencer um amigo que mora em Anápolis que eu tenho razão. Morou aqui muitos anos a serviço da Aeronáutica se encantou por Belém e foi encantado por uma “índia” daqui, sendo também conquistado por todos os encantos e magias que o Pará oferece.

Foi mundiado, casou, teve filhos e teve que partir. Ao retornar foi derrubado pelos escombros sob os quais encontrou a cidade. Decepcionou-se e se desencantou. Discordou de mim no que afirmo sobre o meu lugar – Logo agora que eu ia precisar muito dele pra levar o Ênio de volta ao Haiti – Com sua experiência de voo iríamos tranquilos – bastaria adaptarmos ao nosso avião as asas que o Régis colocou no dele e levaríamos um pouco mais de esperança ao povo de lá. Tudo bem “comandante Sidney, fica pra próxima- na volta eu te convenço do que digo”. Acabei de saber que não posso ir também- ossos do ofício, vou mandar o Ênio em companhia de uns anjos amigos meus que estão indo pra lá. Por enquanto vou levar meu novo amigo para passear.

E depois de lhe apresentar à cidade, apresentaria três curumins: Maria Luiza, Guilherme e João e juntos iríamos ao Marajó, iríamos não! Vamos! Acabei de apresentar o Ênio aos três curumins e eles toparam a viagem... Estamos a caminho do Marajó... Uns dias em Joanes e por todos os cantos e encantos que têm por aqui... Açaizito ‘o mascote da Amazônia’ juntou-se a nós, um ser encantado que nasceu para conquistar o mundo, quem os trouxe foram minhas filhas Cínthia e Rafaela. O caro e raro amigo Elias Pinto nos espera em Belém... E aí? Embarcamos pra Santarém. Temos uma birita marcada pra lá. Tudo patrocinado pelo blog do Jeso, esse tinhoso acabou de economizar uma “ponta”, não vai ter problema em gastar, afinal a causa é nobre. Lá, vou apresentar a Pérola do Tapajós às minhas filhas, aos curumins e ao pequeno Ênio – só apresento à ela pessoas que amo verdadeiramente – conselho de Mbóia a cobra grande do juá, até porque tem unzinho aí em Santarém que não quer me ver nem pintado de ouro – e eu com isso?

Mesmo assim se a pérola me quiser, todos iremos passar dia felizes por lá, a turma toda. Doa a quem doer...

E em Alter do Chão faremos uma 'piracaia dos sonhos'. E só pra infernizar mais um pouco a vida daquele um, a notícia vai sair no blog do Jeso e no do Zezo Ferreira – esse quando souber que meu apelido de criança era Espalha Brasa vai ver que me prestou uma grande homenagem mesmo sem querer e mesmo sem me conhecer. É como me diz um amigo Chinês, o Xeng Xen Xura, que está vindo ao Brasil para se juntar aos meus afilhados Cacique Tô Cunsca Alho e Aji na Moita, o único japonês de olhos grandes que trabalham comigo e o Jorge Calderaro no site Acorda, Pará! São os caras que usam a paxiúba e a espada de Samurai para nocautearem os que mijam fora do pinico. Pois é Zezo quando eu chegava à casa de minha avó ela dizia: Chegou o Espalha Brasa, espero que ele não tenha bicudado as canelas de alguém por aí! Hoje só bato no fígado de alguém se me provocar desrespeitando o que eu, tu, o Jeso e o Calderaro fazemos tudo pra preservar: A dignidade, principalmente a de quem for pisado de cima pra baixo. A XENTE XE BLOGA XEN XE FALAR, MAS XONAMOS AS MESMAS COISAS. Força irmão. Quem sabe todos nós não saiamos no Esporte Espetacular e aí: XEN XO XODRE XE XE XEBRE.

Espero que o gol que o Régis marcou incentive outros artilheiros e que isso se espalhe através de sites, blogs, colunas e matérias de outros amigos meus e honrando meu apelido e teu blog: Essa onda vai se ESPALHAR!

Depois desse jogo de sonhos e palavras, depois desse drible para jogar o adversário no chão, cruzar a bola pro Régis matar no peito e fazer outro gol de avião, algum engraçadinho possa dizer: Aí o cara! Entrou no ônibus agora e já quer andar na janela! - O que eu posso fazer? Né Peixe?

No mundo dos esportes a maioria dos craques tem apelidos. Assim como eu, né meu?

Garrincha, Pelé... Aproveito para homenagear Giovani, uma das estrelas do Pará e o colégio Acrópole – te devo uma parada e tu nem sabes. Depois a gente se acerta. No time que eu tava jogando nem meu bicho os caras pagaram. E voltando ao apelido- Régis, hoje eu te batizo com teu novo apelido: Régis Solidariedade!

O tempo também é Espetacular! Os poetas conseguem com ele brincar e alguns escritores vão mais além: Transformam sonhos em realidade e realidade em sonhos...

Aviso: Os magos, bruxos, feiticeiros, pajés... Advertem: Não tentem fazer isso sem a devida orientação. Esses caminhos conduzem tanto ao céu quanto ao inferno. CUIDADO!

O pequeno Ênio está aqui comigo no Pará. Estamos ainda em Alter-do-Chão, a turma toda que falei... E tu Régis Solidariedade, imagina que aqui estás também. Não saia de campo – Essa 'Piracaia dos Sonhos' é em tua homenagem..´

O pequeno Ênio está para partir de volta ao Haiti. A “cara” está toda lambuzada de açaí, lembrando a “cara lambuzada de chocolate da primeira vez que o vi lá no Haiti. Vai partir deixando saudades levando na bagagem algumas coisas daqui: Açaí, em caroços para “bater” plantar e colher. Fazer picolé para as crianças de lá. Leva tantas outras frutas que quase não dá pra levar- aqui tem demais e todas são deliciosas. Leva um pé de castanheira para plantar e depois fazer sombra para todos, e sacos e sacos da própria castanha do Pará. Os anjos que o vão levando vão também ajudar a descarregar- três castanhas valem por um bifinho. Leva goma de tapioca pra mãe dele fazer tapioquinhas e substituir os biscoitos de lama. Leva muitas coisas: Vai vestido com uma roupinha que um curuminzinho que nem sei quem é, mas me entregou e pediu para eu entregar ao Ênio. Pensando bem, olhando para aqueles pés virados pra trás que ele tem- Acho que foi o Curupira que veio ajudar também e só foi embora para espantar os caras das motosserras que insistem e não desistem da Floresta devastar. Esse 'terremoto' aqui está para bater o do Haiti... Pega curupira!

Vai levando uma camisa e um shorte do Clube do Remo e mais uma estatueta do leão e uma bandeira de Cametá, a cidade, que meu pai deu, pra ele pra lembrar do dia em que pela primeira vez ele comeu Mapará e tomou açaí lá em casa. Esse ‘pessoá’! Caboclo de Cametá não tem jeito mesmo. Dizem até que na Bandeira de lá tem dois maparás em cruz. Eu juro que nunca prestei atenção. Tem mesmo parente? A minha prima a Natal Silva deve saber disso – Entonce sumano... Pergunte pra ela, é a cabocla mais 'aparecida' de lá. Hun! Hun!

Aprendeu a dançar carimbó com o Pinduca e vai sair daqui cheio de lári, lári! Essa é Paid’égua! Ouviu a Joelma e o Chimbinha cantarem Calypso pra ele, com o Edilson Moreno dançou uma tal de Rave na Floresta, ‘dizque’ faz um sucesso danado aí pelas bocadas. Ganhou aquela roupinha do curupira, conheceu a Matinta Perêra e nem se assustou quando ela chegou fazendo fiiiiiiiiiiittttttttttiiiiiiiiiiiiiii! Atrás de tabaco...

Tomou banho nas águas do Tapajós e do Amazonas, andou de canoa na baía do Guajará, enquanto um Boing riscava o vazio lembrando que os rios da minha aldeia são maiores que os de Fernando Pessoa e dizendo pra mim que a Amazônia sou eu – Só agora entendi porque tem um monte de gente querendo me derrubar. Ei Nilson Chaves! Por essa tu me pagas, me entregaste para os caras. Sacanagem tua. Te pego em Santarém dia 29 de janeiro, tu e esse pessoal aí do Vozes Caboclas, nunca vi gente mais ‘inxirida’. Também pudera os ‘caboquinhos’ são bons mesmo e olha mesmo olhando de palmo em cima nunca vi fazerem beicinho. Ei Jeso! Me manda outra “ponta” não quero perder esse show nunquinha. Não sei o que é isso, parece até Feitiço da Amazônia. Égua! Paid’égua! Acho que vou até compor uma a letra com esse nome, e pedir para meu amigo Alcyr Guimarães musicar. Mas não é aquela história de Feiticeira... Comigo o tambor bate mais forte... Me aguardem dia 29 vou ver o brilho dessa Pérola de novo, até seu brilho me encadear... E que história é essa de Olho de Boto porra Nilson de novo não! E se os caras se enciumarem... Tá bom! Tá bom! Se eles arrancarem o meu chapéu eu pulo n’água e venho nadando até Belém e digo pro Juraci Siqueira, não vai lá não, boto, meu irmão os caras tão a fim de dar uns paus na nossa turma. Só porque donazinha e sua turma andaram espalhando: Foi o boto sinhá! Não sei por quê?

Querem saber vão procurar o que fazer que eu tenho que me despedir do pequeno Ênio.

Vai partir depois de muita aventura, em Joanes no Marajó, correu pelos campos, andou no lombo de um búfalo... Fez e aprendeu muitas coisas aqui. Vai chegar ao Haiti perfumado com o cheiro do Pará, cheirando a patichuli levando uma caixinha que a Maria Luiza, o Guilherme e o João deram pra ele, dentro vai levando um pedacinho do coração de cada Paraense. A Cínthia e a Rafaela embalaram com todo cuidado, é um bem preciosíssimo. Esse molequinho aprontou poucas e boas. Treinou tênis com meu irmão Juscelino... Não pode? Pode sim! Aqui nossos amigos podem tudo. Só não podem esconder dinheiro na cueca se não os deputados de Brasília se zangam. Assim meu, até eu! Andou de bicicleta com a Aldenora e o Joca e ainda disse que ela parece uma onça, e não é que ele tem razão! Minha irmã Aldemira curou um machucado nele.

Eu, a Heloísa Huhn e o Salomão Laredo, o presenteamos com uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré para assim como abençoa o Pará e a Amazônia, abençoe o povo do Haiti. E quando o Círio de Nazaré na Rádio Rauland FM formos comentar, como eu e a Heloísa fazemos há 13 anos, e acredito nenhum de nós é PT, nosso partido é o PC, não o comunista mas o da Comunicação, e o Salomão Laredo está conosoco vai fazer quatro anos. Psiu! Governadora sabe o que hoje eu descobri?

Que a senhora ajudou a vender o Jornal Resistência que um dia eu ajudei a escrever, levado pelo amigo Paulo Fonteles que corrigia meus textos e os passava sem ninguém saber que eram meus. Não sei se o meu amigo Paulo Roberto Ferreira sabia disso. Lembra da história do Figueiredo que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo? Pois é essa eu não escrevi, mas dei uma corda danada! E tem mais se alguém me perguntar se eu fui o menino que pulou do segundo andar do prédio atrás da Igreja Nossa Senhora Aparecida lá na Pedreira, quando a Polícia Federal invadiu e prendeu muita gente... E fui avisar disso lá na Escola Salesiano do Trabalho para o Jaime de São Paulo... Se me perguntarem eu nego e se me apertarem muito, me desculpe vou dizer que foi a senhora e o Paulo que me mandaram pra lá, como álibi até vocês darem um jeito de eu ir pra Santarém assistir o show do Nilson Chaves, e do Vozes Caboclas. Não pelo que fiz ainda menino e não contei pra ninguém, mas pelo que divulguei do Pará e a senhora fica dizendo que falta divulgação... O Paulo tem competência seu problema é um grupinho de almofadinhas turrões, que ao invés de ajudar atrapalham, por isso mesmo de vez em quando lá está sua turma na Coluna Horrível no Acorda Pará. Tem horas que a turma até lhe defende, leia luzes da Ribalta na minha coluna e depois me diga se não mereço um suco de cupuaçu?

Dá licença Governadora!

Licença Prêmio não. Por favor, me desculpe vou me despedir de um amigo que vai voltar pro Haiti e vai deixar muitas saudades no Pará. E por favor, não vá chorar também!

Ênio vai partir deixando a certeza que o Haiti não é aqui e olhando para as estrelas que brilham no céu todos que participaram dessa 'Piracaia dos Sonhos' ganharam um novo brilho no olhar: O Haiti não é aqui. O caribe é aqui: Alter-do-Chão! E mais do que nunca tivemos a certeza: O paraíso é o Pará e o céu a Amazônia, que cobre de encantos este chão do Brasil. O pequeno Ênio se foi... Enrolado na Bandeira do Pará levando uma Lança Encantada que ganhou de Guaymiaba Tupinambá. Com ela ele vai crescer e comandar uma “guerra” nem que seja do céu. Vai plantar rosas rubras nos corações do povo do Haiti e se ele precisar. A lança encantada mandará um sinal, e das matas da Amazônia irão os guerreiros para ajudá-lo a vencer essa 'guerra' e as rosas rubras plantar nos canteiros do Haiti.

No jogo da vida o sonho é um portal que conduz a realidades que a razão desconhece; transforma a vida no Maior Espetáculo da Terra.

É Fantástico! É só acreditar!

 
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