Em nome da Amazônia
sexta-feira, 30/01/09 – 21h05
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O Presidente da Comisão de Anistia Dr. Paulo Abrão,
ladedo pelo jornalistas, Luiz Alho e Jorge Calderaro |
Em meio à realização do
Fórum Social Mundial 2009, em Belém, capital do
estado do Pará, no momento em que os olhos do mundo estão
voltados para a Amazônia, eclodiu a notícia de que
um dos seus filhos mais ilustres, o advogado e escritor Benedicto
Monteiro, ex-deputado estadual, cassado pelo regime militar teve
o processo no qual solicitava indenização pelos
danos sofridos em decorrência da cassação
do seu mandato, e da ‘caçada’ pelo regime militar,
de sua prisão, e de outras arbitrariedades que lhe tiraram
a liberdade e que o afastou de seus afazeres, e de seus ideais
de construção de um Pará e uma Amazônia
mais dignos de seus filhos, indeferido pela Comissão de
Anistia do Ministério da Justiça.
Benedicto Monteiro, falecido em 14 de Junho
de 2008, não tomou conhecimento da sentença prolatada,
o que seria mais uma tortura, das muita que sofreu quando foi
caçado, preso e torturado. Essa notícia talvez o
tivesse levado à morte mais cedo, ainda, se a tivesse recebido
em vida; não pelo dano financeiro, mas pelo desconhecimento
das agruras que sofreu em nome do Pará, da Amazônia
e de sua gente. Essa luta, descrita em seus livros correu pelos
igarapés, rios, e matas da Amazônia e ganhou o mundo
quando de sua prisão. Bendicto Monteiro se foi, ganhou
assas como um ’Anjo Rebelde’, mas, deixou um legado
que não pode e nem deve ser maculado por uma injustiça.
Não é obrigação da
Comissão de Anistia conhecer a história de Benedicto
Monteiro, e sua importância para a cultura do Pará,
da Amazônia, do Brasil e do Mundo, mas se faz necessário
a reabertura e revisão do processo que talvez em função
do precário estado de saúde de Benedicto Monteiro,
durante o andamento do processo, não tenha tido o devido
acompanhamento. É relevante acreditar que nem o maior dos
‘descuidos’ suplante a missão da Comissão
de Anistia do Ministério da Justiça que é
a de corrigir os erros cometidos, no passado, que condenaram cidadão
a pagar por crimes que não cometeram, e que foram assim
tipificados, por se oporem a um regime autoritário à
quem os ideais de liberdade incomodavam por mostrar a verdadeira
face de quem conduziu o país em tempos idos.
Darcy Ribeiro, ao prefaciar um dos livros de
Benedicto Monteiro, reconheceu sua importância para a história
e a cultura, afirmando: “Mais olhos ninguém teve
do que ‘Bené’, para ver, sofrer e comunicar
a dor e o gozo milagroso de ser amazônida”. A vil
tristeza desta nossa gente despossuída de si mesma para
ser engajada e gastada na produção venal do que
não come, do que não usa, (...) nos textos de Benedicto
Monteiro é onde melhor se destrança a trama humana
e desumana da vida social da Amazônia que é a verdadeira
selva selvagem; a mata penetrada, assinada, pela civilização
predatória. Lá, metidos por milênios, povos
índios morenos de mil falas e mil caras, decifram a mata,
aprendendo a viver nela e com ela, cultivando, caçando,
e procriando (...).
Em entrevista exclusiva ao saite ACORDA PARÁ,
da Amazônia Nossa Terra, o presidente da Comissão
de Anistia do Ministério da Justiça, Excelentíssimo
Sr. Dr. Paulo Abrão, questionado sobre o caso, informou
que quando do seu retorno à Brasília irá
analisar o processo, e enviará ao saite ACORDA PARÁ,
informações detalhadas sobre o indeferimento e garantiu
ao jornalistas Luiz Alho e Jorge Calderaro, que se provas existirem,
o processo será revisto, evitando conjecturas sobre o caso.
Durante a entrevista Paulo Abrão falou
rapidamente sobre seu trabalho à frente da missão
de devolver a dignidade de muitos cidadãos e dentro dos
princípios da Justiça reparar parte de nossa história.
Em nome da Amazônia, o saite ACORDA PARÁ,
e de AMAZÔNIA NOSA TERRA, apelam para que nossa história
e nossa cultura não sejam manchadas pelo desconhecimento
das injustiças sofridas por Benedicto Monteiro.
Belém, Pará Amazônia, Brasil...
Pará unido, inteiro, verdadeiro!!!
Acorda Pará!!!
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