Estado de Sítio
domingo, 11/01/09 - 15h40
A
crescente onda de violência que varre o Pará
de ponta a ponta, e transforma Belém e a região
metropolitana em verdadeira ‘Faixa de Gaza’,
dá um novo significado ao preceito constitucional
de que todos são iguais perante a lei; Hoje, diante
de tanta matança e centenas de caso de impunidade,
o que nos torna iguais perante a lei e a justiça
é a dor de vermos e termos tantos inocentes assassinados
sem que se faça a justiça que deveria ser
feita, sem contar aí os casos de assaltos, seqüestros
relâmpagos, estupros e todo tipo de violência
a que estamos submetidos.
Chorar os mortos e implorar justiça tem
sido a saga de pais, mães, irmãos, parentes e amigos
que tiveram seus entes queridos friamente assassinados ou sofreram
outras modalidades de violência, e lutam com todas as ‘armas’
possíveis para que se faça justiça, e para
que criminosos, muitos deles, andando livremente pelas ruas da
capital e do interior, sejam presos e condenados.
Uma luta árdua, desgastante, humilhante
às vezes, mas que deve seguir em frente, enfrentando todas
as barreiras, em respeito a todos os que foram retirados do seio
de suas famílias, e que ‘guerra’ essa, se e
quando vencida não os trará de volta, jamais. Mesmo
assim, é preciso seguir em frente como um exemplo de que
nem todos são omissos, e ainda acredita-se que unidos pela
força do amor e da dor, consigam encontrar meios para que
outros casos sejam evitados, e os que inevitavelmente aconteçam
não fiquem impunes e caiam na gaveta do esquecimento do
descaso.
Casos como o de Gustavo Russo, Nirvana, Irmã
Dorothy, Maycon Pantoja, Haroldo Moreira, meninos da CEASA, meninas
da Pratinha, Salvador Nahmias, Marcelo Castelo Branco Iudice,
Bruno Abner, Lília Obalski, só não sairão
da memória do povo porque unidos pela mesma dor e indignação
os grupos comitê Dorothy, Movida e Grupo Pela Vida, fazem
ecoar um grito por justiça, e por ela seguem em frente,
não só para que se faça justiça, mas
para evitar que outras famílias passem pela mesma dor.
A saída, a pedido, do comandante geral
da Policia Militar do Estado é um indicativo que a violência
está sitiando o estado do Pará, e transformando
Belém, na necrópole da Amazônia, é
preciso que se esclareça o que motivou tal atitude, e é
preciso também ficar alerta para o retorno do delegado
Raimundo Benassuly como delegado geral de polícia em substituição
a Justiniano Alves, nem todo mundo esqueceu suas palavras e seu
comportamento, em Brasília, quando depôs sobre o
caso da menina de Abetetuba, trancafiada na mesma cela com 20
(vinte) detentos, e que segundo relatos, foi abusada sexualmente,
sob os olhos cegos da polícia e da justiça, tendo
o delegado Benassuly, sido infeliz em suas colocações
quando a classificou como uma débil mental, e foi imediatamente
afastado do cargo pela governadora Ana Júlia, a mesma que
o traz de volta, pensemos nisso!

O Pará é o encanto da Amazônia,
porém nossa bandeira está manchada com o sangue
de inocentes que tombam todos os dias, cujas famílias esperam
por uma justiça que está longe de chegar. Pará,
Estado de sítio.
Deus salve o Pará!!!
Acorda Pará... |