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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Fala Sério

segunda-feira, 07/12/09 – 18h40

O 2º Salão do Livro do Oeste Paraense, uma realização do Governo do Estado através da Secretaria de Cultura – SECULT, em parceria com a Prefeitura de Santarém e o Hangar – Centro de Cultura e Eventos da Amazônia, deve marcar a administração da prefeita do município de Santarém, Maria do Carmo Martins, como uma das, ou talvez a maior, de suas realizações, em função da importância que um evento desse porte significa para o município de Santarém, que é o 2º Salão do Livro, bem como para todos os municípios que fazem parte do oeste do Pará. O evento pertence a todos eles. É necessário que se abram os olhos para tudo de bom e para as várias portas que se abrem ou que já foram abertas desde a realização do 1º Salão.

É preciso ter cautela e competência para saber atravessá-las. O 2º Salão do Livro do Oeste do Paraense impulsiona o turismo, fortalece o comércio, atrai investidores do ramo literário, a exemplo de distribuidoras de livros e outros investimentos. Por outro lado, e de maior importância está a transformação cultural que a região terá, a partir da reunião social, dos ‘Fazedores de Cultura’, de todos os ‘cantos’ do Pará e em nível nacional.

No Salão reunem-se: Alunos, Professores, Escritores, Contadores de História, Artesãos, Atores, Cantores, Músicos, e, a grande estrela que é o livro, estrada para grandes viagens pela diversidade cultural, local, regional, nacional e mundial. O mundo se faz presente em Santarém e região, é fundamental saber habitá-lo e saber explorá-lo.

Santarém é celeiro de talentos no Pará e na Amazônia, e presenteou o mundo com a grandiosidade e a singularidade de nomes como Wilson Fonseca (Maestro Isoca), Rui Paranatinga Barata, Sebastião Tapajós e tantos outros. Com o Salão do Livro surge um novo momento e muitos outros talentos serão revelados em todas as áreas da cultura.

É de fundamental importância que sejam observados detalhes de bastidores que podem manchar a execução de um evento tão grandioso e deixar cicatrizes profundas, provocadas por situações não tão dignas de um município que é anfitrião. A ocorrência de alguns problemas não podem e não devem macular a intenção de acertar, e não devem macular a intenção do realizar… O respeito, principalmente ao escritor visitante, que somado ao escritor local, procura dar pernas a uma cultura que se arrasta por falta de apoio, não correspondeu à menor expectativa e às normas de nossa cantada hospitalidade.

Nos bastidores parece ter havido uma ‘Guerra de Vaidades’, que provocou o surgimento de vários problemas. Nenhum que não tivesse solução, mas que deveriam ter sido evitados. Fernando Pessoa quando diz que tudo vale a pena se a alma não é pequena se refere a grandeza que o ser humano deve ter. A alma não é pequena quando todas as ações são voltadas ao bem comum.

Infelizmente, no 2º Salão do Livro do Oeste do Pará, além dos problemas técnicos, organizacionais e outros entraves gravíssimos para quem vive o dia-a-dia das Feiras e Salões de Livros Brasil afora e a dentro, vencendo dificuldades rotineiras e situações desagradáveis e de última hora como é o caso dos expositores de outras regiões, tivemos falta de uma mão amiga que nos desse apenas as boas vindas, que nos entregassem um estande digno dos Escritores Paraenses, digno do trabalho de quem defende o Pará e a Amazônia, com obras que contribuem com o fortalecimento de nossa cultura.

Não somos melhores e nem piores que ninguém, mas se faltou um afago, respeito, ou um gesto de boas vindas por parte da organização local, isso nos foi dado pela população de Santarém, principalmente pelas crianças e pelos jovens, escritores e professores de Santarém que nos prestigiaram com suas presenças e um papo amigo.

Isentamos de quaisquer responsabilidades sobre o ocorrido a prefeita Maria do Carmo, que nos visitou e foi recebida com respeito e cordialidade que merece, talvez com a certeza de que estivesse tudo bem, mas não estava. O segredo de um evento do porte do 2º Salão do Livro do Oeste do Pará é a engrenagem, o funcionamento de todas as peças que a compõem. Se uma se rompe ou não cumpre sua função, deve ser substituída, sob pena de ter quebrada toda a engrenagem. E, o que é pior, chamar pra si a irresponsabilidade e a incompetência de terceiros. Superadas essas ocorrências, que o Salão do Livro do oeste paraense cumpra com objetivo para o qual foi criado, supere todas as adversidades e legue à Santarém e a todo o oeste paraense todas as oportunidades possíveis. Que gere bons frutos e faça brilhar cada vez mais a cultura dessa região.

Um evento como o Salão do Livro do oeste paraense merece ser abrigado sob um dos símbolos máximos da cultura local, dessa forma, em que pese a permanência da estrutura que permanecerá em Santarém, sugiro que a prefeita não meça esforços para a construção de um centro de convenções e eventos digno da população e da cultura de Santarém e dê-lhe a forma de um muiraquitã.

Texto publicado originalmente no Blog do Jeso, devido a problemas técnicos ocorridos na cidade de Santarém, por ocasião do II Salão do Baixo-Amazonas.

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