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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Franco Atirador

terça-feira, 28/07/09 - 14h40

De vez em quando, o acaso me permite encontrar Ronaldo Franco, andando pelas ruas do bairro da Pedreira, próximo à feira, ou em alguma palestra pelos colégios da vida. Não somos amigos, amigos. Somos “passantes”, um pelo outro e sei mais dele do que ele de mim, embora transitemos pela mesma estrada: A das palavras. Ele, sábio e com larga e vasta experiência. Eu, um aprendiz caminhante, sempre em busca do que ou de quem acrescente algo novo à “minha coleção de bens imateriais”. Nossos encontros sempre foram rápidos e casuais e iniciados por um: Fale Alho! O que já é um bom começo, além de lembrar meu “nome”, dá a impressão de que eu tenho sempre algo a dizer...

E, francamente, Ronaldo é desses camaradas que faz da palavra, vara mágica, que a cada toque, cria jóias de imensurável valor, textos e poesias que jorram de seu condão a iluminar os caminhos dos que se deixam levar pelo que é verdadeiro e belo.

Ler Ronaldo Franco é encontrar-se com a alma da poesia e entre a suavidade e a força das palavras, embriagar se de vida. Seu perfil sereno; sorriso sempre estampado no rosto, parece se contrapor a fúria de seus poemas, que vira e revira a vida, num turbilhão de emoções: Amar, sofrer, viver, querer, sentir e SER. Ronaldo é franco, franco atirador, de pétalas em forma de poesia, que faz do tempo o que o tempo deveria ser: Vida em abundância, em forma de magia e poesia:

“O tempo aqui é sujeito a fúrias demolidoras do cotidiano e surtos de escandalosas ternuras, ambas com exageros. O vento desfralda a bandeira da liberdade. (Daí a impressão de que as pessoas estão nuas demais. Sem os vestidos e sem as gravatas da hipocrisia).
"Fragmentos de Potpourri-so Tropical"
Ronaldo Franco

E, por fim, meu camarada...

É verão em nosso “País - Pará”, além de sol, mar, rios e igarapés, um bom mergulho na palavra nos faz emergir renovados e revigorados. É isso. Ler Ronaldo Franco renova e revigora; até quando chama a atenção para mosqueiro, que apesar do abandono, ainda consegue encher de poesia os olhos e a alma do poeta:
“Onde o sol se retira macio no azul suavíssimo de julho. E aqui começa física e emocionalmente o jardim de infância no quintal das marés. Racionalmente como se estivéssemos nascendo de novo. E a levar-nos excessivamente a sério na brincadeira de viver”

Ronaldo Franco, sem dúvida nenhuma, um franco atirador, de pétalas em forma de poesia. É muito bom encontrá-lo por aí...

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