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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Furo de Reportagem

segunda-feira, 03/08/09 – 19h00

Causou-me surpresa ver a foto da aposentada Lucidéia Alves de Moraes estampada na capa do caderno policial do jornal ‘O Diário do Pará’. Lamento vê-la envolvida em um ato ilícito. Lucidéia é mais uma vítima da degradação social do que propriamente uma golpista capaz de enganar políticos e empresários. Surpresa maior foi saber que, segundo a reportagem, ela se fazia passar por uma doutora, Ana Telma, funcionária da SEFA, para aplicar seus golpes. Quem a vê, mesmo em primeiro contato, por mais ingênuo que seja, percebe logo de cara que não é uma doutora; não tem argumentos suficientes para convencer alguém disso e veste-se com uma simplicidade franciscana, muito menos, funcionária da SEFA...

Quanta ingenuidade dos políticos e empresários que se deixaram enganar por uma “velhinha” quase septuagenária. Logo políticos e empresários, que a maioria não dá água a pinto e a ingenuidade passa a quilômetros de distância de ambas as classes. Lucidéia é figura conhecidíssima e carimbada nos bastidores da política paraense. Faz parte das arraias miúdas, dos correligionários invisíveis, que só servem para votar, pedir votos e carregar bandeiras em hora de eleição. Depois, são jogados no limbo, e entregues à própria sorte, se é que têm sorte. Se sobreviverem, na próxima eleição serão convocados de novo.

Como Lucidéia, existem muitos. Grupos de homens e mulheres que perambulam de gabinete em gabinete, na Câmara Municipal, na Prefeitura, na Assembleia Legislativa e no Palácio do Governo, em busca de migalhas e nem nisso são atendidos. Lucidéia faz parte de um grupo de mulheres que constantemente é visto nas cercanias da Casa Militar da Assembléia Legislativa tentando falar com o coronel Gomes, que na concepção delas, é um anjo fardado, que as ajuda desde o primeiro governo de Jader Barbalho. A história de Lucidéia, e muitas outras, o coronel Gomes conhece muito bem. Muitas dessas pessoas são do tempo em que Jader Barbalho foi vereador e por um motivo ou por outro, o acompanham até hoje.

Homens e mulheres, arraias miúdas, correligionários invisíveis que ajudaram a distribuir os primeiros exemplares do jornal ‘O Diário do Pará’. Por ironia do destino, Lucidéia foi uma delas. Assim como ela, muitas outras pessoas também. O tempo passou, Jader fez carreira na política, paralelamente ‘O Diário do Pará’ cresceu, as pessoas mudaram e a vida de Lucidéia também mudou... Mudou para pior, virou capa do caderno policial do jornal que ajudou a distribuir o primeiro exemplar.

Evidentemente o jornal não tem nada a ver com isso, Jader Barbalho não tem nada a ver com isso, o coronel Gomes não tem nada a ver com isso. O delegado cumpriu sua missão, prendendo em flagrante uma “golpista” que enganou ingênuos políticos e empresários, enquanto o crime organizado, o tráfico de drogas e a pistolagem “brincam de pira” em Castanhal... A matéria foi um furo de reportagem e que furo, revela a situação de nossos idosos e à que estão apelando para tentar sobreviver os “renegados da terceira/melhor idade”? Enganar políticos e empresários!

Sinceramente, aos que conseguirem, meus parabéns!

 
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