Furo de Reportagem
segunda-feira, 03/08/09 – 19h00
Causou-me surpresa ver a foto da aposentada
Lucidéia Alves de Moraes estampada na capa do caderno
policial do jornal ‘O Diário do Pará’.
Lamento vê-la envolvida em um ato ilícito.
Lucidéia é mais uma vítima da degradação
social do que propriamente uma golpista capaz de enganar
políticos e empresários. Surpresa maior
foi saber que, segundo a reportagem, ela se fazia passar
por uma doutora, Ana Telma, funcionária da SEFA,
para aplicar seus golpes. Quem a vê, mesmo em primeiro
contato, por mais ingênuo que seja, percebe logo
de cara que não é uma doutora; não
tem argumentos suficientes para convencer alguém
disso e veste-se com uma simplicidade franciscana, muito
menos, funcionária da SEFA...
Quanta ingenuidade dos políticos
e empresários que se deixaram enganar por uma “velhinha”
quase septuagenária. Logo políticos e empresários,
que a maioria não dá água a pinto
e a ingenuidade passa a quilômetros de distância
de ambas as classes. Lucidéia é figura conhecidíssima
e carimbada nos bastidores da política paraense.
Faz parte das arraias miúdas, dos correligionários
invisíveis, que só servem para votar, pedir
votos e carregar bandeiras em hora de eleição.
Depois, são jogados no limbo, e entregues à
própria sorte, se é que têm sorte.
Se sobreviverem, na próxima eleição
serão convocados de novo.
Como
Lucidéia, existem muitos. Grupos de homens e mulheres
que perambulam de gabinete em gabinete, na Câmara
Municipal, na Prefeitura, na Assembleia Legislativa e
no Palácio do Governo, em busca de migalhas e nem
nisso são atendidos. Lucidéia faz parte
de um grupo de mulheres que constantemente é visto
nas cercanias da Casa Militar da Assembléia Legislativa
tentando falar com o coronel Gomes, que na concepção
delas, é um anjo fardado, que as ajuda desde o
primeiro governo de Jader Barbalho. A história
de Lucidéia, e muitas outras, o coronel Gomes conhece
muito bem. Muitas dessas pessoas são do tempo em
que Jader Barbalho foi vereador e por um motivo ou por
outro, o acompanham até hoje.
Homens e mulheres, arraias miúdas,
correligionários invisíveis que ajudaram
a distribuir os primeiros exemplares do jornal ‘O
Diário do Pará’. Por ironia do destino,
Lucidéia foi uma delas. Assim como ela, muitas
outras pessoas também. O tempo passou, Jader fez
carreira na política, paralelamente ‘O Diário
do Pará’ cresceu, as pessoas mudaram e a
vida de Lucidéia também mudou... Mudou para
pior, virou capa do caderno policial do jornal que ajudou
a distribuir o primeiro exemplar.
Evidentemente o jornal não tem
nada a ver com isso, Jader Barbalho não tem nada
a ver com isso, o coronel Gomes não tem nada a
ver com isso. O delegado cumpriu sua missão, prendendo
em flagrante uma “golpista” que enganou ingênuos
políticos e empresários, enquanto o crime
organizado, o tráfico de drogas e a pistolagem
“brincam de pira” em Castanhal... A matéria
foi um furo de reportagem e que furo, revela a situação
de nossos idosos e à que estão apelando
para tentar sobreviver os “renegados da terceira/melhor
idade”? Enganar políticos e empresários!
Sinceramente, aos que conseguirem, meus
parabéns!
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