Hoje eu
conversei com o Carnaval
segunda-feira, 25/01/10 - 15h30
Desde o dia em que retornei de Santarém,
para quem não sabe, município do Estado
do Pará, onde participei do 2° Salão
do Livro do Oeste Paraense, tenho notado algumas excelentes
mudanças em meu caminhar; retirei algumas pedras
gigantescas do caminho e aproveito o momento para agradecer
aos caros e raros amigos que me ajudaram à quebrá-las...
Não foi uma tarefa fácil,
mas limpamos o caminho, não só os meus -
muitas estradas não são as mesmas; tenho
comigo a certeza de que renovado por essa energia que
nos carregou de nova força poderemos seguir em
frente depois de cumprirmos uma de nossas missões:
Quebrar pedras no caminho para que outros possam passar,
e com mais certeza ainda de que só conseguimos
isso porque muitos passaram antes de nós, em nossos
caminhos e em outros caminhos quebrando pedras também.
“Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do
caminho tinha uma pedra...”. Renovado com um novo
brilho no olhar, sou obrigado a confessar: Sinto-me meus
caros e raros amigos como se uma pérola me tivesse
pelos olhos entrado, instalou-se em meu coração
e me devolveu o brilho no olhar me trazendo uma luz e
uma paz que neste texto tento dividir com quem comigo
caminha...
A estrada é longa, ontem tive
a certeza que venci uma parte... Não espalhem...
Houve uma época que fui ao inferno e voltei e confesso
não gostei do que vi e como fui protegido, antes
de sair mostrei a língua ao diabo, dei dois “cotôcos”
e voltei. Continuo quebrando pedras desde esse dia, várias
pedras... E continuo a caminhada. Fui ferido novamente
e quase tropeço ao receber uma punhalada. E de
repente um brilho fortíssimo invadiu-me a alma
e me impediu de cair novamente. Abriu-me os olhos, a alma
e o coração.
Caminhei pelas ruas... Oxigenei meu corpo
e voltei para casa, antes de dormir conversei com meu
pai e ele Cametaense de quatro costados, bebedor de açaí
e comedor de Mapará depois da conversa me disse:
“Vou cuspir aqui! E antes que esse cuspe enxugue
quero te ver um novo homem, moleque! E olha que já
nem sou tão moleque assim. Dormi, acordei, dei
um beijo em meu pai e agradecido saí às
ruas disposto a fazer um carnaval antecipado. Tenho que
comemorar, despertei renovado e tenho que começar
a gastar toda a energia com a qual renasci...
Fazemos os planos e Deus, além
de nos mostrar o caminho, os executa. Encontrei sem querer
Alfredo Oliveira na residência de Jorge Calderaro,
batemos um papo sobre assuntos diversos, todos ligados
à Cultura, ele, eu, os assuntos, Jorge Calderaro
e Mauro Sokrates. E de repente o assunto foi o Carnaval,
é o carnaval... E eu que saí de casa disposto
a fazer um carnaval antecipado, sozinho, sem máscara
e fantasia, apesar de estar com excesso de “bagagem”,
comecei a sambar de alegria com a aula de samba e do samba
que esse mestre me deu. Vibrei! E pensei: Quem disser
que Deus não existe, eu mato! Mato porra nenhuma!
Eu não mato uma mosca e nem nasci pra isso. Vou
deixar essa história de que Deus não existe,
para quem pensa assim, para o novo Arcebispo resolver-
Seja bem vindo! Dom Alberto, em nome de D. Miltom Corrêa
Pereira e família, da família Alho e de
todas as famílias Cristãs do Pará
e da Amazônia, que sejas recebido com todo carinho
de nosso povo, e coberto com o manto de Nossa Senhora
de Nazaré para protegê-lo e ajudar a cumprir
sua nova missão. Conte também com Dom Zico,
que já cumpriu essa missão.
Como diria meu “cumpadi”
Nei Fera, papo vai papo vem, Nenem! Nem vem! Tá
esquentando “cumpadi”! Quando percebi que
o que o Mestre Alfredo Oliveira falava era uma aula de
samba pra mim, acertei os passos e disse- Tô matriculado!
Se ‘manquem’ com a minha cara, na minha área
eu também dou aulas... Lá vai... Desfilamos
pela Avenida do Saber sambando em meu ‘Carnaval
Antecipado’ e demos um show... Como o Carnaval é
feito por gente que samba também... Vou liberar
a avenida e quem quiser pode vir também... Eu bem
que queria, mas minha mãe ensinou-me: Os mais velhos
primeiro- Só que esse também não
envelhece nunca, se envelhecesse, seria como os bons vinhos,
quanto mais velho melhor! Dou aulas ou não dou?
E sendo assim, esquentem os tamborins,
afinem as cuícas, rufem os surdos, reco-recos,
pandeiros, afinem os cavaquinhos e os violões...
Atenção repique, surdo de marcação,
mestre de bateria... Ney Fera, meu “cumpadi”,
dá o grito de Guerra. Alcyr Guimarães, meu
‘Menestrel Encantado da Floresta’, manda um
beijo para tua “Nega-Branca”... Atenção
Escola! Ensaio geral. Esquenta! Cinco minutos, que em
homenagem ao Samba de todo Brasil, aos sambistas, e meus
chapas dêem licença e mesmo sem permissão
‘Saúdo nas Negras’, mulatas e morenas
do Pará, todas as mulheres do Brasil. E para as
brancas e loiras não fiquem com ciúme quem
quiser pode vir... Antes da Grande História que
agora eu vou contar em poucas palavras... Vai começar
o maior Carnaval que já se viu na história
do Pará.

Segura! Segura!
“A Estrada do Saber não
tem fim meu filho, continua quebrando pedras... Para isso
eu e teu pai te moldamos a maior de todas as alavancas
e marretas feita do sândalo para quando tu a empunhares
ou bateres no chão, perfumarás o mundo com
o nosso perfume, nós somos teus pais, sândalos,
tu és sândalo e através de tuas filhas
renasceremos sândalos e através dos filhos
delas seremos sândalos, de geração
em geração até o fim dos tempos.
E agora quando empunhares a alavanca e a ergueres ao Céu
e bateres a marreta no Chão, espalharás
nosso perfume no ar, e ao levantar da alavanca, agradece
a Deus o presente que eu e teu pai te deixamos. Agora
com toda força do mundo ao bateres no Chão
do Pará e na terra Sagrada da Amazônia descobrirás
o presente e a herança que te deixamos: A mesma
sabedoria que Salomão pediu, e Deus deu a Salomão
e que ele gentilmente mandou te ofertar. A obra não
pode parar...”
"Maria Tereza de Jesus Pereira Alho"
Quem São eles: Paulo
Preto, Jamil Mousinho, Luiz Guilherme e todo o Império
Rancho Não posso me Amofinar: João Bosco
Moises, Luiz Lopes e David Miguel
Boêmio: Irmãos Peixoto
Acadêmicos da Pedreira: Waldir Fiok
Bole–Bole: Vetinho
Recebam minha homenagem neste Carnaval
de todas as Escolas que fiz para mostrar ao mundo que
além de todas as nossas riquezas temos outra maior
ainda a Cultura Popular que precisa ser conhecida, mas
antes de tudo tem que ser primeiro valorizada por nós
que a fazemos, homens e mulheres do Pará, porque
nós sim, somos a maior riqueza desta terra. E muita
gente não sabe disso aqui dentro! Nós somos
o verdadeiro orgulho do Pará, como disse e escreveu
Calderaro em um texto datado de 2006, “Tenho
orgulho de ser paraense...”. Nós
criamos e dividimos nossa criação. O resto
é cópia e propaganda em rádio, jornal
e televisão.
Atenção
Os magos, bruxos, feiticeiros, pajés, catimbozeiros,
mandingueiros e alquimistas ADVERTEM NOVAMENTE!
Não tentem fazer isso sem a devida orientação
e o acompanhamento necessário, quem avisa somos
nós.
Nós somos os Mestres
Atenção Escola.
Que rufe a Bateria.
Alcir Guimarães, meu amigo Menestrel pode dar os
acordes iniciais.
Ney Fera, meu ‘cumpadi’ solta a voz da garganta,
dá o Grito de Guerra: Tô Cunsca Alho! Vaiiiiiiiiiii
- ‘í’ - Silvinho da Beija-Flor, essa
tu perdestes, quem manda não está na área.
E em homenagem a minha velha Portela
e ao Império Quem são eles, minhas águias
queridas...
Mestre de Bateria mande o repique cantar e pode iniciar
o Carnaval... E agora peço licença que eu
vou subir, vou nas asas dessas águias buscar a
chuva pra molhar o carnaval... E elas vão levar
no bico a Estrela do Pará.
E depois quando eu voltar trazendo a
chuva para limpar todo o mal em Belém, no Pará
e na Amazônia, alguém disser que não
estendeu este texto e nem sambou com este samba invisível,
ora por favor me compre um bode. Vamos fazer churrasco
lá no Mestre Chico Barão, com ‘Visagens
Falsas - Assombrações Verdadeiras’,
e comer na mesma mesa que essa turma de bamba que está
foto abaixo, estava almoçando na hora que eu disse,
já vou, vou preparar um Carnaval. Sai e não
disse nada ‘Hoje eu Falei com O Carnaval’
Quem duvidar pergunte pra ele... Tai Alfredo Oliveira,
o que nosso papo rendeu. Obrigado!

Fotógrafo (Dido) o bom...
Na foto: Bismarck, Luiz Alho,
Orlando OB, Majé, Mestre Chico Barão, Jorge
Calderaro, Zé Mário, Antônio e Vicente
do Cavaco.
Viva Belém!
Acorda, Pará!
Amazônia, Nossa Terra!
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