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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Hoje eu conversei com o Carnaval

segunda-feira, 25/01/10 - 15h30

Desde o dia em que retornei de Santarém, para quem não sabe, município do Estado do Pará, onde participei do 2° Salão do Livro do Oeste Paraense, tenho notado algumas excelentes mudanças em meu caminhar; retirei algumas pedras gigantescas do caminho e aproveito o momento para agradecer aos caros e raros amigos que me ajudaram à quebrá-las...

Não foi uma tarefa fácil, mas limpamos o caminho, não só os meus - muitas estradas não são as mesmas; tenho comigo a certeza de que renovado por essa energia que nos carregou de nova força poderemos seguir em frente depois de cumprirmos uma de nossas missões: Quebrar pedras no caminho para que outros possam passar, e com mais certeza ainda de que só conseguimos isso porque muitos passaram antes de nós, em nossos caminhos e em outros caminhos quebrando pedras também. “Tinha uma pedra no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma pedra...”. Renovado com um novo brilho no olhar, sou obrigado a confessar: Sinto-me meus caros e raros amigos como se uma pérola me tivesse pelos olhos entrado, instalou-se em meu coração e me devolveu o brilho no olhar me trazendo uma luz e uma paz que neste texto tento dividir com quem comigo caminha...

A estrada é longa, ontem tive a certeza que venci uma parte... Não espalhem... Houve uma época que fui ao inferno e voltei e confesso não gostei do que vi e como fui protegido, antes de sair mostrei a língua ao diabo, dei dois “cotôcos” e voltei. Continuo quebrando pedras desde esse dia, várias pedras... E continuo a caminhada. Fui ferido novamente e quase tropeço ao receber uma punhalada. E de repente um brilho fortíssimo invadiu-me a alma e me impediu de cair novamente. Abriu-me os olhos, a alma e o coração.

Caminhei pelas ruas... Oxigenei meu corpo e voltei para casa, antes de dormir conversei com meu pai e ele Cametaense de quatro costados, bebedor de açaí e comedor de Mapará depois da conversa me disse: “Vou cuspir aqui! E antes que esse cuspe enxugue quero te ver um novo homem, moleque! E olha que já nem sou tão moleque assim. Dormi, acordei, dei um beijo em meu pai e agradecido saí às ruas disposto a fazer um carnaval antecipado. Tenho que comemorar, despertei renovado e tenho que começar a gastar toda a energia com a qual renasci...

Fazemos os planos e Deus, além de nos mostrar o caminho, os executa. Encontrei sem querer Alfredo Oliveira na residência de Jorge Calderaro, batemos um papo sobre assuntos diversos, todos ligados à Cultura, ele, eu, os assuntos, Jorge Calderaro e Mauro Sokrates. E de repente o assunto foi o Carnaval, é o carnaval... E eu que saí de casa disposto a fazer um carnaval antecipado, sozinho, sem máscara e fantasia, apesar de estar com excesso de “bagagem”, comecei a sambar de alegria com a aula de samba e do samba que esse mestre me deu. Vibrei! E pensei: Quem disser que Deus não existe, eu mato! Mato porra nenhuma! Eu não mato uma mosca e nem nasci pra isso. Vou deixar essa história de que Deus não existe, para quem pensa assim, para o novo Arcebispo resolver- Seja bem vindo! Dom Alberto, em nome de D. Miltom Corrêa Pereira e família, da família Alho e de todas as famílias Cristãs do Pará e da Amazônia, que sejas recebido com todo carinho de nosso povo, e coberto com o manto de Nossa Senhora de Nazaré para protegê-lo e ajudar a cumprir sua nova missão. Conte também com Dom Zico, que já cumpriu essa missão.

Como diria meu “cumpadi” Nei Fera, papo vai papo vem, Nenem! Nem vem! Tá esquentando “cumpadi”! Quando percebi que o que o Mestre Alfredo Oliveira falava era uma aula de samba pra mim, acertei os passos e disse- Tô matriculado! Se ‘manquem’ com a minha cara, na minha área eu também dou aulas... Lá vai... Desfilamos pela Avenida do Saber sambando em meu ‘Carnaval Antecipado’ e demos um show... Como o Carnaval é feito por gente que samba também... Vou liberar a avenida e quem quiser pode vir também... Eu bem que queria, mas minha mãe ensinou-me: Os mais velhos primeiro- Só que esse também não envelhece nunca, se envelhecesse, seria como os bons vinhos, quanto mais velho melhor! Dou aulas ou não dou?

E sendo assim, esquentem os tamborins, afinem as cuícas, rufem os surdos, reco-recos, pandeiros, afinem os cavaquinhos e os violões... Atenção repique, surdo de marcação, mestre de bateria... Ney Fera, meu “cumpadi”, dá o grito de Guerra. Alcyr Guimarães, meu ‘Menestrel Encantado da Floresta’, manda um beijo para tua “Nega-Branca”... Atenção Escola! Ensaio geral. Esquenta! Cinco minutos, que em homenagem ao Samba de todo Brasil, aos sambistas, e meus chapas dêem licença e mesmo sem permissão ‘Saúdo nas Negras’, mulatas e morenas do Pará, todas as mulheres do Brasil. E para as brancas e loiras não fiquem com ciúme quem quiser pode vir... Antes da Grande História que agora eu vou contar em poucas palavras... Vai começar o maior Carnaval que já se viu na história do Pará.

 

 

Segura! Segura!

“A Estrada do Saber não tem fim meu filho, continua quebrando pedras... Para isso eu e teu pai te moldamos a maior de todas as alavancas e marretas feita do sândalo para quando tu a empunhares ou bateres no chão, perfumarás o mundo com o nosso perfume, nós somos teus pais, sândalos, tu és sândalo e através de tuas filhas renasceremos sândalos e através dos filhos delas seremos sândalos, de geração em geração até o fim dos tempos. E agora quando empunhares a alavanca e a ergueres ao Céu e bateres a marreta no Chão, espalharás nosso perfume no ar, e ao levantar da alavanca, agradece a Deus o presente que eu e teu pai te deixamos. Agora com toda força do mundo ao bateres no Chão do Pará e na terra Sagrada da Amazônia descobrirás o presente e a herança que te deixamos: A mesma sabedoria que Salomão pediu, e Deus deu a Salomão e que ele gentilmente mandou te ofertar. A obra não pode parar...”

"Maria Tereza de Jesus Pereira Alho"

Quem São eles: Paulo Preto, Jamil Mousinho, Luiz Guilherme e todo o Império
Rancho Não posso me Amofinar: João Bosco Moises, Luiz Lopes e David Miguel
Boêmio: Irmãos Peixoto
Acadêmicos da Pedreira: Waldir Fiok
Bole–Bole: Vetinho

Recebam minha homenagem neste Carnaval de todas as Escolas que fiz para mostrar ao mundo que além de todas as nossas riquezas temos outra maior ainda a Cultura Popular que precisa ser conhecida, mas antes de tudo tem que ser primeiro valorizada por nós que a fazemos, homens e mulheres do Pará, porque nós sim, somos a maior riqueza desta terra. E muita gente não sabe disso aqui dentro! Nós somos o verdadeiro orgulho do Pará, como disse e escreveu Calderaro em um texto datado de 2006, “Tenho orgulho de ser paraense...”. Nós criamos e dividimos nossa criação. O resto é cópia e propaganda em rádio, jornal e televisão.

Atenção
Os magos, bruxos, feiticeiros, pajés, catimbozeiros, mandingueiros e alquimistas ADVERTEM NOVAMENTE!
Não tentem fazer isso sem a devida orientação e o acompanhamento necessário, quem avisa somos nós.
Nós somos os Mestres

Atenção Escola.
Que rufe a Bateria.
Alcir Guimarães, meu amigo Menestrel pode dar os acordes iniciais.
Ney Fera, meu ‘cumpadi’ solta a voz da garganta, dá o Grito de Guerra: Tô Cunsca Alho! Vaiiiiiiiiiii - ‘í’ - Silvinho da Beija-Flor, essa tu perdestes, quem manda não está na área.

E em homenagem a minha velha Portela e ao Império Quem são eles, minhas águias queridas...
Mestre de Bateria mande o repique cantar e pode iniciar o Carnaval... E agora peço licença que eu vou subir, vou nas asas dessas águias buscar a chuva pra molhar o carnaval... E elas vão levar no bico a Estrela do Pará.

E depois quando eu voltar trazendo a chuva para limpar todo o mal em Belém, no Pará e na Amazônia, alguém disser que não estendeu este texto e nem sambou com este samba invisível, ora por favor me compre um bode. Vamos fazer churrasco lá no Mestre Chico Barão, com ‘Visagens Falsas - Assombrações Verdadeiras’, e comer na mesma mesa que essa turma de bamba que está foto abaixo, estava almoçando na hora que eu disse, já vou, vou preparar um Carnaval. Sai e não disse nada ‘Hoje eu Falei com O Carnaval’ Quem duvidar pergunte pra ele... Tai Alfredo Oliveira, o que nosso papo rendeu. Obrigado!

Fotógrafo (Dido) o bom...

Na foto: Bismarck, Luiz Alho, Orlando OB, Majé, Mestre Chico Barão, Jorge Calderaro, Zé Mário, Antônio e Vicente do Cavaco.

Viva Belém!
Acorda, Pará!
Amazônia, Nossa Terra!

 
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