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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Invisibilidades

quarta-feira, 13/01/10 - 20h23

“Tenho tido a oportunidade e a felicidade, de ter em mãos, obras de autores amazônidas, paraenses principalmente, porque, desses, faço questão de assim sê-lo. Uns, magníficos autores, outros, nem tanto, mas, todos artífices do que, espero, à construção de uma nova história à cultura da Região Amazônica.

Esse tesouro, ainda envolto em um manto, que urgentemente precisa ser retirado, para que se revele a luz do mundo que além de todo potencial hídrico, mineral e florestal, a Amazônia possui entre outras tantas riquezas uma cultura que precisa ser descoberta, precisa ser revelada.

E, mesmo que, pedras preciosas desse incalculável tesouro já tenham sido expostas, não tiveram reconhecido o real valor que possuem, o real valor que merecem, à exemplo de Dalcídio Jurandir, Eneida de Moraes, Lindanor Celina, Haroldo Maranhão, Hildefonso Guimarães, Max Martins...

O brilho dessas pedras ainda dormita em velhas estantes, em meio à môfos e bolores, e sob o manto da invisibilidade, até que um vento forte derrube seus livros de lá, e tal qual a lâmpada maravilhosa de Aladim alguém os encontre, sem querer, e delas saiam muitos ‘gênios’, que poderão realizar muitos desejos, e a exemplo de Salomão, os mais sábios sortudos poderão pedir sabedoria. E, ela está lá, nos livros, de antigos e novos autores, porque as obras destes, assim como o brilho dos antigos, também dormitam nas mesmas estantes, entre mofos e bolores sob o manto da invisibilidade – tomara que muitos consigam achar a tal lâmpada de Aladim – várias lâmpadas de Aladim. A minha eu já encontrei. Meu pedido eu já fiz. E, vou contar um segredo: Isso é segredo!

Maquiavel, quando retornava a casa, à noite, vestia roupa de gala, e como príncipe, conversava com reis e rainhas, duques, condes, príncipes e princesas. Até com o Papa ele conversava. Com Deus, não! Deus não queria muito papo com ele – o magrelo não era Ivan, mas era terrível. Remédio ele mandava dar de gota em gota. Veneno! De uma vez só. – Quem me contou isso foi ele mesmo. Eu também converso com ele e com algumas pessoas com as quais ele conversava.

Tens uns que eu não faço nem questão – nossos espíritos não batem! Aqui mesmo, em Belém, eu conheço ‘unzinho’ que foi amigo dele ou estudou com ele. Os livros permitem, não é isso?

Meu falar italiano, nunca foi lá essas coisas. E hoje, como sou mais novo, bato papo com os daqui mesmo. Tem uma turma aqui que não gosta de falar, estão ‘vivos’. Quando isso acontece eu leio seus pensamentos – uma índia guerreira me ensinou isso. E, tem mais, se eu descobrir que algo não cheira bem, eu conto pra todo mundo – quem é chegado num baú é o Denis Cavalcanti, Baú de Livros, Baú Bistrô... Já foi lá? Não! Então vá, meu filho, vá – no sebo pode encontrar de Branca de Neve a Maquiavel, Drumond, Jorge Amado, até Leonardo Da Vinci eu já vi por lá, todos no maior papo com o Denis – perguntem pra ele. No Baú Bistrô, a ‘Pièce de résistance’ é a feijoada. Aliás, feijoada eu traço, agora ‘Pièce de résistance’ eu nunca comi. Vou perguntar ao Pierre Beltrand, o que é isso? Ele entende dessas coisas. Ei Denis! Depois dessa, eu quero uma de graça – a 'Piece' não, porra! A feijoada. Esse Denis só vive na sacanagem. Eu penso que sacanagem é imortal morrer. E se me disserem que viverá através de suas obras, eu duvido. Se continuar assim as traças e os cupins comem tudo: Imortal obra, os...

Aqui no Pará, os bons frutos dão em safras, em pencas e cachos. Já tivemos a safra da borracha, do café, do açaí, ouro... Levaram tudo. Agora estamos em tempo de madeira, essa resiste, assim como a floresta, às chamas da cobiça e às motosserras da insensatez. Estamos em tempo de ferro, bauxita, cobre e outros minérios e se não deixarem a VALE acabar com tudo, ainda veremos nossa região alimentar-se de nossa riqueza e nossos filhos provarem os frutos de nosso próprio suor. De migalhas o povo está farto.

É preciso escrever uma nova história para o estado do Pará e à Amazônia, conservar as boas páginas que foram escritas com o sangue de muitos ‘autores’. E à exemplo deles, dar um outro rumo ao inconfessável destino que nos querem impor. Um triste fim, se não reagirmos.

Felizmente, raios de luzes surgem a iluminar a floresta, uma nova safra de ‘árvores da verdade’. Autores comprometidos com essa nova história. Entre eles, destaco Daniel Leite, autor do livro ‘Invisibilidades' e de tantas outras excelentes e premiadas obras.

Daniel Leite, com os olhos d´alma conseguiu enxergar as invisibilidades que tornam cegos os seres humanos. Seu livro é um clarão que retira da escuridão algo que muitos procuram esconder: A própria invisibilidade, que é na verdade uma das chagas escondidas sob o manto que Daniel Leite rasga e nos revela com maestria, expondo o que está escondido dentro do medo dos que são escravos das próprias verdades.

Com ele, muitas ‘árvores’, vingaram e outras estão por vingar. Comamos os frutos e plantemos as sementes. Haveremos de colher bons frutos. Sejamos todos lavradores dessa nova ‘cultura’ que está nascendo na Amazônia, e assim como o café, no Brasil, os primeiros pés estão sendo novamente plantados aqui, no Pará, desta vez, em nosso tempo. Um novo tempo. Mãos à obra, escritores, poetas, professores, jornalistas e leitores.

O lucro vai ser dividido com todos...

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