Jader Barbalho
e a divisão do Pará
terça-feira, 22/12/09 –
18h55
O artigo assinado por Jader Barbalho
no Diário do Pará, domingo, (20/12/2009),
caderno Belém, A-11, é a maior prova de
quão delicado é o caminho da opinião
dos políticos quanto à divisão do
Estado do Pará. Experiente, Jader pauta sua posição
de uma forma que não o comprometa diante dos prós
e dos contras: a favor do plebiscito e o seu resultado.
Posição essa, da maioria dos políticos
desta terra, com raras e louváveis exceções.
Votado em todo o Estado, fica difícil assumir uma
posição contrária; não ao
plebiscito, mas, à separação propriamente
dita, principalmente às vésperas de um ano
eleitoral.
Suas colocações não
levam em consideração que se desmembrado,
o Estado-mãe, Pará, perderá as partes
mais ricas de seu território original; outro detalhe
importantíssimo é que se o Pará for
‘fatiado’, os municípios restantes
ao Estado-mãe, infelizmente, quase nada produzem
e sofrem tanto quanto ou mais, o abandono alegado pelos
municípios que buscam a separação.
Mesmo comprida a Lei nº. 9709/98
assinada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, publicada
no Diário da União de 19/11/1998 (que dá
entendimento sobre o que trata a Constituição
Federal), no plebiscito toda a população
do Estado deve ser ouvida e não (somente), a parte
a ser desmembrada. É fundamental que seja dito
que apesar dos números citados de que o Pará
tem um pouco mais de 4,5 milhões de eleitores,
e o quadro com os 64 municípios que poderão
formar os Estados de Carajás e Tapajós,
some-se Mojuí dos Campos, município recém
criado, desmembrado de Santarém que será
incluído nos que formarão o pretenso Estado
do Tapajós, possui cerca de 1,5 milhão,
restando 3 milhões e votantes, Carajás e
Tapajós estão em ‘pé de guerra’
pela separação, com seus eleitores prontos
para o sim, enquanto os 3 milhões de votantes restantes
poucos sabem, porque pouco ou quase nada lhes foi informado
sobre a divisão.
O debate político é quase
inexistente e o medo de opinar contra a divisão
do Pará norteia a fala de quem deveria verdadeiramente
dizer: ‘Sou a favor do plebiscito como instrumento
democrático da opinião popular, e sou contra
a divisão por ser nociva ao Pará’.
Essa deveria ser a posição de nossos políticos
inclusive a de Jader Barbalho, que governou o Estado do
Pará por duas vezes e que sabe com toda a certeza,
mais que a Fundação Getúlio Vargas,
contratada para realizar os estudos de viabilidade econômica
nas regiões sul e sudeste, que diante de tal viabilidade
está o enfraquecimento econômico do Estado-mãe,
que não é preciso que lhe seja dito por
nenhuma fundação; ele, Jader sabe disso,
conhece o Estado palmo a palmo e é sabedor de todos
os problemas.
O custo da implantação
de Carajás e Tapajós chega a quase 2 bi
de Reais ao ano, segundo o pesquisador Rogério
Boueri, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada
– IPEA, pergunta-se: Porquê não se
cria um movimento em busca desses recursos para serem
investidos nos municípios que querem a divisão
do Estado? A pergunta é simples, mas, as respostas
são complexas demais, com certeza a Fundação
Getúlio Vargas chegará a elas com muita
facilidade, mas, não cabe a ela respondê-las.
A questão da Divisão do
Pará envolve muitos interesses. A ideia separatista
é fundamentada no alegado abandono pelos poderes
públicos. É sabido que o Pará inteiro
necessita de uma maior presença do Governo, tanto
na área estadual quanto na área federal.
São 143 municípios, inclua-se Mojuí
dos Campos (144), que enfrentam os mais diversos problemas,
principalmente, em função da imensidão
territorial; guardando as devidas proporções,
todos os municípios enfrentam problemas em todas
as áreas: econômica, social, política,
administrativa. Render-se a tais problemas é confessar
incompetência, transferir responsabilidades é
covardia. O desenvolvimento do Estado é responsabilidade
de todos, inclusive dos prefeitos dos municípios
separatistas.
É importante que se observe, no
entanto, se por trás das alegações
de abandono, não existe um interesse maior de apropriação
do que é o ‘Filé Mignon’ do
Pará, por grupos políticos e econômicos.
Tal interesse deve ser profundamente analisado porque
pode estar acima das reais necessidades das populações
dos municípios que pretendem formar os novos Estados.
De um lado a riqueza que pertence a todos e que será
levada por poucos. Do outro lado um Estado enfraquecido
pela expropriação de suas riquezas que com
certeza não serão divididas com as populações
dos Estados que querem criar (www.acordapara.com.br).
A governadora Ana Júlia é
declaradamente contra a divisão, mesmo sob a pena
de sofrer retaliações, cumpre seu papel
de cidadã paraense e mandatária do Estado,
cuja bandeira jurou defender. O ex-governador Hélio
Gueiros, também assume sua posição
contrária a divisão e em sua coluna em ‘O
Diário do Pará’ de 13/12/09, caderno
Belém – A-4, não poupa adjetivos contra
a criação do Estado do Carajás: “Já
escrevi uma vez e repito sem nenhum arrependimento: Tirar
a parte mais rica do território paraense é
assalto e não redivisão territorial. E,
o Pará não vai ter direito de discordar
nem estrebuchar. Estão modificando também
a Legislação vigente que exige a consulta
prévia a toda população do Pará.
Para a criação do novo Estado do Carajás
só será ouvida a população
da área a ser desmembrada. O ‘cara’
entra na minha casa, tira o que tem do bom e do melhor
e vai embora carregando tudo, mas jura que não
está me roubando, apenas redistribuindo o que é
dos outros! Valei-nos quem?”.
Torçamos para que isso não
ocorra, e que a Lei 9.709/98 seja cumprida, mas pior do
que burlar a Lei é o silencio e a cumplicidade
de muitos paraenses.
O Pará é uma terra-mãe
que recebe e acolhe a todos os irmãos de outros
Estados, de braços e coração abertos,
divide suas riquezas com todos que lutam por uma vida
melhor. É uma terra de união que deve buscar
seu desenvolvimento integral, distribuir melhor a renda
gerada com a exploração de bens que pertencem
a todos que aqui vivem, criam seus filhos e ajudam a construir
um lugar melhor pra todos. Não devemos nos curvar
as “paixões bairristas” pregadas por
elementos que incentivam a criação de um
muro invisível que separe paraenses natos dos paraenses
por opção ou adoção. Que sejam
bem-vindos os que vierem como sempre foram os que aqui
chegaram para somar e multiplicar, mas que estejamos alerta
para os que tentam levar o que é nosso; vigilantes
com os que aliados aos “Silvérios dos Reis
no tucupi” tentam rasgar nossa bandeira e cospem
no prato que lhes alimenta. Respeito o posicionamento
do Dep. Federal Jader Barbalho, mas assim como eu, acredito
que a maioria dos paraenses prefira que ele se posicionasse
contra a divisão, mas, enfim, vivemos em um pais
democrático onde as opiniões devem ser respeitadas.
Como democrata aceito que venha o plebiscito, como paraense
sou contra a divisão e a favor do desenvolvimento
do Estado como um todo. Espero que, respeitosamente, Carajás
e Tapajós não passem dos encartes do jornal‘O
Diário do Pará’: 'Diário de
Carajás’ e ‘Diário do Tapajós’.
Maquiavel nos ensina: 'É preciso
ser raposa para reconhecer as armadilhas, e leão
para afugentar os lobos'.
Paraenses, é chegada a hora de
sermos raposas e leões para reconhecermos as armadilhas
e afugentarmos os lobos.
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