Jibóia
Vermelha
sexta-feira, 07/08/09 - 20h15
Quem acompanha os bastidores da política
paraense tem a nítida impressão que o governo
do PT transformou-se em uma gigantesca Jibóia.
Está tentando matar por asfixia os aliados que
estão desembarcando da base aliada, em silêncio
e à uma velocidade controlada pelo atendimento
dos interesses do Governo e dos aliados. Se ficar, o bicho
pega isso ou aquilo, se correr o bicho perde isso ou aquilo.
O que mantém acordos e alianças é
a manutenção dos interesses de ambos os
lados. Nesse caso, as Secretarias e os DAS que o Governo
oferece em troca da submissão dos partidos aos
interesses do executivo. Quanto maior a oferta, maior
o abaixar das cabeças dos aliados.
A roda gira no sentido determinado por
quem tem a mão no comando e quando as partes da
engrenagem resolvem tomar trajetórias diferentes,
a engrenagem se quebra, é cada um para o seu lado,
e nesse caso, Deus, por nenhum deles. O que se faz em
política, na guerra pelo poder é coisa de
causar inveja a Satanás. Até Deus duvida!
Mas, que fazem, fazem!
Há muito que o ‘Caldeirão
do Diabo’ está fervendo e não vai
demorar muito para o tacho entornar. Dizem por aí
‘que a maior queixa dos aliados é contra
a falta de recursos para investimentos. O PMDB por exemplo,
se reúne neste final de semana para decidir se
continua à frente da Secretaria de Obras (SEOP).
O titular da pasta, Francisco Melo Chagas Filho, o Chicão,
que tem mandato de deputado, quer deixar o cargo e voltar
à Assembleia’. ‘No início do
ano, o PTB do deputado Joaquim Passarinho também
ameaçou deixar o governo depois de um corte superior
a 60% no orçamento da Fundação Cultural
do Pará Tancredo Neves – (CENTUR)’.
Para quê recursos, se os investimentos
tanto na SEOP quanto no CENTUR foram tão poucos,
mesmo antes dos cortes no orçamento? Não
se vê obras no Estado e nem ações
do CENTUR que justifiquem um aumento no orçamento.
No caso de Chicão, a permanência na SEOP
depende do rompimento ou não do PMDB com o PT.
Caso sua saída seja confirmada, estará confirmado
o fim da aliança entre os dois partidos. Nesse
caso, ainda será o começo de uma grande
dor de cabeça para o prefeito Helder Barbalho,
de quem Chicão conta como certo o apoio para sua
reeleição à Assembleia Legislativa.
Helder terá que se desdobrar, pois dele também
o Presidente da Câmara de Vereadores de Ananindeua,
Eliel Faustino, tem o apoio como favas contadas. Isso
sem falar em Hidelgardo Nunes, Secretário de Governo
de Helder, que muitos tem como definida a sua candidatura
a deputado estadual, também com o apoio de Helder.
Dos três, o que talvez dê
mais trabalho ao atual prefeito de Ananindeua, seja o
Chicão. Na eleição passada contou
com o apoio de Rui Begot, fundamental e decisivo em sua
campanha. Quando Rui foi candidato a vereador fez mais
de 230 reuniões, Chicão não foi a
nenhuma, emprestar ao menos apoio moral a quem o ajudou
e muito em sua campanha para deputado. Rui venceu com
o apoio de Eliel Faustino, e dos eleitores que acreditaram
nele, principalmente os de Águas Linda (um dos
bairros mais populosos de Ananindeua). Daí, dificilmente
Chicão contará com o apoio de Rui Begot,
e se contar vai ter que se explicar ao Eliel Fasutino.
Isso é problema dele.
O outro é Joaquim Passarinho,
que ameaçou desembarcar do Governo, esse, joga
com mais folga diante de um possível acordo entre
Duciomar Costa (PTB) e Ana Júlia (PT). Aí
fica tudo como dantes no quartel de Abrantes. Se não,
quem for podre que se quebre. O fato é que a Jibóia
já deu seu laço, e está apertando
cada vez mais. Tentando matar por asfixia aos que não
resistirem aos seus apertos.
Na floresta Amazônica, existem
caças e caçadores, e no silêncio da
mata, em noites de lua cheia ou não, destinos são
traçados, e tanto as caças como os caçadores
só sobrevivem se conhecerem os perigos que os rodeiam.
A Jibóia Vermelha é um espécime rara,
talvez única na floresta Amazônica, se não
souber engolir, corre o risco de ser engolida.
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