Jornal Pessoal
sábado, 28/02/09 – 18h25
O jornalista Lúcio Flavio Pinto reproduziu
no Jornal Pessoal, a resenha que escrevi sobre seu mais recente
livro, Amazônia Sangrada, no site Acorda Pará, e
que segundo Lúcio Flávio foi a primeira e única
resenha sobre seu livro. A reprodução no Jornal
Pessoal, muito me honra. Também espero que estimule novas
leituras e manifestações. Sou um dos que aguardam
que as páginas de nossa história comecem a ter autores
amazônidas, comprometidos como os questionamentos de tudo
que nos faz escravos da omissão ou cúmplices do
cavar de nossa própria sepultura. Acredito que é
chegada à hora de uma grande revisão em busca da
correção de erros que são cometidos, em sua
maioria, conscientemente, por quem não tem o menor compromisso
com o Pará e com a Amazônia, a não ser o lucro
fácil e a exploração de nossas riquezas.
O livro “Amazônia Sangrada”
e outros de autoria de Lúcio Flávio Pinto, bem como
o próprio Jornal Pessoal, são fontes cujas águas
deveriam ser ‘bebidas’ para matar a sede do verdadeiro
saber amazônida, principalmente por nossos jovens. Evidentemente
temos outros autores que também merecem ser lidos, mas
poucos, infelizmente com o atrevimento de Lúcio Flávio
Pinto, que vira a notícia pelo avesso e a mostra por dentro
e por fora, real e pura, nua e crua – destaque-se ai o empenho
do site Acorda Pará que também batalha no mesmo
diapasão. Essa é a realidade que precisamos conhecer,
viver e vencer...
Em 2006 publiquei o livro ‘Inocência
Selvagem’ graças à generosidade dos amigos,
Alfredo Sanches e João Sanches da Grafi Sanches - Indústria
Gráfica e Editora, nele, procurei expor algumas das mazelas
de nossa região:
Inocente: Porque seus filhos ainda se deixam enganar, desconhecendo
a própria força e o gigantesco potencial, adormecidos
pela falta de investimentos e porque pouco ou quase nada lhe foi
ensinado...
Selvagem: Porque ainda existe um mundo novo a descobrir e as vozes
que se levantam em sua defesa são caladas pela ‘força’
dos que a cobiçam...
Piratas do Século XXI, de todas as bandeiras,
que aqui aportam e tentam a todo custo conquistar os incalculáveis
tesouros existentes, devastando, saqueando, matando se preciso
for, desrespeitando a natureza e a vida.
O que mais será preciso levar, até
que se aprenda o valor do que já foi levado, do que ainda
se tem, e que querem levar também?
Até quando as vozes da floresta permanecerão
caladas, sem que se cante um canto de guerra em defesa da terra,
que vê seus ‘guerreiros’ mancharem rios com
sangue, tombados à traição?
Quando será que os doutores togados desembainharão
a espada da justiça e lutarão para impedir que um
povo ‘morra de fome’, enquanto nossos tesouros ‘alimentam’
os que exploram esta terra?
Ouro, ferro, bauxita, cassiterita, níquel,
cobre, ráfiun, ítrio escorregando ralo abaixo...
Onças, jacarés, araras, cobras, macacos, cedro,
ipê, maçaranduba, acapú... Tudo isso indo
embora, enquanto os amazônidas esperam a morte chegar, assistindo
ao bando passar.
Biopirataria, tráfico de mulheres, trabalho
escravo, massacre de trabalhadores rurais, assassinatos de religiosos
e líderes, espancamentos de jornalistas, crianças
morrendo de fome, jovens sem perspectiva e adultos sem convicções...
Chega de exploração!
Que nossas riquezas gerem benefícios para nossa própria
gente!
Que nossos filhos deixem de morrer de fome, enquanto nosso ouro
e nossos outros tesouros vão alimentar a cobiça
de quem nos explora!
Dentro desse contexto, junto-me ao jornalista
Lúcio Flávio Pinto e pergunto aos professores de
nossa região, não está na hora de aprendermos
em sala de aula a verdadeira história da Amazônia
e ajudarmos a escrever as páginas em branco?
Para essa ‘guerra’ o melhor quartel
é a escola. Quanto mais soubermos de nós mesmos,
mais fortes seremos e melhor nos defenderemos.
Junte-se a nós nessa luta.
Amazônia, Verde, Viva, Brasil!
Acorda Pará!
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