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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Primeiro lixão da cultura paraense

quinta-feira, 07/05/09 - 16h11

A primeira grande vítima do corte de aproximadamente 40% no orçamento destinado a investimentos na cultura paraense, foi o Jirau da Literatura que literalmente ‘levou o farelo’ e ao que se saiba, sem que nenhum escritor tenha sido contagiado pela gripe suína para merecer tal ‘isolamento’.

Os investimentos em cultura em nosso Estado são tão parcos que a bem da verdade os órgãos responsáveis são totalmente dispensáveis. Se quase não existe recurso e a vergonhosa verba ainda sofre corte, o que justifica a existência da Secretaria de Cultura – SECULT e Fundação Cultural Tancredo Neves – CENTUR? Que dessa forma servem somente como cabides de empregos para secretários, diretores, assessores e ‘apaniguados’, todos sem o menor compromisso da cultura de nosso Estado.

É lamentável que a cultura no Pará seja tratada com tanto descaso. As leis de incentivo transformam escritores, atores, cantores e outros agentes culturais em verdadeiros esmoléis que perambulam de porta em porta de empresas, com a grande maioria conseguindo tomar somente chá de banco, em completo desrespeito aos que tentam dar pernas a uma cultura que se arrasta por falta de apoio e investimentos.

Com governo ou desgoverno, a luta e o sonho dos que tentam pela escrita, canto, artes cênicas, dança, fotografia e outras formas de ações culturais construir um mundo melhor, não serão enterrados no primeiro lixão da cultura paraense que estão querendo criar.

Primeiro acabaram com o Jirau da Literatura Paraense, o que virá depois, o Salão do Livro de Santarém, de Tucuruí e o de Marabá, ou será a Feira Pan Amazônica do Livro?

Os que fazem cultura no estado do Pará saberão resistir e encontrar meios para dar continuidade aos sonhos, e quem sabe em um grande mutirão de todas as classes culturais, jogar no ‘I Lixão da Cultura Paraense’ a incompetência, o desamor, o desapego, a falta de compromisso, o desrespeito e tudo aquilo e aqueles que arrastam a cultura do Pará e da Amazônia para um buraco cada vez mais fundo.

O lixo ao lixo...

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