Um presente pra Belém
segunda-feira, 11/01/10 - 19h48
Belém completa 394 anos neste
12 de janeiro de 2011. Fiquei pensando: que presente dar
à minha cidade natal? Meu Deus! Não é
fácil... Escolher um presente que represente todo
carinho, todo amor, toda paixão. Belém merece
isso. Um presente que prove o quanto é amada. Mas,
meu Deus não é fácil. Às vezes,
penso que quem mais deveria amá-la é o primeiro
a dar-lhe às costas. Belém é múltipla:
Namorada, amante, mãe... E, dar um presente pra
mulher nunca foi fácil, ainda mais uma mulher como
ela: morena, faceira, sedutora... Égua! Tá
pegando! Que presente dar à essa mulher?
Perguntei a Amarílis Tupiassu
– sabe o que ela me disse?
- “Gosto de sonhar melhores dias
a Belém. Amo minha cidade e torço para que
encontre logo rumos de real contentamento (...), desejo
de volta a Belém respeitada que dormita no tempo
de vir. Um dia acordará só risos, sem alagamentos,
asseada, coberta e atapetada de verdores, as árvores
sem a erva de passarinho que lhes seca o vigor (...),
vamos cobrar a recuperação da Belém
linda. Seu povo precisa amá-la mais, reagir, exigir...”
- foi isso que ela me disse. Deve ser um bom presente
pra Belém, pensei.
Perguntei ao Juraci Siqueira e ele me
responde com uma trova:
Enquanto o vento balança
Tua rama satisfeito
Sinto o verde da esperança,
Desabrochar no meu peito!
- puxei pela memória: cuidar
das mangueiras. Preservar um dos símbolos de Belém.
Esse também deve ser um bom presente pra Belém.
O Bernardino Santos, dá a dica,
quase todo dia, em sua coluna no jornal... Plantem flores!
Ele diz, e eu acho também: transformar Belém
num florido jardim. Além de embelezar a cidade,
perfuma a vida também. Taí, outro bom presente
pra Belém.
Perguntei ao Pinduca e ele respondeu
sem Lári-Lári:
“- Eu vou falar com meu bem
Depois da chuva que cai todo dia em Belém
Na Judite, o tacacá
E o cheiro do Pará na casa da Maria,
Tigela de açaí, Castanha do Pará...
- É isto! Uma chuva abençoada,
perfume e sabores, namorar a própria Belém,
banhada pela chuva, cheirando a patichuli e saborear teus
frutos pra sentir o gosto dessa morena, gostosa!
- Essa é pai d’égua:
vocês não vão acreditar, se formou
uma fila imensa pra dizer qual o melhor presente para
Belém. Vou ter que selecionar se não vou
me confundir.
- Perguntei ao Jorge Calderaro e ele
respondeu: “- Acorda, Pará! – www.acordapara.com.br
- o melhor presente pra Belém é preservar
a sua memória, viver o hoje e lutar por melhores
dias.
- Perguntei ao Carlos Santos e ele, marqueteiro
que só, veio com essa: “- quero você.
Quero você, todinha pra mim! - Vocês não
acham que é muita gulodice? É melhor ele
ir curtir o samba em sua homenagem lá na Pedreira,
aqui a estrela é Belém. Tudo bem, nós
sabemos de seu amor por Belém, mas tem que dividir,
viu baixinho?
- Tem um cabeludo, alí, me olhando,
faz um tempão, mas esse eu vou deixar pro final.
Dizem que os últimos serão os primeiros,
por isso meu irmão, segura nossos jacarés,
no final eu te chamo.
- O Dilmar Cunha, meu amigo Peixe-Boi,
autor da tabuada colorida, kumon no tucupi, disse que
o melhor presente pra Belém é multiplicar
o amor que devemos ter por ela, diminuir suas tristezas,
somar esforços para torná-la cada vez melhor
e dividir as alegrias que Belém nos presenteia,
e olha que dessas coisas ele entende!
- Até o Márcio Santos e
o Edvan Brandão, caros e raros amigos poetas e
escritores, um de Ananindeua e o outro de Marituba fizeram
questão de me dizer que o melhor presente para
Belém são os meus livros, minhas matérias
no acorda Pará e a luta por uma Belém melhor...
Coisas de amigos que só revelo porque sei que foram
palavras sinceras, por isso mesmo é que são
caros e raros amigos.
Nestas alturas, lembrei-me do Walter
Bandeira, que tanto amou Belém, e aqui ficou cantando
e encantando, até aquela “do Nilson”:
Aí, bati com os olhos no luar, a lua foi bater
no mar e eu fui que fui ficando... Se ele estivesse aqui,
no mínimo te cantaria os parabéns, com aquele
vozeirão. Primeiro em português: Parabéns
pra você... Depois em inglês: happybirth to
you.
- E pra esquentar esta festa, e deixá-la
Pai D’égua, seria muito bom se o mestre Verequete
estivesse aqui, aí, o Carimbó ia “comer
no centro”. Vamos já dar um jeito nisso -
Que tal a banda Sayonara cantando os ‘Os Passa Vida’,
ou se nós juntássemos o Manga Verde para
cantar “Olé Olá Belém, velha
namorada que me faz tão bem...”, e o Eloy
Iglesias: - ‘Quero te encontrar numa noite de luar,
no bar do parque...’, como se lá estivesse
o Rui Paranatinga Barata, tomando ‘umas’ e
tecendo versos, ele e o Paulo André, te fazendo
uma rede para embalar teus sonhos, te ninar sem te fazer
dormir – no Bar do Parque, Belém não
dorme, e nem a Praça da República, também.
No bar do Parque do Parque, Belém é mulher,
amiga, namorada, amante, poesia...
- Na Praça Batista Campos lembrei-me
do Egídio Sales, que cuidava dela por paixão
e pra te ‘carinhar’ Belém. Te amou
até morrer, tanto que suas cinzas estão
lá, adubando os sonhos de quem, te quer bem, Belém.
- Tal qual andarilho, de Belém,
e de mim mesmo, andei por suas ruas e caminhei por meus
sonhos e ilusões, andei por ti e por mim de ponta
a ponta: Ver-o-Peso, Bar do Parque, Forte do Presépio,
Estação das Docas, São José
Liberto, Onze Janelas, Mangal das Garças, Museu
Goeldi, Bosque Rodrigues Alves, orla de Icoaraci... Andei
em ti e em mim às vezes fui a cidade e às
vezes a cidade foi eu – perguntem aos poetas só
eles sabem explicar.
- Perguntei pra Fafá. Qual o melhor
presente para Belém? E ela deu uma gargalhada:
‘há, há, há, há, há,
há!’ -Tu não sabes? O melhor presente
pra Belém sou eu! Fafá de Belém!
Mas isso ela já ganhou há muito tempo. E,
olha, vou te contar um segredo: “- eu e Belém
somos duas mulheres fogosas, gostosas como açaí,
não é fogo de (Palha) não, é
fogo de mulher do norte, é fogo de parauara...
há, há, há, há, há,
há! Fafá de Belém, viu? Eu sou dela
há muito tempo!
- Perguntei para Natal Silva e ela disse: “- tu
pensa que eu sou lesa é? Belém não
precisa de presente, Belém precisa é de
futuro. Tu não sabes? Belém não tem
memória, a não ser a da UNAMA, deixaram
acabar quase tudo. O presente não está lá
essas coisas, então Belém precisa é
de futuro. Olha aqui, “piqueno”! Acho que
te conheço de algum lugar. Tu não és
filho do Oscar? - Não! Sou filho do Raimundo Tupinambá
- Mas é Alho? - Sim! Raimundo Tupinambá
Alho – ‘entonse seu purra!’, Oscar Alho,
Raimundo Alho, Tô Cunsca Alho, é tudo parente!
‘Paresque’ até que nós ‘semos’
primos, ‘paresque’, mas se não ‘fur’,
não tem problema, aqui é assim mesmo, tudo
índio, tudo parente... tudo índio, tudo
parente!
- Perguntei pros Cabuçús,
Vardicuzão e Lurdicuzudo responderam: Olha, não,
égua! Nós não ‘semo’
nem daqui, mas ‘tamo’ tudo no mesmo barco,
na ‘canua’ da Amazônia, e o que nós
acha que é o melhor presente para Belém
é a alegria, que vem de uma vida feliz, que vem
de um bom trabalho, que vem da união de todos que
amam essa cidade. Tá certooo? Alegria que vem do
açaí nosso de cada dia, do camarão,
da farinha, do pirarucu, do charque ‘gustoso’...
O Walcyr Monteiro me disse que o melhor
presente seria que Belém ganhasse mais ‘Visagens
e Assombrações’ das boas, pra espantar
todo mal que insiste em deixar Belém descabelada.
Fazer correr os que sugam sua beleza como vampiros. ‘Visagens
e Assombrações’, cruzes, alho e sal
grosso, para retirar o olho gordo e o mal olhado que muitos
colocam em Belém, e muito limão para exterminar
os sanguessugas.
O Alcyr Guimarães prefere dar
canções, versos de amor e dor, para cantar
os sonhos e chorar as dores, assim como em quaisquer grandes
amores. Canções que falem de guerra e de
paz. Que cantem as verdades em tempo de chorar e em tempo
de sorrir.
O Ronaldo Franco, franco atirador de
pétalas e poesias, cobriria Belém de flores,
em forma de versos com rimas ricas. Na verdade, pérolas,
para adornar o colo dessa linda e sedutora mulher. Belém
precisa despertar para grandes paixões. Belém
precisa ser conquistada, e nada melhor do que oferecer
flores, com o perfume da sedução, ainda
mais se essas flores levarem em suas pétalas as
mais belas poesias. Os poetas conseguem isso!
A Meg Barros, foi curta e doce: Belém,
precisa de Atitude, da nossa Atitude... Precisamos transformar
essa realidade cruel e desumana, principalmente a que
envolve nossas crianças e jovens. Esse é
um excelente para Belém. Se ‘vestir’
de todo bem possível, sem maquiagem, e tomar uma
Atitude. Meg é um ser, humano, raro. Advogada e
Jornalista que defende seus sonhos como ninguém
e luta para escrever uma história decente e verdadeira,
à quem realmente precisa. Advogada e Jornalista,
sim. Mas, muito mais que isso: Um Anjo.
Chamei meu amigo Alcir Santos, já
quase pedindo socorro, esse é o cara, peça
rara ‘do artesanato cultural de Icoaraci’,
um artesão das palavras e um construtor de verdades
culturais, e olhando para a luz que esse ‘cara’
irradia, descobri o presente que Belém merece ganhar:
Amigos verdadeiros. Essa morena merece um ’presentaço’
e é isso que vou fazer. Vou dar de presente à
ela um monte de gente, porque sei que depois, cada um
que eu der, vai dar um presente também.
Eu sei que eles vão me entender,
o fato de eu nem pedir autorização e de
tê-los transformados em meu presente para Belém.
Só fiz isso porque sei que eles a amam, e afinal
que melhor presente do que o coração de
quem nos quer bem.
Belém, te dou de presente esses
amigos meus, jornalistas, poetas, escritores, cantores,
artistas, fotógrafos... Gente do povo, ‘todos
te amam muito’, para que sonhe em teus sonhos e
chorem tuas mágoas, para que cobrem as dívidas
que muitos têm contigo, para que te beijem com as
palavras e te abracem com os mais belos versos. Te dou
de presente esses amigos meus, te dou de presente esses
amigos teus. Esses te amam verdadeiramente te amam e fazem
de tudo para te ver feliz: Heloísa Huhn, Juracy
Siqueira, Amarílis Tupiassu, Meg Barros, Bernardino
Santos, Ronaldo Franco, João Carlos Pereira, Denis
Cavalcanti, Alonso Rocha, Édson Franco, Jorge Calderaro,
João de Jesus Paes Loureiro, Domingos Conceição,
Ismaelino Pinto, Zildinha Sequeira, Pedrinho Calado, Valda
Marques, Lúcio Flávio Pinto, Paulo André
Barata, Alfredo Reis, Edilson Moreno, Carvalho, Joelma
e Chimbinha, Joel Repolho, Alex e Nazaré Vaz, Orlando
Ruffeil, Iva Rothe, Apolo da Caratateua, Dilmar Cunha,
Do Carmo, Vovó Naná, Luiz Peixoto (Jabutigão),
Maria Lídia, Eduardo Santos (o poeta da bicicleta),
Alfredo Garcia, Alcir Santos, João Bento, João
de Castro, Hélio Dória, Paulo Sérgio,
Edson ‘Cabeção’ e Grilo (Rauland),
Elias Pinto, Kátia Mendonça, Rosa Moreira,
Paulão Fonseca, Índia Cidadã, Alcyr
Guimarães, Salomão Laredo, Bruno Williams,
Daniel Leite, Miguel Chicaoka, Márcio Santos, Michel
Pinto, Heliana Barriga, Rubens mota (o anormal do brega),
Natal Silva, Walcyr Monteiro, Nilson Chaves, Jamil Mouzinho,
Ney Fera, Pedro Paulo Santos Jr., Aldenora Alho, Juscelino
Alho, Ana Alho, Ângela Alho, Aldemira Alho, Raimundo
Alho Filho, (não é nepotismo não),
Fafá de Belém, Pinduca, Jimi Night, Camilo
Viana, Paula Sampaio, Gaby Amarantos, Wanderley Andrade,
Fadel, Edilson Valente, Tarcísio França,
Lucinha Bastos, Marcos Monteiro, Ana Carolina e Carlos
Cabeleireiro...
Ó Virgem-Mãe amorosa /
Fonte de amor e de fé / Dai-nos a benção,
bondosa / Senhora de Nazaré...
Eu sei que esqueci de embrulhar muita
gente, peço desculpas, deve ter sido a emoção,
não se zangue comigo, ainda dá tempo...
Faça um laço bem bonito, se embrulhe, e
se dê de presente à Belém. E, antes
que eu me ‘esqueça’ abra um espaço
nessa caixa que eu vou junto também!
Eí cabeludo! De ti eu não
esqueci, e nem dos nossos bichinhos... Edmar Bacha, solta
os jacarés e venha pra cá, tu e o Mosaico
de Ravena, vocês vão na caixa também.
E como convidado especial chamei o Vozes
Caboclas de Santarém, quanta saudade da minha Pérola
do Tapajós.
Feliz Aniversário Belém
- Pará - Brasil!
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