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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Urna não é lixeira, mas pode ser o tribunal

sexta-feira, 07/08/09 – 18h40

Se tem uma coisa da qual me orgulho, são os títulos de meus textos. E, sem vaidade nenhuma, recebo centenas de elogios, tanto pelos títulos, quanto pelo conteúdo. Elogios de pessoas que até me surpreendem pela generosidade das palavras. Recebo críticas também. E as recebo sem o menor problema. Creiam-me, algumas são melhores que os elogios, orientam-nos e nos fazem corrigir os rumos. Os elogios são perigosos, podem despertar-nos à vaidade e nos fazer perder o rumo e o prumo. E, em ambos os casos, sou vacinado.

Falei sobre isso, porque estou utilizando um título que foi “pinçado” das entrelinhas de um artigo de autoria de Waldemiro Gomes, intitulado “ O Cidadão Fiscal”, onde faz considerações sobre o momento político que o País está atravessando. Sou convicto que devemos cobrar de nossos políticos, posicionamentos éticos e morais, com a preocupação de que poucos são os nossos instrumentos de cobrança. O voto deveria ser o maior e melhor deles, mas infelizmente o pensamento do brasileiro quanto às questões políticas é proporcional às mazelas de cada região e às necessidades de cada eleitor. É assim que funciona o jogo. Nossos representantes, na verdade, representam, e muito bem, os seus próprios interesses. Nisso, eles são imbatíveis.

A miséria é a mãe de todas as mazelas e é sobre a miséria que os políticos pisam todos os dias, tripudiando da condição de um povo que vive na condição que eles impõem. Triste País o nosso, aonde um escândalo só é abafado por um escândalo maior, o maior, por escândalo gigante e o gigante só é abafado por um escândalo monstruoso... Descobrem-se milhares e mesmo assim, continuam a praticá-los, como se fossem normais, institucionalizados... Nosso País está mergulhado em um mar de lama; atolado. E, sem ter quem o faça vir à tona. “Uma vitória gradativa da desordem, do desmando e da corrupção sobre a flâmula que ostenta a frase: ‘Ordem e Progresso’, que corrói anestesia e degrada os três poderes constituídos no maior País da América do Sul”

Acredito até que o brasileiro saiba votar. Vota na esperança de dias melhores, por necessidade ou desespero e pelo direito de ser representado na construção de seus sonhos. Vota por mais saúde, educação, trabalho, segurança, saneamento básico, esporte, cultura, lazer... Vota por mais dignidade, melhoria na qualidade de vida e na garantia de todos os seus direitos constitucionais. “Urna não é lixeira” e não é lixo o que na urna se deposita: Sonhos e Esperanças, de um Município melhor, um Estado melhor e de um País melhor. O brasileiro sabe votar, porque é nisso que vota.

Eles sim, os políticos é que não sabem ser votados. Não merecem ser votados. Traem os ideais do povo, abandonam deveres e compromissos, e dessa traição nascem os filhos da insensatez: Crianças abandonadas, jovens sem perspectivas, adultos sem convicção, velhos ignorados, desemprego, crime organizado, fome, analfabetismo... E, todas as outras desgraças. Eles sim, os políticos, não sabem ser votados, não merecem ser votados. Torço para que haja exceções.

“Urna não é lixeira, mas pode ser o tribunal”, tribunal do povo, onde o povo é o juiz e deve julgar condenar e depor. Esse é o caminho para a reconstrução da dignidade do povo brasileiro. É isso, por fim meu caro Waldemiro Gomes, ‘pincei’ o título deste texto, das entrelinhas de teu artigo -Cidadão fiscal”, como forma de dar-te as boas vindas ao Acorda Pará.

Aqui nós transformamos o suor de nossas mãos e a massa cinzenta de nossos cérebros em perigosíssimas armas em defesa do que é nosso. Bem vindo ao BUNKER. A ti dedico este míssil.

Acorda Pará!

“Amazônia verde, viva, Brasil”

 

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