Walter – Bandeira
do Pará
quarta-feira, 03/06/09 - 11h57
De vez em quando, ao ler os jornais ou revistas
de nossa terra, deparava com a ‘famosa’ pergunta à
uma celebridade entrevistada: Quem é a cara de Belém?
Às vezes concordava com a resposta outras não, até
porque Belém tem muitas ‘caras’. O fato é
que se me tivessem feito essa pergunta eu teria a resposta na
ponta da língua... Como não a fizeram –até
pelo fato de eu não ser celebridade, respondo sem ser perguntado:
Walter Bandeira era a cara de Belém. E, bem mais que isso,
Belém era impregnada de Walter Bandeira e Walter Bandeira
era impregnado de Belém...
Que me perdoem os pudicos e os falsos moralistas,
Belém e Walter Bandeira davam ‘uma foda com gozo
magistral’... Um caso de amor eterno... Walter, muito mais
que outros, esse sim, era o ‘cara’... Dono de seu
próprio nariz, como poucos ousam ser... Talentoso, irreverente,
ousado, atrevido, debochado, boa gente e feliz.
Walter Bandeira era muito mais que isso –
acho até que vai ‘fazer visagem’, no Bar do
Parque, no Teatro da Paz, nas Rádios, Rauland e Cultura,
com um copo de whisky na mão, cantando um ‘hino’
do Rui Paranatinga Barata, dando uma canja ao Frank Sinatra, ou
dando gargalhadas com a Fafá de Belém, ou até
mesmo cantando: “E vai morar na Matinha pra ver o que é
bom para a tosse...”, junto com o meu amigo Alcyr Guimarães.
Walter já era a ‘assombração’.
Assombrava e encantava com sua belíssima voz, por isso
mesmo, o que vai ter de gente rezando para ele ‘aparecer’
não vai ser fácil – será uma visagem
muito bem vinda, até lá, estarás na lua cheia
à iluminar o Bar do Parque, na chuva que banha Belém,
no vento que derruba nossas mangas, nas canções
que embalarão a saudade de teus amigos cantores e artistas
de todas as artes, de teus fãs, alunos e amigos e na chama
que te manterá vivo junto a tua família e de todos
os que te admiravam e amavam como cantor e ser humano.
Vai o artista, fica a arte. Vai o homem, fica
o exemplo. Conheci Walter Bandeira na rádio Rauland apresentado
pelos radialistas, Hélio Dória e Heloísa
Huhn ‘dois de seus grandes amigos’ quando participei
da produção dos programas do Hélio. Lá
passei a admirar a voz, o talento, o ser humano e a respeitar
um dos maiores valores de nossa terra. Esse respeito passou a
ser maior quando um certo diz perguntei a ele, por que nunca tinha
tentado a carreira no Rio de Janeiro? E ele respondeu: O meu rio
é aqui! E sai cantarolando: “Esse rio é minha
rua, minha e tua, mururé, piso no peito da lua, deito no
chão da maré...”.
Tenho certeza que fostes exemplo à esta
terra abençoada que amastes, e à ela te entregastes,
por isso, mais que a cara de Belém, tu eras, ‘Bandeira
do Pará’. Não vá embriagar o anjo que
te levou, descansa em paz, amigo Walter Bandeira do Pará.
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