A ferro e Fogo
quinta-feira, 13/09/07 - 16h53
O Pará exige respeito!
Entre todos os Estados da Nação,
Talvez o único que esteja deitado em berço esplêndido
seja o Pará; inquestionavelmente o mais rico do país
em recursos minerais, florestais, hídricos, etc.
Infelizmente, podemos nos considerar pobres
em recursos humanos. Em que/qual buraco meteram-se nossos representantes,
nossas vozes, nossas ditas autoridades com poderes outorgados
pelo povo?
Querem “lotear” o Pará e o
silêncio denuncia uma cumplicidade criminosa e traiçoeira,
uma omissão que causa nojo. Gritar depois de fatos
consumados, para chamar atenção para si,
por ações que nunca foram verdadeiras, será
uma farsa, uma tentativa inútil para tentar convencer
de que acima dos interesses pessoais estão os interesses
do povo, do Pará e da Amazônia. Acorda Pará!
Chega de encenação teatral, jogo de cena;
o espetáculo que o Pará quer assistir é
outro. Até que se prove o contrario, todos são
cúmplices pelo silêncio, omissão e
covardia. A questão da divisão do Estado
do Pará envolve muitos interesses; as reações,
sempre atrasadas não trazem nada de concreto para
o Estado do Pará e seu povo. Soltam-se muitos foguetes,
fazem até, muito barulho, mas, quando a fumaça
se dissipa fica o silêncio dos que não têm
forças ou vontade de agir verdadeiramente pelo
Pará e pelos paraenses, ou são cúmplices
ou são coniventes. O Pará não merece
isso. Nossas vozes estão caladas e quando falam
é para iludir, bradar mentiras para encobrir uma
grande cumplicidade ou a falta de competência para
se fazer respeitar. Não devemos e não podemos
permanecer calados diante dessa ameaça de divisão
do Estado. É necessário buscarmos caminhos
e soluções que independam ate mesmo da ação
dos que têm a obrigação de agir e
nada fazem, não passam dos discursos previamente
escritos, sem conteúdos verdadeiros e que não
produzem efeitos. O Pará exige respeito, chega
de submissão e de assistirmos calados a “entrega”
de nossas riquezas, enquanto muitos filhos do Pará
e da Amazônia morrem de fome. É hora de reação,
mas muito cuidado, muitos dos nossos “inimigos”
são filhos desta terra, que rasgando a bandeira
de nosso chão estão cuidando de seus próprios
interesses.
Precisamos identificá-los e eliminá-los
do cenário político. A verdadeira mudança
começa em casa. É preciso “paranizar-se”,
vestir a camisa do nosso chão e cuidarmos do nosso próprio
umbigo.
A idéia separatista é fundamentada
no alegado abandono pelos poderes públicos das regiões
em questão. É sabido que o Pará inteiro necessita
de uma maior presença do Governo, tanto na área
estadual quanto na área federal. São 143 municípios
que enfrentam os mais diversos problemas, principalmente em função
da imensidão territorial; guardando as devidas proporções,
todos os municípios paraenses enfrentam problemas em todas
as áreas: econômica, social, política e administrativa.
Render-se a tais problemas é confessar incompetência
transferir responsabilidades é covardia. O desenvolvimento
do Estado é responsabilidade de todos, inclusive dos poderes
municipais. É importante que se observe, no entanto, se
por trás das alegações de abandono, não
existe um interesse maior de apropriação do que
é o “Filé Mignon” do Pará, por
grupos políticos e econômicos. Tal interesse, deve
ser profundamente analisado porque pode estar acima dos interesses
e reais necessidades das populações dos municípios
que formarão os novos Estados. Segundo o professor Alex
Fiúza de Melo magnífico reitor da Universidade Federal
do Pará - UFPA – “O processo de colonização
da Amazônia não significou o estabelecimento de uma
política colonial de povoamento da região, mas,
ao contrário, a fixação de núcleos
coloniais que objetivaram a ‘conquista’ e não
o povoamento da região”. Dentro desse contexto estão
as regiões sul e sudeste do Estado, formadas pelo que podemos
chamar de “Bandeirantes do século XX”, isto
é, aventureiros modernos, empresários, fazendeiros,
comerciantes e profissionais liberais, que fixaram residência,
preocupados não em promover o povoamento e desenvolvimento
dessas regiões e sim a exploração econômica
que lhes permitisse acumular riquezas materiais – alguns
médicos ilustram bem esse fato. Após a abertura
das rodovias Belém - Brasília e Cuiabá -
Porto Velho, na década de 60, muitos médicos recém-formados
vieram para os municípios de fronteira no Pará,
iniciando carreira política como prefeitos. A maioria deles,
para angariar votos, lançava mão de expedientes
“clientelistas”, realizando principalmente, gratuitamente,
cirurgias de ligaduras de trompas em suas pacientes, conseguindo
se eleger por meio desse expediente. O interesse maior sempre
foi o ganho pessoal em detrimento do social e coletivo, muitos
fizeram fortunas à custa da miséria das mesmas populações
que hoje dizem querer beneficiar. Hoje ainda buscam “novas
formas de colonização” para sangrar ainda
mais uma terra espoliada ao longo de séculos e que tem
servido de almoxarifado ao resto do país e ao mundo à
custa da sobrevivência de seus próprios filhos.
Dividir o Estado ao invés de lutar por
seu desenvolvimento pode ser um tiro que sairá pela culatra.
De um lado a riqueza que pertence a todos e será levada
por poucos. Do outro lado um Estado enfraquecido pela expropriação
de suas riquezas que com certeza não serão divididas
com as populações dos Estados que querem criar.
O Pará é uma terra-mãe que
recebe e acolhe a todos os irmãos de outros Estados, de
braços e coração abertos, divide suas riquezas
com todos que lutam por uma vida melhor. É uma terra de
união que deve buscar seu desenvolvimento integral, distribuir
melhor a renda gerada com a exploração de bens que
pertencem a todos que aqui vivem, criam seus filhos e ajudam a
construir um lugar melhor pra todos. Não devemos nos curvar
as “paixões bairristas” pregadas por elementos
que incentivam a criação de um muro invisível
que separe paraenses natos dos paraenses por opção
ou adoção. Que sejam bem-vindos os que vierem, como
sempre foram os que aqui chegaram para somar e multiplicar, mas
que estejamos alerta para os que tentam levar o que é nosso;
vigilantes com os que aliados aos “Silvérios dos
Reis no tucupi ” tentam rasgar nossa bandeira e cospem no
prato que lhes alimenta.
Paraenses está na hora de vestimos verdadeiramente
a camisa de nosso chão. Que “nossas autoridades”
saiam das sombras e assumam suas posições. É
hora de reação e honramos o sangue cabano, é
hora de irmos às ruas “lutar” pelo que é
nosso. A ferro e a fogo, se preciso for.
O Pará exige respeito!
Às ruas, paraenses
Digam não a divisão!
Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador!
Teu destino é viver entre festas,
Do progresso, da paz e do amor!
Salve, ó terra de ricas florestas,
Fecundadas ao sol do equador!
Ó Pará, quanto orgulha ser filho,
De um colosso, tão belo e tão forte,
Juncaremos de flores teu trilho,
Do Brasil - Sentinela do Norte.
E a deixar de manter esse brilho,
Preferimos, mil vezes, a morte!
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