Desperta
Amazônia! Acorda Pará!
quinta-feira, 20/09/07 - 15h59
Finalmente alguns poucos paraenses resolveram
assumir a defesa da integridade territorial do estado
do Pará. Honrar o sangue que lhes corre nas veias,
mas, não estamos precisando de generais, caciques
ou chefes. Essa é uma ‘guerra’ sem
divisas onde todos devem ser soldados, guerreiros, operários.
É uma ‘guerra’ de todos os que amam
este chão; ‘esse país que se chama
Pará’. Aqui cabem todas as bandeiras, desde
que não queiram rasgar a nossa. A cobiça
vai além da divisão do Pará, estende-se
por toda a Amazônia e se faz necessário que
estejamos alertas aos interesses que nos rondam.
Tentar desvendar os mistérios
que envolvem a Amazônia é como percorrer
um labirinto sem fim. Os caminhos se entrelaçam
e quem entra pode não sair nunca mais. A região
é encantada. Guarda segredos inimagináveis.
Poucos são os que conseguem entender seus mistérios
e suas magias. É um santuário que abriga
em suas entranhas as maiores riquezas do planeta. Desperta
a cobiça de homens e nações, que
cegos pela ganância e pelo poder, tentam arrancar
desta terra inocente e selvagem os mais valiosos tesouros.
INOCENTE: Porque seus filhos ainda se
deixam enganar. Desconhecendo a própria força
e o gigantesco potencial. Adormecidos pela falta de investimentos
e porque pouco ou quase nada lhes foi ensinado.
SELVAGEM: Porque ainda existe um novo
mundo a descobrir e as vozes que se levantam em sua defesa
são caladas pela ‘força’ dos
que a cobiçam...
Piratas do Século XXI, de todas
as bandeiras que aqui aportam e tentam a todo custo conquistar
os incalculáveis tesouros existentes, devastando,
saqueando, matando se preciso for, desrespeitando a natureza
e a vida.
O que mais será preciso levar,
até que se aprenda o valor do que já foi
levado, do que ainda se tem e querem levar também?
Até quando ‘as vozes da
floresta’, permaneceram caladas, sem que se cante
um ‘canto de guerra’, em defesa da terra que
vê ‘guerreiros’ mancharem rios com sangue,
tombados a traição?
Quando será que os doutores togados
desembainharão a espada da justiça e lutarão
para impedir que um povo ‘morra de fome’,
enquanto nossos tesouros ‘alimentam’ os que
exploram esta terra?
Os sonhos são pesadelos que assombram
de todas as formas. Lentamente o velho amazônida
vai morrendo vendo tudo se acabar...
Ouro, ferro, bauxita, cassiterita, níquel,
cobre, ráfium, ítrium escorrendo ralo abaixo...
Onças, jacarés, macacos, araras, cobras,
cedro, ipê, maçaranduba, jacarandá,
acapú... Tudo isso indo embora enquanto os amazônidas
esperam a morte chegar assistindo o bando passar...
Bio-pirataria, tráfico de mulheres,
trabalho escravo, massacre de trabalhadores rurais, espancamentos
e assassinatos de jornalistas, crianças morrendo
de fome, jovens sem perspectivas, adultos sem convicções,
velhos ignorados...
A Amazônia é uma cobiçada
rainha. Bela, exuberante, selvagem. Detentora de tesouros
incalculáveis. Seus rios são como colares
de pérolas, que serperteiam seu corpo, levando
riquezas por onde passam. É amável e generosa
com seus filhos e com os que respeitam suas leis; a esses,
oferece seu leite de mulher-floresta. Doa o alimento retirado
de suas entranhas, como verdadeira mãe. Mas é
implacável com os que não a respeitam, tentam
saqueá-la, devastá-la e exterminá-la.
Ao homem é dado o direito de conquistá-la
em paz, harmoniosamente e sempre em busca de uma vida
melhor...
É preciso respeitar o homem nativo,
a natureza e os seres da floresta. Só assim se
vive em paz. Aqui, só nascendo, crescendo e vivendo,
para entendê-la, amá-la e conquistá-la.
Tentar saqueá-la, devastá-la, exterminá-la,
será um tiro que sairá pela culatra.
O tempo é seu senhor e juiz; os
que sobreviverem aos segredos que protegem a Amazônia
poderão contar que é melhor viver em paz
a ter que enfrentar os mistérios que guardam a
Amazônia, a floresta e seu povo.
Podem tentar incendiar, devastar e saquear,
podem até matar; sempre existirá um guerreiro
pronto a defendê-la.
O Pará é um dos filhos
mais ilustres da Amazônia. Tentar dividi-lo é
dividir a dignidade de um povo que recebeu de braços
abertos a todos que tentam rasgar a bandeira que os agasalhou.
Com a cumplicidade ‘de novos Silvérios dos
Reis’ cospem no prato que lhes alimenta, apoiados
por um batalhão de ‘novos Judas’ que
traem o próprio sangue e o estado do Pará.
A Amazônia e o Pará permanecerão
indissolúveis, cada vez mais íntegros e
dignos de seus filhos e dos que aqui vivem com respeito...
Sempre existirá um ‘guerreiro’
pronto a defendê-los. E, os ‘invasores’
nunca saberão se esse ‘guerreiro’ é
uma arvore, uma onça, um jacaré, um pedra
encantada, a água, o sol, a lua, o vento, o fogo,
a chuva, o ar, o ferro, o ouro, um homem, uma mulher,
o sonho, o pesadelo, o real ou o imaginário. Um
guerreiro que se transforma em milhões, que sempre
que necessário defendem o maior paraíso
verde do planeta; para mostrar ao mundo que os maiores
tesouros da Amazônia não são a floresta,
o ouro, o ferro... E sim os amazônidas que aos poucos
estão despertando para a nossa triste realidade.
Desperta Amazônia! Acorda Pará!
Chega de exploração.
Que nossas riquezas gerem benefícios
para a nossa própria gente! Que nossos filhos deixem
de morrer de ‘fome’ enquanto nosso ouro e
nossos outros tesouros vão alimentar a cobiça
de quem nos explora.
A Amazônia é um encanto,
o encanto da Amazônia é o Pará. Essa
é a voz da floresta e sempre que preciso for e
a natureza chamar de todos os cantos virão os guerreiros
e em nome do Pará e da Amazônia irão
se reunir: cobra-grande, matinta-perera, botos, iaras,
mãe d´água, mãe do mato, curupira,
mapinguari, piriquitambóia, jacaré açú,
andiroba, cedro, pau-rosa, castanheira, jacarandá,
cipó de fogo, acapú, índios, negros,
brancos... os filhos da mata e quem mais quiser vir. Alertas,
antes que nos tirem a vida também!
Amazônia, verde, viva, Brasil!
Pará, inteiro, verdadeiro, unido!
Diga não à divisão.
Não deixem que matem nossa cultura,
nossos mitos, nossas lendas... Precisamos continuar:
Falando égua! Pai-d´égua!
Tomado açaí, tacacá, chibé
com camarão.
Comendo pupunha e manga com farinha, maniçoba,
mapará, pato no tucupi.
Dançando brega, lundú, siriá e carimbó.
Sob as bênçãos de N.S. de Nazareth...
O sol de um novo tempo estar por vir.
Os seres encantados da floresta anunciam que as Amazonas
e os Cabanos ressurgirão das cinzas e marcharão
em uma só direção; guiando velhos,
adultos, jovens e crianças. Homens e mulheres;
guerreiros, brancos, negros e índios que entoarão
um velho canto ao som de ‘novos tambores’.
Velhos e novos guerreiros que unidos pelo mesmo ideal
se porão a cantar o hino de guerra: Salve, ó
terra de ricas florestas, fecundadas ao sol do Equador,
teu destino é viver entre festas, do progresso,
da Paz e do Amor!... Ó Pará, quanto orgulha
ser filho, de um colosso tão belo e tão
forte, juncaremos de flores teu trilho, do Brasil - Sentinela
do Norte, e a deixar de manter esse brilho, preferimos,
mil vezes, a morte!
Somos grandes!
Somos fortes!
Pará a estrela do Norte. Ninguém
vai tirar o nosso brilho!
Desperta Amazônia!
Junte-se a nós nessa luta, envie
uma mensagem de apoio ao nosso movimento. Vamos às
ruas lutar pelo que é nosso. Acorda Pará!
|