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Luiz Alho
Jornalista, Escritor e Ambientalista
alhoparauara@gmail.com

 

Imagina Só!

quinta-feira, 04/10/07 - 08h46

Na abertura oficial da XI Feira Pan-Amazônica do Livro, ocorrida dia 28 p.p., no Hangar, um fato passou quase despercebido. A governadora Ana Júlia Carepa simplesmente não fez a tradicional visita ao Estande dos Escritores Paraenses, realizada em anos anteriores pelos ex-governadores Almir Gabriel e Simão Jatene logo após a abertura do evento, em respeito a literatura, aos escritores e a cultura paraense e Pan-Amazônica em apoio aos que insistem em vencer todas as barreiras para dar pernas a uma cultura que se arrasta por falta de apoio, amparada por leis que transformam escritores e outros agentes culturais em verdadeiros esmoléis, à bater de porta em porta de empresários que não têm compromissos com o “fazer cultural”.

Imagina só, nossa feira a partir desta 11ª edição transformar-se-á na 3ª do gênero no Brasil, firmou-se porque a população é ávida por eventos que proporcionem conhecimentos e, é sem sombra de dúvidas um evento de oportunidades, de geração de emprego e renda. Para os autores é um divisor de águas; um marco na literatura, com lançamentos, vendas, congraçamentos, projetos, intercâmbio, que extrapola os limites do comprar e vender. A Feira Pan-Amazônica do Livro é uma pororoca cultural que arrasta multidões.

Imagina só, durante esses onze anos de feira, mais de dois milhões e meio de pessoas (qualquer diferença é para mais) já visitaram o evento; o Pará recebeu a instalação de dez empresas do segmento editorial e livreiro. Seis livrarias e quatro filiais de editoras.
Nossa feira do livro é uma referência ao mercado do livro no Brasil. Alguns estados brasileiros que ainda não criaram suas feiras de livros têm a Pan-Amazônica como exemplo de projeto, inclusive social. Gera emprego e renda; emprega no mínimo 1.200 pessoas nos 10 dias de atividades. A população inteira do estado, público acadêmico, universitário, escolar (fundamental e médio), pais e mestres aguardam ansiosos a chegada da Pan-Amazônica do Livro que recebe também a visita de turistas de outros estados e de outros países em função do Círio de Nazareth.

Imagina só, o mercado editorial tem a Feira Pan-Amazônica do Livro como prioridade no calendário de eventos de suas empresas; preparam durante o período de formação do projeto, livros à partir de R$ 5,00 (cinco Reais). A Associação Nacional de Livrarias traz 85.000 (oitenta e cinco mil) títulos, os últimos lançamentos do mercado editorial para expor no evento. Famílias se reúnem em torno da cultura. É um evento onde pais e filhos aprendem algo de novo, estreitam relacionamentos; um evento promovido pelo Governo do Estado que cumpre efetivamente o papel social de resguardar o direito dos cidadãos paraenses de terem acesso à cultura, ao habito da leitura e ao livro.

Segundo uma pesquisa elaborada pelo IBGE, no Brasil, diminuiu a quantidade de livrarias e o Pará vai de encontro a essa pesquisa, mostrando a todo o Brasil que com a realização da Feira Pan-Amazônica do Livro, o Estado do Pará muda a história e combate os índices de analfabetismo que denigrem o Brasil.

Imagina só é fundamental que a Feira Pan-Amazônica continue anual em função de tudo que relatamos, como também é fundamental que a interiorização do evento seja levada a todos os municípios e depois culmine com a Pan-Belém. Se neste ano já se atingiu 70 (setenta) municípios, acreditamos que os competentes técnicos da SECULT encontrem uma solução. Sugerimos que sejam criados pólos regionais com eventos de janeiro a agosto com finalização na Feira Pan-Amazônica num evento que abrace e valorize os 143 municípios do estado.

Por fim, imagina só, criar um selo para lançar 4 (quatro) novos autores, se os mais de cem escritores que estão expondo no Estande dos Escritores Paraenses não mereceram uma visita por parte da Governadora e dos Secretários de Cultura e Educação... Coitados desses quatro novos autores.

Imagina só, na abertura, não apareceu ninguém, no outro dia foram ao show do Pablo Milanês e ‘necas’ para os escritores paraenses... Passam-se os dias e ‘axi’ caboclo, nem te vejo!

O fato lamentável é que manchetes de jornais dizem que a governadora está quase 100%, que não precisa nem mais de bengala, e nossos outros dois secretários, não as usam. Depois quando saírem notas em colunas anunciando: “O pessoal foram” ou “Leite de búfalo”, como já foi divulgado em certo jornal, na imprensa, ‘português errado’ que não culpem os que tentam dar pernas à uma cultura que se arrasta por falta de apoio.

Pan-Amazônica todo ano!
Interiorização total!
Respeito aos Escritores Paraenses!...
Perdoem-me pelo atrevimento.
Calar é omissão! Omissão é covardia!
O Pará e a Amazônia não merecem isso.
Acorda Pará!

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