Biodiesel, o novo vilão
brasileiro...
quarta-feira, 16/04/08 - 15h40
Belém - Pará - Amazônia - Brasil
Relator especial da Organização
das Nações Unidas para o Direito à
Alimentação, Jean Ziegler, em recente entrevista
a uma emissora alemã, repetiu o que vêm dizendo
outros críticos dos biocombustíveis, segundo
os quais o uso de terras férteis para cultivos
destinados a esta tecnologia "reduz as superfícies
destinadas aos alimentos e contribui para o aumento dos
preços dos mantimentos". A declaração
de Ziegler não mencionou quaisquer estatísticas
sobre a produção agrícola brasileira,
nem análise sobre tecnologia agrícola e
número de trabalhadores no campo, o que seria coerente.
Após constantes denúncias
de destruição da Amazônia, o Brasil
e a própria região são alvo de nova
campanha difamatória no exterior. Agora, o vilão
é a produção dos biocombustíveis.
Autoridades européias e o Banco Mundial têm
patrocinado uma onda crescente injustificável contra
os biocombustíveis brasileiros. Com a tecnologia
que possui o Brasil logo se tornará auto-suficiente
na produção dessa energia, o que, de fato,
constitui ameaça aos interesses internacionais.
Jean Ziegler pecou ao generalizar, pois
certas relações às culturas anuais
não se aplicam às perenes. A implantação
de sistemas agros florestais, como forma de aproveitamento
das áreas de utilização econômica
de propriedades, no Brasil e na Amazônia, bem como,
a recomposição das partes suprimidas nas
reservas florestais deveria ser mais estimulada nas áreas
comprovadamente já alteradas dentro dos limites
da zona de consolidação e expansão
das atividades produtivas definidas pela Lei de Zoneamento
Ecológico-Econômico do Estado.
Exemplo perene e de grande porte, o dendezeiro,
quando adulto, oferece perfeito recobrimento do solo,
podendo ser considerado um sistema de aceitável
estabilidade ecológica e baixos impactos negativos
ao ambiente. É importante destacar: a produção
inicia aos três anos após o plantio e é
distribuída ao longo do ano, por mais de vinte
e cinco anos consecutivos, sendo excelente atividade para
a geração de empregos permanentes.
Segundo estatísticas da FAO, a
produção mundial de óleo de dendê
deverá superar, já no início deste
século, a produção do óleo
da soja, desde que apresente o mesmo nível de expansão
da área plantada. Tal expansão será
necessária para atender o crescimento da demanda
mundial em óleos e corpos graxos, representada
tanto pelo crescimento populacional, quanto pelo incremento
no consumo de alguns países emergentes na economia
mundial com efetivo populacional importante, como China,
Índia e Paquistão. A Malásia produz
14.962.000 toneladas, a Indonésia
13.600.000 toneladas e o Brasil é o 11º, produzindo
apenas 160.000 toneladas (dados de produção
em 2005, Oil World Annual & Oil World Weekly; MPOB).
Além de ser o óleo vegetal
mais importante do mundo como insumo da indústria
alimentícia e oleoquímica, o dendê
é também a matéria-prima mais competitiva
para a fabricação de biodiesel, trazendo
uma série de vantagens sócio-econômicas
e ambientais. Segundo pesquisa, o custo de produção
de biodiesel etil-ester a partir de óleo de soja
ao preço de US$ 480,00/t é 17 a 27% maior
que o diesel comum, a depender da região produtora,
chegando a atingir o preço final entre R$ 1,72
a 1,76/litro em simulações de produção
em uma fábrica de 400 t/dia. Tomando-se estas mesmas
especificações em relação
ao tamanho da unidade agro-industrial, o biodiesel produzido
a partir do óleo de dendê ao preço
de US$ 286.00/tonelada, giraria em torno de R$ 1,06/litro
de biodiesel, altamente competitivo em relação
ao preço do óleo diesel e do próprio
biodiesel produzido a partir do óleo de soja e
outros grãos.
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