O principal vilão
do desmatamento da Amazônia é o próprio
governo...
quarta-feira, 30/04/08 - 22h54
Belém - Pará - Amazônia
- Brasil
Grande parte da exploração
econômica da Floresta Amazônica se dá
de forma ilegal – o caso da extração
de madeira, já que menos de 20% do setor age (ou
agia) de acordo com as normas estabelecidas pelo governo.
Ao ‘tapar o suspiro’ do setor abruptamente,
o governo nivelou por baixo, não deixando alternativas
de sobrevivência para milhares de trabalhadores
e empurrando a maioria para a ilegalidade. Ou seja, fazendo
uma analogia: estão roubando algodão e água
oxigenada do hospital? Então fecha o hospital!
Uma parcela considerável do agro
negócio que assegura os superávits comerciais
brasileiros está na Amazônia. O maior rebanho
do país se encontra na região, concentrado
nos estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia;
33% das cabeças de gado no Brasil estão
na Amazônia, que tem também o rebanho que
mais cresce no país – 6,9% ao ano, muito
acima da média nacional, de 0,67%, ou mais de dez
vezes esse índice, de acordo com levantamento do
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Ambas – agricultura e pecuária
– são as responsáveis por 80% do desmatamento
da região, ocupando uma área equivalente
à de dois países do tamanho da Itália.
As próprias reservas extrativistas do Acre, símbolo
da propaganda ambientalista do governo e bandeira das
várias ONGs em atuação na região,
acabaram se revelando danosas para a floresta. Cerca de
36% da mata amazônica está no Pará.
A indústria é a principal
atividade econômica da Região Norte, respondendo
por 23% de seu produto interno bruto, contra 13% da agricultura
e apenas 3% da pecuária. Quanto à questão
do ecoturismo, há dúvida sobre se ele poderia
se tornar uma atividade rentável na Amazônia,
pelo menos na mesma proporção de países
da América Central. Estimativas dão conta
de que, mesmo com investimento na estrutura dos parques
e na rede de transportes da Amazônia, o ecoturismo
teria potencial para ocupar um modesto nicho de no máximo
2% da economia da região.
O sul e o sudeste brasileiro podem ser
afetados por uma seca que poderá comprometer os
rios da Bacia do Prata, grande fonte de energia hidrelétrica
da América do Sul. No Brasil, alguns dos principais
trabalhos sobre o fenômeno são da autoria
dos pesquisadores Carlos Nobre, Marcos Oyama e Gilvan
Sampaio. De acordo com os cálculos, a temperatura
da Amazônia deverá subir 10 graus Celsius
nos próximos 100 anos, e com isso – ou por
isso - parte considerável da floresta será
varrida do mapa.
Outra área em que os cientistas realizaram descobertas
impressionantes é a da influência de uma
eventual destruição da Amazônia no
clima mundial. No fenômeno El Niño, o problema
seria o aumento das tempestades no sul da Ásia.
No caso da Amazônia, as diferenças de pressão
atmosférica e umidade relativa do ar provocadas
pelo desmatamento
O efeito remoto da destruição
da Amazônia é deletério para a economia
brasileira. Há um consenso cada vez maior de que
teremos uma grande queda de pluviosidade na Região
Sudeste, comprometendo a Bacia do Prata e, conseqüentemente,
grande parte da geração de energia do país.
Por questões atmosféricas,
a maior parte dos desertos do mundo se situa em cinturões
próximos aos trópicos de Câncer ou
Capricórnio. Apenas na América do Sul, na
região da Bacia do Prata, esse fenômeno não
se verifica e uma das explicações para o
fato é a existência da Floresta Amazônica.
A massa de ar úmido que provoca chuvas na região
meridional da América do Sul se origina no Atlântico
tropical. A massa de ar segue seu curso, ricocheteia na
Cordilheira dos Andes e acaba no sul do continente, garantindo
que as áreas produtivas da região não
sejam áridas como na Austrália ou na África
na mesma latitude.
As práticas agrícolas
inadequadas, o desmatamento, a pressão social,
a ignorância, a omissão e as políticas
públicas deficientes são fatores que causam
a desertificação, agravada pelas evidências
do efeito estufa, também atribuído às
atividades humanas. Mas, um dos mais importantes obstáculos
a superar é a ação política
tradicional, baseada na exploração eleitoral,
no abandono e no assistencialismo barato às populações
mais fragilizadas. Infelizmente, milhares de brasileiros,
especialmente os amazônidas, não terão
a oportunidade de constatar se tudo isso é mesmo
verdade, pois, até lá terão morrido
de fome.
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