Onde estarão as RCE’s?
sexta-feira, 09/05/08 - 08h12
Belém - Pará - Amazônia
- Brasil
Leitor assíduo de ‘O LIBERAL’
há décadas, sou colecionador dos fascículos
da série ‘Amazônia’, encartados
semanalmente neste jornal de Belém do Pará,
cujo último exemplar publicado trouxe a edição
sobre aquecimento global. Temas como este e sobre a biodiversidade
da Amazônia estão nos fascículos coloridos
em papel especial todas as quartas-feiras. A iniciativa
é uma parceria do jornal com a Companhia Vale do
Rio Doce para demonstrar a preocupação e
o compromisso da mineradora com o meio ambiente.
Os artigos científicos são
organizados para publicação pelo pesquisador
Inocêncio Gorayeb, do Museu Paraense Emílio
Goeldi (MPEG), que executa o projeto juntamente com um
grupo de pesquisadores da instituição. Além
dos exemplares exclusivos para assinantes, os fascículos
são veiculados no jornal que está à
venda nas bancas de revistas e em outros pontos de venda
na capital e interior do Estado.
A forma de abordagem no fascículo
demonstra bastante conhecimento do autor, e consequentemente
da empresa, sobre o tema, e isso nos remete ao mês
de outubro do ano passado, quando, em declaração
à imprensa, a diretora de Energia da Companhia
Vale do Rio Doce Vânia Somavilla, justificou, ou
tentou justificar, a importância de uma usina térmica
(UTE) a carvão mineral que a empresa pretende implantar
em Barcarena, a qual enfrentou justa resistência
por parte do Núcleo de Meio Ambiente do Ministério
Público do Estado do Pará.
Em relação às emissões
de dióxido de carbono, por exemplo, a diretora
citou que somente em áreas protegidas considerando
florestas nativas próprias e florestas produtivas,
‘a empresa possui um estoque já fixado de
677,5 milhões de toneladas de CO2, o que corresponde
à emissão de 312 usinas térmicas
iguais à de Barcarena’.
A implantação de Mecanismos
de Desenvolvimento Limpo (MDL), que permite a uma empresa
negociar créditos de carbono conforme regra estipulada
no Protocolo de Quioto, depende do cumprimento de uma
série de pré-requisitos até alcançar
a certificação da ONU, as chamadas RCE's
(Reduções Certificadas de Emissões).
Para ser aprovado no Brasil, o projeto
deve obedecer a cinco critérios fundamentais: distribuição
de renda, sustentabilidade ambiental local, desenvolvimento
das condições de trabalho e geração
líquida de emprego, capacitação e
desenvolvimento tecnológico e integração
regional em articulação com outros setores.
O processo acontece em sete etapas, sendo que as quatro
primeiras fazem parte do registro do projeto e as outras
três se referem à verificação
de sua eficiência.
Comovido com o ‘estoque já
fixado de 677,5 milhões de toneladas de CO2’,
resolvi consultar os ‘Projetos Submetidos à
Comissão Interministerial no Âmbito do Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo’, no site do Ministério
da Ciência e Tecnologia. Para surpresa, dentre os
‘Projetos Aprovados com Ressalvas’, encontrei
apenas um ligado a Vale do Rio Doce, restando cumprir
etapas até a emissão final das RCE’s:
o processo n. º 0206/2007 – Redução
de Emissões de PFC na ALBRAS – Alumínio
Brasileiro S/A, protocolizado somente em novembro do ano
passado, ou seja, um mês após as declarações
da diretora de energia da Vale à imprensa, e que,
isoladamente, nem de longe, deverá alcançar
a cifra de CO2 acima mencionada.
Poderiam ter melhor aproveitado o último
fascículo publicado em ‘O LIBERAL’,
sobre aquecimento global, para explicar sobre o tal ‘estoque
já fixado de 677,5 milhões de toneladas
de CO2’. Peço que os leitores me ajudem a
localizá-lo. O endereço é: http://www.mct.gov.br/.
|