Robin Hood tupiniquim...
segunda-feira, 11/08/08 - 09h05
Belém - Pará - Amazônia
- Brasil
Os consumidores paraenses e capixabas
vão pagar mais caro pela energia elétrica.
A Agência Nacional de Energia Elétrica -
Aneel autorizou reajuste nas tarifas de duas distribuidoras,
superiores ao IGPM de 15%, acumulado até julho.
Os aumentos são diferenciados, por empresa e classe
de consumo, residencial ou industrial.
O maior reajuste foi para a Celpa, que
fornece energia para os 143 municípios do Estado
do Pará, com 16,9% para indústrias e 19,2%
para residências. No Espírito Santo, a Escelsa,
que atende 67 municípios do estado capixaba, teve
aumento de 7,4% para alta tensão e 6,96% para baixa
tensão. O reajuste entrou em vigor para as duas
distribuidoras no último 07 de agosto.
Segundo a Aneel, ‘o calculo das
tarifas considera todas as despesas de operação
das empresas, assim como os gastos com a compra de energia,
tarifas de transporte (distribuição e transmissão)
e recolhimento de encargos’.
Os percentuais de reajuste refletem o
repasse às tarifas do aumento dos custos com o
encargo de serviços do sistema, que tem como atribuição
garantir ‘segurança energética’.
A despesa é paga por todos os consumidores na conta
de energia e usuários da rede de transmissão.
O aumento no valor do encargo resultaria da ‘operação
de usinas termelétricas acionadas no final do ano
passado e início deste ano, em razão da
curva de aversão a risco, mecanismo que estabelece
o nível mínimo de armazenamento dos reservatórios
das hidrelétricas’.
De acordo com a Celpa, a alta foi impactada,
ainda, pelo Índice Geral de Preços do Mercado
(IGPM) acumulado nos últimos 12 meses, que chegou
a 15,1%, e esse índice é utilizado para
repassar inflação às tarifas de energia
elétrica; e pelo repasse do custo adicional causado
pelo ‘aumento da geração de energia
das usinas termelétricas por determinação
do Ministério de Minas e Energia’.
Por mais estranho que pareça,
a Aneel não possui qualquer participação
na composição das tarifas ao consumidor,
o papel da agência limita-se ao de fiscalizar o
estrito cumprimento de regras estabelecidas pelo governo
e pelo Congresso Nacional, para os contratos firmados
com as concessionárias de energia elétrica.
A mineradora Vale é a maior acionista
da Albrás, uma indústria de alumínio
eletro-intensivo, ou seja, consome muita energia. A Albrás
recebe energia subsidiada a preço real de custo
da Eletronorte. De acordo com o contrato firmado com a
estatal, a Vale pagará R$ 0,033 reais pelo kWh
até 2024.
Enquanto isso, os pobres consumidores
residenciais do Pará, clientes da Celpa, deverão
pagar, após o aumento, R$ 0,4496 pelo kWh na tarifa
residencial normal, ou quinze vezes mais do que a Vale,
considerando a distribuição, encargos setoriais,
energia elétrica propriamente dita, a transmissão
e tributos.
Veja a disparidade entre os valores
pagos pela Vale e a tarifa paga pelo trabalhador, considerando
uma mesma quantidade de energia consumida de 100 KW: Vale:
R$ 3,30. Famílias de trabalhadores paraenses: R$
44,96.
Segundo informações no
site da Albrás, a demanda de energia da empresa
está acima de 700 MW. A Albrás é
responsável pela utilização de mais
de 15% da geração da usina de Tucuruí.
Não à toa que dizem que o Pará é
um dos poucos a exportar energia elétrica subsidiada
na forma de minérios, e quem está pagando
a conta é o pobre consumidor residencial. Vivemos
em uma espécie de ‘Floresta de Sherwood’
às avessas...
|