Combate ao desmatamento na
Amazônia
sábado, 26/01/08 - 11h45
Belém - Pará - Amazônia
- Brasil
O aumento do desmatamento na região
amazônica resultou inicialmente da exaustão
das florestas da Mata Atlântica e do esgotamento
progressivo das florestas tropicais da Ásia. De
outro lado, o desequilíbrio estrutural nas outras
regiões do Brasil, aliado à implantação
de grandes empreendimentos, como a abertura de estradas,
a construção de usinas hidrelétricas,
a implantação de grandes projetos de mineração
e os próprios projetos de assentamento e reforma
agrária do governo contribuíram - e continuam
contribuindo, direta ou indiretamente - para que milhares
de famílias de agricultores e desempregados migrem
para o Pará e outros estados da Amazônia,
por não encontrarem em seus locais de origem as
condições básicas necessárias
para se ter uma vida digna. Não podemos confundir
os impactos primários, qualquer que seja o tipo
de exploração, com os impactos secundários
da colonização espontânea e o desmatamento
total associados à agricultura de corte e queima
problemas seculares de origem socioeconômica agravada
com a inoperância e até mesmo a omissão
do Estado com relação à exigência
de compensações no processo de licenciamento
ambiental de grandes empreendimentos.
As causas do desmatamento são
conhecidas há bastante tempo. Por exemplo, nos
idos 1990 a Revista Forest publicou artigo emblemático
de Christopher Uhl et alii, sob o título Impacto
Sociais, Econômico e Ecológico da Exploração
Seletiva de Madeiras, numa Região de Fronteira
na Amazônia Oriental: O caso de Tailândia
(PA). O estudo cita o exemplo da construção
da Rodovia PA-150, aberta na década de 70 e asfaltada
em 1986, com objetivo de servir de ligação
entre a cidade portuária de Belém e a rica
província mineral do sul do Pará.
Para compreender a importância
da madeira na vida de quem fugiu da miséria, atraído
pela esperança de melhores dias, Uhl afirma que
é necessário entender o contexto em que
as pessoas são inseridas. É necessário
considerar as despesas correspondentes à cesta
básica e às necessidades sociais, incluindo
roupas, calçados, saúde, transporte etc.
Estimemos que o custo anual mínimo da cesta básica
requerida para uma família de oito pessoas, tamanho
médio da região, seja de R$ 3500. Essa estimativa
não inclui o consumo de arroz e a farinha de mandioca
que são produzidos na roça para a alimentação
da própria família. Considerando gastos
sociais correspondentes a 40% do valor da cesta básica,
ou seja, R$ 1400, logo, a despesa anual de uma família
de oito pessoas ficaria em torno de R$ 4900.
Cada hectare de mata recém-desbravado
produz, em média, no sistema primitivo convencional,
R$ 1.400 de produtos agrícolas de subsistência
- milho, arroz, feijão e mandioca - antes de ser
abandonado. Isto significa que uma família, depois
de vender as árvores de tamanho e valor comercial
imediato por preço de banana, precisa derrubar
aproximadamente quatro hectares de floresta por ano, destruindo
nesse processo um enorme volume de biodiversidade com
valor potencial, presente e futuro, somente para atender
as necessidades básicas de subsistência.
Quando esgotados o solo e os recursos florestais, resta
ao colono trilhar o caminho inverso ao da reforma agrária,
vendendo a terra de volta ao grande proprietário,
ou abandonando a sua área, seguindo para novas
regiões de fronteira a fim de repetir o ciclo vicioso.
Todo o processo também abre espaço
para a marginalidade, a grilagem e a invasão de
terras, a exploração ilegal de madeira,
a biopirataria dentre outras. O Brasil possui uma das
legislações ambientais mais completas do
planeta, entretanto, embora os impactos primários
da exploração seletiva de madeiras sejam
pequenos, a presença da economia madeireira nas
regiões de fronteira atraída com a abertura
das estradas e a implantação dos grandes
projetos, de fato, continua a contribuir para o desflorestamento.
Mas são os impactos secundários da colonização
espontânea, associadas à ausência de
políticas públicas, ou políticas
públicas deficientes ou mal aplicadas que compromete
a ecologia da região no presente e futuro. A ação
do Exército e da Polícia Federal é
necessária enquanto medida curativa ao aumento
do desmatamento, mas o combate vai além da fiscalização,
é preciso acima de tudo agir na prevenção,
e separar o joio do trigo. Estudos demonstram que o governo
brasileiro, agora sob o comando do PT, deve ser adequadamente
estruturado para enfrentar os sérios problemas
históricos que se arrastam desde a invenção
do Brasil, pois não é de hoje que dados
estatísticos demonstram que a taxa de desmatamento
anual e a degradação ambiental vêm
aumentando, apontando historicamente para uma relação
diretamente proporcional ao desequilíbrio socioeconômico
e às desigualdades sociais. |