Prioridade nacional
quarta-feira, 23/01/08 - 11h54
Belém - Pará - Amazônia
- Brasil
Gostaria de comentar matéria recentemente
publicada na imprensa, relatando que uma Comitiva interministerial
liderada pelo ministro extraordinário de Assuntos
Estratégicos, Roberto Mangabeira Unger, realizou
uma viagem de quatro dias aos Estados do Pará e
Amazonas para discutir ‘estratégias de desenvolvimento’
para a região com os governadores Ana Júlia
Carepa (PT) e Eduardo Braga (PMDB), além de autoridades
estaduais e representantes da comunidade científica.
Explorar os recursos naturais sem destruir a Amazônia
foi o desafio levantado. O ministro apresentou o esboço
da ‘proposta de desenvolvimento’ da Amazônia
aos secretários de Estado e para representantes
de diversos centros de pesquisa, e participou de reunião
com representantes do setor econômico.
No que tange à integração
da Amazônia, registros jornalísticos demonstram
que foram e continuam sendo muitos e não recentes
os belíssimos discursos. Ao longo da história,
o desenvolvimento da imensa região sempre esteve
presente como tema central. Desde a segunda metade do
século passado, políticos expressam preocupação
com os recursos da fauna, do reino das onças pintadas,
das capivaras, dos jacarés, dos guarás e
da imensa variedade das aves mais belas do mundo, da flora
exuberante e variada, das riquezas imensas, dos minérios
raros que tanto necessita o mundo civilizado.
Antigamente já se falava da infra-estrutura
necessária, das estradas que precisavam ser construídas,
da Transamazônica e Cuiabá-Santarém.
Da Belém-Brasília que precisava ser asfaltada.
Das frotas fluviais que precisavam navegar pelos milhares
de igarapés, de furos, de afluentes gigantescos,
levando civilização e progresso. Da educação
para o desenvolvimento, onde as escolas seriam instrumentos
de integração do homem ao meio ambiente.
Da saúde, clamando pela instalação
de hospitais ou mesmo de simples postos ambulantes instalados
em pequenos barcos, visitando a gente sofrida do imenso
interior, libertando-a das humilhantes e vergonhosas epidemias
originárias do subdesenvolvimento. Apesar de muitas
décadas de belos discursos, as necessidades atuais
essencialmente são as mesmas do passado.
Não havia a preocupação
divisionista, sem enxergar duas, ou mais regiões
amazônicas quando só existia uma, há
muito tempo abandonada e clamando integração
à comunidade nacional através de desenvolvimento
uniforme. Reivindicava-se o tratamento diferenciado na
questão das isenções fiscais, mas
atentando para interesses secundários e deixando-se
de lado o que deveria ser a preocupação
de todos os brasileiros, de todos os amazônidas:
desenvolver partindo da criação de infra-estrutura,
rasgando-se estradas, melhorando-se portos, construindo-se
ou adquirindo-se frotas para o transporte fluvial, educando
e zelando pelo homem. Somente assim poderiam ser atraídos
os capitais necessários à abertura de clareiras
no meio da mata. Pensava-se na pátria ameaçada
de perder esta imensa região que corresponde a
60% do território nacional, se não fossem
atendidos anseios desenvolvimentistas do mundo moderno,
super-povoado e faminto.
Hoje, a história se repete parcialmente
de forma inversa: temos de continuar gritando ‘Salvemos
a Amazônia’ para protegê-la da degradação,
principalmente a humana. A história tem mostrado
que o cidadão comum possui o cérebro atrofiado
pela ignorância e pobreza extrema, é mentalmente
alienado e sofre verdadeiras lavagens cerebrais pelas
propagandas subliminares e notícias tendenciosas
e distorcidas, sendo privado da vontade própria
e do livre arbítrio. O auxílio é
necessário, pois o flagelo histórico da
retórica, da incompetência, da depravação,
do apodrecimento, do suborno e da desmoralização
tem se degenerado em submissão e subjugação.
E a culpa não é do atual governo! Urge Unger
partir para ações concretas, pois o sucesso
só vem antes do trabalho no dicionário.
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