A miséria
faz coisas inacreditáveis. Prendam o governo, também!
quarta-feira, 03/06/09 - 14h10
Já está presa mãe
flagrada pela reportagem do ‘Fantástico’
em Portel [PA], no Marajó, que negociou a filha
por R$ 500...
Os maiores problemas do Marajó
estão na parte oriental do arquipélago.
A parte leste, mais desenvolvida, é onde se concentra
o maior movimento turístico e os Índices
de Desenvolvimento Humano (IDH) são melhores. Na
parte oriental, ficam municípios como Portel, que
estão entre os de menor IDH do Estado.
Os políticos, com raríssimas
exceções, não se empenharam para
lutar por políticas públicas de desenvolvimento
para a região.
Os problemas de malária e roubo
de gado, devastação de açaizais,
pesca predatória, saque de sítios arqueológicos,
exploração sexual infanto-juvenil, biopirataria,
invasão e grilagem de terras formam o rosário
de sofrimentos ao qual está exposto o meio ambiente
e moradores, não somente de Portel, mas de grande
parte da região do Marajó.
O potencial turístico do Município,
cujo território supera o de muitos países
europeus, não somente em dimensão, como
também em belezas cênicas, se confirma através
dos acidentes geográficos ecologicamente mais relevantes,
que são os rios Pacajá, Anapú e Camarapi
e as baías de Melgaço, Portel, Pacajá
e Caxiuanã. Portel apresenta várias cachoeiras,
entre elas a Grande do Pacajá, Pimenta, Piranha,
Piracuquara, Pilão Grande do Tueré e Comprida.
Portel divide com o Município
de Melgaço a Floresta Nacional do Caxiuanã,
com área de 200.000ha. (2.000 Km²), dentro
da qual o Museu Paraense Emílio Goeldi implantou
uma estação ecológica com o objetivo
de racionalizar a exploração do potencial
madeireiro.
A análise do quadro natural da
região aponta como alternativa de exploração
econômica de seus recursos, além da grande
possibilidade do turismo, a atividade agrícola
e, em especial proporção exploração
dos recursos da floresta. Mas é necessário
trazer a exploração florestal para a legalidade,
em vez de empurrá-la para a ilegalidade, e criar
a infra-estrutura necessária, principalmente, a
linha de transmissão de energia elétrica.
As florestas nativas, se manejadas de
forma correta, podem produzir mais do que a agropecuária.
Existe ainda o potencial de produzir, na mesma floresta,
polpa de açaí, plantas medicinais, essências
aromáticas etc. Isso ilustra o óbvio: a
floresta em pé vale mais do que no chão.
As florestas devem ser vistas como espaços estratégicos
para o desenvolvimento sustentável da Amazônia,
do Brasil e da própria América ‘latrina’.
Uma expressiva zona abrangendo grande
parte da área estendendo-se ao litoral sul do Amapá
ainda é recoberta por uma vegetação
florestal densa, que apresenta tanto potencial madeireiro
quanto extrativista, projetos de seqüestro de carbono
e mecanismos de desenvolvimento limpo (até quando?).
A crise no setor extrativista madeireiro,
que sempre movimentou a maior parte da economia na região,
fez com que as poucas empresas do setor instaladas no
município, e que atuavam na legalidade, fechassem
as portas e paralisassem atividades, agravando o contingente
de desempregados sem alternativas concretas de sustentabilidade.
A população encontra-se
praticamente abandonada, sem contar com estruturação
fundiária básica, e sem os serviços
de responsabilidade do poder público de forma satisfatória
que permitiriam acesso ao crédito agrícola,
ao mesmo tempo em que haveria necessidade de organização
de associações ou cooperativas no município
para pleitear o financiamento da produção.
Se a miséria faz com que esse
tipo de degradação humana ocorra na área
urbana, imaginem o que acontece na zona rural. É
comum os próprios pais levarem suas filhas, menores
púberes, em pequenas canoas até as balsas
de transporte das toras de madeiras, muitas vezes ilegais,
para, em troca de ‘favores sexuais’ à
tripulação, receberem pequenas porções
de alimentos a alguns litros de óleo diesel para
mover seus geradores de energia.
O projeto de lei foi apresentado pelo
deputado Roberto Santiago em 27 de maio de 2009.
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