COP-15: É quando a
mudança significa “frear o cre$cimento econômico”
ou “modificar a matriz energética”
(dinheiro) que o ânimo de proteger a natureza cai
de vez...
quinta-feira, 17/12/09 - 19h00
Na antevéspera do fechamento
da Conferência Climática COP-15, o ministro
do Meio Ambiente da Índia, Jairam Ramesh, afirmou,
aliás com muita propriedade, que um dos mais importantes
acordos internacionais para as mudanças climáticas
“está na UTI”. As negociações
mundiais para estender o Protocolo de Quioto sofrem um
impasse.
De acordo com a “Folha”,
os países africanos paralisaram a principal sessão
de negociações se retirarando em protesto,
alegando que os países ricos queriam “matar”
o acordo. O protocolo obriga cerca de 40 nações
ricas a limitarem as emissões de carbono.
O “Estado” publicou que o
presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, teria conversado
por telefone com o “o cara” Lula da Silva.
O objetivo da ligação era uma tentativa
de proporcionar um resultado positivo da cúpula
sobre mudança climática COP-15. Segundo
a Casa Branca, Obama teria destacado a Lula a importância
dos países continuarem trabalhando para conseguir
um acordo que signifique verdadeiro progresso e definir
uma ação global para frear a ameaça
da mudança climática.
Avaliação feita pela cúpula
da delegação brasileira ao presidente ontem,
publicada pela Folha, relata como reduzida a chance de
os Estados Unidos se comprometerem com o corte de emissões
em eventual acordo. O governo brasileiro aposta que o
presidente Barack Obama proponha um aporte de dinheiro
público americano para um fundo global que bancaria
o corte das emissões de gases-estufa e a adaptação
à mudança climática. Minc pensa que
“é mais possível arrancar algo em
recursos do que em metas de redução de gases,
e vamos apostar nisso”.
A cada ano que passa, todos percebem
as profundas mudanças que vêm ocorrendo no
clima do Planeta. Formação de furacões
cada vez mais constantes e devastadores; chuvas torrenciais
gerando grandes inundações e secas agravando
cada vez mais a fome nos países mais pobres, entre
outros. Cientistas afirmam que é conseqüência
do efeito estufa, fenômeno gerado pelo lançamento
de gases na atmosfera.
Essas “preocupações”
começaram no ano de 1972, quando se realizou em
Estocolmo, na Suécia, a 1ª Conferência
Mundial sobre o Meio Ambiente, fato marcante que iniciou
a “mobilização mundial em defesa dos
ecossistemas naturais”.
Após Estocolmo, deu-se início
a um incremento, a passos de cágado – é
verdade -, de consciência mundial, tanto por iniciativa
de cidadãos, quanto de governos. Todos, cada vez
mais, voltados para as questões ambientais locais
e globais.
Em 1989, a Assembléia Geral das
Nações Unidas (ONU) manifestou o desejo
de realizar a 2ª Conferência, que acabou se
realizando somente em 1992. Dentre os países que
se candidataram para sediá-la, acabou vencendo
o Brasil, que já procurava se firmar como um dos
primeiros países em desenvolvimento a se preocupar
com a causa ecológica. Então, foi realizada
a 2ª Conferência das Nações Unidas
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CNUMAD) ou
ECO 92.
A ECO-92 foi realizada no Rio de Janeiro,
em junho de 1992, onde, ao longo de alguns dias, várias
nações debateram as questões ambientais
locais e globais, definiram uma sucessão de regras
e metas em comum, estabeleceram novas diretrizes políticas
de interesses transversais e também fecharam acordos
conjuntos. Todos os participantes se comprometeriam mais
efetivamente em mitigar os emergentes problemas climáticos,
tendo como conseqüência mais concreta a emissão
de um documento sobre a Convenção Quadro
sobre Mudanças do Clima (em inglês, United
Nations Framework Climate Change Convention, UNFCCC).
Através deste documento, os 190
países signatários reconheceriam que as
mudanças climáticas e o efeito estufa eram
os fenômenos que comprometeriam mais gravemente
o futuro do planeta. Dessa forma, as novas políticas
de preservação passariam a ser uma responsabilidade
comum a todos. Os signatários teriam como principal
objetivo estabilizar a concentração dos
gases geradores do efeito estufa na atmosfera, de forma
que estes não gerassem mais riscos para o ecossistema
planetário.
Discutida e aprovada durante a Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
e o Desenvolvimento (CNUMAD, Rio de Janeiro, junho de
1992), os critérios da "Agenda 21" constituiriam
um programa que seria implementado ao longo do século
XXI pelos governos, pelas ONG’s e demais instituições
da sociedade civil e pelas demais instituições
multilaterais de fomento ao desenvolvimento sócio-econômico.
A “Agenda 21" culminaria os processos que duraram
20 anos de iniciativas e ações de âmbito
local, regional e internacional visando deter e reverter
a constante degradação dos ecossistemas.
Outra prioridade seria alterar gradativamente
as políticas que frequentemente resultam nas brutais
desigualdades sociais e econômicas entre os países
por meio de um programa de erradicação e
atenuação da pobreza, conservação,
tratamento e exploração sustentável
dos recursos naturais e provisão de melhores serviços
de educação e saúde e combate da
desigualdade entre as classes sociais.
Para alcançar um desenvolvimento
sustentável, precisamos mudar os paradigmas das
políticas governamentais, que deveriam passar a
um planejamento de longo prazo a partir do reconhecimento
de que os recursos naturais não são infinitos.
Foi em razão destas novas concepções
conceituais que surgiram as novas modalidades de desenvolvimento
econômico, as quais passariam a levar em conta o
meio ambiente. Também se destacam as profundas
mudanças nos objetivos da sociedade humana em termos
de comportamento social. Foi profundamente importante,
a percepção da humanidade, de que ela própria
não poderia sobreviver se houver o esgotamento
total dos recursos naturais do planeta.
E, em decorrência dos compromissos
assumidos durante Rio 92, o governo brasileiro desenvolveu,
através dos Ministérios do Planejamento
e Orçamento, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia
e Indústria e do Comércio, estudos para
incorporar os princípios do desenvolvimento sustentável,
tal como propostos na "Agenda 21". Eles contribuiriam
para estabelecer as bases estratégias nacionais
para o desenvolvimento local e global e, também,
as políticas públicas que seriam solidificadas
em caráter nacional e internacional com o Protocolo
de Quioto.
Em 1997, na cidade de Quioto, no Japão,
estando presentes os representantes de 159 nações,
foi realizada a terceira Conferência das Partes
(COP 3). As duas anteriores foram promovidas respectivamente
na Alemanha (COP 1), em 1995, e na Suíça
(COP 2), em 1996.
A Conferência em Quioto, que hoje,
se não está morta está na UTI, foi
a mais abrangente e culminou com a adoção
do famoso protocolo, um dos marcos mais importantes desde
a criação da Convenção Quadro
das Nações Unidas sobre Mudança do
Clima. Ele deveria ser utilizado como instrumento de combate
às mudanças climáticas.
O Protocolo de Quioto definiu que, para
sua entrada em vigor, seria necessária a ratificação
por pelo menos 55 países industrializados e que,
juntos, comprometer-se-iam a reduzir pelo menos 5,2% de
suas respectivas emissões combinadas de gases do
efeito estufa [GEE’s]. Isso corresponderia a cerca
de 60% das emissões globais totais dos GEE’s
em relação aos níveis 1990 até
o período entre 2008 e 2012.
Ao ser ratificado, o Protocolo passaria
a vigorar num prazo máximo de 90 dias, o que significaria
passar a ser um compromisso de caráter legal, vinculando
todas as Partes envolvidas. Assim, se algumas de suas
Partes não cumprissem o acordo firmado, ficariam
sujeitas às penalidades dentro do Protocolo.
É importante ressaltar que, apesar
dessa vinculação legal, esse histórico
compromisso não veio a produzir uma reversão
da tendência histórica de crescimento das
emissões iniciadas nesses países há
aproximadamente 150 anos atrás.
A União Européia assumiu
o compromisso de reduzir em 8%; os Estados Unidos, responsáveis
pela emissão de 36% do total de gases, comprometeu-se
mas sem assinar, a uma redução de 7%; o
Japão concordou em reduzir 6%. Alguns países
como a Rússia e Ucrânia não assumiriam
o compromisso de redução e outros como Islândia,
Austrália e Noruega teriam permissão para
aumentar suas emissões.
O Protocolo foi aberto para assinatura
de todas as Partes, em 16 de março de 1998, mas
acabou entrando em vigor somente em 16 de fevereiro de
2005, após a entrada da Rússia que o ratificou
em novembro de 2004. O Brasil assinou o Protocolo em 29
de abril de 1998, ratificando em 23 de agosto de 2002.
Estados Unidos e Austrália até hoje não
ratificaram o Protocolo, mas estariam “cumprindo
internamente metas de redução dos GEE’s
com políticas próprias”.
A Organização das Nações
Unidas, através do Painel Intergovernamental em
Mudança do Clima (IPCC), passou a desenvolver e
a programar os critérios técnicos e científicos
que viabilizariam o início dos debates sobre as
mudanças climáticas. Em 1990, as Nações
Unidas, sob as recomendações do IPCC, iniciaram
as negociações para a adoção
do que viria a ser a primeira UNFCCC, ocorrida em 02 de
maio de 1992, na cidade de Nova York. A convenção
entrou em vigor em 1994, contando com 186 Partes. Foi
estabelecido que os países signatários se
encontrassem regulares para continuar as discussões
na Conferência das Partes (COP). Estas “Partes”
foram divididas em dois grupos, de acordo com os “princípios
de equidade” e "responsabilidade comum, mas
diferenciada".
Ao que se percebe, quando a mudança
envolve dinheiro o ânimo de proteger a natureza
cai de vez. A consciência ambiental teria aumentado
de forma significativa nos últimos anos, no entanto,
não reverteu em mudança de comportamento.
Os países desenvolvidos ainda resistem em alterar
seus hábitos de crescimento, sobretudo se isso
traz reflexos em seus bolsos.
Poucos estão dispostos a pagar
mais, por meio de taxas ou contribuições,
para reduzir os riscos ambientais e financiar causas que
protejam a natureza. Com estas mudanças climáticas,
não é de hoje que vários países
“preocupados” com o problema passariam a discutir
e a buscar mecanismos que possibilitariam novas opções
para “crescimento econômico sem destruir a
natureza”.
O Brasil aceitaria o desafio para “destravar
o impasse”, já que o chamado “fundo
verde” seria o resultado mais provável do
encontro, segundo várias delegações.
Seria esta a solução do problema? Penso
que a solução não deveria ser a de
que os países menos desenvolvidos simplesmente
servissem de “lixeira” para que outros mais
desenvolvidos continuem “crescendo cada vez mais
economicamente”, e também, poluindo cada
vez mais. Talvez essas pessoas tenham insegurança
sobre a aplicação adequada dos recursos
financeiros e, lamentavelmente, é justamente quando
a mudança envolve o dinheiro que o ânimo
de proteger a natureza cai de vez... Também pudera,
não é para menos, diante de tantos escândalos
de corrupção no Brasil... a julgar pelo
o que temos visto na mídia recentemente, se esses
recursos viessem para o Brasil, um excelente negócio
seria a montagem de uma fábrica de “ceroulas”
no Planalto Central, e também em certos estados,
considerando que só as cuecas e meias não
seriam suficientes...
|