Casca de
mandioca e fibra de coco são utilizadas para desenvolvimento
de plástico rígido biodegradável
quarta-feira, 10/06/09 - 12h08
Material substitui tubetes de plástico
utilizados em mudas de reflorestamento, que agridem meio
ambiente
Para produção de mudas usadas em um reflorestamento
são utilizados tubetes de plásticos que
são descartados após o plantio, já
que, depois de utilizados, eles não servem para
novas mudas por possibilitarem contaminação.
Esse descarte, que representa poluição do
meio ambiente, está com os dias contados porque
pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar) atuam na criação de um plástico
ecologicamente correto que pode ser utilizado na fabricação
de um novo tipo de tubetes, entre outras aplicações.
O projeto surgiu de uma parceria entre a UFSCar, a Corn
Products Brasil e a BASF, que desenvolveram um composto
que combina um plástico biodegradável, EcobrasTM,
com fibras vegetais, como casca de mandioca em pó
ou fibras de coco. Dessa associação foi
criado um plástico rígido o suficiente para
produção de peças moldadas que não
agridem a natureza, já que sua decomposição
gera água, CO2 e biomassa. A decomposição
desse composto ocorre ao entrar em contato com o solo,
sob ação de microorganismos naturais presentes
no solo.
O composto, que foi desenvolvido no Núcleo de
Reologia e Processamento de Polímeros (NRPP) do
Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar,
utiliza uma combinação de um poliéster
biodegradável e compostável fabricado pela
BASF com um polímero vegetal modificado, à
base de milho ou de mandioca, produzido pela Corn Products
Brasil. Segundo Elias Hage Júnior, professor do
DEMa e coordenador do projeto, a parceria entre a UFSCar
e as multinacionais deveu-se ao fato do EcobrasTM ser
flexível e não permitir a fabricação
de peças moldadas suficientemente rígidas.
''A ideia do projeto era incorporar uma carga para aumentar
a rigidez. Com isso desenvolvemos um composto com EcobrasTM,
a casca de mandioca em pó e também fibra
de coco'', explica o professor. Ele também afirma
que o novo composto pode gerar qualquer peça moldada
que venha a ter um uso descartável, como bandejas
de embalagens e tubetes para produção de
mudas.
O projeto teve sua primeira etapa, responsável
por adequar o uso da casca de mandioca e fibra de coco,
encerrada no início de 2009. A partir de agora
será necessária uma nova etapa para otimizar
o processo e melhorar o produto. De acordo com Elias Hage,
a casca de mandioca tem a função essencial
da rigidez, já a fibra de coco, além de
ser rígida, oferece mais resistência mecânica,
deixando o material menos suscetível a ruptura.
O professor também afirma que não existirão
dificuldades para produzir o plástico ecológico
em larga escala. ''Não existe dificuldade do ponto
de vista de desenvolver um novo produto, pois o EcobrasTM
já é produzido comercialmente. Agora é
só estender o uso dele para essas aplicações'',
enfatiza.
Para exemplificar o benefício que o novo polímero
trará para o meio ambiente, o coordenador do projeto
diz que as fontes naturais para obter o plástico
usam somente 5% em peso do petróleo, ou seja, 95%
são usados para combustíveis e outras aplicações.
''O que a gente está fazendo é amenizar
o uso do petróleo para obter esse produto biodegradável,
fazendo uma composição com materiais de
fontes alternativas'', conclui o professor. |