Cientistas
descobrem Mata Atlântica no Pará
terça-feira, 05/05/09 - 19h15
Uma pequena ilha localizada a cinco
quilômetros do Oceano Atlântico, às
margens do rio Muriá, no município de Curuçá,
nordeste do Pará, abriga uma floresta rara que
apresenta características de Mata Atlântica
em plena região Amazônica.
A descoberta faz parte dos resultados
preliminares de uma expedição científica
do Museu Paraense Emílio Goeldi, como parte do
Projeto Casa da Virada, do Instituto Peabiru e Petrobrás
Ambiental. A ilha de Ipomonga têm 12 quilômetros
quadrados e apresenta espécies e aspectos de fisionomia
vegetal comuns à Mata Atlântica, floresta
tropical típica das regiões nordeste, sudeste
e sul do país. Até hoje não havia
registros deste tipo de vegetação na Amazônia.
O chefe da expedição, o
pesquisador Samuel Almeida, explica que é possível
caracterizar a floresta da ilha de Ipomonga como Mata
Amazônica Atlântica, “por mais surpreendente
que possa parecer”. Mas afirma que não se
trata de uma Mata Atlântica simples, pois está
localizada no bioma amazônico.
“A antiga cobertura florestal tanto
da microrregião do Salgado como da bragantina eram
florestas de terra firme semelhantes a esse, mas com algumas
diferenças fundamentais”, expõe.
Segundo o pesquisador, além da
proximidade com o Oceano Atlântico, que influencia
bastante a vegetação, a mata da Ilha de
Ipomonga traz algumas diferenças importantes em
relação às demais matas amazônicas.
“Existe uma maior proporção
de espécies caduficolias, ou seja, que perdem as
folhas durante a estação seca ou menos chuvosa.
Há também uma maior proporção
de epífitas, no que se assemelha com a mata atlântica.
Existem também algumas espécies como o jatobá,
que se encontra em toda mata”, descreve.
Almeida conta que a ilha apresenta ainda
espécies de árvores típicas da floresta
de terra firme, como piquiá, tauari, sapucaia e
bacuri grande.
A expedição pretendia apenas
fazer o inventário da flora local, mas as descobertas
foram bem mais impressionantes, principalmente pelas características
raras da mata e o estado de conservação
da área.
“O estado de conservação
da ilha foi o que mais impressionou porque os antigos
donos não desmataram quase nada, a não ser
por pequenas roças perto dos tapiris”, conta
o pesquisador.
Ilha é área prioritária
para pesquisas e conservação
Ipomonga é uma das ilhas que compõem
o arquipélago da Reserva Extrativista Mãe
Grande Curuçá, na microrregião do
Salgado, dominado por mangues e restingas litorâneas.
Trata-se de um dos maiores manguezais contínuos
do mundo.
Para o pesquisador Samuel Almeida, a
área é prioritária para pesquisas
e conservação da natureza, importante para
salvar o que resta de verde na região. A mata original
foi drasticamente reduzida e apenas exitem cerca de 15
% de florestas remanescentes, mas já impactados
pela retirada e madeira.
“A sugestão é que
a Ipomonga seja transformada numa estação
de pesquisas onde pode-se fazer pesquisa de monitoramento
em longo prazo das populações e diversos
grupos chaves, como plantas, mamíferos, aves, répteis,
anfíbios e alguns invertebrados”, explica.
Almeida também alerta para os
perigos do desmatamento. “Isso tem que ser feito
urgentemente porque a tendência é que a ilha
comece logo a ser desmatada para implantação
de agricultura de subsistência.
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