Correio do
Meio @mbiente
quinta-feira, 05/06/09 - 09h20
Amazônia registra o menor
desmatamento em 20 anos
Cobertura de nuvens reduz precisão,
mas diminuição pode chegar a mais de 60%.
O desmatamento na Amazônia apresentou queda pela
terceira vez consecutiva no período de um ano.
Entre fevereiro e abril de 2009, com relação
ao mesmo período do ano passado, a área
total desmatada foi de 197 Km². Dados do Inpe dão
conta de uma redução de 90%, mas, mesmo
confrontada com o aumento da cobertura de nuvens na região
Amazônica nos dois intervalos, a diminuição
pode ter chegado a mais de 60 por cento. O ministro Carlos
Minc comentou ontem (2) os números do Prodes e
Deter, classificado por ele como um passo para atingir
"o menor desmatamento dos últimos 20 anos".
Para Minc, pelo menos 50 por cento da
queda devem ser atribuídas às ações
integradas do Ibama, Polícia Federal, Força
Nacional, além das polícias estaduais e
Polícia Rodoviária Federal, em operações
como a Arco de Fogo. Ele disse, ainda, que as ações
serão intensificadas nos meses de junho e julho,
que historicamente apresentam os maiores aumentos do desmatamento.
Minc anunciou que em dez dias estarão
sendo impetradas 70 ações civis públicas
contra os maiores desmatadores. "Já entramos
com 10 ações e agora estamos intensificando
esse trabalho". Segundo ele, "a pecuária
é hoje o maior desmatador da Amazônia",
lembrando os acordos como a moratória da soja e
setores da produção de cana-de-açúcar.
"A soja hoje está controlada", disse.
Em um ano, a Polícia Federal
já efetuou 244 prisões, instaurou 114 inquéritos
policiais e 384 outros termos circunstanciados (envolvendo
pequenos delitos). Só a Operação
Arco de Fogo apreendeu 45 mil metros cúbicos de
madeira, o que daria para enche 2.200 caminhões
e fechou 516 serrarias. No Ibama os números são
ainda mais impressionantes, com o envolvimento de uma
força-tarefa de 300 homens em 18 operações,
aplicando cerca de R$ 3 milhões em multas. Apreendeu
55 caminhões e 1200 metros cúbicos de madeira
e toneladasde palmito.
Contag repudia ataques de setores
econômicos ao ministro Carlos Minc
A Confederação Nacional
dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) manifesta seu
apoio ao ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que vem
sendo duramente golpeado por setores econômicos
e forças políticas que nunca assumiram compromissos
com o desenvolvimento rural sustentável com base
na justiça social e na preservação
ambiental.
A razão desses ataques é
a firme posição assumida pelo ministro durante
as negociações do Grito da Terra Brasil
2009, em defesa do tratamento diferenciado da agricultura
familiar na aplicação do Código Florestal
e de todos os instrumentos legais de preservação
ambiental.
Essa posição representa
o reconhecimento por parte do governo federal de que o
Estado não pode tratar de forma igual os desiguais.
A legislação não pode dar o mesmo
tratamento para uma propriedade familiar com, em média,
cinco ou 60 hectares, que produz alimento e preserva o
meio ambiente com outras que detêm 400 mil ou 500
mil hectares de monocultivos, que degradam e impactam
o meio ambiente.
O protagonismo do ministro Carlos Minc
possui o mérito de compreender que não existe
incompatibilidade entre a produção de alimentos
e a preservação ambiental. Ele também
revela coragem política para enfrentar tabus ideológicos
e interesses poderosos do setor agro exportador, ao articular
e se empenhar, juntamente com a Contag, em consolidar
uma aliança estratégica entre agricultores
(as) familiares e importantes setores ambientalistas para
garantir o tratamento diferenciado da agricultura familiar
na legislação ambiental.
A Contag considera que é necessário travar
um debate no País sobre a relação
entre as políticas de soberania e segurança
alimentar e as estratégias de conservação
ambiental. Essa discussão deve partir da constatação
de que a agricultura familiar é responsável
por 70% dos alimentos que são consumidos por todos
os brasileiros.
Os ataques ao ministro Minc são
uma reação aos avanços obtidos nas
negociações do Grito da Terra Brasil 2009
e às propostas de diferenciação da
agricultura familiar. Essas medidas resultarão
na agilização dos processos de assentamentos
de reforma agrária, na ampliação
da produção de alimentos saudáveis
e na preservação e equilíbrio ambiental
pela agricultura familiar.
Portanto, a Contag considera que apoiar
o ministro Carlos Minc é reforçar as posições
de todos que defendem a necessária e cuidadosa
articulação entre proteção
ambiental e o desenvolvimento social e econômico
do País, e que reconhecem a agricultura familiar
como umaferramenta estratégica para um novo modelo
de produção sustentável.
Edital da Floresta Nacional Saracá-Taquera
será lançado hoje no Ibama
O ministro Carlos Minc fará, hoje (3) no Cenaflor,
sede do Ibama, o lançamento do edital de licitação
de concessão florestal da Floresta Nacional Saracá-Taquera,
no noroeste do Pará, margem direita do Rio Trombetas,
afluente do Amazonas. O processo prevê a criação
de três áreas de manejo florestal, onde serão
permitidas atividades de exploração de produtos
florestais, mineração e turismo. As Flonas
são unidades de conservação de uso
múltiplo, sendo permitidas atividades econômicas
sustentáveis, com a obrigatoriedade de planos de
manejo.
As empresas concorrentes terão
de dar garantias de investimento na infra-estrutura e
serviços para a comunidade local, com a geração
de empregos. As concessões prevêem a redução
de danos à floresta durante as operações
de manejo e o monitoramento do crescimento da floresta.
Do total da área a ser explorada, 5% deve ser transformado
em área de proteção integral, indisponíveis
ao uso para atividades econômicas. Os critérios
socioambientais respondem por 60% do peso para definir
a proposta vencedora.
Parte das receitas, estimadas em quase
R$50 milhões, será destinada ao Serviço
Florestal, Instituto Chico Mendes de Conservação
da Biodiversidade, para ser gasto na gestão das
florestas e administração dos parques nacionais,
estados e municípios. As empresas vencedoras poderão
começar a operar no local em agosto do ano que
vem. Saracá-Taquera é a segunda floresta
nacional que passa para a administração
da iniciativa privada.
Macacos - As Flonas
do Pará servem de refúgio para macacos ameaçados
de extinção. Comparando a densidade populacional
desses primatas nas florestas nacionais (Flonas) de Saracá-Taquera
e do Tapajós, no Pará, pesquisa revelou
que espécies ameaçadas de extinção
vivem na região em grandes grupos populacionais.
O estudo mostra, dentre outras novidades, que duas das
12 espécies investigadas na região e registradas
no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada
de Extinção, do MMA, ainda vivem nas duas
unidades de conservação.
Parceria com a Caixa inclui habitações
populares
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e a presidente
da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos
Coelho, reafirmaram ontem, em solenidade comemorativa
da Semana do Meio Ambiente, os compromissos do protocolo
firmado entre MMA e CEF no ano passado que prevêem
a cooperação para a promoção
de investimentos em projetos tanto na área habitacional
como em outras linhas de atuação da instituição,
estabelecendo parcerias para integrar experiências
e conjugar esforços técnicos e políticos
para o desenvolvimento de projetos e novos arranjos institucionais
e financeiros para o desenvolvimento sustentável
brasileiro.
Ao abrigo deste protocolo estão
o programa de utilização de energia solar
em habitações populares, que serão
financiadas pela CEF dentro do Programa Minha Casa Minha
Vida, e o Selo Casa Azul, lançado pela Caixa na
solenidade de ontem. Ele vai identificar construções
que usem materiais e tecnologias sustentáveis além
do que já é exigido por lei - como madeira
de origem certificada -, correspondendo a uma exigência
de parcela cada vez maior dos consumidores.
As placas solares serão utilizadas
inicialmente nos projetos de casas populares nas regiões
Sul e Sudeste - elas vão fornecer energia principalmente
para substituir os chuveiros elétricos onde a demanda
por aquecimento de água é maior. Os equipamentos
serão integralmente financiados pela CEF dentro
de regras por faixa de renda fixadas pelo Minha Casa Minha
Vida.
"O sol é uma fonte inesgotável
de energia boa, democrática, bonita e barata. O
Minha Casa Minha Vida e a Caixa estão dando um
grande exemplo para a nação que deve ser
seguido por todos, inclusive pelos construtores privados
e pelas prefeituras. Todo mundo enche a boca com ecologia,
todo mundo é ecologista desde a mais tenra idade.
Agora se trata de converter princípios em práticas,
intenções em gestos. A placa solar é
um bom gesto. O Brasil precisa e o planeta agradece",
afirmou o ministro.
Novidades
O MMA lança hoje (3) o novo jornal Mural MMA e
a nova versão da Intranet, às 17h, no auditório
Guimarães Rosa, térreo do edifício-sede.
O Mural MMA é mais um canal de comunicação
oferecido aos servidores com o objetivo de promover a
integração entre os funcionários
e divulgar assuntos de interesse do servidor. A publicação
terá veiculação mensal e será
afixada, no início de cada mês, nas paredes
dos elevadores do edifício-sede e da 505 norte.
Hoje também será apresentada aos servidores
a nova versão da Intranet, com uma navegação
mais intuitiva e de fácil visualização.
O conteúdo foi reorganizado em quatro grandes áreas
de trabalho para facilitar o acesso às informações.
O evento contará com a participação
do ministro Carlos Minc.
A3P
A secretária-executiva do Ministério do
Meio Ambiente lança, hoje (3), às 9h30,
no plenário II do anexo II da Câmara dos
Deputados, o 1º Prêmio Melhores Práticas
da A3P, que vai reconhecer iniciativas de órgãos
e instituições do setor público na
adoção de práticas inovadoras da
Agenda Ambiental na Administração Pública
(A). O prêmio será dividido em três
categorias. Durante o evento, o presidente da Câmara,
Michel Temer, assinará o termo de adesão
à A3P.
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