Correio do
Meio @mbiente
quinta-feira, 30/07/09 - 15h12
Eólicas registram bom
primeiro semestre nos Estados Unidos
por Redação CarbonoBrasil
A Associação Americana
de Energia Eólica (AWEA) divulgou nesta quinta-feira
(30) o relatório “2nd Quarter 2009 Market
Report” no qual apresenta que foram adicionados
mais 1,2 GW de geração de energia no segundo
trimestre de 2009, elevando para 4 GW o total de energia
eólica já disponibilizada neste ano. No
mesmo período em 2008 o aumento da capacidade instalada
foi de apenas 2,9 GW.
“Mesmo com a crise econômica,
a instalação de mais de um gigawatt de energia
eólica mostra que a tecnologia está madura
e destinada para um crescimento prolongado e independente
das condições econômicas”, afirmou
o presidente do grupo Stella Scott Sklar.
Apesar do número de projetos eólicos
completados ser considerado muito positivo, a AWEA reconheceu
que é preocupante a diminuição da
quantidade de pedidos e da atividade nas fábricas
de turbinas.
“Os números mostram que
a indústria está avançando, mas o
fato é que poderia estar crescendo ainda mais”,
disse o executivo da AWEA Denis Bode.
“Nosso desafio agora é aproveitar
a oportunidade história que está na nossa
frente e desencadear uma força empreendedora para
construir toda uma nova indústria aqui nos EUA.
Uma indústria que irá criar empregos, reduzir
emissões e aumentar a segurança energética.
Para alcançar isso, o Congresso precisa aprovar
o Padrão de Energias Renováveis (RES) com
rigorosas metas a curto prazo”, concluiu Bode.
Paquistão planta mais de 540 mil árvores
em 24 horas
por Carla Fernandes, da Rádio
ONU em Nova York
Agência da ONU informou que país
asiático bateu o recorde do Guinness com a ação;
objetivo é semear 120 milhões de mudas para
a campanha Bilhão de Árvores.
O Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente, Pnuma, informou que o governo do
Paquistão conseguiu uma entrada no livro de recordes
Guinness após plantar mais de 540 mil árvores
em apenas 24 horas.
A iniciativa integra o programa do Pnuma
"Bilhão de Árvores", que pretende
plantar uma árvore por cada habitante do mundo
para ajudar a combater o aquecimento global.
Equipamento
Segundo o Pnuma, as árvores do
Paquistão foram plantadas por 300 voluntários
em 15 de julho sem ajuda de nenhum equipamento mecânico.
No total, foram semeadas 541,176 mudas
nos pantanais no delta do Rio Indus, no distrito de Thatta,
que fica no sul do país.
O Paquistão declarou 2009 "Ano
Nacional de Proteção do Meio Ambiente".
Desde o ínicio do ano, o país
já semeou 70 milhões de mudas e pretende
plantar mais 50 milhões até dezembro.
Para ONU, China será país-chave
nas negociações em Copenhague
por Henrique Andrade Camargo, do Mercado
Ético
O secretário-geral da ONU (Organização
das Nações Unidas), Ban Ki-moon, é
enfático ao afirmar que, sem a China, não
haverá sucesso nas negociações climáticas
em dezembro, na cidade de Copenhague, na Dinamarca. Ele
acredita que, com o apoio daquele país, serão
maiores as chances de se chegar a um acordo ambicioso,
justo, efetivo, com bases científicas e benéfico
a todos os países.
Por essa razão, o secretário
pediu aos chineses, na última sexta-feira (24/7),
para que juntem forças com outros países
industrializados a fim de diminuir as emissões
de gases causadores do efeito estufa.
“A China tem conseguido o maior
crescimento econômico do mundo nos últimos
tempos. Também lidera em emissões de CO2?,
diz Ki-moon. “Ao mesmo tempo, esse é um dos
países mais vulneráveis aos impactos da
mudança climática. Isso torna crucial para
seus cidadãos e para cidadãos de todo o
mundo que sua sustentabilidade econômica e políticas
de energia limpa caminhem juntas”, completa.
Se assim for, o secretário acredita
que a China será a vanguarda da economia de amanhã
e servirá como modelo para todo o mundo. “A
forma como o país trata a questão pode demonstrar
para as outras nações que ele está
preparado para assumir um papel de líder mundial
no século 21?, diz ele.
O primeiro-ministro chinês, Wen
Jiabao, apóia o papel de liderança da ONU
na questão, mas diz que os países desenvolvidos
deveriam oferecer mais ajuda para as nações
em desenvolvimento, como apoio financeiro e tecnológico,
que podem contribuir para um desenvolvimento sustentável
de todos.
“O aquecimento global está
acelerando muito mais rápido do que se esperava.
Isso significa que todos os países precisam agir
mais e basearem seus atos nos princípios comuns,
mas com diferentes responsabilidades”, afirma ele.
Parceria com os EUA
Aparentemente, o pedido de Ban Ki-Moon
surtiu efeito. Como mostra uma reportagem do site Carbono
Brasil, a China e os EUA, os maiores emissores de gases
de efeito estufa, assinaram, nesta terça-feira
(28/7), um acordo, no qual comprometem-se a aumentar a
cooperação em 10 áreas. Entre elas
estão: eficiência energética, renováveis,
uso de carvão limpo, redes inteligentes de eletricidade
e carros elétricos.
“Nossos países têm
uma grande contribuição a dar no esforço
global para combater as mudanças climáticas,
na busca por energias mais limpas e na proteção
do meio ambiente”, diz o conselheiro de Estado chinês,
Dai Bingguo.
Durante a cerimônia de assinatura
do memorando, realizada em Washington, a secretária
de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmou que
o ato demonstra a importância das mudanças
climáticas no relacionamento entre os dois países,
ao criar uma plataforma para o diálogo e cooperação
política. “Além disso, ele nos fornece
diretrizes para trabalharmos juntos nas negociações
climáticas internacionais e acelerar a transição
para uma economia de baixas emissões.”
Os chineses também parecem satisfeitos
com o documento, mas deixam transparecer nas entrelinhas
que são os EUA que devem ter que se empenhar mais
para compensar as emissões feitas no passado.
Pegada ecológica
De acordo com um relatório do
Greenpeace, a China é o maior emissor de gases
de efeito estufa. Uma reportagem da agência de notícias
Reuters revela que, no ano passado, as dez maiores termelétricas
do país queimaram 600 milhões de toneladas
de carvão. Isso corresponde a 1,44 bilhão
de toneladas de CO2 na atmosfera.
A poluição é tanta,
que se forem analisados os resultados apenas das três
maiores companhias elétricas, as emissões
superam as do Reino Unido, um dos países mais dependentes
de combustíveis fósseis.
Mas a China, mesmo mostrando avanços
em energias renováveis, não deve abandonar
o carvão. Pelo menos no curto prazo, o país
precisa do combustível para manter seu crescimento
sem comprometer sua segurança energética,
como aponta a matéria da Reuters. Por outro lado,
mesmo sendo os maiores emissores mundiais, os chineses
poluem muito menos por habitante do que as nações
mais ricas.
Energia: Sol da África para eletrificar
a Europa
por Julio Godoy, da IPS
Doze companhias alemãs uniram-se
para implementar o ambicioso plano de cobrir, até
2020, pelo menos 15% da demanda de eletricidade da Europa
com usinas termosolares instaladas na África setentrional.
Entre essas empresas signatárias da Iniciativa
Industrial Desertec estão as maiores firmas alemãs
em vários setores: bancário (Deutsche Bank),
seguros (Muenchener Rueca), elétrico (E.on e RWE)
e o gigante da eletrônica Siemens. Elas planejam
investir cerca de 400 bilhões de euros (US$ 560
bilhões) em instalações e na modificação
da matriz energética européia, de modo a
permitir a chegada de eletricidade através do mar
Mediterrâneo. As centrais termosolares também
forneceriam energia para a África setentrional.
O plano responde a estudos realizados
pelo Clube de Roma, uma organização independente
dedicada ao fomento do desenvolvimento, e ao estatal Centro
Aeroespacial Alemão. Na promoção
e implementação do projeto teve papel fundamental
a Fundação Desertec, integrada por personalidades
da Europa, do Maghreb e do Oriente Médio, dedicada
a desenvolver mecanismos sustentáveis de produção
e fornecimento de energia para essas regiões. “Queremos
lançar uma sociedade de risco compartilhado e criar
planos concretos para a Desertec nos próximos dois
ou três anos”, disse à IPS o diretor
da Muenchener Rueck, Torsten Jeworreck.
“A energia solar limpa é
o futuro da Siemens”, disse o gerente-geral da companhia,
Peter Loescher, no mês passada em uma entrevista
coletiva. “Nossa empresa, e toda a economia, será
mais verde após encerrada” a atual crise
econômica. A Siemens “participará ativamente”
da Iniciativa Industrial Desertec, acrescento. “As
catástrofes ambientais causadas pela mudança
climática são, no longo prazo, um problema
maior do que a atual crise financeira”, disse Jeworrek.
“Nossas estatísticas sobre seguros das últimas
décadas dizem que as catástrofes crescem
entre 3% e 4% a cada ano”, acrescentou.
Estimativas de especialistas alemães
em energia indicam que a eletricidade produzida na África
setentrional poderia custar cerca de 0,06 euros por quilowatt/hora.
Em outras fontes, o custo atual varia de 0,025 a 0,05
euros. “Praticamente, todos os especialistas concordam
que o preço da eletricidade aumentará nos
próximos anos”, disse à IPS Bernd
Schuessler, da revista alemã Photon, especializada
em energia. O Centro Aeroespacial Alemão e o Clube
de Roma calcularam que um investimento de 400 bilhões
de euros nos programas da Desertec podem conseguir a instalação
de uma capacidade de produção elétrica
de 100 gigawatts até 2050.
Esta relação entre custo
e beneficio é extremamente vantajosa em relação,
por exemplo, com a de Olkiluoto 3, uma central nuclear
em construção na Finlândia que custará
5 bilhões de euros e terá capacidade de
gerar 1,6 gigawatts. O custo não inclui o manejo
dos lixo radioativo nem de outras dificuldades técnicas
próprias dos reatores nucleares. O custo estimado
das centrais termosolares noMaghreb inclui uma rede subterrânea
de cabos de alto rendimento através do mar Mediterrâneo.
“Em distancias de 500 ou 600 quilômetros,
os cabos custam apenas entre 10% e 20% mais do que a rede
aérea e não emitem radiação
eletromagnética”, segundo o Centro Aeroespacial.
Especialistas e ativistas ambientalistas
aplaudiram a iniciativa Desertec. “O projeto é
uma das respostas mais inteligentes aos problemas ambientais
e econômicos de nosso tempo”, disse à
IPS Andree Boehling, especialista em energia do Greenpeace
Internacional. “Ao que parece, uma parte importante
do empresariado alemão se deu conta de que é
hora de ampliar o uso das fontes renováveis de
energia e de dizer adeus aos combustíveis fósseis
e às centrais nucleares”, acrescentou. Segundo
o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Signar Gabriel,
o projeto é “uma excelente idéia,
tanto por suas implicações na política
energética européia quanto em seu caráter
de programa de desenvolvimento para a África setentrional”.
As centrais termosolares, em uso comercial
desde 1985, usam espelhos e lentes de aumento para concentrar
a energia solar de modo a aumentar a temperatura da água
em recipientes e produzir eletricidade com a passagem
do vapor resultante através de turbinas. O calor
residual do processo de produção de eletricidade
“pode ser usado para retirar o sal da água
marinha”, disse o Clube de Roma. “Se for produzida
mais energia de origem solar do que a consumida durante
o dia, o excedente pode ser armazenado em baterias e usado
durante a noite”, acrescentou. “As turbinas
também funcionam com gás natural, por isso
podem fornecer eletricidade sem interrupção
em períodos em que o clima não é
propício” para produzir com a luz solar,
afirma o estudo do Clube de Roma.
O projeto beneficiará as duas
regiões, disse à IPS Franz Trieb, do Centro
Aeroespacial. “Não será uma nova colonização
energética do mundo árabe”, afirmou.
“Pelo contrário, ajudará os Estados
da África setentrional e do Oriente Médio
a cobrir sua crescente demanda com recursos renováveis
e próprios”. O projeto da Desertec não
está livre de críticas. O legislador social-democrata
alemão Hermann Schee, também presidente
do Conselho Mundial para as Energias Renováveis,
o considera “outro supérfluo gerado gigante”.
Scheer prefere apoiar a instalação de usinas
solares e eólicas de pequeno porte.
“O fator decisivo na avaliação
econômica das fontes renováveis de energia
não é a razão entre eletricidade
produzida e intensidade da fonte, mas entre a produção
e o investimento”, disse o legislador. Segundo Scheer,
uma simples operação aritmética mostra
que “uma rede descentralizada de pequenos geradores
solares e eólicos é mais eficiente do que
projetos maiores, devido ao menor custo do transporte
da eletricidade” através dos cabos. Os já
numerosos geradores solares de eletricidade instalados
na Alemanha “podem competir com a energia solar
do deserto do Saara. Neste país estamos a ponto
de reduzir ainda mais os custos através da instalação
de painéis solares em tetos e fachadas de edifícios”,
acrescentou.
Desde outro ponto de vista, o projeto
Desertec é “excessivamente caro”, segundo
Lars Josefsson, gerente-geral da Vantenfall, uma das principais
companhias de energia da Europa, e assessor da Organização
das Nações Unidas e da chanceler alemã,
Angela Merkel. Os custos do transporte da energia do Maghreb
até a Europa através do Mediterrâneo
“seriam muito elevados. Para mim, o projeto não
é viável”, afirmou Josefsson. IPS/Envolverde
Consumo de mata nativa pela siderurgia impacta
biomas
por André Campos*
Símbolos da industrialização,
o ferro e o aço avançam pelo século
21 como um dos pilares da economia brasileira. Apesar
da crise internacional, produtos feitos a partir desses
metais corresponderam a cerca de 6% das exportações
no primeiro trimestre de 2009. O número nem de
longe resume o peso do setor na vida nacional, dada sua
importância para viabilizar muitas outras indústrias,
como, por exemplo, as de materiais de transporte, bens
de capital e equipamentos elétricos. Apenas estas,
se somadas, equivalem a mais de 20% das vendas externas
do país no anon passado.
A relevância da siderurgia no Brasil,
contudo, também conta com capítulos menos
nobres, que remetem a impactos socioambientais menos divulgados.
Um deles está relacionado a uma matéria-prima
essencial ao setor que nem sequer é conhecida por
boa parte da população: o carvão
vegetal.
Esse insumo exerce dupla função
nas fábricas. Como combustível, aquece os
altos-fornos das siderúrgicas onde o minério
de ferro é fundido. Além disso, durante
a fusão, é um dos reagentes no processo
que extrai o metal (Fe) do minério (Fe2O3). O ferro-gusa,
produto final desse beneficiamento, é a principal
matéria-prima para a fabricação do
aço.
Ainda hoje, grande parte desse carvão
vegetal provém de matas nativas. É feito
em fornos rústicos, popularmente conhecidos como
“rabo quente”, nas regiões de fronteira
agrícola do país. Desmatamento, trabalho
escravo e conflitos territoriais são alguns dos
problemas associados às carvoarias - um obstáculo
indigesto às pretensões de expansão.
“Sua utilização, de forma compatível
com as exigências da legislação ambiental,
requer mecanismos cada vez mais rigorosos de controle
de origem e de monitoramento das condições
de produção do carvão adquirido no
mercado”, admite o Relatório de Sustentabilidade
2008 do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS).
Evolução
Em parte por não possuir reservas
qualificadas de carvão mineral, em parte pela cultura
de consumo de áreas florestais, o Brasil é,
atualmente, o único país que adota a biomassa
na siderurgia de forma expressiva. No cenário internacional,
o carvão fóssil é, de longe, o principal
insumo utilizado. Dados divulgados pelo IBS mostram que
cerca de um terço do parque nacional recorre ao
carvão vegetal. Nesse universo, os principais consumidores
são as chamadas guseiras, indústrias de
médio porte que não fabricam o aço,
vendendo apenas o ferro-gusa para outras siderúrgicas
e setores como o de autopeças.
O volume de matéria-prima demandado
impressiona. Somente em 2007, segundo a Associação
Mineira de Silvicultura (AMS), o consumo de carvão
vegetal no Brasil foi de 9,2 milhões de toneladas
- mais de 90% destinou-se ao setor siderúrgico.
Para se ter uma ideia, são necessárias 48
árvores, conforme parâmetros do Ministério
do Meio Ambiente (MMA), para produzir apenas uma tonelada
de carvão. Em outras palavras, naquele ano mais
de 440 milhões de árvores foram para o forno.
Ainda de acordo com a AMS, aproximadamente
50% do que hoje é consumido advém de matas
nativas - a outra metade é proveniente de áreas
reflorestadas. A notória existência de um
volumoso comércio ilegal, à margem do controle
do Estado, coloca em dúviida qualquer dado mais
assertivo sobre a realidade desse percentual.
No século 19, as florestas próximas
ao Quadrilátero Ferrífero mineiro já
eram parte da equação que viabilizou as
primeiras fundições importantes do país.
O carvão vegetal foi a base do incipiente setor
até a década de 1940, quando a Companhia
Siderúrgica Nacional (CSN) inaugurou o uso de carvão
mineral importado para fabricar aço. Mais adequado
a altos-fornos de grande capacidade, ele permitiu o aumento
na escala de produção.
Empreendimentos que usam biomassa, contudo,
não deixaram de existir, e, na década seguinte,
multiplicaram-se com o advento da indústria automobilística
paulista, que necessitava de ferro-gusa. Atualmente, são
mais de 60 guseiras em Minas Gerais, 18 no Polo Carajás
- que perpassa o Pará e o Maranhão -, além
de outras no Mato Grosso do Sul e no Espírito Santo.
Do Cerrado a Amazônia, no rastro
da expansão dos altos-fornos, um mercado de carvão
vegetal foi estabelecido com base numa vasta gama de fornecedores
independentes, impulsionados, muitas vezes, pelo apoio
técnico e financeiro das guseiras. Nos dias atuais,
as carvoarias estão fortemente integradas à
economia das regiões onde atuam. É comum,
por exemplo, fazendeiros permitirem fornos “rabos
quentes” em suas propriedades. Em troca pelo uso
da terra, eles recebem a área desmatada, pronta
para a formação de pastos. Também
é corriqueiro o uso de restos de serrarias para
queimar no carvoejamento.
Somente no Pará, segundo estimativa
do governo estadual de 2007, existem cerca de 25 mil carvoarias,
número que ajuda a dimensionar a quantidade de
pessoas envolvidas na atividade. “Em Açailândia
[município maranhense com cinco siderúrgicas
instaladas], há bairros inteiros que vivem do carvão”,
conta Xavier Plassat, coordenador da campanha nacional
contra o trabalho escravo da Comissão Pastoral
da Terra (CPT). A mão-de-obra é, em grande
medida, formada por trabalhadores sem-terra que vivem
de serviços agropecuários e florestais temporários.
Há, no entanto, situações diversas,
incluindo a de assentados arregimentados para a atividade.
Impactos socioambientais
“Mesmo com o uso dos equipamentos
de proteção, é uma tarefa sempre
penosa”, lembra Xavier Plassat. Acidentes com farpas
de madeira, esforço muscular acentuado, muita fumaça,
calor e fuligem são alguns elementos típicos
do carvoejamento, cujo impacto na saúde, especialmente
devido à poluição do ar, é
tema de diversas pesquisas. Não bastasse isso,
carvoarias são palco de denúncias frequentes
envolvendo jornadas excessivas, alimentação
inadequada e alojamentos insalubres - para não
falar na corriqueira ausência de carteira assinada.
Não raro, ocorrem situações ainda
mais graves, como a retenção de salários
e a chamada “peonagem” por dívidas,
onde o trabalhador é coagido a permanecer no serviço
para pagar supostos débitos de alimentação,
transporte ou outros alegados por seus chefes.
Situações como essas fazem
dos donos de carvoarias uma presença significativa
na “lista suja” do trabalho escravo - um cadastro
do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) com os
empregadores flagrados incorrendo no crime. Entre os quase
200 nomes atualmente arrolados no documento, figuram,
segundo levantamento da ONG Repórter Brasil, ao
menos 36 produtores de carvão. Os casos remetem
a sete estados: Bahia, Goiás, Maranhão,
Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará e Tocantins.
De todos os ramos de atividade que integram a “lista
suja”, somente a pecuária tem mais representantes.
Também o desmatamento ilegal é
motivo de constantes denúncias associadas ao carvão.
Esse é um impacto de difícil mensuração,
visto que muitos trabalham à margem da lei, na
informalidade. A alta mobilidade dos fornos “rabo
quente”, que raramente ficam mais do que poucos
meses em uma área, torna ainda mais difícil
ligar carvoarias a seu rastro de passivos.
Para produzir carvão é
preciso permissão dos órgãos ambientais,
com a previsão da fonte de biomassa utilizada -
área específica de desmate autorizado ou
certa quantidade de resíduos de serraria, por exemplo
-, dados que permitem, por sua vez, controlar o montante
passível de ser fabricado e vendido. Relatos de
fiscais, no entanto, descrevem uma refinada variedade
de técnicas usadas para driblar esse controle.
Um exemplo são as carvoarias que operam mais fornos
do que o previsto em suas licenças ambientais,
transportando, posteriormente, mais carvão do que
o declarado nas guias florestais que acompanham a carga.
A reutilização dessas guias,
originalmente relacionadas a certa quantidade de matéria-prima,
também serve para fraude. Assim, o transporte de
outra carga proveniente de desmatamento ilegal é
“acobertada”. Isso explica, aliás,
a existência de um comércio ilegal desses
papéis entre carvoeiros.
As ilegalidades respingam em cheio nas
guseiras, já que a lei obriga os usuários
de produtos florestais a comprovar a origem daquilo que
consomem. Em abril de 2007, por exemplo, o Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama) lavrou R$ 150 milhões em multas durante
inspeção em oito indústrias do Polo
de Carajás. Em junho de 2008, o instituto bateu
à porta de 60 siderúrgicas em Minas Gerais,
Mato Grosso do Sul e Espírito Santo. Dessa vez,
as autuações, relativas ao consumo de 800
mil metros cúbicos de carvão irregular,
ultrapassaram R$ 400 milhões.
Paulino Cícero de Vasconcellos,
presidente do Sindicato da Indústria do Ferro no
Estado de Minas Gerais (Sindifer), vê incompetência
na ação do Ibama e revela que o setor -
como é de praxe em autuações do gênero
- recorreu das multas. “Ninguém vai pagar,
não há como”, afirma. “Quando
o cidadão faz a remessa da área de carvoejamento
para a usina, ele não tem lá balança
de precisão, está no meio do mato”.
Isso explica, segundo Paulino, diferenças
entre o valor expresso em guias florestais de trânsito
e o total que, de fato, chega às empresas. “Se
esse argumento fosse válido, seria natural haver
também situações em que um volume
menor de carvão é entregue às siderúrgicas”,
rebate José Humberto Chaves, coordenador-geral
de Autorização de Uso da Flora e Florestas
do Ibama. “Mas o que vimos foi um erro sempre tendencioso
e bastante acentuado para mais”.
Um dos métodos do Ibama para a
fiscalização consiste em comparar a produção
de ferro-gusa com os documentos de origem florestal das
guseiras, para checar se existe correspondência
entre o carvão disponível e o resultado
produzido. Segundo alegações do setor produtivo,
o procedimento desconsidera inovações que
reduziram o consumo dos altos-fornos. O órgão
refuta e diz que o fator de conversão adotado pelas
empresas é a base para o controle.
Novas fronteiras
Atualmente, áreas de produção
de carvão chegam a estar mais de mil quilômetros
distantes das siderúrgicas consumidoras. A atividade
penetra por biomas muito afastados das usinas, como, por
exemplo, a Caatinga, onde o Ibama destruiu, em agosto
do ano passado, dezenas de fornos ilegais na região
de Serra Talhada, em Pernambuco. Foram identificadas,
segundo o instituto, siderúrgicas do Sudeste como
compradoras. Preocupações quanto à
expansão da fronteira do carvão também
remetem ao Piauí, onde cresce o carvoejamento para
o Pólo Carajás. Em 2007, o Ministério
Público Federal (MPF) denunciou aquele que, de
acordo com o órgão, foi o primeiro caso
de trabalho escravo flagrado em carvoaria local vinculada
à siderurgia.
Entre todos os biomas, o Pantanal é
hoje um dos principais focos de preocupação.
O motivo é um robusto complexo siderúrgico
que se instala em Corumbá (MS), no coração
das terras pantaneiras. A mineração de ferro
no município, onde atuam as brasileiras Vale e
MMX, além da anglo-australiana Rio Tinto, incentivou
a criação de indústrias de ferro-gusa
e aço na região, algumas inclusive controladas
por esses três grupos empresariais.
Mato Grosso do Sul já figura como
importante fornecedor do pólo guseiro de Minas
Gerais. “A instalação do complexo
minero-siderúrgico, desconsiderada a possibilidade
de uso de carvão mineral, aumenta a pressão
sobre as áreas remanescentes de florestas nativas,
configurando-se um cenário de desenvolvimento claramente
insustentável”, relata texto de 2008 do Centro
de Estudos em Sustentabilidade da Fundação
Getúlio Vargas. Se for mantido o atual ritmo de
desmate - que nem sequer considera a implantação
das siderúrgicas -, a vegetação original
do Pantanal será consumida em pouco mais de 45
anos. Segundo o documento, uma área nativa equivalente
a 16% do estado foi explorada para fabricar carvão
em Mato Grosso do Sul, somente entre 1997 e 2005.
Reação empresarial
A enxurrada de críticas à
cadeia produtiva do carvão motivou, principalmente
nos últimos anos, ações por parte
das siderúrgicas. No Pólo Carajás,
um exemplo é o Instituto Carvão Cidadão
(ICC), que treina e audita carvoarias visando garantir
o respeito às normas trabalhistas. Criada em 2004
pelas guseiras locais, a entidade mantém uma lista
pública com mais de 300 carvoeiros reprovados pelas
suas auditorias - e que, teoricamente, estão fora
do mercado de venda à siderurgia. Ornedson Carneiro,
presidente do instituto, afirma que o trabalho do ICC
levou o pólo a adotar uma base menor, porém
mais qualificada, de fornecedores. Hoje, diz ele, mais
de 90% da mão-de-obra que abastece as guseiras
possui carteira assinada.
No entanto, permanecem dúvidas
quanto à profundidade dessas melhorias. Um dos
problemas é a dificuldade em saber se produtores
descredenciados não estão retornando maquiados
à cadeia produtiva, por meio de novas empresas.
Também o papel dos intermediários no mercado
de carvão é um obstáculo para controlar
a situação dos trabalhadores. “Há
carvoeiros grandes que compram dos pequenos e que depois
negociam com as siderúrgicas”, afirma Marcelo
Campos, coordenador nacional do grupo móvel de
fiscalização do MTE. Esse arranjo, a seu
ver, é parte da estratégia de legitimação
do setor. “As siderúrgicas querem diminuir
os contatos, inclusive para se livrar dos problemas.”
Pressionada pela opinião pública
internacional, a Vale - principal fornecedora de minério
de ferro às empresas brasileiras - também
adotou medidas próprias relacionadas às
guseiras. Em 2007, anunciou a suspensão de fornecimento
a dez siderúrgicas que, segundo a multinacional,
operavam fora da legalidade ambiental e trabalhista. A
maioria das suspensões já foi revista e
somente a mineira Itasider permanece sem receber o minério.
Procurada pela reportagem para comentar o assunto, a empresa
não se manifestou.
Quando a questão é desmatamento,
uma das apostas do Pólo Carajás é
a adoção de fontes alternativas, como, por
exemplo, o coco do babaçu - palmeira bastante comum
na região -, para fabricar o carvão. A iniciativa
mais uma vez esbarra em polêmicas, dessa vez envolvendo
as quebradeiras de coco, extrativistas que sobrevivem
à custa do aproveitamento do fruto.
Segundo Maria Adelina Chagas, coordenadora-geral
do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu
(MIQCB), o atual arrendamento de babaçuais para
abastecer as siderúrgicas é “um conflito
terrível”, pois impede o acesso a terras
onde elas antes recolhiam o coco. A reportagem procurou
o Sindicato da Indústria de Ferro-Gusa do Maranhão,
estado palco de grande parte das disputas, que não
se pronunciou sobre o assunto.
Gás e reflorestamento
Na esfera das políticas públicas,
a construção do Gasoduto Meio-Norte é
o mais ambicioso projeto atual para atenuar a pressão
florestal exercida pela siderurgia. Em fase adiantada
de licenciamento, a obra, que parte do Ceará e
deve passar pelos maiores centros guseiros de Carajás,
pode levar à redução do carvão
utilizada para aquecer altos-fornos. De acordo com estudo
encomendado pelo Sindicato das Indústrias de Ferro-Gusa
do Estado do Pará (Sindiferpa), o consumo das dez
usinas de Marabá (PA) poderia reduzir em 8,4% o
consumo de biomassa. Projeções mais otimistas
falam em queda de até 16%.
Pouco comum no Brasil, o ferro-esponja
é um produto alternativo ao ferro-gusa feito a
partir de técnica que usa o gás natural
como agente redutor do minério - dispensando, dessa
forma, o carvão. Maurílio Monteiro, pesquisador
de temas relacionados ao Pólo Carajás e
atual secretário de Desenvolvimento, Ciência
e Tecnologia do Pará, acredita que o gasoduto pode,
num segundo momento, viabilizar uma guinada do setor para
essa outra matriz. “Periodicamente, os altos-fornos
precisam ser reformados. Abre-se uma janela para que,
em vez de realizar a reforma, as guseiras optem pela mudança
de tecnologia”.
A ideia, no entanto, não empolga
Mauro Corrêa, diretor-executivo do Sindiferpa. O
maior teor de impurezas do ferro-esponja, salienta o dirigente
patronal, torna o produto menos competitivo no mercado.
Ele faz ainda ampla defesa da siderurgia a carvão
vegetal por se tratar de uma fonte renovável. Estudos
indicam que o carvão siderúrgico de biomassa,
quando proveniente de reflorestamento, não contribui
para o efeito estufa, ao contrário do carvão
mineral e do gás natural. Ele polemiza: “O
gusa brasileiro é verde”.
“Enquanto não temos 100%
de carvão de áreas plantadas, é preciso
buscar, de fato, alternativas. Mas a solução
ideal é viabilizar o reflorestamento”, adiciona.
Segundo Mauro, há hoje no Pará 80 mil hectares
reflorestados abastecendo o setor. A meta é não
mais depender das matas nativas a partir de 2015.
Seja por meio do plantio de áreas
próprias ou do incentivo a terceiros, o reflorestamento
é, sem dúvida, a menina dos olhos do setor
produtivo. Em 2007, foi criado um fundo de investimentos
bancado por nove guseiras de Carajás visando financiar
a expansão do eucalipto. Também em Minas
Gerais, as empresas adotam um discurso pró-reflorestamento
e, atualmente, costuram com o governo estadual um pacote
de incentivos para, em dez anos, acabar com o consumo
de matas nativas. Segundo o Sindifer, o pólo local
já planta cerca de 125 mil hectares por ano para
alcançar esse objetivo.
A necessidade de florestas plantadas
para suprir a siderurgia nacional é debate antigo
- a própria lei prevê que grandes consumidores
de matéria-prima florestal tenham cultivo equivalente
a seu consumo. O fato de, após tantos anos, o reflorestamento
ainda ser um gargalo gera desconfianças quanto
ao comportamento das siderúrgicas. “Empresas
instaladas em Carajás não cumpriram nenhum
dos Planos Integrados Floresta/Indústria, nos quais
são estabelecidas as diretrizes e metas relativas
à origem do material a ser carbonizado”,
relata estudo realizado por Maurílio Monteiro.
Situação semelhante, de acordo com ele,
ocorre em Minas Gerais. “Lá também
as exigências do Ibama para que siderúrgicas
assegurassem, até 1992, o consumo de 70% de carvão
originário de reflorestamentos, uma proporção
que deveria atingir 100% no ano de 1995, foram sistematicamente
desrespeitadas.”
O Sindifer defende a reforma do Código
Florestal para “destravar” o reflorestamento.
Segundo Paulino Vasconcellos, as grandes quantidades de
terra alocadas a título de Reserva Legal e áreas
de proteção são um entrave à
atividade. “Na Amazônia, é preciso
comprar 100 hectares para reflorestar 20?, exclama. Outra
queixa remete ao montante oferecido por políticas
de financiamento do Estado para fazer o plantio: “uma
miséria”, diz o representante do setor.
O carvão é o principal
custo de produção do ferro-gusa. Por vezes,
ultrapassa 50% do total e supera até o próprio
minério de ferro. Além dos altos investimentos
necessários, as áreas cultivadas, via de
regra, só estão aptas ao corte após
sete anos. Tal conjuntura suscita perguntas sobre a real
viabilidade econômica do reflorestamento, principalmente
em usinas de menor porte e em pólos dependentes
da exportação, como Carajás. No mercado
internacional, o ferro-gusa brasileiro compete com outras
matérias-primas e está sujeito aos preços
impostos pelo mercado.
Além disso, há de se considerar
a tendência de migração de pastagens
para novas frentes de desmatamento com a alocação
de milhões de hectares para produção
de carvão vegetal. No Norte do país, Xavier
Plassat, da CPT, relata grande expansão da monocultura
de reflorestamento, notadamente onde antes se criava gado.
“O Bico do Papagaio [extremo-norte do Tocantins]
está se cobrindo de eucalipto”, conta. Em
regiões onde há conflitos envolvendo “grilagem”
e posse da terra, tal cultura, diz ele, favorece grandes
fazendeiros ao inviabilizar outras atividades produtivas
nas áreas em litígio.
* Esta reportagem foi publicada originalmente
na revista Problemas Brasileiros.
Minc diz que licenças
ambientais não serão concedidas 'no grito'
por Marco Antônio Soalheiro, da
Agência Brasil
Ao anunciar nesta quarta (29/07) novas
medidas para desburocratizar e reduzir pela metade o tempo
do licenciamento ambiental para projetos como de coletas
de animais para pesquisa, construção de
estradas e extração de petróleo,
o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, ressalvou que
não haverá perda de rigor na avaliação
dos pedidos, sem dispensa de critérios exclusivamente
técnicos.
“Temos no Ibama 1.400 pedidos de
licença em tramitação, todos para
ontem, mas não vamos dar sem rigor. No grito não
vai sair licenças. Tem que cumprir os requisitos.
Não vamos afrouxar nem a [concessão da]
licença ambiental e nem a fiscalização
dessa licença”, afirmou Minc.
O ministro destacou os resultados do
programa Agiliza I, lançado há 12 meses,
pelo qual o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu 37%
a mais de licenças em relação ao
ano anterior.
“Conseguimos aumentar em 40% o
número de licenças, aumentando rigor, permitindo
mais obras e defendendo mais o bioma, exigindo mais compensações.
Não é contraditório ser rigoroso
e mais ágil”, disse Minc.
Para demonstrar o espírito das
novas medidas, Minc fez alusão aos pedidos de licenciamento
para obras em rodovias. Segundo ele, obras como tapa-buracos
e conserto de acostamento não exigem, por exemplo,
um novo estudo de fauna, ao contrário das intervenções
maiores que tenham impacto expressivo no meio ambiente.
“Temos que concentrar naquelas realmente impactantes
e simplificar naquelas cujo impacto é quase nenhum.”
Segundo o ministro, o sucesso do Ibama
em aliar rigor e agilidade na concessão de licenças
será fundamental para desqualificar quem defende
flexibilizações profundas na legislação
ambiental brasileira.
“Vamos impedir que se use o argumento
de atrasos para desfazer a legislação ambiental.
Impedir argumentos para aqueles que, em vista do atraso,
querem estraçalhar a nossa legislação
ambiental”, criticou Minc.
Inpe desenvolve novo sistema de vigilância
para monitorar o desflorestamento
por Thiago Romero, da Agência Fapesp
Agência FAPESP – O Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está concluindo
o desenvolvimento tecnológico, com previsão
de lançamento para a primeira quinzena de agosto,
de um novo sistema de vigilância por satélite
para monitorar o desflorestamento causado pela exploração
seletiva de madeira na Amazônia e em outras florestas
brasileiras.
Nomeado Detex (de Detecção
de exploração seletiva), o sistema tem o
objetivo de monitorar áreas florestais concedidas
legalmente para exploração e verificar se
os madeireiros estão respeitando planos de manejo
aprovados pelos órgãos públicos de
proteção ao meio ambiente.
Com resolução espacial
de 20 metros no solo, o Detex complementará os
dados fornecidos por outros sistemas que vêm sendo
operados pelo Inpe desde a década de 1980, como
o Prodes (Projeto de monitoramento da floresta amazônica
brasileira por satélite) e o Deter (Detecção
de desmatamento em tempo real).
As imagens coletadas pelo Detex serão
mais definidas do que as fornecidas pelo Prodes (que são
de 30 por 30 metros) e pelo Deter (de 250 por 250 metros).
O pesquisador da Divisão de Sensoriamento
Remoto do Inpe, Dalton de Morisson Valeriano, explica
que a exploração seletiva de madeira na
Amazônia e em outras regiões do país,
como no oeste de Santa Catarina, é uma atividade
econômica lícita que contribui para que essas
regiões sejam consideradas grandes polos madeireiros.
Na exploração seletiva
de madeira são cortadas apenas as árvores
de valor comercial, com base em planos de manejo que possibilitem
a recuperação, a longo prazo, da biomassa
florestal da área explorada.
“Criado para mapear o estado de
conservação e a integridade das florestas
brasileiras, o Detex indicará detalhadamente os
lugares do país que abrigam a atividade madeireira,
uma vez que hoje o controle não é tão
refinado com o auxílio de mapas mais localizados.
O que se sabe são apenas as regiões mais
amplas do Brasil em que essa exploração
ocorre”, disse à Agência FAPESP.
“O sistema gerará dados
sobre os locais exatos dessas atividades e também
deverá mostrar, em um segundo momento, de forma
qualitativa, a intensidade do corte seletivo para que
os órgãos fiscalizadores identifiquem se
as áreas exploradas têm autorização
e também se estão sendo exploradas conforme
o planejado”, apontou.
As informações geradas
pelo Detex serão destinadas aos setores que controlam
a exploração madeireira no país:
o Serviço Florestal Brasileiro, se a área
de exploração estiver em áreas de
floresta que são de domínio público,
ou o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama), que fiscaliza a exploração
em áreas privadas.
Os primeiros dados a serem divulgados
pelo Detex, nas próximas semanas, serão
referentes ao mapeamento da extensão da floresta
desmatada no Brasil para o corte seletivo de madeira em
2007 e 2008.
“Esses dados já estão
prontos e só estamos dependendo de uma apresentação
interna ao Serviço Florestal Brasileiro, o que
deverá ocorrer no início de agosto, para
em seguida essas informações serem divulgadas
no site do Inpe”, disse Valeriano.
Outro sistema recentemente lançado
pelo Inpe foi o Degrad (Mapeamento da degradação
florestal na Amazônia brasileira), cujo objetivo
é mapear as áreas em processo de desmatamento
em toda a Amazônia Legal que não são
computadas pelo Prodes, sistema que há 20 anos
mapeia o “corte raso”, áreas onde a
cobertura florestal nativa foi totalmente retirada.
Um levantamento preliminar do Degrad,
divulgado em março deste ano, registrou 14.915
km² de áreas em processo de desmatamento em
2007 e 24.932 km² em 2008 na região amazônica.
Dia Nacional do Campo Limpo 2009:
Mais de 120 mil pessoas em todo o Brasil celebrarão
a data
Ações de conscientização
ambiental farão parte da programação
para comemorar os ótimos resultados na destinação
final de embalagens vazias de agrotóxicos
No dia 18 de agosto, data que desde o
ano passado integra o calendário oficial brasileiro,
será celebrado pelo quinto ano consecutivo, o Dia
Nacional do Campo Limpo. A comemoração reunirá
mais de 120 mil pessoas de 23 Estados brasileiros, que
participarão de iniciativas de conscientização
ambiental realizadas por 107 centrais de recebimento de
embalagens de agrotóxicos, a fim de difundir a
importância de destinar corretamente esses recipientes
para a consolidação de uma agricultura sustentável,
além de celebrar os ótimos resultados alcançados
pelo sistema no Brasil.
“O Dia Nacional do Campo Limpo
é a principal celebração do sistema
de destinação final de embalagens vazias
de agrotóxicos. A data representa o engajamento
de todos os elos da cadeia produtiva agrícola no
programa de descarte de embalagens e reafirma o compromisso
de cada uma dos envolvidos com a produção
agrícola sustentável”, afirma João
Cesar Rando, diretor-presidente do inpEV, instituto que
tem entre seus associados os fabricantes de defensivos
agrícolas.
As centrais de recebimento de embalagens
vazias comemoram a data realizando dias de Portas Abertas
(onde abrem as instalações das unidades
de recebimento para a visitação da comunidade),
visitas a escolas, universidades, entidades que oferecem
cursos técnicos e profissionalizantes e organizando
comemorações promovidas em locais públicos,
com apoio das prefeituras. Além disso, dentre as
atividades desenvolvidas estão os concursos de
desenho - para alunos do 1º ao 5º ano do ensino
fundamental -, de redação - para jovens
do 6º ano 9º ano - e, pela primeira vez, o concurso
Campo Limpo, para professores do ensino fundamental envolvidos
com as comemorações. Nesta edição,
os temas serão “O mundo fica mais limpo com
a reciclagem” para o concurso de desenho, “A
reciclagem é importante para o futuro do campo”
para as redações e “Diga não
ao desperdício!” para os professores.
A comemoração do Dia Nacional
do Campo Limpo é uma iniciativa do inpEV e conta
com o apoio da Associação Nacional dos Distribuidores
de Insumos Agrícolas e Veterinários (ANDAV)
e da Organização das Cooperativas Brasileiras
(OCB). As atividades municipais são realizadas
pelas centrais de recebimento de embalagens vazias. As
empresas fabricantes de produtos fitossanitários
associadas ao inpEV apóiam e participam das comemorações
por todo o Brasil, assim como órgãos públicos
municipais e estaduais e vários parceiros locais.
Em 2008, o Dia Nacional do Campo Limpo
mobilizou, em todo o país, 117.449 pessoas, entre
estudantes, autoridades, agricultores, distribuidores,
cooperativas, representantes da indústria fabricante
de defensivos agrícolas e a comunidade em geral,
que participaram de atividades realizadas por 99 centrais
de recebimento de embalagens vazias de 23 Estados.
Para mais informações sobre
as atividades do Dia Nacional do Campo Limpo, inscrições
e regulamentos dos concursos, e edições
anteriores, visite www.dianacionaldocampolimpo.org.br
Resultados da destinação
final no Brasil
O modelo brasileiro de gestão
das embalagens vazias de agrotóxicos no Brasil
é reconhecido como referência dentre os países
que possuem um sistema semelhante ao nacional por sua
maturidade e resultados obtidos. Enquanto o país
destina 94% do total de embalagens plásticas colocadas
no mercado, o Canadá é responsável
por 73%; a Alemanha, por 65%, França (64%) e Estados
Unidos (20%)*.
De 2002 até o primeiro semestre
de 2009, agricultores, canais de distribuição
(revendas e cooperativas), indústria e o poder
público foram responsáveis pela destinação
final de mais de 150 mil toneladas de embalagens vazias,
sendo que no primeiro semestre deste ano, o volume destinado
foi de 14.160 toneladas, 17,3% maior em relação
ao mesmo período do ano passado (12.076 t). Somente
em junho, as 399 unidades de recebimento em funcionamento
no país enviaram para o destino final 3.030 toneladas
de embalagens vazias.
*Fontes: Adivalor (França), Acrecycle
(EUA), CropLife (Canadá), inpEV (Brasil) e Pamira
(Alemanha)
Sobre o inpEV
O inpEV – Instituto Nacional de
Processamento de Embalagens Vazias – é uma
entidade sem fins lucrativos que representa a indústria
fabricante de defensivos agrícolas em sua responsabilidade
de destinar as embalagens vazias de seus produtos de acordo
com a Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal
nº 4.074/2002. A lei atribui a cada elo da cadeia
produtiva agrícola (agricultores, fabricantes,
canais de distribuição e poder público)
responsabilidades que possibilitam o funcionamento do
Sistema de Destinação de Embalagens Vazias.
O instituto foi fundado em 14 de dezembro
de 2001 e entrou em funcionamento em março de 2002.
Atualmente, possui 77 empresas e sete entidades de classe
do setor agrícola como associadas.
Mais informações sobre
o inpEV e o Sistema de Destinação Final
de Embalagens Vazias estão disponíveis no
site http://www.inpev.org.br/.
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