Correio do
Meio Ambiente
quinta-feira, 28/05/09 - 13h10
MMA firma aliança para
proteger legislação ambiental
Minc acatou sugestões dos pequenos
agricultores que pediram tratamento diferenciado
O ministro Carlos Minc disse ontem (27)
que o Ministério do Meio Ambiente acatou a solicitação
da Confederação Nacional dos Trabalhadores
na Agricultura (Contag) de somar a Área de Proteção
Permanente (APP) à reserva legal, a fim de aumentar
a terra disponível para a agricultura nas pequenas
propriedades. Minc participou do Grito da Terra, na Esplanada
dos Ministérios, onde reafirmou a "aliança
histórica" entre os ambientalistas e os produtores
da agricultura familiar.
O ministério vai admitir, também,
o plantio de espécies frutíferas associado
à reconstituição da vegetação
nativa - na recomposição de encostas e áreas
degradadas. Disse ainda que pretende simplificar a averbação
da reserva legal, além de implementar um programa
de educação ambiental e o pagamento por
serviços ambientais em todo o País, como
já vem ocorrendo na área do Rio Guandu,
no Rio de Janeiro.
Segundo o ministro, houve um acordo entre
o MMA, o Ministério do Desenvolvimento Agrário
(MDA) e os representantes dos pequenos agricultores para
que leis, normas e decretos possibilitem um tratamento
diferenciado para a categoria. "Não é
justo tratar a agricultura familiar como agronegócio",
afirmou Minc, acusando os latifundiários de usarem
a bandeira dos pequenos produtores como massa de manobra
política.
Entre os pontos acordados com esses setores
para a adequação do Código Florestal
estão a educação ambiental, a defesa
das reservas extrativistas, o manejo florestal comunitário
e o pagamento por serviços ambientais.
"Agora os grandes produtores atacam
as leis de proteção ao meio ambiente, amanhã
vão atacar a reforma agrária", afirmou
o ministro do alto de um caminhão utilizado na
manifestação do Grito da Terra, na Esplanada
dos Ministérios, com o objetivo de reivindicar
melhorias para a categoria, e que contou com a participação
da Contag e da Federação dos Trabalhadores
na Agricultura (Fetag).
O presidente da Contag, Alberto Broch,
afirmou que a categoria pretende ter mais capacidade de
produção e menos criminalização
da agricultura familiar e da reforma agrária. "Não
precisamos de multas, e sim de mudas, apoio, assistência
técnica e educação ambiental",
disse. Broch disse que o movimento é solidário
ao MMA na luta pela adequação criteriosa
do Código Florestal, e que a classe pretende associar
a preservação do meio ambiente a uma nova
cultura de produção de alimentos, mais consciente
e sustentável.
Os agricultores familiares produzem 70%
dos alimentos consumidos no País, e representam
90% da força de trabalho da agricultura. O ministro
acredita que a categoria "tem mais consciência
ambiental que o latifundiário" porque depende
da terra para trabalhar e viver, e defendeu a existência
de uma lei geral para o país, que seja separada
por bioma e contemple as particularidades de cada região.
"A partir disso, cada estado pode legislar para promover
as adequações necessárias, mas não
para afrouxar a lei ambiental", afirmou o ministro.
Nota de esclarecimento do ministro
Carlos Minc
Ontem (27), eu participei de ato da Contag
selando uma aliança do meio ambiente com a agricultura
familiar garantindo tratamento diferenciado, o pagamento
por serviços ambientais e o estímulo à
recomposição de áreas degradadas.
Declarei que setores do agronegócio têm aterrorizado
os produtores familiares afirmando que serão arrancadas
as macieiras, as videiras de suas propriedades para colocá-los
contra toda a legislação ambiental.
Alertei que alguns representantes do
agronegócio, na verdade, são grandes desmatadores
em latifúndios, usando monoculturas, queimadas,
agrotóxicos. O agricultor familiar tem mais consciência
ambiental. Ele depende da conservação dos
solos e das nascentes e terá tratamento diferenciado.
Não houve qualquer intenção
de insultar nenhum dirigente e nenhum parlamentar. Não
mencionei qualquer nome, não ofendi qualquer pessoa.
Alertei sobre o risco de manipulação da
agricultura familiar pelos grandes com o objetivo de usá-los
como massa de manobra contra as proteções
ambientais.
Quanto as declarações do
deputado federal Ronaldo Caiado, fiquei completamente
estarrecido com a virulência e o baixo nível
das expressões. Repudio firmemente suas alegações
de qualquer contato meu com traficantes. É uma
afirmação falsa, infundada e insultuosa,
não condizente com a liturgia do cargo que o deputado
exerce. Essa truculência verbal não ajuda
em nada o debate e nem isenta os crimes ambientais dos
grandes desmatadores.
Minc fala sobre primeiro ano à frente do
Ministério do Meio Ambiente
Durante abertura da 94ª Reunião
Extraordinária do Conama, ontem, o ministro Carlos
Minc, fez um breve balanço de sua gestão
no Ministério do Meio Ambiente, que ontem completou
um ano. Parece que passou mais tempo! “Mas foi um
ano de grandes conquistas, mas também grandes desafios,
especialmente nas ameaças que caracterizam o atual
momento da política ambiental”, afirmou.
O ministro considerou que a queda do
desmatamento da Amazônia (45% do que o mesmo período
do ano anterior) foi a grande vitória de sua equipe
nesses doze meses e, na direção oposta,
os ataques à legislação ambiental
o seu grande desafio, já que poderão impor
enormes prejuízos às políticas ambientais
de todo o país. Ele destacou, entre os grandes
retrocessos que se avizinham as tentativas do Congresso
de criar o "decurso de prazo" para o licenciamento
ambiental e de impedir de fiscalizar empreendimentos agropastoris
da Amazônia, dispositivos incluídos "de
contrabando" em medidas provisórias que tramitam
no Congresso.
"O que fizemos não foi pouco,
mas temos também sérios problemas a enfrentar.
Se os parlamentares aprovarem esses dispositivos nós
vamos pedir o veto do presidente", informou Minc.
"Vamos continuar as operações
de fiscalização e eu vou continuar participando.
Este ano já participei de 20, subindo em cima de
trator, destruindo forno de carvão, prendendo madeireiro
ilegal, apreendendo boi pirata. Vou continuar na linha
de frente, onde um ministro deve ficar. Mas o momento
é muito delicado. Enquanto todos os países
do mundo estão aumentando seus mecanismos de proteção
ambiental nós vamos entrar na contramão
da história e afrouxar a proteção?
Vamos lutar nas ruas, no parlamento e dentro do governo
para que o meio ambiente brasileiro seja defendido e não
seja devastado".
Os destaques
Desmatamento - "Dobramos
a fiscalização, aumentamos o monitoramento
e o resultado foi a queda de 45% do desmatamento em relação
ao mesmo período do ano anterior”.
Clima - "Não
tínhamos plano de mudança climática,
não tínhamos meta, não tinha Fundo
Amazônia. O Brasil vivia apanhando em todos os fóruns
internacionais. Hoje nós temos Plano, temos metas,
temos o Fundo Amazônia e assumimos posição
de protagonismo nos fóruns mundiais".
Monitoramento - "Nós
monitorávamos apenas a Amazônia. Hoje monitoramos
todos os biomas brasileiros: Mata Atlântica, Pantanal,
Cerrado, Caatinga e Pampa. A próxima revisão
do Plano Clima, em maio do ano que vem, terá metas
de redução também para os outros
biomas."
Hidrelétricas
- "Retomamos o licenciamento de hidrelétricas,
o que não acontecia há quatro anos e significava
mais usinas térmicas a óleo ou carvão,
mais poluição e mais emissões. Agora,
com hidrelétrica, biocombustíveis e etanol
voltamos a investir em ter uma matriz energética
cada vez mais limpa. Também resolvemos obrigar
as térmicas a óleo e a carvão a compensarem
suas emissões plantando milhões de árvores."
Transversalidade da questão ambiental
- "A questão ambiental passou a ser considerada
em outras áreas, como o PAC da Habitação.
As casas vão ter placa solar, o que representa
800 mil toneladas a menos de emissão de CO2 e economia
anual de R$400 na conta de luz de cada família.
Participamos também do programa de troca de um
milhão de geladeiras que usam gás CFC e
da política de saneamento público.”
Conama aprova norma para aqüicultura
e recomendação para ZEE da BR-163
O Conama aprovou ontem (27) o texto básico
da resolução que disciplina o licenciamento
ambiental para os empreendimentos de aqüicultura
(criações de peixes, camarões, moluscos,
algas e rãs). A resolução uniformiza
as regras para a concessão de licenças -
hoje elas ficam a critério dos estados - e minimiza
os efeitos poluidores da criação em larga
escala. Os pequenos e médios criadores que estejam
em região de baixo adensamento (poucos tanques)
terão direito a processo de licenciamento simplificado.
A 94ª Reunião Extraordinária do Conama
foi aberta pelo ministro Carlos Minc.
O que vai definir esta possibilidade
são os critérios de impacto potencial pequeno,
médio ou grande e as espécies a serem cultivadas.
No caso da piscicultura, os peixes serão classificados
pela origem, nativas ou exóticas, e se são
carnívoros ou não. A criação
de espécies exóticas, que em geral causa
maior impacto ao meio ambiente, terá que atender
a requisitos de classificação específicos,
já instituídos em outras resoluções
do Conama.
Aprovada a resolução, cria-se
um marco regulatório para tornar legal a atividade
dos pequenos empreendimentos em aqüicultura, uma
vez que, segundo Marcelo Sampaio, diretor de Desenvolvimento
da Secretaria Especial da Pesca, 90% do setor estão
na ilegalidade.
BR-163 - O Conama aprovou ontem (27)
recomendação ao Executivo para alteração
do Zoneamento Ecológico-Econômico da área
do entorno da BR 163, com referência à previsão
do Código Florestal de redução da
Reserva Legal da propriedade rural apenas para fins de
recomposição. O ZEE permite a redução
de 80% para 50% em 3,5% de território previamente
definido pelo estado.
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