Correio do
meio @mbiente
terça-feira, 09/06/09 - 14h10
Ciência tem papel fundamental para política
climática
Para trabalhar com dados mais precisos,
capazes de orientar com eficiência a política
nacional de combate às mudanças do clima
e a Convenção do Clima, da ONU, a Secretaria
de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental
deu a largada em abril a uma corrida contra o tempo. A
iniciativa de convocar o Painel Brasil de Mudanças
Climáticas (IPCC-Brasil) é o reconhecimento
da importância do conhecimento científico
nas questões climáticas.
Segundo a secretária de Mudanças
Climáticas, Suzana Kahn, a partir dos relatórios
elaborados pelo Painel Brasileiro, compostos pelos mais
importantes cientistas nacionais, as futuras versões
do Plano Nacional sobre Mudança do Clima não
só serão mais bem fundamentadas, como também
terão um comprometimento maior de todos os setores
do governo.
No final de julho, o Ministério
do Meio Ambiente espera divulgar o plano de trabalho de
mais de 300 cientistas, encarregados de sistematizar e
atualizar dados sobre alterações globais
e seus impactos no Brasil, produzindo, até 2011
um relatório mais realista da situação
do País. O relatório final será submetido
à plenária composta por membros do governo
federal, governos estaduais, sociedade civil e entidade
de classes. Sua aprovação terá a
força do chancelamento de segmentos fundamentais
para o sucesso da implementação do Plano.
Com dados e informações atualizadas será
possível planejar ações para mitigar
os efeitos das mudanças, diminuindo o sofrimento
das populações mais pobres, primeiras vítimas
dos efeitos do aumento da temperatura do planeta.
Na esteira do aquecimento global, um
projeto com resultados concretos tem mostrado que é
possível unir muita gente em torno de soluções
sustentáveis. O combate ao aumento no buraco da
camada de ozônio reduzirá a zero as emissões
de clorofluorcarbono e hidroclorofluorcarbono na atmosfera,
que serão reduzidos gradativamente a partir de
2015. Até 2013 só se admitem os níveis
de 2009, quando a campanha mundial já começou
a produzir resultados positivos. A SMCQ já se mobiliza
para lançar, até o final de julho, o Programa
Nacional de Eliminação de HCFC. Até
2040 nenhuma indústria brasileira poderá
fabricar esses compostos ou usá-los como insumos.
Além disso, será dado tratamento adequado
ao CFC e HCFC espalhados em refrigeradores e aparelhos
de ar-condicionado, vendidos aos milhões antes
da descoberta dos efeitos nocivos desses produtos.
O País tem uma das matrizes energéticas
mais limpas do Planeta. A pouca participação
de usinas térmicas ou nucleares, num sistema de
geração com mais de 80 por cento de hidrelétricas,
portanto de baixa emissão, mesmo assim precisa
de medidas de redução. O alvo são
as térmicas a carvão e óleo combustível,
que uma vez em funcionamento lançam toneladas de
gases estufa na atmosfera. A SMCQ vem tomando medidas
para incentivar a instalação ou substituição
geradoras a gás natural, bem menos poluentes, enquanto
cria novas condicionantes para as demais. Instalar plantas
a carvão vegetal ou óleo combustível
passará a requerer medidas mitigatórias.
A mesma exigência não atinge as a gás.
O Painel Brasil de Mudanças Climáticas
surgiu com base na experiência de Suzana no IPCC,
que desempenhou diversos papéis. Além de
autora do relatório especial de transferência
de tecnologia, foi autora principal do quadro relatório
sobre mitigação e hoje integra o Bureau
do IPCC como uma das vice-presidentes do grupo de Mitigação.
"Durante todo este tempo pude perceber a qualidade
e legitimidade do processo, o que me fez criar algo semelhante
no Brasil".
Principais metas da SMCQ
- Programa de Acompanhamento do Plano
Nacional sobre Mudança do Clima
- Implementação dos sete
objetivos do Plano
- Programa de desenvolvimento de baixo
carbono
- Aprovação do Fundo Clima
- Plano Nacional de Qualidade do Ar
- Apoio no aumento de uso de energias
renováveis no País, em especial eólica
e solar
- Implantação da Convenção
de Estocolmo
Monitoramento minucioso vai
garantir sucesso do Plano Clima
Medidas arrojadas como o desmatamento
zero, mudanças na matriz energética no padrão
de consumo de combustíveis fósseis nas grandes
cidades já estão em andamento, sob a responsabilidade
da Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade
Ambiental (SMCQ). O órgão se prepara agora
para começar a medir minuciosamente os resultados
efetivos que vem sendo atingidos pelo Plano Nacional sobre
Mudança do Clima.
Um dos primeiros efeitos visíveis,
além da contribuição para a redução
no desmatamento da Amazônia, tem sido tirar o País
de uma posição defensiva para um papel de
protagonista no cenário internacional dos debates
que vão desembocar na estratégia global
para o combate às mudanças climáticas
de longo prazo, período apelidado de "pós-Kyoto",
em referência ao Tratado de Kyoto, que definiu os
critérios de redução de emissões.
À frente da SMCQ, a engenheira
Suzana Kahn pilota o Plano Clima com a disciplina de quem
quer resultados concretos no curto, médio e longo
prazos. Sair do papel de coadjuvante para assumir a tarefa
de timoneiros, o que assegurará que o plano não
vai perder o rumo, está na ordem do dia dos técnicos
da secretaria. "O chefe já avisou que se tiver
que ser 'ecochato' para atingir suas metas não
vai titubear. Seria uma vergonha para o País apresentar
um plano e não cumprir suas metas", disse
Minc.
Sozinho nenhum país no mundo tem
o poder de reduzir globalmente, ou mesmo em seu próprio
território, os impactos catastróficos previstos
pelos maiores cientistas e pesquisadores do mundo, reunidos
no IPCC (Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas).
Mas o caminho para o consenso é árduo e
pode levar a reunião da Convenção
Quadro do Clima, a COP-8, prevista para dezembro em Copenhagem,
na Dinamarca, a um impasse. De um lado os países
desenvolvidos que precisam, mas não querem ou não
podem por problemas internos adotar modelos econômicos
de baixo carbono, e do outro aqueles em desenvolvimento,
cujas emissões são menores, mas podem ser
reduzidas se os ricos financiarem o processo, gerando
um saldo global menor de carbono na atmosfera, que, afinal,
é compartilhada por pobres e ricos.
Quem acredita que as mudanças
climáticas globais são previsões
para um futuro longínquo, basta ligar a televisão
e ver esse conceito desabar. Os efeitos do aumento da
temperatura já estão em pleno andamento.
É por isso que o "Plano Clima" tem que
produzir resultados "para ontem". Seca no Sul,
enchente no Norte, chuva demais no Nordeste são
fortes indícios de que o próximo IPCC poderá
rever suas metas para cima e até considerar que
o impacto previsto no último painel foi subavaliado.
Dioxina - O primeiro
laboratório público de dioxinas e furanos,
subproduto de processos industriais e de incineração
de resíduos perigosos e hospitalares, foi inaugurado
no dia 29 de maio, em parceria do MMA com a Companhia
de
Tecnologia de Saneamento Ambiental de
São Paulo (Cetesb). Com o laboratório será
possível determinar a presença de dioxinas
e furanos, ameaçando a saúde humana e o
meio ambiente na água, ar, solo, leite e sangue.
Notas
Sustentabilidade
O ministro Carlos Minc debateu ontem
(8), às 15h30, o desafio de incorporar a sustentabilidade
socioambiental à dinâmica do novo ciclo de
desenvolvimento. A palestra será na oficina promovida
pela Fundação Perseu Abramo, no Hotel San
Marco, Setor Hoteleiro Sul, Quadra 5, Bloco C, Brasília.
Resex - O governo federal
liberou R$ 450 mil para a elaboração do
plano de manejo da Reserva Extrativista de Cassurubá
(BA), criada, junto com outras duas, nesta sexta-feira
(5), pelo presidente Lula. O ministro Carlos Minc celebrou
os atos assinados em Caravelas (BA) pelo presidente na
comemoração do Dia do Meio Ambiente.
Encea - Ficou pronta
a primeira versão da Estratégia Nacional
de Comunicação e Educação
Ambiental no âmbito do Sistema Nacional de Unidades
de Conservação (Encea), elaborada com a
contribuição de diversos atores entre 2006
e 2009. O documento apresenta sugestões para dar
continuidade à elaboração participativa
da Encea e para sua posterior implementação
nas Unidades de Conservação federais, estaduais
e municipais no Brasil. A publicação traz
um diagnóstico das ações de Comunicação
e Educação Ambiental nas UCs brasileiras
e os questionários que deram origem a ela. O Departamento
de Educação Ambiental do MMA trabalhará,
articulado com o ICMBio, para realização
de oficinas regionais e/ou locais a fim de discutir o
aprimoramento do documento. As versões para download
do documento da Encea, do diagnóstico da Comunicação
e Educação Ambiental em UCs e dos questionários
encontram-se disponíveis no site do MMA (www.mma.gov.br/ea)
e no blog (http://encea.blogspot.com).
Projeto Orla - A primeira
etapa de capacitação técnica das
comissões estaduais do Projeto Orla será
concluída hoje e a amanhã durante oficina
em Recife (PE), no auditório Museu do Homem do
Nordeste. As oficinas buscam dinamizar a atuação
da comissão para impulsionar a agenda estadual
do Orla. Nove estados costeiros já participaram
das oficinas: PE, BA, RN, SC, RJ, SE, PA , CE e ES. Para
o segundo semestre está previsto o início
das oficinas no resto dos estados litorâneos.
Desmatamento - Em comemoração
ao Dia Mundial do Meio Ambiente, os governos dos estados
do Acre e do Pará apresentaram, na sexta-feira
(5), as versões preliminares de seus Planos de
Preservação e Controle do Desmatamento,
que possuem metas em consonância com as diretrizes
do Plano Amazônia Sustentável, como ordenamento
territorial e fundiário, monitoramento e controle
ambiental, e estímulo às atividades produtivas
sustentáveis. A iniciativa contou com apoio técnico
e financeiro do MMA e foi realizada em parceria com o
governo da Noruega e do Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
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