Correio do
Meio @mbiente
quinta-feira, 09/07/09 - 15h45
Mundo está saindo da
recessão, mas devagar
O Fundo Monetário Internacional
apresentou ontem suas projeções para a economia
mundial em 2011 e vê sinais de recuperação
da crise financeira já no ano que vem, embora de
forma lenta, como relata o Financial Times. “A retomada
está vindo”, disse o economista-chefe do
Fundo, Olivier Blanchard, “mas provavelmente será
uma retomada enfraquecida”. O crescimento global
projetado pelo FMI em 2011 é de 2,5%, e este ano
deve terminar com retração de 1,4%. Para
o Brasil, a estimativa é de recessão de
1,3% agora e crescimento de 2,5% no próximo ano.
Fundação José
Sarney desviava recursos da Petrobras
A manchete do Estadão compromete
mais a já combalida imagem do presidente do Senado,
José Sarney (PMDB-AP). Segundo o jornal, a Fundação
José Sarney – criada pelo próprio
senador para manter um museu com o acervo da época
em que foi presidente da República – desviou
para empresas fantasmas e outras da família verba
da Petrobras repassada para um projeto cultural que nunca
saiu do papel. “Do total de R$ 1,3 milhão
repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar
em contas de empresas prestadoras de serviço com
endereços fictícios em São Luís
(MA) e até em uma conta paralela que nada tem a
ver com o projeto”, afirma a reportagem. Uma das
empresas que teriam prestado serviços (Ação
Livros e Eventos) à Fundação é
de um aliado de Sarney no Maranhão e emitiu 30
notas fiscais sequenciais, como se a firma tivesse só
a fundação como cliente. “Uma das
sócias, Alci Maria Lima, que assina recibos anexados
à prestação de contas, nem sabe dizer
que tipo de serviço a empresa prestou. ‘Eu
assinei o recibo,mas não sei o que foi que a empresa
fez, não.’”
Projeto regulamenta uso da internet em campanha
eleitoral
A Câmara aprovou ontem um projeto
de lei sobre a reforma eleitoral. A principal novidade,
informa O Globo, é a liberação da
internet para as campanhas – ou seja, os candidatos
não ficam mais restritos a seu site oficial. Mas
alguns parlamentares criticaram o autor do texto substitutivo,
Flávio Dino (PC do B-MA), por impor aos sites as
mesmas restrições válidas para o
rádio e a TV – eles acreditam que a propaganda
virtual acabará engessada. A proposta, porém,
prevê campanha livre no Twitter, Orkut e nos blogs,
o que tende a ser uma grande ferramenta para quem souber
utilizá-la bem. O projeto também regulamenta
a polêmica doação oculta, em que pessoas
físicas e jurídicas contribuem para o partido,
que distribui aos candidatos sem precisar informar quem
são eles. E ainda permite a candidatura de políticos
que tiveram contas eleitorais rejeitadas anteriormente.
Caso Edmar Moreira será
arquivado
O deputado Edmar Moreira (sem partido-MG),
aquele do castelo, foi definitivamente absolvido pelo
Conselho de Ética das denúncias de ter usado
dinheiro público em suas empresas de segurança
privada. Ontem, o colegiado derrubou um segundo parecer
que pedia a aplicação de uma pena alternativa
à cassação (quatro meses de suspensão
das prerrogativas do mandato) e, pela primeira vez na
história do conselho, criado em 2001, foi nomeado
um terceiro relator para um caso. E, agora, este relator
terá de arquivar, obrigatoriamente, a denúncia.
Para o Correio Braziliense, é o momento mais constrangedor
que o conselho vive, ameaçando sua própria
razão de existir. Em tempo: o deputado Sérgio
Moares (PTB-RS), o que se lixa para a opinião pública,
disse que Edmar pode andar agora com o “pescoço
erguido”. E nós, com a cabeça baixa.
Embaixador americano defende
fim da tarifa do etanol
Indicado para ser o embaixador dos EUA
no Brasil, Thomas Shannon defendeu ontem, no Senado americano,
o fim da tarifa de importação sobre o etanol
brasileiro – uma posição, aliás,
que Shannon, de fortes ligações com o Brasil,
vem mantendo há um bom tempo. “Segundo Shannon,
o objetivo do Brasil é derrubar a tarifa para abrir
mercados, mas a realidade atual é que o País
não produz o suficiente para abastecer seu próprio
mercado. ‘Portanto, a eliminação da
tarifa não criaria impacto imediato’, disse,
em sintonia com o discurso dos produtores de etanol brasileiros”,
afirma o Estadão. A nomeação de Shannon
deve sair até o final do mês. Se não
houver nenhuma surpresa, ele deve continuar a ser uma
figura importante nas negociações com os
EUA no setor sucroalcooleiro.
Coleta solidária é
destaque na Feira Brasileira de Reciclagem, em Curitiba
O estande de Itaipu, e em especial o
carrinho elétrico, despertou curiosidade dos visitantes.
O programa Coleta Solidária, desenvolvido
pela Itaipu Binacional, foi um dos destaques da 4ª
Feira Brasileira de Reciclagem, Preservação
e Tecnologia Ambiental, a ReciclAção. Os
visitantes da feira, que abriu nesta quarta-feira à
noite, em Curitiba, podem conhecer não só
detalhes do programa, como a avançada tecnologia
do carrinho elétrico para coleta de materiais recicláveis,
que está exposto no estande de Itaipu.
Desde o início do programa, cem
unidades do carrinho já foram encaminhadas a cooperativas
de catadores de várias cidades brasileiras, por
meio de parceria com o Movimento Nacional dos Catadores
de Materiais Recicláveis (MNCR). Estima-se que
o ganho em produtividade dessas cooperativas passou a
ser entre e cinco e dez vezes maior após a utilização
dos carrinhos elétricos.
O consultor da Coordenadoria de Energias
Renováveis da Itaipu, Rogério Guimarães,
que recebeu o público no estande, destaca também
as vantagens do motor elétrico, que se alimenta
de uma fonte de energia renovável: “O carrinho
tem capacidade para carregar 300 kg de materiais e uma
autonomia diária de 30 km, com recarga das baterias
em até seis horas. Por mês, o custo com energia
elétrica é de R$ 7,50. Um carrinho com a
as mesmas características movido a gasolina apresenta
um custo mensal de R$ 35 a R$ 40, além de emitir
gases poluentes pela queima do combustível”.
Guimarães lembrou ainda a estrutura
do carrinho elétrico, integralmente construída
com materiais recicláveis, e a sua vida útil,
estimada em 10 mil horas de trabalho. “Isso tudo
resulta em melhoria na condição de trabalho
dos coletores, uma classe que está na base da reciclagem
e confere sustentabilidade ao programa Coleta Solidária”,
afirma.
O vice-governador Orlando Pessuti (de
terno preto) abriu a feira e visitou o estande de Itaipu,
onde também quis conhecer detalhes do carrinho
elétrico.
A abertura oficial do evento, nesta quarta-feira
à noite, contou com a presença do vice-governador
do Paraná, Orlando Pessuti, entre outras autoridades.
Pela Itaipu Binacional, o engenheiro Gláucio Roloff,
da Coordenadoria de Energias Renováveis, destacou
o programa Coleta Solidária como uma das ações
desenvolvidas pela sua área. “A Itaipu investe
na pesquisa e no desenvolvimento de tecnologias limpas,
capazes de proporcionar melhoria na qualidade de vida
de todos, sem impactar o meio ambiente”, disse.
A 4ª Feira Brasileira de Reciclagem,
Preservação e Tecnologia Ambiental - ReciclAção
2009 segue até o próximo sábado (11),
na ExpoUnimed Curitiba, na Universidade Positivo. A entrada
é livre.
Código Florestal
Foi criado ontem (8) na Comissão
de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável
da Câmara dos Deputados um grupo técnico
de trabalho com o objetivo de apresentar propostas convergentes
para atualização do Código Florestal.
O presidente da Comissão, deputado Roberto Rocha,
estabeleceu um prazo de 30 dias para que esteja pronta
uma avaliação técnica sobre o tema.
Participaram da reunião representantes do Ministério
do Meio Ambiente, do Ministério da Agricultura,
do relator do projeto de lei, deputado Jorge Khouri, membros
da consultoria legislativa e a assessoria técnica
do senador Flecha Ribeiro, proponente do projeto inicial.
Responsabilidade socioambiental
é tema de reunião
A secretária de Articulação
Institucional e Cidadania Ambiental, Samyra Crespo, representou
ontem (8) o Ministério do Meio Ambiente no último
café deste semestre da frente parlamentar ambientalista
na Câmara dos Deputados para assistir a apresentação
do grupo de trabalho de responsabilidade socioambiental
das empresas, focada na contribuição do
setor florestal, representada pela Associação
Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Segundo o setor,
as empresas possuem 6 milhões de hectares de florestas,
sendo 2,2 milhões de mata nativa e o restante de
florestas plantadas de eucaliptos e pinus.
Para expandir essa produção,
eles reivindicam a certeza jurídica sobre a propriedade
da terra, buscando maior clareza na demarcação
das terras indígenas, de quilombolas e reivindicadas
por movimentos sociais. Outra solicitação
é a interlocução direta com o MMA,
Mapa e outros ministérios correlatos para definir
a contribuição do setor em temas como matriz
energética (biomassa) e a inclusão social,
de forma que as empresas sejam mais um agente responsável
pelo desenvolvimento da área em que atuam.
O Ministério, em contrapartida,
solicitou dados sobre os investimentos que têm feito
nessa área de responsabilidade socioambiental e
convidou os representantes a desenvolver uma agenda no
combate ao carvão ilegal, que atualmente está
muito localizado em torno dos pólos florestais.
Campanha incentiva sociedade a construir novos
padrões de consumo
Para marcar o lançamento da campanha
Saco é um Saco para o público interno do
Ministério do Meio Ambiente, a secretária
de Articulação Institucional e Cidadania
Ambiental, Samyra Crespo, promoveu ontem (8) mesa-redonda
para debater o tema "Governo, empresas e sociedade
na construção de novos padrões de
consumo", com o diretor de Ambiente Urbano, da SRHU,
Silvano Silvério, e o representante do Wal-Mart
Brasil (apoiador da campanha), Felipe Antunes.
Na abertura, Crespo apresentou como a
campanha foi elaborada e o que se espera e ainda ressaltou
a recomendação do ministro Carlos Minc de
engajar os servidores do Ministério na campanha,
"para incentivar ações de outras áreas
que venham agregar conhecimento ou até mesmo ações
complementares que possam contribuir com a campanha Saco
é um Saco".
A secretária contextualizou que
a idéia de enfocar as sacolas plásticas
veio da decisão de fazer uma campanha de educação
ambiental e de consumo sustentável que falasse
diretamente com o público e não só
com o setor produtivo ou com os gestores públicos
e ainda acrescentou "pretendemos levar ao consumidor
uma informação mais qualificada para que
ele possa, no seu ato de consumo, não ter só
o poder de decisão, mas um gesto transformador".
Nos próximos seis meses, a Saic espera conseguir
a adesão à campanha de outras instituições
e redes de supermercados, bem como intensificar a divulgação,
explorando as mídias sociais na internet.
A SRHU, em contrapartida, vem trabalhando
em um grupo de trabalho que elabora a Política
Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Para
o diretor Silvano Silvério, a aprovação
desse texto no Congresso Nacional "trará uma
nova realidade para o País, pois passarão
a existir diretrizes para gestão dos resíduos",
afirmou. Silvério afirmou que a Política
instituirá a responsabilidade compartilhada e o
gerador de resíduos será encarregado pela
logística reversa, podendo responder judicialmente,
conforme a lei de crimes ambientais.
O texto da PNRS ainda traz a análise
do ciclo de produto, que exigirá para o licenciamento
o plano de gerenciamento de resíduos, desde a extração
da matéria-prima até o descarte final. "Uma
campanha de educação ambiental com essa
dimensão mostra que está bastante aderente
à Política Nacional de Resíduos Sólidos,
contribuindo para a luta cotidiana pela mudança
de hábitos e pela redução dos resíduos",
finalizou Silvério.
Antes da mesa-redonda, a técnica
da área de Consumo Sustentável da Saic,
Fernanda Daltro, apresentou o impacto das sacolas plásticas
no meio ambiente e como a sociedade pode ajudar. "O
impacto ambiental não está em uma sacolinha,
mas nos 500 bilhões a 1 trilhão de sacolas
que são consumidas por ano no mundo", disse.
O importante com a campanha, ressaltou Fernanda, é
chamar atenção para o consumo consciente
de sacolas plásticas que começa com a recusa
e o descarte correto, pois "o custo individual é
quase nulo, mas há alto custo ambiental coletivo".
Daltro lembrou que as sacolas plásticas,
como entram em contato com alimentos, são feitas
de matéria-prima virgem e não podem ser
produzidas a partir de material reciclado, o que contribui
ainda mais para o ciclo vicioso de demandar o consumo
exacerbado dos recursos naturais. "O ideal é
recusar sempre que possível, depois disso reduzir,
pois muitas vezes pegamos sacolas a mais do que precisamos,
sem esquecer de reutilizar e ainda reciclar", ressaltou.
Minc apresenta atividades realizadas
pelo MMA a universitários de Brasília
O ministro do Meio Ambiente, Carlos
Minc, recebeu ontem à tarde estudantes da Faculdade
da Terra de Brasília (FTB). O grupo de 16 estudantes
do 7º período do curso de Administração
pôde conhecer as atividades que o ministro vem realizando,
desde que assumiu a pasta, em maio de 2008.
"É uma grande honra para
nós estarmos aqui, podendo ouvir o ministro",
diz Marcelo Walsh, professor da FTB, que acompanhou os
alunos. "Um dos temas recorrentes, não só
na disciplina de Relações Internacionais
que leciono, é a questão da preservação
do meio ambiente, com práticas de gestão
ambientalmente responsáveis e nós tentamos
conscientizar o nosso alunado de que é importante
adotar uma postura profissional ambientalmente responsável",
completa o docente.
Carlos Minc apresentou aos universitários
um resumo das ações desenvolvidas pelo ministério,
e destacou aquelas que considera as principais realizações
de sua gestão. "Há muitas coisas que
só demos continuidade ao que havia sido iniciado
pela ministra Marina Silva, mas também já
tivemos conquistas importantes", disse o ministro.
Entre elas, Minc destacou a diminuição do
desmatamento na floresta amazônica; a criação
de um Plano Nacional sobre Mudança do Clima, iniciativa
elogiada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon;
e o início do monitoramento dos outros biomas presentes
no Brasil, além da Amazônia.
MMA quer diálogo entre
gestores de UCs e sociedade civil
Implementação de mosaicos
e corredores ecológicos fortalece ações
integradas
A secretária de Biodiversidade
e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Maria
Cecília Wey de Brito, defendeu ontem (8) a criação
e implementação de mosaicos e corredores
ecológicos para o fortalecimento das ações
integradas entre estados, municípios e governo
federal. Para ela, o diálogo é fundamental
na gestão das áreas protegidas, independentemente
de serem unidades de conservação, sítios
Ramsar ou reservas da biosfera.
Ela falou aos técnicos do MMA,
das secretarias estaduais de meio ambiente e das organizações
não governamentais que participam do I Seminário
sobre Gestão Territorial para Conservação
da Biodiversidade, em Brasília, que "para
benefício de toda a sociedade é importante
que as instituições envolvidas se relacionem",
ressaltando que a constituição de mosaicos
é um campo amplo para a integração
das áreas protegidas.
Outra recomendação da secretária
aos gestores de áreas protegidas é que façam
chegar à sociedade civil as informações
necessárias a uma mudança de visão
sobre o papel da proteção ao meio ambiente.
Todas as unidades, em todas as esferas de governo e organizações
não governamentais precisam informar à sociedade
os benefícios ou consequências que podem
resultar da política de conservação.
Para ela, as pessoas que vivem nos territórios
das áreas protegidas precisam saber que o produto
do seu trabalho pode ter maior valor agregado, "pode
ser melhor e diferente", exatamente por terem a origem
nessas áreas. Lembrou, ainda, a importância
de levar ao entendimento das pessoas até onde o
bem-estar humano se encontra ameaçado quando a
qualidade ambiental se deteriora.
A experiência dos gestores que
atuam nas UCs, para Cecília, é o mais importante
trabalho a ser feito. Ela avalia que a atuação
nas unidades não tem chegado às populações
envolvidas de forma a destacar o papel das áreas
de preservação. Os conceitos sobre os quais
trabalha o MMA não têm sido traduzidos de
forma correta para as populações envolvidas,
dificultando até mesmo o próprio trabalho
de gestão das áreas protegidas.
A política de áreas protegidas
do País foi defendida, também, pelo representante
da WWF-Brasil, Cláudio Moretti. Segundo ele, "é
no Brasil que temos a mais avançada política
de criação e implementação
de áreas protegidas no mundo". Para o representante
da WWF-Brasil, o modelo brasileiro não tem paralelo
no mundo e precisa ser tratado de forma integrada, inclusive
com as reservas indígenas e quilombolas. Já
Cláudio Lino, da Rede de Reservas da Biosfera,
defendeu "um pensamento integrado entre conservação
e desenvolvimento sustentável".
Participou também da abertura
do seminário o diretor do Fundo Nacional do Meio
Ambiente, Fabrício Barreto. Segundo ele, o FNMA
está sendo totalmente reformulado para se tornar
um órgão voltado para "o bom andamento
do fomento". Até agora já foram investidos
R$ 3 milhões na criação e implementação
de oito mosaicos, sendo que seis estão em andamento
e dois já foram implantados.
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