Começa demarcação de 11
UCs federais na Amazônia
Onze unidades de conservação federais
situadas na BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, estão
sendo demarcadas em um trabalho realizado em parceria
entre o ICMBio, DNIT e o Exército. A demarcação
das UCs federais, que teve início no último
dia 8 e vai até amanhã (11), é
executada com base numa metodologia inédita,
criada por uma equipe de analistas ambientais do ICMBio,
em Brasília.
A equipe do Instituto vai reunir-se com chefes das
unidades de conservação da região
para informar e discutir sobre como será feita
a demarcação. A nova metodologia é
específica para unidades de conservação
federais e prevê a instalação de
marcos e placas em pontos predeterminados sem que haja
a necessidade de abrir picadas ou de desmatar regiões
em que a floresta está preservada.
A delimitação das unidades de conservação
é uma das condicionantes do licenciamento para
o asfaltamento da BR-319.
Compensação voluntária
para conservar biodiversidade terá projeto piloto
no Brasil
O Brasil deve sediar um dos projetos piloto do Programa
de Negócios e Compensações para
a Biodiversidade (Business and Biodiversity Offsets
Program - BBOP), mecanismo diferenciado de avaliação
do impacto ambiental que busca zerar a pegada ecológica,
mas que também abrange questões econômicas
e sociais.
O setor privado, responsável pelo empreendimento,
assume voluntariamente as medidas compensatórias
e de mitigação, a fim de assegurar que
não haverá perdas para a biodiversidade
em suas atividades, nem ganhos em função
da responsabilidade socioambiental. A recuperação
da área impactada é o resultado final
esperado.
Segundo a secretária de Biodiversidade e Florestas,
Maria Cecília Wey, o processo, que já
foi implementado em vários países, deverá
ser feito de maneira a considerar as características
próprias dos biomas brasileiros, que contam com
o maior número de áreas protegidas e o
maior programa de proteção do planeta,
mas necessitam de ações que devem ser
implementadas de forma integrada.
Maria Cecília participou, no início de
julho, de um encontro em Paris onde foram debatidas
as bases e os modelos de compensação do
BBOP aplicados à área de mineração.
O programa é administrado pela Conservação
Internacional (Conservation International - CI) e pela
Sociedade de Conservação da Vida Selvagem
(Wildlife Conservation Society - WCS), e está
entrando em sua segunda fase, na qual deve ser ampliado
para outras atividades econômicas.
Também participaram do encontro na França
organismos internacionais que vêm dando apoio
financeiro e técnico às políticas
ambientais brasileiras, como o Fundo Global para o Meio
Ambiente (Global Environment Facility -GEF) e o banco
alemão de cooperação KFW. Os modelos
de compensação - encampados por mais de
600 grandes empresas mundiais preocupadas com responsabilidade
socioambiental - são voltados para beneficiar,
além dos empreendedores, as populações
envolvidas e o mercado.
Os "offsets", como são conhecidos,
trabalham com intervenções positivas de
manejo, interrupção da degradação
em curso e prevenção de perdas ambientais
futuras.
OECD - Em rodada de reuniões paralelas, Maria
Cecília discutiu também os mecanismos
de financiamento da conservação da biodiversidade
na Organização para Cooperação
Econômica e Desenvolvimento (Organization for
Economic Cooperation and Development - OECD).
Segundo ela, "foram debatidos vários instrumentos
para que se construa um mercado para biodiversidade,
a exemplo do mercado de carbono". Alguns deles
apontam para iniciativas da empresa privada no sentido
de adotar, além de novas áreas de proteção,
espécies determinadas da flora ou fauna ameaçadas
de extinção, bem como seus /habitats/.
Para a secretária, embora o Brasil seja considerado
o país mais avançado em políticas
para a conservação, é importante
ampliar o leque de opções que possam trazer
benefícios para a biodiversidade.
Falta definição sobre modelo
de financiamento para viabilizar a proposta
A área técnica do Ministério do
Meio Ambiente acredita que ainda há perguntas
que necessitam de respostas objetivas. É necessário
saber, por exemplo, de onde virá o dinheiro caso
a atual crise global privilegie a recuperação
das atividades econômicas, mesmo com o risco iminente
para a qualidade ambiental do mundo. Não existe
ainda um modelo que defina como financiar o Redd. Além
dos governos, as empresas e até os cidadãos
serão incentivados a contribuir financeiramente
com o meio ambiente.
Aposta-se na criação de fundos específicos,
destinados ao financiamento não-reembolsável
da manutenção da cobertura vegetal em
biomas estratégicos como a Amazônia. O
Brasil adiantou-se ao andamento das negociações
com a criação do Fundo Amazônia,
um fundo privado gerido pelo BNDES, cuja elaboração
baseou-se na proposta brasileira apresentada na 12ª
COP de 2006. O fundo é constituído de
doações, contabilizadas a partir da constatação
do desmatamento evitado em comparação
com as taxas médias de 1996-2005.
O Fundo Amazônia já captou U$1 bilhão
em doações do governo da Noruega, que
serão doados em parcelas anuais de aproximadamente
US$100 milhões. O dinheiro é doado caso
os patamares do desmatamento na Amazônia sejam
menores que a taxa média de 96-05, de 19,5 mil
Km2 (níveis de 1990). O Brasil já dispõe
de R$116 milhões em caixa no BNDES, gestor do
fundo. A área ambiental do banco está
analisando os projetos que já se candidataram
ao fundo e o Ministério do Meio Ambiente vem
fazendo gestão junto ao setor ambiental de estados
e municípios para viabilizar tecnicamente as
propostas.
Para se candidatar a receber recursos do fundo os projetos
devem enquadrar-se em pelo menos uma das seguintes modalidades:
gestão de florestas públicas e áreas
protegidas, atividades produtivas sustentáveis,
desenvolvimento científico e tecnológico
aplicado ao uso sustentável da biodiversidade
e ou desenvolvimento institucional e aperfeiçoamento
de mecanismos de controle.
Os mecanismos de Redd, de acordo com seus defensores,
vão representar um ganho para a biodiversidade
em relação aos créditos de carbono,
previstos no Protocolo de Kyoto. Estes permitem a recuperação
de áreas degradadas com cobertura vegetal de
qualquer espécie, enquanto o novo sistema se
baseia em assegurar a permanência da floresta
com suas características originais em pé.
Tudo vai depender da pauta da Convenção
de Copenhague para um período já apelidado
de pós-Kyoto, com a primeira fase do protocolo
expirando em 2012.
COP-15 pode incluir mecanismos de Redd nas
negociações
Países terão desafio de achar
soluções de consenso sobre o tema que
movimentará encontro
Nos seis meses que restam para a realização
da 15ª Conferência das Partes da Convenção
Quadro das Nações Unidas sobre Mudança
do Clima (COP-15), ou simplesmente Convenção
do Clima, que se realizará em Copenhague (Dinamarca),
os países terão pela frente o desafio
de encontrar soluções de consenso para
um tema que vai movimentar o encontro: a Redução
de Emissões por Desmatamento e Degradação
(Redd).
Ministros de estado do meio ambiente de mais de 100
países, reunidos informalmente no início
de julho, em Ilullist, na Groenlândia, concordam
que o Redd deve ser incluído no novo acordo mas
que existem dificuldades a serem superadas, principalmente
no que diz respeito às medidas de controle e
monitoramento dos investimentos necessários para
viabilizar o Redd.
O Redd representa um mecanismo de incentivo positivo
voltado para o financiamento das ações
de redução do desmatamento e degradação
florestal, que conseqüentemente resultam na diminuição
da emissão carbono.
As florestas, e em particular as florestas tropicais,
desempenham um papel fundamental no ciclo global de
carbono, pois elas são tanto fonte quanto sumidouros
de carbono atmosférico. Atualmente o desmatamento
de florestas tropicais contribui com aproximadamente
20 a 25% das emissões anuais globais de CO2.
A proposta em discussão na Convenção
sugere algumas atividades que seriam contempladas com
os incentivos positivos, são elas, a estabilização
da cobertura florestal e de seus estoques de carbono,
a conservação, aumento e manutenção
dos estoques de carbono florestais devido ao manejo
florestal sustentável, a redução
das taxas de desmatamento e das taxas de degradação
florestal.
Na prática, toda esta iniciativa representa
um estímulo para fomentar as atividades que mantêm
as florestas em pé como o extrativismo, o manejo
florestal sustentável, a conservação
e a recuperação florestal. De acordo com
o pesquisador italiano Andréa Cattaneo, do centro
de pesquisas norte-americano Woods Hole, o mecanismo
de Redução de Emissões por Desmatamento
e Degradação deve movimentar de US$ 20
bilhões a US$ 40 bilhões por ano. O Brasil,
dono da maior floresta tropical do planeta, poderá
receber cerca de 40% desse montante.
Metas do milênio: Crise em três
frentes
Por Cilian Donnely, da IPS
O Sul em desenvolvimento enfrenta uma crise em três
frentes: a economia mundial que se precipita, o encarecimento
dos alimentos e a mudança climática que
já faz sentir seus prejuízos, alertou
na segunda-feira a Organização das Nações
Unidas. O Informe sobre os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio 2009 mostra os avanços conseguidos
desde que, há nove anos, 189 países se
comprometeram em cumpri-los, até 2015.
Definidos em 2000 pela Assembléia Geral da ONU,
essas metas incluem reduzir à metade a proporção
de pessoas que sofrem pobreza e fome em relação
aos índices de 1990; garantir educação
primária universal; promover a igualdade de gênero
e reduzir a mortalidade infantil e materna. Também
figuram na lista combater a Aids, a malária e
outras enfermidades; assegurar a sustentabilidade ambiental
e fomentar uma associação mundial para
o desenvolvimento.
O informe deste ano chega a um momento particularmente
crucial, segundo Nicola Harrington, diretora do escritório
da ONU e do Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento (Pnud) em Bruxelas. Nesta mesma
semana, entre hoje e sexta-feira, acontece na Itália
a cúpula do Grupo dos Oito países mais
poderosos. Enquanto isso, uma grave crise econômica
mundial agrava a situação dos mais pobres
no Sul em desenvolvimento. O estudo analisa os avanços
obtidos em cada um dos oito Objetivos desde 2000.
“Este informe, divulgado anualmente, chega duas
semanas após a reunião da ONU sobre finanças,
em Nova York”, disse Harrington à IPS,
recordando que o secretário-geral das Nações
Unidas, Ban Ki-moon, estará presente na cúpula
do G-8. “Neste momento de crise, tem importância
vital a maneira como estes desafios são assumidos
pelos países industriais e a maneira como podem
ajudar as nações do mundo em desenvolvimento”,
acrescentou. Segundo a diretora, esses desafios têm
três aspectos: crise financeira, problemas da
mudança climática e encarecimento dos
alimentos. Os dois primeiros são relativamente
bem compreendidos, mas ao terceiro não se dá
toda a importância que merece.
A carestia alimentar “saiu recentemente do radar,
mas, ainda é um problema enorme”, disse
Harrington. “No mundo em desenvolvimento as pessoas
pagam preços elevados por sua comida, frequentemente
alimentos básicos”, acrescentou. Os países
pobres também vêm a mudança climática
como um “problema de amanhã”, quando,
na verdade, se trata de um assunto sério e imediato
para os que experimentam de primeira mão e os
que não têm os recursos para minimizar
seus efeitos. Porém, embora este informe avalie
os acontecimentos tal como ocorrem, isto é complicado
pelo simples fato de seus dados terem sido amplamente
recopilados antes das atuais tendências econômicas
começarem a criar raízes, e os conteúdos
dos estudos têm de ser vistos nesse contexto,
disse a especialista.
“Às vésperas da crise avançávamos
muito bem em algumas áreas, como a redução
da pobreza, a educação, a mortalidade
infantil e a redução de novas infecções
de HIV/Aids. Mas agora a crise financeira atingiu duramente
o mundo em desenvolvimento e nem todos os países,
tanto no Norte quanto no Sul, criaram adequadamente
um programa de mudança”, disse Harrington.
Além do mais, o mundo em desenvolvimento pode
ser mais afetado do que se sugere, porque a redução
das remessas tem um efeito enorme sobre as economias
dessas nações, algo que, segundo a especialista
da ONU, os observadores ocidentais tendem a esquecer
como um “problema real”.
A ONU e o Pnud, junto com muitas organizações
não-governamentais européias, exorta o
G-8 e a União Européia para que não
abandonem a assistência ao desenvolvimento neste
momento crucial. “Os atores internacionais com
a União Européia, com seu lugar de destaque
na diplomacia e economia mundiais, estão bem
situados para fazer algo em relação a
esta crise”, disse Harrington. Porém, mais
do que isso, tanto o mundo industrializado como o em
desenvolvimento deveriam ver que seus problemas estão
interligados e que a cooperação deve ser
a chave para garantir a proteção futura
diante de qualquer crise que surja, acrescentou.
“Os problemas do mundo em desenvolvimento também
são os problemas do mundo industrial. Por exemplo,
se a Europa aborda sua própria recuperação
da crise financeira, no caso de modificar seu regime
comercial, afetará o mundo inteiro”, afirmou
Harrington. “A sustentabilidade mundial deve estar
de mãos dadas com o desenvolvimento humanos.
Temos de evitar o protecionismo e incentivar oportunidades
produtivas em áreas como agricultura, indústria
e serviços. Temos de construir mercados. Quanto
mais países em desenvolvimento se incorporarem
ao mercado mundial, mais este mercado se expandirá.
Todos têm a responsabilidade de fazer esses mercados
voltarem a crescer”, acrescentou. IPS/Envolverde
Novas tecnologias geram novos desafios a velhos
problemas
Por Rodrigo Zavala, da Rede Gife
Não são poucos os especialistas e investidores
sociais em educação que quebram a cabeça
para descobrir como as novas tecnologias de informação
e comunicação podem potencializar o ensino.
Em uma sociedade em que o conhecimento se dá
cada vez mais por redes, as escolas parecem ainda refratárias
ao potencial dos recursos tecnológicos mais atuais.
Para refletir sobre esse tema, foi realizado o 1º
Fórum do Instituto Claro, uma parceria entre
a empresa de telefonia móvel e o CENPEC - Centro
de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura
e Ação Comunitária. Com o tema
“Tecnologias, aprendizagem e desenvolvimento humano”,
os convidados debateram os desafios impostos à
escola, em especial à pública, no que
diz respeito à apropriação da linguagem
por estudantes e professores.
“Nós falamos de novas tecnologias, mas,
como educadores, pensamos nas mesmas questões
discutidas há 70 anos”, afirmou o secretário
executivo da Rede CEP - Comunicação, Educação
e Participação, Alexandre Sayad, durante
debate promovido na tarde de hoje, 06 de julho.
Segundo ele, como em outras vezes no passado, o ensino
foi posto em xeque, pois houve uma mudança dos
processos cognitivos nas gerações mais
jovens, obrigando a uma revisão das metodologias
de aprendizagem. “A cristalização
do conhecimento, que antes era oral, agora se dá
por multimeios, cada vez mais midiática. A educação
formal não pode escapar disso”, comentou.
Nativos
O professor Paulo Gileno Cysneiros, da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), fez coro a Sayad, dizendo
que os “alunos de hoje” podem ser definidos
como “nativos digitais”, enquanto que grande
parte da classe docente é considerada migrante.
“Diferentemente do que estávamos acostumados,
essas crianças trabalham de forma multimodal,
em que música, TV e computador se complementam”,
reconheceu.
Enquanto isso, na escola, Cysneiros argumentou que
existe um abismo. “Conheço escolas onde
novas tecnologias são mais utilizadas, mas não
como instrumentos de mudanças significativas,
constituindo o que chamo de inovação conservadora“.
Ele chama de conservadora a mudança cosmética,
cujo resultado é uma melhoria técnica
da exposição.
“Uma aula expositiva não muda muito pelo
fato de ser dada através de uma tela de computador,
podendo até ser pior do que ao vivo. Livros didáticos
pobres não se tornarão melhores por apresentarem
um design gráfico atraente, fotos coloridas e
infográficos”, garantiu.
Protagonismo
Uma mudança só é real quando existe
uma apropriação da linguagem tecnológica,
em que professores e estudantes são protagonistas
da construção de conhecimento por meio
dela. Essa foi a defesa da professora da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP),
Maria Elizabeth de Almeida, especialista convidada para
compor a mesa de debates do fórum.
As inovações pensadas pela docente só
poderão ser incorporadas a partir de uma revisão
completa dos currículos escolares. “Currículo
em grade, como é comum, é uma camisa de
força para o ensino. É preciso pensar
um processo pedagógico mais amplo e interdisciplinar”,
disse.
Para José Manuel Moran, professor no Instituto
Sumaré de Ensino Superior, é preciso,
no entanto, tomar cuidado com essas mudanças.
“As escolas são as mediadoras oficiais
do conhecimento, e passamos a não saber mais
como mediar esse novo aprendizado. O que, em si, é
um conflito, pois metodologias podem afastar ainda mais
os estudantes, que podem vê-las como obsoletas
e autoritárias”, advertiu.
Instituto
O 1º Fórum do Instituto Claro é
uma das iniciativas da organização homônima
para estimular o uso de novas tecnologias na educação.
“Sabemos que não somos a única organização
a trabalhar com o tema. Por isso, criamos espaços
como este para difundir e trocar experiências”,
lembrou o vice-presidente do Instituto Claro, Carime
Kanbour. Veja outras iniciativas do Instituto em http://www.institutoclaro.org.br.
Legislação "incompleta"
abranda punição para tráfico de
pessoas
Por Maurício Reimberg, do Repórter Brasil
Para o procurador Mario Luiz Bonsaglia, do Ministério
Público Federal (MPF), Código Penal brasileiro
não atende aos preceitos de protocolos internacionais,
o que resulta em penas menos rígidas para o crime
de tráfico de pessoas.
Cinco anos após ratificar a Convenção
de Palermo da Organização das Nações
Unidas (ONU) e os seus protocolos adicionais - por meio
dos quais assumiu compromissos para o enfrentamento
ao tráfico de pessoas -, o Brasil ainda não
possui leis que dão conta por completo de medidas
para a prevenção do crime, a proteção
às vítimas e a responsabilização
dos envolvidos.
A avaliação é de Mario Luiz Bonsaglia,
da Procuradoria Regional da República da 3ª
Região, que atua em São Paulo e Mato Grosso
do Sul. Doutor em direito do Estado pela Universidade
de São Paulo (USP), ele afirma que a lei penal
é incompleta, o que resulta em punições
brandas para esse tipo de crime. "Não há
um capítulo do Código Penal que cuide
de modo concatenado das diversas hipóteses delitivas
relacionados ao tráfico de pessoas", critica.
O tráfico de pessoas envolve aliciamento, transporte
e exploração.
A Convenção de Palermo é o nome
pelo qual ficou conhecida a "Convenção
das Nações Unidas contra o Crime Organizado
Transnacional", realizada em 1999 na Itália.
Adotada pela ONU em 2000, está em vigor internacionalmente
desde 2003. Os protocolos para "prevenir, suprimir
e punir o tráfico de pessoas, especialmente mulheres
e crianças", "contra o contrabando
de migrantes por terra, ar e mar" e "contra
a fabricação ilegal e o tráfico
de armas de fogo, inclusive peças, acessórios
e munições" complementam o documento
e também foram aceitos formalmente pelo Brasil.
Para Mario, que integra a Procuradoria Federal dos
Direitos do Cidadão (PFDC) do Ministério
Público Federal (MPF), a lei brasileira não
dá tratamento específico a diversas condutas
previstas nos protocolos. Um exemplo dessa "limitação"
está no art. 231 do Código Penal, que
aborda o tráfico internacional de seres humanos.
A lei contempla apenas a hipótese de tráfico
de pessoa referente à prostituição.
O protocolo adicional, contudo, prevê a criminalização
do tráfico voltado a qualquer forma de exploração
sexual, além de orientar punições
para casos de escravidão e de remoção
de órgãos.
Já o protocolo relativo ao combate ao tráfico
de migrantes estipula a criminalização
dessa modalidade sempre que for verificada a finalidade
de obtenção de vantagem financeira ou
material. No entanto, o Código Penal somente
prevê a caracterização de crime
se o recrutamento de trabalhadores for realizado "mediante
fraude".
O procurador federal defende que as formas mais graves
de tráfico de pessoas, como os aliciamentos para
extração de órgãos, deveriam
ser considerados crimes hediondos, permitindo decisões
penais mais rigorosas. O tráfico de mulheres
para fins de prostituição, por exemplo,
ainda está previsto no capítulo dos "crimes
contra os costumes" no Código Penal. "É
certo que o bem jurídico atingido por essa conduta
é a dignidade da pessoa humana. Isso confunde
um pouco as coisas", explica.
Além dos descompassos já existentes,
uma iniciativa da Câmara dos Deputados pode, segundo
Mario, afrouxar ainda mais a criminalização
do tráfico de pessoas. O Projeto de Lei (PL)
nº. 2845/2003, em fase final de tramitação,
propõe pena de 6 a 12 anos em casos de rapto
de criança ou adolescente com a finalidade de
remoção de órgãos, pena
essa que pode ser aumentada para 12 a 30 anos caso a
criança ou adolescente venha a falecer.
“As penas previstas seriam inferiores àquelas
contempladas para casos de extorsão mediante
seqüestro que resulte na morte da vítima
(24 a 30 anos)", lamenta o procurador. O projeto
foi apresentado pelo deputado licenciado Nelson Pelegrino
(PT-BA), com substitutivo do deputado Daniel Almeida
(PCdoB-BA). O texto aguarda parecer na Comissão
de Constituição e Justiça e de
Cidadania (CCJC) da Câmara Federal.
Tráfico
O tráfico de seres humanos é um das atividades
criminosas mais lucrativas do mundo. Segundo dados do
Escritório das Nações Unidas sobre
Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), a
atividade movimenta US$ 32 bilhões por ano. As
quadrilhas são responsáveis anualmente
pelo tráfico ilegal de aproximadamente 2,5 milhões
de pessoas. Relatório divulgado em fevereiro
deste ano aponta ainda que 79% dos casos estão
ligados à exploração sexual, que
na maioria das vezes envolvem mulheres e crianças.
No Brasil, levantamento do MPF, que compilou os resultados
de ações movidas até 2008 para
combater o tráfico de pessoas, mostra que os
casos mais freqüentes são relacionados ao
uso de mão-de-obra escrava: 536 processos. O
tráfico de mulheres para fins de prostituição
aparece em segundo lugar (183 casos). Ao todo, nos tribunais
regionais federais há 115 ações
de combate ao tráfico de pessoas, além
de 817 processos tramitando na primeira instância
da Justiça Federal. Há diversas condenações
transitadas em julgado.
Nos últimos anos, o procurador Mario aponta
uma evolução na formulação
e aplicação de algumas políticas
públicas. Como exemplo, cita a repressão
ao crime de redução de pessoa à
condição análoga à de escravo.
Nesse caso, o aliciamento de trabalhadores é
feito em geral pelo "gato", intermediário
de mão-de-obra no meio rural a serviço
do fazendeiro.
“A fiscalização sistemática
do Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria
com a Polícia Federal e com a participação
de procuradores do Trabalho, tem produzido bons resultados",
avalia. Criado em 1995, o grupo móvel é
o responsável pelas libertações
de trabalhadores no país e está sob coordenação
da Secretaria de Inspeção do Trabalho
(SIT), dentro do MTE.
Plano
Em pronunciamento durante o Seminário Internacional
sobre Tráfico de Pessoas (realizado há
duas semanas no Ministério Público de
São Paulo), o secretário nacional de Justiça
Romeu Tuma Júnior negou que o Brasil seja "negligente"
no combate tráfico de pessoas e disse que o país
está alinhado às normas da Convenção
de Palermo. O evento foi promovido pela Secretaria Nacional
de Justiça (SNJ), em parceria com os Estados
parte e associados ao Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai,
Uruguai, Chile e Venezuela).
No evento, o secretário defendeu uma possível
revisão dos termos do próprio protocolo.
"Até que ponto os países atenderam
às obrigações previstas no Protocolo
de Palermo? O Brasil vem implementando uma política
pública para enfrentar esse crime organizado.
Sendo o tráfico de pessoas um crime dinâmico,
quero ressaltar a necessidade de discutirmos a atualização
ou não do próprio Protocolo", disse
Tuma Júnior. Ele defende a ampliação
de medidas contra o tráfico para fins de remoção
de órgãos.
O Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico
de Pessoas (PNETP) foi aprovado em janeiro do ano passado
e, desde então, está em fase de execução.
O prazo de implementação termina em 2011.
A maioria das prioridades está vinculada a atividades-meio,
como o levantamento de dados e acúmulo de conhecimento,
a capacitação de atores acerca do problema,
o aperfeiçoamento da legislação
brasileira e a padronização de troca de
informações entre órgãos,
inclusive via cooperação internacional.
O aperfeiçoamento da legislação
brasileira relativa ao enfrentamento ao tráfico
de pessoas e crimes correlatos é a prioridades
nº. 6 do PNETP. As metas, a cargo do Ministério
da Justiça, prevêem a elaboração
de dois projetos: um de criação de um
fundo para ações de combate e outro de
uniformização do conceito do problema,
em consonância com a política nacional
e os compromissos internacionais.
Campanha
Tuma Júnior, que é ex-delegado de polícia
e filho do senador Romeu Tuma (PTB-SP), afirma que o
tráfico de pessoas não é um problema
só dos países de origem das vítimas.
Ele reforça que também é preciso
haver uma reação dos locais de destino.
Como exemplo, cita o tráfico de pessoas para
fins de exploração do trabalho. "Tanto
os países de origem como os de destino devem
evitar o consumo de produtos da escravidão, pois
o consumo estimula a prática dessa modalidade
de crime organizado", disse.
Neste mês, o governo irá colocar em prática
a Campanha Nacional de Enfrentamento ao Tráfico
de Pessoas, uma das metas previstas no PNETP. Materiais
de divulgação, como cartazes e folders
explicativos, serão distribuídos em pontos
considerados estratégicos, como aeroportos, rodoviárias,
postos e núcleos de apoio. O enfrentamento ao
tráfico também é meta do Programa
Nacional de Segurança Pública com Cidadania
(Pronasci).
“O objetivo é mobilizar a sociedade como
um todo, obter denúncias, e levar informações
sobre quais órgãos atendem as vítimas",
explica Ricardo Lins, coordenador do Programa para o
Enfrentamento do Tráfico de Pessoas da Secretaria
Nacional de Justiça. A campanha será desenvolvida
em parceria com os estados e municípios, sobretudo
aqueles que já contam com Núcleos de Enfrentamento
ao Tráfico de Pessoas (NETP).
Apesar de ser uma grave violação dos
direitos humanos, sustentada por redes criminosas internacionais,
o tráfico de pessoas ainda passa despercebido
ao lado de outros delitos. A negligência acontece,
segundo o procurador federal, por diversos motivos.
Ele aponta a escassa consciência dos "operadores
do direito" e dos agentes de segurança pública
em relação ao problema como um todo e
certa "falta de foco" da ação
repressiva estatal, já que esse crime está
geralmente associado a outros tipos de infrações.
É possível observar essa conjunção
de fatores na atuação do imigrante irregular
apanhado com documentos falsificados ou na atividade
das "mulas", pessoas encarregadas de transportar
cocaína e outras substâncias entorpecentes,
sobretudo em transporte aéreo. "Frequentemente
elas acabam sendo as únicas responsabilizadas,
e as autoridades não identificam as organizações
criminosas que aliciam tais pessoas", afirma o
procurador.
Os países ricos continuam esquecendo
dos pobres do mundo
Por Sylvia Borren*
Após semanas de negociações, as
conclusões da Conferência de Alto Nível
das Nações Unidas sobre a Crise Financeira
e Econômica, de 24 a 26 de junho, foram enormemente
decepcionantes. A reunião foi uma oportunidade
para continuar apresentando nossas demandas sobre a
crise econômica depois da Conferência de
Doha sobre Financiamento Internacional. O documento
final da Conferência de Nova York acabou aceito
unanimemente. Porém, pouco depois os delegados
dos Estados Unidos indicaram que as estruturas de governo
do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial
e da Organização Mundial do Comércio
não deveriam sofrer influências das decisões
da Organização das Nações
Unidas (o que implica rejeitar o exercício de
uma vigilância democrática sobre essas
instituições).
A União Européia saudou o documento final
e o qualificou de altamente ambicioso, o que resulta
em cinismo quando as nações em desenvolvimento
sentem que foram obrigadas a aceitar um compromisso
muito débil, com apenas um grupo ad hoc da ONU
para continuar o trabalho. As organizações
da sociedade civil, entretanto, estão enfadadas
porque não foram acordadas medidas concretas
de resgate para os mais afetados: mulheres e marginalizados
socialmente. Estima-se que os líderes mundiais
gastaram no ano passado dez vezes mais dinheiro para
resgatar o mundo financeiro do que gastaram em 49 anos
com ajuda ao desenvolvimento, segundo a Campanha do
Milênio das Nações Unidas.
Os mais poderosos dirigentes políticos do mundo
continuam desatendendo a questão dos direitos
humanos, deixando de assumir sua responsabilidade pelos
efeitos da crise econômica e financeira que eles
mesmos causaram. A crise alimentar está afetando
majoritariamente as mulheres, enquanto os jovens de
todo o mundo, que sofrem carências em matéria
de educação e trabalho e não têm
esperança, se voltarão à violência
doméstica ou comunitária como maneira
de desafogar seus problemas. A migração
forçada aumentará.
As boas novas desta Conferência da ONU é
que existem muitas soluções transformadoras
que foram colocadas na mesa e que apontam para a mesma
direção: investir nas pessoas.
São elas:
- Investir nas crianças por meio de uma educação
de qualidade;
- Investir em empregos com salários decentes
para as mulheres no setor da atenção domiciliar;
- Investir em emprego juvenil;
- Investir em serviços públicos de qualidade
na saúde, educação, água
e saneamento;
- Investir em agricultura sustentável em pequena
escala para resolver a crise alimentar;
- Investir em microfinanças como base das economias
locais e das empresas;
- Investir em infra-estrutura ecológica para
adaptar-se à mudança climática
e combatê-la.
Esta é realmente uma época de consensos
sem precedentes. O documento final desta Conferência
da ONU reconhece as causas, o impacto e as responsabilidades
das presentes crises combinadas e adota, embora de forma
muito diluída, algumas destas soluções:
pacotes de estímulo fiscal e econômico,
um chamado para incrementar a adesão aos compromissos
com a Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD)
e o estabelecimento, embora sem um prazo definido, de
um grupo de trabalho ad hoc da Assembléia Geral
da ONU. Além disso, a crise financeira e econômica
ocupa o centro do debate da 64ª sessão da
Assembléia Geral da ONU.
As más notícias são a notável
falta de urgência e de vontade política
para avançar com energia nas muitas soluções
propostas. Os cidadãos do mundo viram como os
líderes dos países desenvolvidos agiram,
com uma velocidade e coragem sem precedentes, para regatar
os bancos. Cerca de US$ 20 trilhões foram usados
e prometidos para aqueles que foram os maiores causadores
da crise atual. Entretanto, nem mesmo um terço
dos US$ 30 bilhões pedidos na reunião
de Alto Nível da ONU sobre a Crise Alimentar,
de um ano atrás, foi colocado à disposição
até agora.
A Comissão Stiglitz recomenda que 1% dos pacotes
de estímulo dos países desenvolvidos se
destine ao mundo em desenvolvimento, além da
AOD prometida. Esta recomendação (que
destinaria ao mundo em desenvolvimento US$ 200 bilhões)
não foi aditada pela Conferência de Nova
York. Pessoalmente, penso que a solução
é gastar dólar por dólar em investimentos
nas pessoas, que a sociedade civil, incluindo os sindicatos,
está exigindo, ou seja, em soluções
sustentáveis para o desenvolvimento. Assim, dos
US$ 20 trilhões usados para resgate de bancos
e grandes corporações empresariais, pelo
menos metade deveria ter sido investida nas pessoas,
nos países em desenvolvimento.
Então, qual a nossa conclusão? Que as
vozes dos pobres e dos milhões de cidadãos
organizados em sindicatos e grupos contra a pobreza
aparentemente não são tão importantes
como as dos bancos e das grandes corporações.
Nossos dirigentes fornecem um pacote de resgate cuja
maior parte foi para a elite econômica e virtualmente
nada aos dois bilhões de mulheres, crianças,
idosos e socialmente excluídos que se encontram
na parte mais baixa da pirâmide econômica,
que serão os mais afetados. Esta é a crise
moral da liderança que estamos enfrentando atualmente
no mundo e não se viu nenhuma melhoria a respeito
nesta Conferência da ONU.
Por outro lado, embora nesta Conferência tenha
havido a tentativa de programar algumas soluções,
a maioria das nações ricas as bloquearam.
As mulheres e os homens que vivem na pobreza, os milhões
de cidadãos organizados em sindicatos e em movimentos
sociais, os 116,9 milhões que aderiram ao Chamado
Mundial à Ação Contra a Pobreza
(GCAP) no ano passado, agora terão de pressionar
os líderes do G-8, que começam a se reunir
antidemocraticamente no dia 8 deste mês.
* Sylvia Borren é copresidente do Chamado Mundial
à Ação Contra a Pobreza (CGAP)
e da Worldconnectors.
UIT quer combater o aquecimento global
Por Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York
A União Internacional de Telecomunicações,
UIT, realiza a partir desta quarta-feira em Quito, no
Equador, um simpósio sobre Tecnologias de Informação
e Comunicação e Mudanças Climáticas.
Simpósio propõe formas para reduzir a
emissão de carbono nas tecnologias de informação
e comunicação. O evento da agência
das Nações Unidas acontece em parceria
com o Centro Internacional de Investigação
Científica de Telecomunicações
e Comunicação do Equador.
Tecnologia Verde
O simpósio da UIT reunirá, durante três
dias, especialistas em telecomunicações,
engenheiros e representantes de governos para avaliarem
formas de redução da emissão de
carbono no setor das telecomunicações.
Os participantes do encontro debaterão a criação
de tecnologias de monitoramento climático e desmatamento
e o papel das tecnologias de informação
em situações de emergência.
A reunião também irá analisar
as necessidades tecnológicas dos países
em desenvolvimento.
A UIT sublinhou a importância da comunicação
na redução do aquecimento global durante
a Conferência sobre Mudanças Climáticas
em Bali, na Indonésia, em 2007 e na Conferência
de Poznan, na Polônia, em 2008.
Deputados tentam 'ressuscitar' emenda que isenta
rodovias já existentes de licenciamento ambiental
Por Redação do Amazonia.org.br
Deputados e Senadores estão usando a Medida
Provisória (MP) 462 para ressuscitar uma polêmica
mudança na legislação ambiental.
Apesar de ter sido criada inicialmente para socorrer
as prefeituras, por meio de um reforço do Fundo
de Participação dos Municípios
(FPM), a MP 462 pode receber uma emenda para isentar
de licenciamento prévio para obras de recuperação,
pavimentação e duplicação
de rodovias existentes.
Informações do jornal Valor Econômico
revelam que Sandro Mabel (PR-GO) está propenso
a incluir uma emendar simplificando o processo de licenciamento
para rodovias que constam no Plano Nacional de Viação,
de 1979. Será realizada hoje (7) uma reunião
com lideranças da Câmara para debate o
assunto, e segundo jornal, pretendem bater o martelo,
já que o caso não seja votada, a MP 462
trancará a pauta de votações.
Sandro Mabel é relator da MP e faz parte do
mesmo partido que Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes
que aparece como provável candidato ao governo
do Amazonas em 2011. A medida já causou polêmica
quando foi incluída no texto da MP 452, que tratava
sobre o Fundo Soberano do Brasil. A medida, no entanto,
perdeu a validade e fez com que o Congresso investisse
nessa nova tentativa.
O artigo incluído por Mabel dispensa o estudo
de impacto ambienta (EIA) e o relatório de impacto
ambienta (RIMA) de obras rodoviárias federais
de pavimentação, melhoramento, adequação
e ampliação da capacidade, considerando
estas obras de pouco impacto ambiental. Também
foi acrescentado prazo para emissões das licenças
ambientais. O texto estabelece o limite de 90 dias para
que seja concedida na fase preliminar do planejamento
a autorização para a retirada da vegetação
para a execução da obra. E licenças
de operação têm 60 dias para serem
concedidas.
Michel Temer (PMDB-SP), presidente da Câmara
dos Deputados tenta vetar a inclusão de "emendas-contrabandos"
nos textos das Mps, mas a norma valerá somente
a partir da MP 646, que foi editada em 9 de junho deste
ano.
Ibama intercepta mais de mil toneladas de lixo
enviado da Inglaterra ao Brasil
Por Bruno Bocchini, da Agência Brasil
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) interceptou a importação
de mais de mil toneladas de lixo doméstico provenientes
da Inglaterra. Foram 293 toneladas encontradas no Porto
de Santos e 754 toneladas no Porto de Rio Grande (Rio
Grande do Sul). Os contêineres continham restos
de alimentos e embalagens sujas de produtos de limpeza.
A empresa importadora havia informado originalmente
que a carga era composta por polímeros de etileno
e resíduos plásticos. A chefe regional
do Ibama, Ingrid Oberg, afirmou que estava aguardando
uma autorização do órgão
em Brasília para poder informar o nome da empresa
importadora, sediada no Rio Grande do Sul.
“Nós não conseguimos nem contato
com a empresa importadora. Nós estamos mandando
a multa [por infração ambiental] pelo
correio. Nós estamos multando e notificando os
importadores a devolverem essa carga”, disse Ingrid
Oberg.
O Ibama irá encaminhar denúncia ao Ministério
Público Federal (MPF), que poderá acionar
a Polícia Federal para investigar se houve má-fé
da empresa importadora.
Ativistas do Greenpeace entregam o “mundo”
ao presidente Lula
Por Redação do Greenpeace
Ativista brasileiro do Greenpeace entrega o “mundo”
à Lula na França. Globo inflável
foi entregue ao presidente para cobrá-lo de seu
compromisso com o meio ambiente e o combate às
mudanças climáticas.
O Greenpeace fez um protesto desta terça-feira
(7/7) na França para cobrar do presidente Lula
responsabilidade com a proteção da Amazônia
e com o combate ao aquecimento global. A urgência
de medidas contra as mudanças climáticas
foi simbolizada por um globo inflável que os
ativistas entregaram ao presidente durante cerimônia
na sede da UNESCO (Organização das Nações
Unidas para Educação, Ciência e
Cultura), onde Lula recebeu o prêmio Paz Félix
Houphouët-Boigny. Na faixa estendida pelos ativistas
estava escrito: Salve o Planeta, Salve a Amazônia.
Quase simultaneamente, outros ativistas do Greenpeace
faziam outro protesto. Paris foi cenário de outra
manifestação. Dessa vez, o alvo foi o
presidente francês Sarkosy. Uma calota de gelo
inflável de 16 metros, simbolizando as geleiras
que estão derretendo com o aquecimento global,
foi colocada no Rio Sena. Nas faixas, o Greenpeace pede
para Sarkozy liderar as discussões climáticas
na reunião que do G-8 (sete países mais
ricos do mundo, mais a Rússia), em L’Aquila
(Itália) que tem início amanhã.
Os países mais ricos são os campeões
de emissão. Os líderes desses países
podem esperar mais manifestações durante
a reunião na Itália.
A vergonha do Brasil
O desmatamento da Amazônia coloca o Brasil na
vergonhosa posição de quarto maior emissor
mundial de gases do efeito estufa. “Existe uma
enorme distância entre o discurso internacional
do presidente e o que o governo brasileiro está
realmente fazendo para proteger a floresta”, disse
João Talocchi, coordenador da campanha de clima.
“Está na hora do Presidente Lula provar
que seu discurso é real e que a proteção
da Amazônia é uma prioridade para o governo
brasileiro”. (Leia no nosso blog o relato do coordenador
da campanha do clima sobre a ação).
Para impedir um aquecimento maior que 2º na temperatura
média da Terra, o que provocaria desastres ambientais
irreversíveis, o presidente Lula, e os chefes
de estado, precisam assumir pessoalmente a responsabilidades
pelo acordo climático que será fechado
em Copenhague no final deste ano para dar continuidade
ao protocolo de Kyoto, que expira em 2012. “O
presidente Lula pode colocar o Brasil na liderança
das soluções para crise do clima, se comprometendo
com o desmatamento zero em 2015 e com a valorização
da floresta em pé”, disse Talocchi.
Em dezembro de 2008, por exemplo, durante a última
reunião da convenção do clima na
Polônia, o Brasil assumiu uma meta nacional de
redução do desmatamento. No entanto, recentemente
o presidente Lula sancionou a Medida Provisória
(MP) 458 que vai incentivar a grilagem de terras públicas
na Amazônia, incentivando a destruição
da maior floresta tropical do mundo. Agora, o deputado
Sandro Mabel (PR) tenta aproveitar a MP 462 - a última
antes da regra que proíbe embutir nas medidas
provisórias assuntos que não têm
nada a ver com seu objeto principal – para aprovar
emenda que dispensa de licenciamento as obras da BR
319, que liga Manaus a Porto Velho. O tema da MP 462
é auxílio financeiro aos municípios.
Incoerência - A próxima
ofensiva contra a Amazônia será a discussão
do código florestal, que deve para acontecer
até o final deste ano. A proposta defendida pela
senadora Kátia Abreu e pelo Ministro da Agricultura,
Reinhold Stephanes, pretende enfraquecer a legislação
ambiental, absolvendo o Governo Federal da responsabilidade
de proteger a Amazônia e transferindo para os
Estados essa tarefa, o que permitirá intervenções
que atendam exclusivamente aos interesses locais. “Ao
mesmo tempo em que recolhe dinheiro internacional para
proteger a floresta, o governo brasileiro incentiva
e financia atividades que destroem a Amazônia”,
alertou Talocchi.
Uma das principais frentes de atuação
internacional do governo brasileiro tem sido a arrecadação
de recursos para o Fundo Amazônia, que tem como
objetivo proteger a floresta por meio de incentivos
financeiros. No entanto, o BNDES, banco público
que gerencia os recursos do Fundo, foi recentemente
denunciado pelo Greenpeace, no relatório a Farra
do Boi, como cúmplice do desmatamento da Amazônia,
por financiar a expansão da pecuária e
ser sócio de frigoríficos que atuam na
região. A pecuária hoje é a principal
causa da destruição da Amazônia.
De acordo com dados do governo, o setor é responsável
por cerca de 80% de todo o desmatamento da região
amazônica.
Da França, Lula segue para Itália para
participar do encontro do G-8 com o G-5 (grupo formado
por Brasil, México, Índia, África
do Sul e China).
Dilma, a fraude
Josias de Souza/Folha Online - O currículo de
Dilma Rousseff passou por uma lipoaspiração.
Até a última quinta (2), Dilma era apresentada
no portal da Casa Civil como: 1. “Mestre em teoria
econômica”; 2. “Doutoranda em economia
monetária e financeira pela Unicamp”. Na
sexta (3), ela perdeu o título de mestre e a
pretensão a doutora. A musculatura acadêmica
fora obtida por meio de anabolizantes. Deve-se à
revista ‘Piauí’ a realização
do exame anti-doping. Ouvida pela revista, a Unicamp
disse que Dilma não é mestre nem doutora.
Pilhada, a ministra reconheceu: não concluiu
o mestrado. Faltou a dissertação. E abandonou
o doutorado”. Depois de lipoaspirado, o novo perfil
de Dilma ficou assim: “[...] Foi aluna de mestrado
e doutorado em Ciências Econômicas pela
Universidade de Campinas, onde concluiu os respectivos
créditos”. Coisa feia!
Mundo está saindo da recessão,
mas devagar
O Fundo Monetário Internacional apresentou ontem
suas projeções para a economia mundial
em 2011 e vê sinais de recuperação
da crise financeira já no ano que vem, embora
de forma lenta, como relata o Financial Times. “A
retomada está vindo”, disse o economista-chefe
do Fundo, Olivier Blanchard, “mas provavelmente
será uma retomada enfraquecida”. O crescimento
global projetado pelo FMI em 2011 é de 2,5%,
e este ano deve terminar com retração
de 1,4%. Para o Brasil, a estimativa é de recessão
de 1,3% agora e crescimento de 2,5% no próximo
ano.
Fundação José Sarney desviava
recursos da Petrobras
A manchete do Estadão compromete mais a já
combalida imagem do presidente do Senado, José
Sarney (PMDB-AP). Segundo o jornal, a Fundação
José Sarney – criada pelo próprio
senador para manter um museu com o acervo da época
em que foi presidente da República – desviou
para empresas fantasmas e outras da família verba
da Petrobras repassada para um projeto cultural que
nunca saiu do papel. “Do total de R$ 1,3 milhão
repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram
parar em contas de empresas prestadoras de serviço
com endereços fictícios em São
Luís (MA) e até em uma conta paralela
que nada tem a ver com o projeto”, afirma a reportagem.
Uma das empresas que teriam prestado serviços
(Ação Livros e Eventos) à Fundação
é de um aliado de Sarney no Maranhão e
emitiu 30 notas fiscais sequenciais, como se a firma
tivesse só a fundação como cliente.
“Uma das sócias, Alci Maria Lima, que assina
recibos anexados à prestação de
contas, nem sabe dizer que tipo de serviço a
empresa prestou. 'Eu assinei o recibo, mas não
sei o que foi que a empresa fez, não'.