CNRH debate construção de eclusas em
hidrelétricas
O objetivo é adotar planejamento integrado,
que contemple todos os setores envolvidos.
O Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH)
pretende, até o final do ano, apresentar ao Congresso
Nacional uma proposta de projeto de lei com o objetivo
de regulamentar a discussão sobre a obrigatoriedade
da construção de eclusas em empreendimentos
hidrelétricos. Há seis anos está
em debate a questão do uso múltiplo dos
recursos hídricos, envolvendo principalmente
o setor hidrelétrico e de transporte. O que se
quer é a adoção de um planejamento
integrado que contemple a construção de
hidrelétricas com o favorecimento da navegabilidade
dos rios brasileiros.
No momento, tramita na Comissão de Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável da Câmara
dos Deputados um substitutivo sobre o assunto de autoria
do deputado Arnaldo Jardim (PL 3009). O objetivo do
CNRH é apresentar uma outra proposta que contemple
o mais amplo arco de interesse dos setores envolvidos
na discussão, com um mínimo de conflito
entre eles.
Para tanto, a Câmara Técnica de Análise
de Projetos (CTAP) está promovendo, desde ontem
(20) e continua hoje (21), uma série de debates
sobre o assunto com informações da área
governamental, empresarial e da sociedade civil. A 68ª
reunião da CTAP vem sendo realizada no prédio
do MMA, da 505 Sul, e os debates de hoje começam
às 8h30. Segundo o presidente da Comissão,
Cristiano Zinato, o objetivo do encontro é o
de finalizar o processo de discussão sobre o
assunto, propondo ao Congresso um texto que reflita
uma forma de consenso dos interessados a fim de evitar
a aprovação de uma lei que possa resultar
em prejuízo ao interesse nacional.
De acordo com Zinato, os principais conflitos existentes,
no momento, entre os diversos atores referem-se principalmente
à falta de sintonia entre os níveis de
planejamento e entre os setores hidrelétrico
e de transporte. "Também existe um grau
de conflito para definir quem arcará com o custo
da construção das eclusas, sobre quem
será responsável pela operação
do sistema e sobre a partir de qual potência (da
hidrelétrica) passaria a ser obrigatória
a construção de eclusas nos empreendimentos
hidrelétricos", disse o presidente.
Nos debates de ontem, os conselheiros ouviram exposições
dos representantes dos ministérios dos Transportes
e de Minas e Energia e também de um representante
dos concessionários de hidrelétricas.
Os debates tiveram a participação de representantes
do Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes,
da Agência de Transportes Aquaviários (Antaq),
entre outros. Para hoje (21), estão previstas
discussões envolvendo a transposição
de peixes e agro negócios.
MMA e Ibama preparam comunicação ao
MRE sobre lixo em portos brasileiros
As providências que devem definir o destino dos
carregamentos de lixo doméstico provenientes
da Inglaterra já estão sendo tomadas pelo
Ministério do Meio Ambiente (MMA) e pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama). Técnicos dos dois
órgãos se reuniram ontem (20) para debater
o formato da comunicação oficial do problema
que será encaminhada ao Ministério das
Relações Exteriores (MRE) ainda nesta
semana. Caberá ao MRE avaliar as medidas diplomáticas.
O material está distribuído em contêineres
nos portos de Rio Grande (RS) e de Santos (SP). A carga
foi importada como sendo "polímeros recicláveis"
(plástico), mas, ao avaliar o conteúdo,
a Receita Federal do Brasil verificou que se tratava
de lixo doméstico o que torna a importação
ilegal. O carregamento começou a chegar ao País
em fevereiro deste ano. O ilícito fere a legislação
brasileira de crimes ambientais e a Convenção
de Basiléia, da qual são signatários
Brasil e Inglaterra, entre outros países.
De acordo com Rosaura Morais, da Gerência de
Segurança Química do MMA, o Ministério
preencherá formulário específico
indicado pela Convenção nesses casos.
O documento será entregue ao MRE junto a um relatório
que está sendo finalizado pelo Ibama, em que
toda a cronologia do problema é contada, bem
como as ações já adotadas pelo
órgão.
Em nível administrativo, o Ibama aplicou multas
às empresas envolvidas e identificadas até
o momento. De acordo com Gilberto Werneck de Capistrano
Filho, analista ambiental do Ibama, algumas delas já
demonstraram disposição em repatriar a
carga. "Todos os procedimentos estão sendo
rigorosamente seguidos", garantiu.
Programa Água Doce inaugura unidade demonstrativa
em Alagoas
O Ministério do Meio Ambiente (MMA) inaugura,
hoje (21), mais uma Unidade Demonstrativa do Programa
Água Doce. Desta vez, na comunidade de Impueiras,
localizada no município de Estrela de Alagoas
(AL), a 150 km de Maceió. "A unidade de
Impueiras é a primeira do contrato entre o ministério
e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social), que ainda prevê a inauguração
de outras dez", conta Henrique Veiga, da Secretaria
de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do MMA.
De acordo com o analista ambiental, o principal objetivo
do Água Doce é garantir água potável
às comunidades rurais difusas do semi-árido,
por meio de sistemas de dessalinização.
"Esse é o foco principal do programa, mas
ele também incorpora os cuidados ambientais e
com a saúde da população",
diz. A UD de Impueiras é a quarta inaugurada
desde 2007. A primeira foi instalada no assentamento
de Caatinga Grande, em São José do Seridó,
no Rio Grande do Norte.
Na UD, a água é retirada do subterrâneo
por meio de poços tubulares. Em seguida, passa
por um processo de dessalinização, já
que no semi-árido, área de atuação
do projeto, boa parte dela é salobra. "Depois
do procedimento, metade se torna potável, boa
para o consumo, e a outra metade vira um concentrado
salino", explica Veiga.
Segundo ele, em um primeiro momento o concentrado é
aproveitado em tanques para a criação
de tilápias. Depois, serve para irrigar plantações
de erva-sal, uma planta capaz de retirar sal do solo
e que serve de alimento para bovinos e caprinos. "A
administração da unidade é feita
mediante a elaboração de um Acordo de
Gestão, que envolve a comunidade, a prefeitura
e o governo estadual", informa o analista.
Henrique Veiga conta que o Água Doce está
presente nos estados do Nordeste e em Minas Gerais.
Os recursos são provenientes do próprio
MMA e de parceiros, como a Fundação Banco
do Brasil e o BNDES, que custeou a implantação
da UD de Impueiras. O programa conta, ainda, com parceiros
técnicos, como a Embrapa Semi-árido e
a Embrapa Meio Ambiente, o Dnocs, a Universidade Federal
de Campina Grande e a Associação Técnico-Científica
Ernesto Luiz de Oliveira Junior.
Água potável
Lançado em 2004, o Programa Água Doce
reforça o compromisso do governo federal em garantir
o acesso à água de boa qualidade para
a população do semi-árido, por
meio do estabelecimento de uma política pública
permanente. As comunidades beneficiadas são escolhidas
com base nos índices pluviométricos, de
mortalidade infantil, Desenvolvimento Humano, e na ausência
ou dificuldade de acesso a outras fontes de abastecimento
de água potável. Na comunidade de Impueiras,
em Alagoas, fundada em 1890, residem 210 famílias,
totalizando 1.050 habitantes.
Ministério realiza seminários, por videoconferência,
sobre mudanças climáticas
As secretarias de Articulação Institucional
e Cidadania Ambiental (Saic) e de Mudanças Climáticas
e Qualidade Ambiental (SMCQ) realizam uma série
de seminários temáticos, de julho a dezembro,
por meio de videoconferências, para discutir as
mudanças climáticas, a fim de aumentar
a conscientização sobre as ações
necessárias para enfrentar as mudanças
do clima e divulgar informações a respeito
do tema e seus impactos. O evento será realizado
em parceria com o Departamento de Coordenação
do Sisnama (DSIS) e do Instituto do Banco Mundial (WBI).
A primeira etapa acontece hoje (21), às 15h,
com o seminário "A Ciência das Mudanças
Climáticas". O especialista em políticas
públicas da SMCQ, Sérgio Cortizo, vai
participar da videoconferência, debatendo o que
a ciência sabe sobre a questão da mudança
do clima, avaliando o tema em diversas abordagens.
Os próximos quatro seminários vão
discutir Vulnerabilidade e Impactos (15/09), Adaptação
e Mitigação (06/10), As Instituições
Internacionais de Mudanças Climáticas
(03/11) e O Brasil e as Mudanças climáticas
- Plano Nacional sobre Mudança do Clima (01/12),
com a participação de técnicos
do MMA. Os eventos serão transmitidos ao vivo,
para todo o Brasil, via internet, nos seguintes endereços
eletrônicos: http://vcg01.worldbank.orglvclindex.php
e http://streaming7.worldback.orhwllivestream13
.
As inscrições para acompanhar e participar
das discussões devem ser feitas por e-mail, até
às 11h do dia do seminário, separado por
região: centro-oeste para lucia.aragao@mma.govbr
norte para ana-claudia.nogueira@mma.gov.br, sudeste
carlos.alves@mma.gov.br,
nordeste para paulo.lima@mma.gov.br e sul para geraldo.abreu@mma.gov.br.
Para cada tema é preciso fazer um novo cadastro
Os debates não encerrarão nas videoconferências.
Para cada seminário será criado um fórum
de discussão on-line, onde os participantes poderão,
durante duas semanas, tirarem suas dúvidas e
se inteirar mais sobre o assunto. O fórum e outras
informações sobre o evento estão
disponíveis no site http://ead.mma.gov.br.
Esta é a vigésima videoconferência
pela internet realizada pelo DSIS e WBI, desde 2006.
Os seminários temáticos são voltados
a gestores municipais, delegados da Conferência
Nacional do Meio Ambiente e representantes da sociedade
civil, setor empresarial e governamental interessados
no temas.