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Nelson Tembra

Engenheiro Agrônomo
Agronomist Engineer
nelsontembra@click21.com.br

 

Correio do meio @mbiente

quinta-feira, 25/06/09 - 18h30

Desmatamento na Amazônia cai 89% no mês de maio

Ministro afirma que teremos o menor índice de desmatamento dos últimos 20 anos

O desmatamento na Amazônia caiu 89% em maio deste ano, em comparação com o mesmo mês em 2008. De acordo com o Instituto de Pesquisa Espacial (Inpe), responsável pela divulgação dos dados, o total da área desmatada foi de 123 Km².

Em coletiva de imprensa no início da tarde de ontem (24), o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a expectativa é de que "teremos o menor índice de desmatamento dos últimos 20 anos".

Minc declarou ainda que a soma do desmatamento dos cinco primeiros meses deste ano é menor do que a taxa do mês de abril do ano passado. O Mato Grosso foi o estado brasileiro com o maior índice de desmatamento (61%), seguido por Roraima (17,72%) e Maranhão (17,63%). O sistema utilizado para a medição foi o Deter (Detecção do Desmatamento em Tempo Real). Na medição deste ano, a cobertura de nuvens foi de 62%, em contraponto aos 46% do mesmo período no ano passado.

De acordo com o ministro, as causas da redução estão relacionadas aos pactos com os setores produtivos de soja e madeira, ao aumento da aplicação de multas, à Operação Arco Verde e à atuação do Ibama em conjunto com a Força Nacional e as Polícias Federal e Rodoviária, que realizaram intensas operações de fiscalização e apreensão em toda a região. Ele acrescentou que todo o Governo Federal está empenhado em reduzir drasticamente a devastação na Amazônia. "Nossa meta é alcançar em 2017 o desmatamento zero", completou.

Minc também anunciou o pacto que será firmado com o Ministério do Desenvolvimento Social para sanar o custo social da operação Arco Verde. O novo pacto prevê a piscicultura, o manejo florestal e a agricultura de baixo impacto como alternativas de trabalho para as pessoas que antes trabalhavam em atividades ilegais. "Graças a ações como estas conseguimos chegar a esta redução, mas cada vez que fechamos uma serraria, por exemplo, sabemos que ocorre o desemprego entre a população local", completou o ministro.

O delegado da Polícia Federal, Álvaro Palharini, da Divisão de Crimes contra o Meio Ambiente destacou a parceria entre Ibama, Força Nacional e Polícia Rodoviária e afirmou que nunca houve um trabalho de fiscalização "tão intenso e árduo" quanto agora, o que resultou na expressiva queda do desmatamento. Ele citou a importância das operações Arco Verde e Portal - que controla o escoamento de madeira dos estados do Acre, Rondônia, do sul do Amazonas e do noroeste do Mato Grosso.

Segundo o diretor do Ibama, Luciano Evaristo, das 300 operações planejadas para este ano, 103 já foram realizadas entre janeiro e junho. A maior parte das ações estratégicas será executada no período crítico da seca que teve início em maio e se estende até agosto. Do começo do ano até agora, o Ibama já aplicou um total de 1.102 multas, o que equivale a aproximadamente R$806 milhões.

Minc esclareceu ainda que a regularização fundiária na Amazônia, associada ao Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), também pode contribuir para o controle do desmatamento, uma vez que a regularização das propriedades facilita a fiscalização.

Minc chama de histórica decisão do STF sobre o fim da importação de pneus usados

"Essa é uma decisão histórica". Foi assim que o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, recebeu a notícia sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal de julgar procedente a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 101, na qual o presidente da República alegava que a importação de pneus usados e inservíveis fere a Constituição Federal. O colegiado aprovou por 8 votos a 1 (ministro Marco Aurélio) a procedência da ADIN acompanhando o voto da relatora, ministra Carmen Lúcia.

"Eu Acho que foi um gesto importantíssimo, por que há o hábito de se usar países em desenvolvimento para servirem de receptáculo de lixo químico de outros países. Eu acho muito bom que o Brasil tenha firmado, com base nos princípios da ecologia, da saúde, da preocupação, a posição de não importar pneu usado inservível de outros países", disse o ministro.

Para Minc, o Supremo está sendo um grande aliado dos ambientalistas. "As causas ambientalistas que durante tanto tempo foram consideradas supérfluas, exóticas e algumas até insanas, hoje têm acolhida do mais importante Tribunal do País. Bons tempos esses", comemorou.

A ministra Carmen Lúcia, em seu relatório, sustentou "que parece inegável a conclusão de que, em nome da garantia do pleno emprego" - dado essencial e constitucionalmente assegurado -, não está autorizado o descumprimento dos preceitos constitucionais fundamentais relativos à saúde e ao meio ambiente ecologicamente equilibrado".

Ela afirmou ainda que "a reforma de pneus há que ser enfrentada pelo Brasil, nos termos da legislação vigente, quanto aos pneus que já estão desembaraçados no território nacional e que aqui são produzidos e descartados. Quando, para o desenvolvimento das atividades de recuperação ou reforma de pneus, as empresas preferem importar pneus usados de outros países, importam-se também problemas para o desenvolvimento sustentável, porque se deixa de recolher os milhões de pneus usados na grande frota nacional e aumenta-se o passivo ambiental, o qual, por sua própria condição, é de difícil degradação e armazenamento".

A ação foi proposta, em setembro de 2006, pelo presidente da República, por intermédio da Advocacia Geral da União, questionando decisões judiciais que permitiram a importação de pneus usados. O governo utilizou como principal fundamento o artigo 225 da Constituição Federal (CF), que assegura a todos o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, ameaçado pela incineração e pelo depósito de pneus velhos.

Minc defende na Câmara retomada do diálogo com ruralistas 01

Após 10 minutos de depoimento e 5 horas de debates em audiência pública ontem (24), na Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara os Deputados, o ministro Carlos Minc se retratou das afirmações feitas durante passeata no movimento Grito da Terra, no dia 28 de maio, e defendeu a retomada do diálogo com o setor da agricultura empresarial e com a bancada ruralista. Minc foi inquirido por trinta e seis parlamentares sobre assuntos diversos, numa reedição de audiência anterior na Comissão do Meio Ambiente onde esclareceu sua participação na marcha da maconha. Falou sobre as possíveis reformas no código florestal, lei de crimes ambientais, matriz energética, Zoneamento Ecológico-Econômico e até questões ambientais regionais, como o código estadual de Santa Catarina.

Minc afirmou que retirava as palavras ditas em momento de empolgação. "Vou além do simples pedido de desculpas pelas palavras, que não refletem minha maneira de pensar", afirmou. O ministro reiterou, no entanto, suas posições com relação à preservação dos biomas brasileiros. Ele deixou a audiência elogiando o clima dos debates, mesmo tendo sofrido duras críticas e "palavras bem mais ásperas de alguns parlamentares", que na sua avaliação também mereceriam pedidos de desculpas de congressistas.

Durante a sabatina, Minc teve de explicar a política ambiental do governo, com destaque para as questões envolvendo a Amazônia. Vários deputados pediram a moratória da lei de crimes ambientais, alegando que o prazo dado para a recomposição das áreas degradadas, que vence em dezembro, é pequeno para os produtores se adequarem. Minc lembrou que o governo colocou à disposição dos agricultores créditos de um milhão de reais para investimentos narecuperação de Áreas de Preservação Permanente e Reserva Legal.

O ministro anunciou que está pronto o pacto com a agricultura familiar, que deverá beneficiar 90 por cento dos agricultores do País. Segundo ele, o Ministério do Meio Ambiente pretende estender a experiência para outros setores da economia, a começar pela agricultura empresarial. Ele ouviu dos ruralistas que a atividade é responsável por 80 por cento do superávit da balança comercial brasileira, seguido de vários pedidos para que trate o setor isonomicamente com a agricultura familiar. Minc voltou a defender um tratamento diferenciado para o pequeno agricultor, mas se colocou à disposição para estudar um acordo com os grandes. "Sou um negociador", afirmou. Ele ouviu dos parlamentares que todos no Congresso são favoráveis a que não se corte nenhuma árvore, pois há áreas suficientes para a agricultura. "Isso é música para os meus ouvidos", comentou.

Minc defende na Câmara retomada do diálogo com ruralistas 02

Ele lembrou os acordos firmados com a grande produção de soja, a madeira legal e o setor sucroalcooleiro para que a cana não avance sobre o Pantanal e Amazônia. Criticado por suposta influência na proibição da compra de gado criado em áreas de desmatamento, ele falou aos parlamentares que isso poderia ter sido evitado se os frigoríficos tivessem selado a moratória da carne no ano passado. "O acordo estava pronto e na última hora eles não assinaram alegando estarem sendo afetados pela crise econômica", disse.

O Código Florestal brasileiro foi duramente atacado por vários parlamentares. O ministro afirmou que é sensível à necessidade de mudanças, desde que não desfigurem os aspectos de proteção ambiental. Minc refutou a tese de que o País não precisa de áreas tão grandes de proteção ambiental com dados do aumento do número de espécies em extinção, que triplicou. Alguns parlamentares pediram a revogação de decretos que regulamentam a lei. "Quem revoga artigos é o presidente Lula", disse.

O ministro agradeceu aos parlamentares a oportunidade de esclarecer suas declarações e se colocou à disposição para novas conversas, lembrando ser essa a 33ª vez, em um ano à frente da pasta do Meio Ambiente, que vai ao Congresso. "Sempre virei, quer seja convidado, convocado ou por moto próprio", garantiu.

Para brecar o movimento "Fora Sarney", presidente do Senado passa a ser tutelado

Levantamento feito pela Consultoria de Orçamento do Senado descobriu R$ 3.740.994,13 depositados em duas contas na CEF, fora da conta única do Tesouro. Os gastos não ficam detalhados no Siaf - o sistema de acompanhamento de gastos do governo federal. O presidente da Comissão de Fiscalização e Controle, senador Renato Casagrande (PSB-ES), agora quer saber quem movimentava essas contas e quanto dinheiro passou por elas nos últimos cinco anos.

O senador José Sarney (PMDB-AP) desde ontem (24) passou a ser tutelado na presidência da Casa. Para evitar que ganhasse corpo o movimento "Fora Sarney", ele demitiu o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo, e abdicou de fazer o sucessor. Coube ao primeiro-secretário, Heráclito Fortes (DEM-PI), fazer a nomeação.

Sarney também concordou - depois de relutar - em acionar o Ministério Público e o TCU para ajudar nas investigações dos desmandos no Senado. A previsão é a que seu vice, Marconi Perillo (PSDB-GO), assuma cada vez mais funções no plenário. E as decisões da Mesa terão agora que passar pelos 81 senadores.

Para Casagrande, "a prática é preocupante porque pode permitir a realização de negócios fora do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal". Este sistema é um dos principais meios de fiscalização dos gastos públicos. O senador qualifica a ação como um “risco desnecessário” para o Senado.

O senador José Nery (P-SOL-PA) apresentou ontem requerimento propondo a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a existência de atos administrativos secretos na instituição e a prática de corrupção envolvendo os contratos com empresas autorizadas a oferecer crédito consignado a servidores do órgão. Para que a CPI seja criada, é preciso que pelo menos 27 senadores assinem o requerimento.

Também foi divulgado o relatório final de uma comissão interna que detectou a existência de 312 boletins administrativos, contendo 663 atos, com problemas de publicação, que ficaram conhecidos como "atos secretos". A maior parte desses atos foi assinada pelo ex-diretor-geral Agacial Maia, que permaneceu no cargo por 14 anos e foi exonerado da função há quatro meses, após denúncias de que ele teria omitido da Receita Federal a propriedade de uma mansão em Brasília, avaliada em R$ 5 milhões.

Outro escândalo no Senado ocorreu em razão das denúncias de que o ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi usou "laranjas" para acobertar sua participação em empresas autorizadas a trabalhar com empréstimo consignado com desconto em folha de pagamento na Casa. Zoghbi, seu filho e outros dois sócios tiveram o pedido de indiciamento feito pela Polícia do Senado, após investigação sobre o caso. O inquérito tramita na Polícia Federal.

O ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia, apontado como principal responsável pelos "atos secretos", poderá, se quiser, ser defendido pelos advogados da Casa. Um ato baixado em 2008 dá a ele esse direito.

Alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de corrupção, o esquema do crédito consignado para servidores no Senado inclui entre seus operadores José Adriano Cordeiro Sarney - neto do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), informam hoje (25) os repórteres Rodrigo Rangel e Rosa Costa, do jornal O Estado de S. Paulo.

De 2007 até hoje, a empresa hoje José Adriano teve autorização de seis bancos para intermediar a concessão de empréstimos com desconto na folha de pagamento. Filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA), ele disse ao Estadão que "sua empresa fatura por ano menos de R$ 5 milhões".

José Adriano abriu a firma quatro meses depois que o então diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, inaugurou assessoria para intermediar os contratos, pivô de escândalo que custou seu cargo. O caso da empresa do neto de Sarney segue igual receita.

O jornal paulista estima que, nos últimos três anos, o negócio dos empréstimos consignados tenha movimentado mais de R$ 1,2 bilhão no Senado.

Fonte: www.espacovital.com.br

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