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Nelson Tembra

Engenheiro Agrônomo
Agronomist Engineer
nelsontembra@click21.com.br

 

Correio do meio @mbiente

terça-feira, 30/06/09 - 13h00

Cidades de baixo IDH ganharão capacitação

por Fábio Brandt, do Pnud

Quatro municípios de índice abaixo da média serão escolhidos pelo PNUD para dividir R$ 1,8 mi destinados a qualificar agentes públicos.

O PNUD escolheu 160 municípios brasileiros com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) abaixo da média nacional para participar da seleção de um projeto que distribuirá R$ 1,8 milhão para ações que visem melhoria nos indicadores sociais. As cidades podem se inscrever até 10 de julho; entre os inscritos, quatro serão selecionados para participar da iniciativa Fortalecimento de Capacidades para o Desenvolvimento Humano Local..

O dinheiro será usado para capacitar funcionários das prefeituras, do setor privado e do terceiro setor a elaborar e pôr em prática políticas e projetos que contribuam para melhorias socioeconômicas inclusivas e sustentáveis na cidade, explica Ieva Larazeviciute, assessora do PNUD responsável pela iniciativa. “A ação vai ajudar os municípios a preparar projetos e a encontrar fontes de financiamento para eles, não vai financiá-los diretamente”, ressalta.

Junto com o PNUD, participam desse programa a Confederação Nacional de Municípios (CNM), entidade que representa prefeituras do Brasil), a Subchefia de Assuntos Federativos da Presidência da República e a Agência Brasileira de Cooperação. Todos integram o comitê gestor do projeto, responsável por oferecer capacitação aos selecionados.

Critérios

Além de possuírem baixo IDH, os 160 municípios elegíveis obedecem pelo menos um dos seguintes critérios: estão em área de fronteira, são pólos de desenvolvimento regional, integram áreas metropolitanas muito pobres, ou têm obras estruturais já em andamento – principalmente as do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). "Sabemos que nem todos farão inscrição, mas esperamos receber o maior número possível de interessados", diz Ieva.

Do total de inscritos, oito passarão para a segunda fase da seleção. Eles serão escolhidos de acordo com a ficha de inscrição apresentada. Ela exige um requerimento de participação, a apresentação de documentos (como o plano plurianual e o orçamento do município) e – o mais fundamental, segundo Ieva – a indicação de contrapartidas oferecidas pelo município à organização do projeto.

A quantidade de horas semanais dedicadas pelo prefeito ao projeto, a quantidade de secretários que se envolverão com ele e o oferecimento de funcionários e estrutura física para a equipe são alguns dos fatores levados em consideração. “Elas [as contrapartidas] indicam comprometimento, uma garantia de que o projeto será levado para frente”, explica a assessora do PNUD. “Mas sabemos que esses municípios não têm muita estrutura, tudo deve ser dentro da possibilidade de cada um.”

Os oito pré-aprovados serão visitados pela comissão de avaliação e julgamento do projeto, que entrevistará o prefeito da cidade, gestores municipais, agentes do terceiro setor e da iniciativa privada para comprovar o engajamento apresentado na inscrição. “Vamos ao local para avaliar com mais precisão a situação da prefeitura”, afirma Ieva.

Na prática

Após os quatro municípios serem selecionados, começa a implantação do projeto (que deve ocorrer até dezembro de 2011). Ela envolve ações comuns para todos os municípios e outras específicas para cada um.

As primeiras são atividades para diagnosticar as necessidades de capacitação e prioridades de desenvolvimento humano dos participantes, além de apresentar às equipes locais a metodologia de trabalho do projeto.

As ações específicas serão elaboradas com base no diagnóstico. Elas podem ser, por exemplo, o estabelecimento de parcerias voltadas ao fortalecimento institucional, ou a “disponibilização de metodologias e ferramentas para formulação de políticas, programas e projetos em áreas definidas por meio de processo de priorização conduzido por equipes locais”, conforme explicita o regulamento do projeto.

Ieva cita exemplos dessas ferramentas: “Podemos elaborar um ‘banco de boas práticas’”, diz, com referência ao levantamento de práticas já implementadas em outros municípios a serem levadas aos aprovados. “O ponto forte do projeto seria identificar experiências no país que pudessem ajudar e facilitar a aplicação em outros lugares, visando criar mecanismo permanente para esse tipo de troca”, avalia. “Podemos também elaborar uma “plataforma para troca de experiências” entre os próprios municípios desse programa”.

Ela acrescenta que o PNUD também participa do “Fortalecimento de Capacidades para o Desenvolvimento Humano Local” transmitindo suas experiências e conhecimentos relacionados ao desenvolvimento local aplicado a cidades.

Além disso, o valor de R$1,8 milhão não será repassado diretamente aos participantes nem será dividido igualmente entre os quatro. “Uns municípios podem precisar de mais outros de menos”, explica a assessora, lembrando que o dinheiro também será usado para necessidades gerais do projeto, como elaboração de metodologias.

As 160 cidades que podem se candidatar. Lista dos municípios selecionados pelo PNUD -
http://cdhl.cnm.org.br/sites/9100/9145/Lista_Municipios_Elegiveis.htm

Inscrições abertas até 10 de julho. Confira o calendário com os prazos e os requisitos -
http://cdhl.cnm.org.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=36749

Governo lança Território da Cidadania Indígena na Raposa Serra do Sol

por Juliana Maya, da Agência Brasil

O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, o secretário nacional do Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Humberto Oliveira, e o coordenador executivo do comitê gestor do governo federal em Roraima, José Nagib Lima, partiram no início da tarde de sexta-feira (26/06) para as Terras Indígenas Raposa Serra do Sol e São Marcos (RR) para o lançamento do Território da Cidadania Indígena.

O objetivo do programa é trabalhar o desenvolvimento sustentável da região, levando em conta as características dos indígenas.

“Nosso maior desafio é construir com essas comunidades um programa de agrodesenvolvimento. Para isso, tem que ouvi-las, elas têm que colocar as necessidades num papel, para o governo federal entrar com todo o aporte logístico para poder garantir essas políticas. Elas passam pelo campo da cultura, da educação e do desenvolvimento socioeconômico”, afirmou Nagib Lima.

Ele disse que o governo federal está cumprindo o que foi determinado no processo de homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol. Mas ressaltou que todas as ações serão debatidas na região, que receberá ainda neste ano cerca de R$ 22 milhões em investimentos.

O Território da Cidadania Indígena na Raposa Serra do Sol e em São Marcos vai alcançar uma área de mais de 23 mil quilômetros quadrados, abrangendo três municípios: Normandia, Pacaraima e Uiramutã.

A população total do território é de quase 23 mil habitantes, sendo que 16 mil vivem na área rural.

Frigoríficos recusam acordo proposto pelo MPF para combater desmatamento

por Redação do Ministério Público Federal

Em resposta à proposta de acordo do Ministério Público Federal (MPF), a União das Indústrias Exportadoras de Carne recusa se comprometer com datas, prazos ou sistemas de controle previstos na legislação.

O Ministério Público Federal recebeu ontem (25/06) da União das Indústrias Exportadoras de Carne documento que significa, na prática, recusa ao acordo proposto semana passada pelos procuradores da República que buscam conter os danos ambientais praticados na cadeia produtiva da pecuária. O MPF já respondeu ao documento.

“O que a Uniec propôs não traz nenhuma garantia consistente de busca pela legalidade e sustentabilidade do setor pecuário no estado do Pará, garantia essa imprescindível para justificar a suspensão dos efeitos das recomendações expedidas”, diz a resposta, enviada hoje ao presidente da União, Francisco Victer.

Todos os pontos propostos pelo MPF para efetivas mudanças no controle da atividade pecuária - georreferenciamento, licenciamento ambiental, regularização fundiária e recuperação de áreas degradadas - foram listados pelos frigoríficos como responsabilidade do governo do Pará.

“Essas questões já são responsabilidade legal do Estado, não há nenhuma novidade nisso. O que seria novidade seria o setor produtivo reconhecer o ônus de sua atividade e se comprometer com esses controles, garantir que as compras serão interrompidas se os fornecedores não obtiverem a regularização”, explica o procurador da República Daniel César Azeredo Avelino, um dos responsáveis pela negociação.

Estimativas iniciais apontam que o custo para georreferenciamento não chega a ser significativo, atingindo R$ 3,50 por hectare georreferenciado, com diagnóstico ambiental. Mesmo assim, nem pecuaristas nem indústrias querem se comprometer com o investimento na regularização ambiental.

“A Uniec retirou todos os dispositivos propostos pelo MPF, permanecendo apenas aqueles que já são praticados pelos frigorificos, batizados com o novo nome de projeto de excelência de fornecedores. Se os controles fossem eficientes, não teríamos o aumento do desmatamento visto nos últimos anos. Se os controles tradicionais fossem eficazes, não haveria mais problemas ambientais nas fazendas, mas acontece justamente o contrário”, contesta o procurador Ubiratan Cazetta.

Desmatamento novo

As ações que pedem indenização por danos ambientais contra criadores e frigoríficos foram a maneira encontrada pelo MPF para combater o desmatamento mais recente no Pará, que cresceu de meados dos anos 90 até hoje, período justamente de maior crescimento do rebanho bovino no Estado.

“As empresas processadas pelo MPF não são as que vieram na década de 70 estimuladas pelo Estado. São as que vieram para a Amazônia num período em que as leis ambientais já tinham mudado e estão cometendo crimes ambientais desde que chegaram, sem qualquer controle”, explica o procurador-chefe do MPF, José Augusto Torres Potiguar.

Um dos exemplos do que ele diz é a agropecuária Santa Bárbara, proprietária de 9 das 21 fazendas processadas, todas compradas há menos de 3 anos. Apesar de, muito provavelmente, serem áreas desmatadas há mais tempo, a criação de bois impede que a floreste se regenere, o que também representa infração à lei ambiental.

A constatação é dos cientistas das universidades locais: o crescimento desordenado da atividade pecuária, em criações extensivas, usando o modelo de uma cabeça de gado por hectare, é um dos principais incentivos para a derrubada intensiva da floresta amazônica. “Foi a partir da ciência que pautamos nosso trabalho e acreditamos nos resultados dele”, acrescenta o procurador Felício Pontes Jr.

Fonte: Ministério Público Federal

Amazônia peruana em risco com a exploração de petróleo

por Milagros Salazar*

“Agora vão embora os peixes”, disse o indígena awajún, Luis Umpunchi, entre cerca de 20 pessoas reunidas ao redor de um oleoduto com vazamento, na comunidade de Jayais, na região peruana de Amazonas. Todos observam preocupados o vazamento. Alguns tocavam o líquido negro, que se misturava com o lodo formado pela chuva. “Esse petróleo chega ao Rio Marañon, em cujas margens estão nossos cultivos”, acrescentou Antonio Chu Pumpunchig, que colhia bananas quando soube do vazamento de uma das tubulações do Oleoduto Norte-Peruano, operado pela estatal Petroperú e com várias estações de bombeamento região de Amazonas.

A Estação Número 6, precisamente, foi tomada no começo deste mês por indígenas da Província de Bagua, como parte dos protestos contra leis que ameaçam seus territórios, e foi um dos epicentros de violentos choques nos quais morreram 24 policiais e pelo menos dez civis, embora os nativos afirmem que as mortes são muito mais. As populações mais afetadas pelo vazamento estão nas bacias dos rios Cenepa e Nieva. Mas os nativos que vivem perto de cidades como Bagua, capital da Província, também temem que seus rios possam ser contaminados, com aconteceu ao povo achuar, assentado no Rio Corrientes, na vizinha região de Loreto, extremo noroeste do país, onde opera a empresa argentina Pluspetrol. Trabalhadores da Petroperú, que chegaram a Jayais para limpar o vazamento, se negaram a informar a causa do rompimento da tubulação, estendida sobre um riacho.

As famílias amazônicas vivem da pesca, da caça na floresta, do cultivo de milho, banana e cacau nas margens dos rios, e do plantio de mandioca na montanha, além da venda de produtos agrícolas. Nas estradas, os comerciantes compram deles centenas de bananas por apenas três soles (um dólar), para depois revender nos mercados a 12 soles (US$ 4). “Não é que estejamos reclamando por sermos selvagens, mas porque vivemos destes recursos. A terra é nossa mãe e a floresta nossa despensa para alimentar nossas famílias”, insistiu Umpunchi. O mais provável é que parte do petróleo derramado chegue ao Rio Chiriaco e depois acabe no Marañon”, explicou.

Mais de 70% da Amazônia peruana foi dividida em concessões para investimentos em hidrocarbonos, entre 2003 e 2008, afirma um informe divulgado em março pela organização não governamental Direito, Ambiente e Recursos Naturais (DAR), a partir de dados oficiais. Para promover o investimento privado na selva, o governo de Alan García aprovou uma dezena de decretos legislativos no contexto da implementação do Tratado de Livre Comércio com os Estados Unidos, que provocaram inusitados protestos indígenas, em 2008 e neste ano. Diante da tragédia deste mês, o governo retrocedeu parcialmente e o Congresso revogou duas das leis questionadas.

Extração na mira

Os povos awajún e qampí, que habitam a região de Amazonas, se sentem ameaçados pelas atividades mineradora e petrolífera, assentadas nas cabeceiras de suas bacias, em áreas protegidas e quase sempre muito vulneráveis, o que causa disputas por recursos como água e terra entre empresas e moradores. “Esta é minha casa, aqui viveram meus avós e é o que quero deixar de herança para meus filhos”, disse ao Terramérica Julia Esamat, de 53 anos, uma awajún da aldeia de Wawas, no distrito de Chiriaco. “Fomos em frente sozinhos, sem o Estado. Agora, não podem vir as autoridades e tirar o que é nosso”, afirmou.

Existem cerca de 60 concessões petroleiras, 15 delas aprovadas de maneira irregular, superpondo-se a 12 áreas protegidas em dez regiões do país. Entre elas aparece a área de reserva Santiago Comaina, na região de Amazonas, segundo o informe do DAR. Para o lote 116 de Santiago Comaina, há uma permissão de exploração da empresa francesa Maurel & Prom. Para ter acesso ao local, a empresa assinou um acordo com os presidentes das federações nativas da província de Condorcanqui. Porém, por não terem consultado suas comunidades, esses líderes foram destituídos por suas bases, informou o jornal La República, em maio de 2008.

Além disso, na região de Amazonas, foram autorizados projetos de exploração de ouro e urânio na Cordilheira do Condor, no limite com o Equador. Segundo organizações nativas da Bacia do Cenepa, essas concessões foram transferidas irregularmente para a empresa Dorato Peru, subsidiária da canadense Dorato Resources. Em um comunicado de imprensa, de novembro de 2008, a Dorato Resources afirmou que havia adquirido todas as ações da mineradora peruana Afrodita. Essa transação teria ocorrido entre a Afrodita e compradores de fachada, segundo o advogado Marco Huaco, da organização não governamental Racimos de Ungurahui.

De acordo com Huaco, o projeto viola o artigo 71 da Constituição, porque, para autorizar investimento estrangeiro na fronteira, o Poder Executivo deve emitir um decreto supremo que o declare de “necessidade pública”, o que não fez. Além disso, teria infringido o Convênio 169 da Organização Internacional do Trabalho, de 1989, que exige a consulta prévia às comunidades locais sobre atividades econômicas que afetem seus meios de vida. A Organização de Desenvolvimento das Comunidades Fronteiriças do Cenepa (Odecofroc), uma das quatro entidades indígenas da região do Amazonas, apresentou, em abril, três denúncias sobre o caso junto à Direção de Concessões de Mineração.

As autoridades responderam que desconheciam a participação da empresa canadense, que as concessões foram outorgadas a pessoas físicas e jurídicas de nacionalidade peruana, e que iriam investigar as denúncias, disse Huaco, assessor da organização. A Odecofroc também levou o caso da Cordilheira do Condor até o relator especial das Nações Unidas sobre os Direitos e as Liberdades dos Povos Indígenas, James Anaya, que esteve em Bagua, no dia 18 deste mês.

O documento entregue a Anaya, ao qual o Terramérica teve acesso, diz que o projeto afeta 9.636 indígenas do Cenepa, porque se localiza na cabeceira dos principais rios tributários do Marañon e atravessa o protegido Parque Nacional Ichigkat Muja, reconhecido pelo governo por sua altíssima “vulnerabilidade ecológica e humana”. Em vários expedientes de titulação de direitos a favor de solicitantes mineradores, o Instituto Nacional de Recursos Naturais reconheceu a impossibilidade de realizar atividade de mineração no território awajún, afirma o documento entregue a Anaya.

“Realizar mineração nessa área significaria a extinção parcial desse povo amazônico”, declarou Huaco ao Terramérica. Os líderes indígenas levarão o caso ao Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial, das Nações Unidas, ao assessor especial para a Prevenção do Genocídio, também da ONU, e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

* Este artigo é parte de uma série produzida pela IPS (Inter Press Service) e pela IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais) para a Aliança de Comunicadores para o Desenvolvimento Sustentável (www.complusalliance.org)

Atlas revela perfil agrário do país

por Redação do Jornal Unesp

A política agrária brasileira nas últimas décadas não alterou a elevada concentração de terras e o modelo agrícola voltado para culturas de exportação, nem melhorou o volume de oportunidades de trabalho no campo, além de ter contribuído para a devastação da floresta amazônica. A conclusão é do geógrafo Eduardo Girardi, autor de um abrangente e detalhado atlas sobre o setor agrário brasileiro, resultado de sua tese de doutorado desenvolvida na Faculdade de Ciências e Tecnologia, câmpus de Presidente Prudente (FCT).

Sustentado por cerca de 300 mapas, o estudo de Girardi aborda a pobreza, o desmatamento, a distribuição da posse fundiária, o agronegócio, os conflitos agrários e a política de assentamentos dos últimos anos. “Através do mapeamento, foi possível identificar a configuração da estrutura agrária e como ela pouco contribui para o desenvolvimento social no campo”, afirma.

A pesquisa constata que os imóveis rurais ocupam quase a metade do território brasileiro. De 1992 a 2003, devido à incorporação de terras públicas a programas de reforma agrária, a área que eles englobam cresceu 35%, passando de 310 milhões para 410 milhões de hectares. O número de propriedades no campo aumentou 47%, de 2,9 milhões para 4,2 milhões.

Concentração

No entanto, essas transformações não reduziram a concentração da posse da terra. Girardi ressalta que tal fenômeno pode ser medido pelo índice de Gini, em que 1,0 é valor máximo da concentração: em 1992, ele era de 0,826, e, em 2003, passou para 0,816.

A situação se evidencia também nas diferenças entre as áreas destinadas às pequenas, médias e grandes propriedades. Em 2003, os pequenos imóveis, com tamanho médio abaixo de 200 hectares, representavam 92% do total de propriedades, mas ocupavam apenas 28% da área agrária. As propriedades de médio porte, de 200 a 2 mil hectares, respondiam por 6% do total de imóveis e 36% da área. Já aquelas acima de 2 mil hectares, embora não chegassem a 1% do total, ocupavam 35% da área do setor.

“Das novas terras incorporadas na estrutura fundiária brasileira, de 1992 a 2003, o porcentual das pequenas propriedades cresceu pouco, para 93% do total dos imóveis e para 34% da área; já as médias e grandes, somadas, atingiram 7% do total de imóveis e 66% da área”, comenta Girardi.

O geógrafo explica que, se a taxa de crescimento do número de imóveis for superior à taxa de crescimento de sua área, ocorre uma evolução desconcentradora das propriedades rurais; no caso contrário, há concentração. “A partir da interpretação dos dados, verificamos que a evolução no Sul foi desconcentradora, no Sudeste e Nordeste foi equilibrada, e no Norte e Centro-Oeste foi concentradora”, esclarece.

A partir das informações do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), Girardi também assinala que, em 1998, cerca de 75,4 milhões de hectares de terras exploráveis não tinham nenhuma atividade produtiva - o correspondente a 23% da área agricultável do País. Das terras não exploradas, 45% se localizavam na Região Norte, 24% no Nordeste, 26% no Centro-Oeste, 2% no Sudeste e 1,9% no Sul.

Modelo agrário

O estudo mostra, ainda, que o atual modelo agrário não tem contribuído para criar empregos e fixar o homem no campo. Nos últimos dez anos, cerca de 1,5 milhão de pessoas deixaram as atividades agropecuárias. De acordo com o Censo Agropecuário 2006 do IBGE, 16 milhões de pessoas estavam então ocupadas nos estabelecimentos agropecuários. As pequenas propriedades rurais empregavam 87% do total de postos de trabalho no campo, enquanto as grandes ficavam com apenas 2,5%.

Comentando as conclusões do atlas, o economista José Gilberto de Souza, professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), câmpus de Jaboticabal, lembra que, em 2008, o setor sucroalcooleiro recebeu cerca de R$ 6,5 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Porém, os dados revelam a redução do número de trabalhadores por hectare nessas áreas.

Girardi enfatiza que os investimentos confirmam um direcionamento da agricultura brasileira para o agronegócio. “A alta produtividade está concentrada no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em contraste com a estagnação do Norte e Nordeste, onde grande parte dos imóveis não dispõe sequer de tratores”, observa. O geógrafo lembra que a concentração da estrutura fundiária no Brasil está inserida no modelo de desenvolvimento exportador.

Em 2006, dos US$ 46 bilhões do superávit total da balança comercial (que envolve a relação entre exportações e importações), US$ 42 bilhões foram obtidos pelo setor agropecuário. Cerca de 80% das exportações agropecuárias brasileiras são de apenas nove produtos (soja, carnes, cana-de-açúcar, café, couro, fumo, laranja, produtos florestais e algodão), que ocupam 74% de toda área plantada no País. “Enquanto isso, em 2004, cerca de 15 milhões de brasileiros com carência alimentar viviam no campo”, aponta Girardi.

Para Souza, o modelo agrário baseado na concentração fundiária precisa ser revertido. “A reforma agrária e o desenvolvimento da agricultura familiar devem estar inseridos em uma estratégia vinculada à produção alimentar”, acrescenta.

Ocupações e assentamentos - Como reação a esse modelo, Girardi assinala que trabalhadores rurais sem oportunidades ocupam áreas para ter uma opção de renda e vida. O Atlas mostra que, de 1988 a 2006, houve cerca de sete mil ocupações de terras no Brasil, com mais de um milhão de famílias envolvidas, que se concentraram no centro-sul, leste e nordeste do País. “Essas são as áreas onde a reforma agrária tem sentido, pois desconcentra as terras e otimiza a sua utilização”, argumenta Girardi.

Entre 1988 e 2006, os programas de reforma agrária criaram 7.666 assentamentos - áreas destinadas a pequenos agricultores -, em 64,5 milhões de hectares, beneficiando cerca de 900 mil famílias. Eles se concentraram, em sua maioria, na Região Norte, junto à fronteira agropecuária. Apenas na Amazônia Legal, foram assentadas 62% das famílias, sendo que nas Regiões Sul e Sudeste, apenas 28%. “As famílias foram assentadas na região amazônica, em grande parte em terras públicas, sem a infra-estrutura necessária de transporte, serviços de saúde, educação e assistência técnica”, aponta o pesquisador.

Outra análise do trabalho de Girardi ilumina a violência no campo. Nos últimos 20 anos, 1,1 mil trabalhadores rurais foram assassinados e cerca de 19 mil famílias foram retiradas de áreas ocupadas. “Por fazer parte da fronteira agropecuária, o leste do Pará e o norte do Maranhão foram as regiões com maior concentração dos conflitos, afirma.

Cooperativismo

O professor Roberto Rodrigues, da FCAV e ex-ministro do governo Lula, considera que a agricultura brasileira não deve se sustentar a partir de “obras de caridade”, em que se converteu, segundo ele, a política de assentamentos rurais. Rodrigues defende o modelo de cooperativas de agricultores com vocação e conhecimento para a cultura agrícola. “Neste modelo, ganham os agricultores, o governo e a população, que terá produtos de melhor qualidade”, avalia.

Rodrigues destaca que a terra representa apenas 15% do valor de um empreendimento agrário. “A agricultura precisa de crédito, conhecimento técnico e infra-estrutura de escoamento da produção”, afirma. Ele discorda do argumento de que não haveria apoio ao pequeno produtor. “O governo tem aumentado significativamente o crédito para a agricultura familiar, implantou o seguro gratuito de safra e a produção vinculada à distribuição de cestas básicas pelas prefeituras próximas”, enfatiza.

Banco de dados

O Atlas agrário servirá como um banco de dados para consulta pública e suporte para pesquisas acadêmicas. Uma versão impressa deverá ser publicada até o final do ano, mas o material pode ser acessado no site do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera - http://www.fct.unesp.br/nera/atlas).

Com apoio da Fapesp, Girardi utilizou dados de IBGE, Incra, Comissão Pastoral da Terra, Ministério do Trabalho e Emprego, INPE e FAO (Food and Agriculture Organization).

Para o orientador da tese, o professor Bernardo Mançano Fernandes, o Atlas é o mais completo sobre o tema produzido até hoje no Brasil. “É um marco do estado da arte do conhecimento de tudo que foi estudado no Nera que servirá de referência aos estudiosos de diversas áreas do conhecimento e na elaboração de políticas públicas”, aponta.

Política para setor estimulou desmatamento

Nos últimos 11 anos, cerca de 54 milhões de hectares da floresta amazônica foram desmatados, conforme dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial). No mesmo período, na região, a atividade agropecuária se expandiu sobre 23 milhões de hectares, dos quais 45% de pastagens.

Para Girardi, a política agrária das últimas décadas,favorável ao agronegócio e ao latifúndio, foi a responsávelpelo forte desmatamento ocorrido nos nove Estados da Amazônia Legal. “Apesar dos assentamentos instalados na região contribuírem com o desflorestamento, a maior parte dele foi feito por particulares”,diz.

A ocupação da Amazônia começou durante o regime militar, para não se realizar a reforma agrária nas Regiões Sul e Sudeste. “Essa estratégia não mudou com a redemocratização do País”, observa.

Para Girardi, a ocupação de novos espaços da Amazônia é desnecessária, pois as terras já desmatadas que não foram devidamente exploradas, em 2007, somavam 86,7 milhões de hectares na Amazônia Legal. “Isso sem considerar a necessária mudança do sistema técnico-produtivo da agropecuária, que utiliza grandes extensões de terras”, analisa.

Pecuária na Amazônia terá guia eletrônica para fiscalizar transporte de animais

por Danilo Macedo, da Agência Brasil

Com o objetivo de evitar o aumento do desmatamento provocado pela produção pecuária na Região Amazônica, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse na terça-feira (23/06) que está sendo elaborado um projeto para a implantação da guia eletrônica de transporte animal. O mecanismo tornará mais eficaz a fiscalização da procedência dos animais e a sua localização. As informações poderão ser obtidas pelos fiscais federais de uma base de dados via satélite.

"O projeto deve estar pronto nos próximos 60 a 90 dias e a fase de implantação até o fim do ano. Então se iniciaria, efetivamente, essa idéia do desmatamento zero", afirmou.

Segundo o ministro, a guia eletrônica, que mostra de onde está saindo o gado, só será fornecida a pecuaristas que tiverem feito o georreferenciamento - mapeamento exato das terras - de suas propriedades. "Assim, os produtores que estiverem desmatando no Bioma Amazônico não terão mais direito à guia, os frigoríficos não poderão abater [o gado] e o produto não terá permissão para ser exportado", disse Stephanes.

Além de instrumentalizar as ações para o fim do desmatamento na Amazônia, o ministro disse que também solicitou ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) uma análise de como estão sendo utilizadas as áreas desmatadas. "Com isso, será possível saber se as causas estão relacionadas ao avanço da pecuária, da retirada de madeira, de carvoaria ou assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra)", disse.

Operação apreende madeira transportada em rios da Amazônia

Redação do MMA

O Ministério do Meio Ambiente, o Ibama e as polícias Federal e Civil vão montar uma base fluvial de fiscalização naconfluência entre os rios Curuá-una e o Amazonas para coibir o transporte de madeira ilegal na região de Santarém, no Pará. A medida foi anunciada hoje pelo ministro Carlos Minc, durante a operação Bajara, que apreendeu cerca de 1000 m3 de madeira ilegal na região de Santarém (PA). Minc constatou até a esperteza dos madeireiros para driblar a fiscalização por satélite.

Dados das autoridades ambientais que atuam na região dão conta de que o volume total de toras extraídas ilegalmente, e que seriam escoadas pelo rio, pode chegar a cerca de 40 vezes o que foi apreendido, o suficiente para encher 10 mil caminhões. A madeira chegou a ser observada em sobrevôo. Somente no local do pouso do helicóptero foi encontrado 3 mil metros cúbicos.

O ministro anunciou, ainda, que a Polícia Federal, a Força Nacional de Segurança e o Ibama iniciam nesta segunda-feira (29) uma mega operação de desarmamento na região, dominada pelas milícias que dão apoio à exploração ilegal de madeira nobre. A ideia é quebrar o sistema de proteção, inibir a grilagem e conter a violência na área, para assegurar a atuação efetiva da fiscalização e combate ao desmatamento no oeste do Pará.

A operação Bajara, a 23ª que conta com a participação direta de Minc, teve início na manhã desta sexta-feira (26), com a apreensão pelas autoridades de uma balsa que transportava grande quantidade de madeira. Nas vias de acesso à serraria e numa clareira no meio da floresta foi apreendida enorme quantidade de madeira pronta para ser embarcada pelo rio.

Os desmatadores, segundo o ministro, estão cada vez mais se sofisticando para inibir a ação fiscalizadora por satélite, os programas Prodes e Deter, do Inpe. "Desta vez eles conseguiram driblar a detecção fazendo um corte seletivo, retirando apenas madeiras nobres", constatou Minc.

A ação contou com a participação do assessor especial do MMA, José Maurício Padrone que coordenou a parte operacional da ação, do Chefe de Fiscalização Gustavo Podestá e a da gerente regional do Ibama em Santarém, Poliana Nunes.

ONU critica STJ por não punir sexo com menor

Extraído de Jus Brasil Notícias

O Fundo das Nações Unidas para a Infância e Juventude (Unicef) criticou oficialmente a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na última semana, de manter a sentença que absolveu dois clientes por explorarem sexualmente crianças - sob o argumento de que se tratavam de prostitutas conhecidas. O texto relata que os acusados eram José Luiz Barbosa, o Zequinha Barbosa (campeão mundial em 1987 na corrida de 800 metros rasos) e o ex-assessor Luiz Otávio Flores da Anunciação. O Unicef considerou absurda a justificativa do STJ para manter a decisao do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

'Por incrível que possa parecer, o argumento usado é o de que os acusados não cometeram um crime, uma vez que as crianças já haviam sido exploradas sexualmente anteriormente por outras pessoas', manifestou em nota a organização. De acordo com o Unicef, a decisão surpreende pelo fato de o Brasil ter assinado a Convenção sobre os Direitos da Criança, em 1990, que convoca os Estados a tomarem todas as medidas necessárias para assegurar que as crianças estejam protegidas da exploração sexual.

'Além disso, a decisão causa indignação, por causa da insensibilidade do Judiciário para com as circunstâncias de vulnerabilidade às quais as crianças estão submetidas. O fato resulta ainda num precedente perigoso: o de que a exploração sexual é aceitável quando remunerada, como se nossas crianças estivessem à venda no mercado perverso de poder dos adultos.? Na nota, o Unicef reitera que ?nenhuma criança ou adolescente é responsável por qualquer tipo de exploração sofrida, até mesmo a sexual'. Para a ONU, esse tipo de violência representa grave violação dos direitos à dignidade e à integridade física e mental de meninos e meninas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Autor: Agencia Estado

Nomeados membros do comitê executivo do Fórum Fundiário

Extraído de: Jus Brasil Notícias

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Gilmar Mendes, assinou nesta segunda-feira (29/06) portaria de nomeação dos integrantes do comitê executivo responsável pelo Fórum Nacional para Monitoramento e Resolução de Conflitos Fundiários Rurais e Urbanos. Na prática, o Fórum tem como objetivo ajudar na solução destes conflitos, no âmbito do Judiciário. De acordo com o ministro Gilmar Mendes, é necessário que o Judiciário faça um levantamento para listar as atividades prioritárias e as ações a serem desenvolvidas em curto, médio e longo prazos, como forma de conduzirem a uma rápida resolução destes casos.

"Os conflitos agrários representam um dos problemas mais sérios que temos de enfrentar, tanto na sua dimensão rural quanto urbana. Muitos destes têm causado desassossego em matéria de segurança pública, tais como lesões corporais e homicídios, levado a desdobramentos muito sérios e perturbadores da paz social, daí a necessidade do Fórum e da instalação deste comitê", ressaltou. O presidente do CNJ acrescentou, ainda, entre os vários problemas observados na área, questões de regularização de posse ou de propriedade, que às vezes dependem de intervenção do próprio poder público e de uso capião (direito de posse) que se arrastam na Justiça. Também, casos de desapropriações que dependem do resultado de avaliação sobre a propriedade ser produtiva ou não e, sobretudo, de trabalho escravo.

Transformação ?" Os integrantes nomeados expressaram interesse amplo em ajudar na resolução dos conflitos fundiários do país. "Darei atenção especial para este trabalho, não apenas em razão dos casos observados no meu estado como também porque queremos salientar para o país que existe, sim, Justiça no Pará", afirmou a juíza paraense Kátia Parente Sena. Outro membro, o juiz Nicolau Konkel Júnior, ressaltou o papel do CNJ, que vem se destacando como "responsável por uma transformação do Judiciário como executor de políticas".

Fazem parte do comitê executivo do Fórum, que será coordenado pelo secretário-geral do CNJ, Rubens Curado, os desembargadores Brasilino Santos Ramos, Sérgio Fernandes Martins e Elton Leme; e os Kátia Sena, Nicolau Konkel Júnior, José Henrique Coelho Dias da Silva, José Renato Nalini, Rodrigo Rigamonte Fonseca e Marcelo Berthe ?" este último, juiz auxiliar da presidência do CNJ. De acordo com o presidente do Conselho, "tratam-se de magistrados experientes das mais diversas áreas que, certamente, nos trarão contribuições importantes".
HC/PV
Agência CNJ de Notícia

Ruralistas querem investigar convênio do Incra com Fepaf

Extraído de: Jus Brasil Notícias

A União Democrática Ruralista (UDR) vai pedir ao Ministério Público Federal (MPF) que investigue os convênios firmados entre o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas Florestais (Fepaf) para a contratação de pessoal e prestação de assistência aos assentamentos da reforma agrária em São Paulo.

Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostrou que os convênios têm servido para a colocação de militantes e ex-militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) em postos-chave do Incra estadual, como os atuais coordenadores dos núcleos de apoio de Teodoro Sampaio, Mirante do Paranapanema e Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema.

A região, no extremo oeste paulista, tem o maior número de assentamentos no Estado e lidera o ranking em conflitos agrários. "É um fato grave e espero que o Ministério Público peça à Polícia Federal (PF) que apure se tudo está de acordo com a lei. Afinal, o Incra é o órgão público que vistoria as terras para a reforma agrária e tem o dever de ser imparcial", disse o presidente da UDR, Luiz Antonio Nabhan Garcia.

De acordo com ele, muitos proprietários que tiveram as fazendas declaradas improdutivas pelo Incra recorreram à Justiça e tiveram ganho de causa. "Mas é um processo longo e custa caro para o produtor rural", afirmou. Garcia acredita que, ao transformar militantes e ex-militantes de uma das partes interessadas - o MST - em agentes públicos, o Incra pode estar quebrando o princípio de igualdade e impessoalidade da gestão pública.

"Além de não esconder o apoio aos atos dos sem-terra, o Incra tem demonstrado interesse explícito em desapropriar injustamente propriedades rurais para fins de reforma agrária", criticou. Ele lembrou que a fundação, usada como "ponte" para as contratações, recebe dinheiro público. Garcia pretende protocolar esta semana no MPF de Presidente Prudente o pedido de investigação que está sendo preparado pelos advogados da entidade.

Autor: Agência Estado

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