Festival
Social Mundial 2009
quinta-feira, 12/02/09 – 18h55
Nenhum outro festival teve tanta importância
e repercussão como o de Woodstock, que permanece
como o mais importante evento musical contemporâneo.
Para compreender a importância, é necessário
voltar um pouco no tempo.
O mundo, especialmente os Estados Unidos,
passava por tempos difíceis de violência,
desilusão e guerra. Os anos 60, a década
mais conturbada do século passado, chagavam ao
fim com uma sensação de insegurança
no ar. O festival de Woodstock foi realizado em 1969 e
reuniu uma multidão de mais de 450 mil jovens,
para três dias de muitas drogas, sexo e rockn’roll.
Woodstock aconteceria fora da grande
cidade de Manhattam, destacando o clima reinante de ‘volta
ao campo’. Para atrair seu público alvo,
os jovens, foram usados todos os símbolos e slogans
da contracultura. O slogan trazia o sentimento antiguerra,
o conceito da Era de Aquárius e a intenção
de manter a paz no evento.
De acordo com os próprios idealizadores,
o festival não deveria ser realizado com a construção
de palcos, assinatura de contratos e venda de ingressos.
Woodstock deveria ser um estado de espírito, um
acontecimento que se tornaria o ícone de toda uma
geração.
Woodstock, que esperava 100 mil pessoas,
superou todas as expectativas e se revelou um verdadeiro
fenômeno. Quase 500 mil pessoas foram até
Woodstock para aproveitar três dias de mentes abertas,
amor livre, drogas liberadas e muito rock.
O evento transformou-se em um verdadeiro
ícone da contracultura. As dimensões de
Woodstock foram além das quase 500 mil pessoas,
tanto que as discussões de sua importância
persistem quatro décadas depois.
Muitos dizem que o festival foi o fim
de toda a ingenuidade e utopia que cercavam os anos 60.
Outros que foi o apogeu de todas as mudanças e
desenvolvimento na sociedade. Todos concordam que Woodstock
foi um marco importante na história da música,
mas também na história do homem.
Quanto ao FSM 2009, para os que acreditavam
que o fim seria o intercâmbio de experiências,
devem estar contentes. Para os que chegaram angustiados
com a necessidade de respostas urgentes aos grandes problemas
que o mundo está enfrentando, a frustração,
o sentimento de que a forma atual do FSM está esgotada,
que se o FSM não quer se diluir na intranscendência,
tem que mudar de forma e passar a direção
para os movimentos sociais.
Surpreendente a quantidade e a diversidade
de origem dos participantes. Foi notável a participação
dos movimentos indígenas e dos jovens, em particular,
o momento mais importante do FSM que foi a presença
dos presidentes latinos – cujas políticas
deveriam ter sido objeto de exposição e
debate com os movimentos sociais de maneira ampla, transparente
e profunda.
Triste que toda essa diversidade não
fosse ouvida, nem sequer por internet, a respeito do próprio
FSM, das duas formas de funcionamento, da sua continuidade.
No dia seguinte ao final do FSM, reuniu-se o Conselho
Internacional, de maneira fria e desconectada do que foi
efetivamente o FSM, em que cada um – seja desconhecida
ONG ou importante movimento social – tinha direito
a dois minutos para intervir.
O “Outro mundo possível”
vai muito bem. Enfrenta enormes desafios diante dos efeitos
da crise gerada no centro do capitalismo, e para a qual
se defendem bem melhor os que participam dos processos
de integração regional, do que os que assinaram
Tratados de Livre Comercio. Enfrentam a hegemonia do capital
financeiro, a reorganização da direita na
região, tendo no monopólio da mídia
privada sua direção política e ideológica,
sem mencionar sua utilização como palanque
político.
O “Outro mundo possível”
foi muito bem maquiado pelo anfitrião em Belém
do Pará, a 'Terra de Direitos'. Muita pirotecnia,
exposição de helicópteros, muitas
ambulâncias e viaturas policiais, tentando mostrar
que Belém é uma cidade ‘grande’.
Nenhum mendigo, cães e gatos podiam ser vistos
nas ruas. De semelhanças com o festival de Woodstock,
talvez, só mesmo muita farra e ‘curtição’,
pois está longe de ser um marco importante para
a justiça social. Agora voltemos à triste
realidade... |