Liberdade de imprensa e violência
no Pará
sábado, 03/01/09 -20h05
A liberdade é uma condição
fundamental para o pleno exercício do jornalismo.
O objeto do jornalismo é a história do presente.
Uma história produzida pelos homens e marcada pela
busca da liberdade. Não é por acaso que
o jornalismo alimenta uma paixão insaciável
pela liberdade, da qual tanto depende e defende.
A defesa da liberdade de imprensa é
presença marcante em cada um de nós, articulistas
e editores do Acorda Pará. Para a equipe do Acorda
Pará, o jornalismo livre é patrimônio
da sociedade e deve estar associado a um rigoroso sistema
de responsabilidade social da mídia e seus profissionais.
Para os jornalistas, a defesa da liberdade
de imprensa não é apenas um princípio,
é também uma questão de sobrevivência.
A 'bala perdida' e outras ameaças contra o jornalista
Jorge Calderaro não ameaçam apenas ao jornalista,
mas à própria democracia.
Ao relatar, sistematizar e denunciar
o uso da força, o abuso de poder, as ameaças
veladas ou não, o assédio moral para impedir
o acesso e difusão da informação,
a equipe editorial do Acorda Pará reafirma seu
papel de protagonista nessa luta, de referência
da categoria, e contribui com a preservação
da própria democracia. Não se trata apenas
uma denúncia. É um alerta e um convite para
a luta permanente por um jornalismo livre, ético
e qualificado.
Denunciar casos de violência contra
jornalistas e profissionais da comunicação
num Estado continental como o Pará, passará
a ser, cada vez mais, um desafio a ser enfrentado por
nossa equipe editorial. Perseguiremos sempre as informações
sobre os casos para denunciá-los, defender a liberdade
de imprensa e exigir do Poder Público ações
mais eficientes neste setor.
Obter, cada vez mais, dados precisos
sobre as injustiças e as irregularidades permitirão
construir uma política mais abrangente para a área.
Uma ação da qual participem todos os segmentos
envolvidos na questão.
O caso merece ser denunciado à
Comissão de Direitos Humanos da Federação
Nacional dos Jornalistas (FENAJ), para ser incluído
em seu banco de dados. Estima-se que a maioria dos casos
nem é denunciada e, quando é, não
chega a ser divulgada. Portanto, o caso contra o jornalista
Jorge Calderaro pode ser considerado uma amostragem da
triste realidade paraense e até mesmo do Brasil.
As tentativas de intimidação
contra jornalistas, via de regra, são as mais diversas.
A mais comum é a agressão física
ou verbal. O assédio judicial é a segunda
“arma” mais usada para censurar ou tentar
impedir a publicação de informações
pela imprensa, ou ainda, punir o profissional ou empresa
por matéria veiculada.
E o pior, na maioria dos casos, os autores
são acusados de crimes contra o interesse público,
os quais pretendem esconder da população
bombardeando os jornalistas com ações judiciais.
Na realidade, muito antes de chegar à
Justiça, a busca por 'calar a boca da imprensa'
começa nas entrevistas e na própria redação.
Jornalistas expulsos de coletivas, impedidos de fazer
coberturas, com equipamentos apreendidos durante reportagens
e até mesmo demitidos depois de publicar matérias
que contrariam os interesses políticos, econômicos
e pessoais dos 'donos do poder'.
Urge tornar público a situação
de risco que se encontra, não só o profissional,
mas também a própria sociedade paraense,
a não ter o seu direito constitucional de acesso
à informação e liberdade de expressão
respeitados ou ameaçados.
|