Pagamento
por Serviços Ambientais pode virar realidade
sexta-feira, 08/05/09 - 20h35
Minc vai ao Congresso negociar política
ambiental e vê avanços e retrocessos
A Câmara dos Deputados quer colocar
em votação daqui a um mês, durante
a Semana do Meio Ambiente, projeto de lei que institui
o Pagamento por Serviços Ambientais. O substitutivo
de iniciativa do Poder Executivo, que será encaminhado
nos próximos dias pela Casa Civil, deve ser aprovado
sem maiores dificuldades, já que conta com o apoio
expressivo das bancadas ambientalista e ruralista, principais
segmentos envolvidos no debate do tema.
O Pagamento por Serviços Ambientais
foi um dos pontos de consenso identificado pelo ministro
Carlos Minc entre os dois segmentos, normalmente antagônicos,
durante reunião, anteontem (06), com deputados
representantes das comissões de Meio Ambiente,
da Agricultura, da Amazônia e do Desenvolvimento
Urbano. E não é o primeiro: "A proposta
de Zoneamento Agroecológico da Cana, que está
na mesa do presidente Lula para ser assinada nos próximos
dias, também foi acordada depois um longo e aprofundado
debate encabeçado pelos ministérios do Meio
Ambiente e da Agricultura", citou o ministro Minc
lembrando que também os ZEEs estão sendo
pactuados para atender aos diferentes interesses econômicos
e sociais.
Mas também não são
poucos os pontos de divergências entre as bancadas,
como o ministro deixou claro em encontro com o presidente
da Comissão de Meio Ambiente, Roberto Rocha. Minc
rechaçou com veemência os argumentos do presidente
da Frente Parlamentar da Agricultura, deputado Waldir
Colato (PMDB-SC), defensor de mudanças para "afrouxar"
as regras do Código Florestal, de que estudos científicos
indicam que o excesso de proteção ambiental
prejudica a produção agropecuária
no País.
"Se isso fosse verdade não
teríamos apenas 7% da Caatinga e 9% do Cerrado
protegidos. A lista de animais em extinção
não teria crescido quatro vezes em quinze anos.
Não estaríamos vendo tantas mudanças
climáticas como estamos vendo hoje. Esse estudo
ao qual o senhor se refere não é da Embrapa,
mas de um técnico que por acaso trabalha na Embrapa
e que há alguns anos atestou que o ar de Ribeirão
Preto, no auge das queimadas da cana, era mais puro do
que o ar da Serra de Itatiaia. O que a Embrapa assina
embaixo é o estudo que fez para o zoneamento agroecológico
da cana: o Brasil tem 300 milhões de hectares disponíveis
para a agricultura", reagiu Minc.
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