Retrospectiva, mineração
e pecuária...
sexta-feira, 02/01/09 - 14h35
Ao longo de 2008, diversos projetos privados
de atividade econômica foram efetivados no território
amazônico, e alguns deles trouxeram impactos ao
meio ambiente e à população local.
Dentre os destaques de denúncias de desenvolvimento
econômico contrário à sustentabilidade
da vida na Amazônia, figuraram na mídia de
2008 empresas como as mineradoras Alcoa e MMX, essa última
parte do grupo do empresário Eike Batista, bem
como as companhias agropecuárias Monsanto e SLC.
A empresa Vale do Rio Doce foi campeã
de denúncias por práticas econômicas
desenvolvidas em terras da Amazônia, contrárias
à preservação desse bioma. Confira,
a seguir, os maiores escândalos que envolveram empreendimentos
realizados na região da floresta durante este ano.
Vale anunciou construção
de siderúrgica de até 5 mi de ton no Pará
A Vale anunciou a pretensão de construir uma usina
siderúrgica no Pará, com capacidade entre
2,5 e 5 milhões de toneladas de aço por
ano. De acordo com o diretor de assuntos corporativos
da Vale, Tito Martins, a idéia de construir a usina
já existia cerca de um ano atrás, ligada
aos projetos de desenvolvimento da Vale no estado, onde
está localizada a mina de Carajás.
O diretor ainda explicou que adotaria,
no plano, estratégia contrária àquelas
usadas em outros projetos siderúrgicos da companhia,
a partir da busca do investidor estratégico para,
só depois, em discussão com ele, definir
a localização geográfica, bem como
demandas de logística e infra-estrutura necessárias.
O projeto seria feito em parceria com o Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social. Saiba
mais
Nazif conseguiu liberação
para garimpagem no Madeira
O deputado federal Mauro Nazif (PSB)
conseguiu liberar junto ao Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM) em Brasília uma licença para
a retirada de ouro do rio Madeira. A Permissão
de Lavras Garimpeira (PLG) foi publicada em março,
no Diário Oficial da União (DOU).
Geomário Leitão de Sena,
delegado da Federação Nacional dos Garimpeiros
Amigos de Porto Velho explicou que Nazif conseguiu mostrar
para o diretor geral do Departamento Nacional de Produção
Mineral, Miguel Antônio Cedraz Ney, que há
compatibilidade entre a retirada de ouro do Madeira e
a construção de hidrelétricas no
rio.
Para conseguir PLG para a retirada de
minério, os garimpeiros tiveram que assinar um
termo de renúncia antecipada, caso seja comprovada
a incompatibilidade da construção com a
garimpagem. Saiba
mais
Entidades pediram o cancelamento
de projeto de mineração da Vale
Um requerimento da suspensão da
licença ambiental concedida à Mineração
Onça Puma, de responsabilidade da Companhia Vale
do Rio Doce, foi encaminhado ao secretário do Meio
Ambiente do Pará no dia 15 de abril, pela Comissão
Pastoral da Terra (CPT), junto aos Sindicatos de Trabalhadores
Rurais de Tucumã e Ourilândia do Norte (PA),
e as Associações dos Projetos de Assentamento
Campos Altos e Tucumã.
As entidades se opuseram a Onça
Puma porque teria causado problemas, como a aquisição
de posses destinadas à Reforma Agrária sem
devida autorização. Além disso, a
mineradora causou danos ambientais, como a poluição
de igarapés, o desvio de cursos d'água,
a demolição de benfeitorias construídas
com recursos públicos federais e a construção
irregular de barragens de contenção de rejeitos.
Saiba
mais
Ibama multou Vale em R$ 5 mi
por venda ilegal de madeira
Em julho, a Vale foi multada pelo Ibama
em R$ 5 milhões por vender ilegalmente cerca de
9.000 m³ de madeira sem apresentar ao órgão
a documentação necessária. A madeira
foi vendida a uma mina de bauxita em Paragominas (326
km de Belém), no Pará e teria sido retirada
da área sobre a qual está a lavra do minério.
O montante enche aproximadamente 15 caminhões
e custa quase R$ 1 milhão. A empresa havia informado,
em inventário, que seria necessário desmatar
cerca de 11,7 mil m³ para retirar o minério,
mas quando os fiscais chegaram à sede da empresa
encontraram apenas 2.200 m³ em toras, mostrando que
a diferença entre os dois valores tinha sido vendida,
o que a Vale não tinha autorização
para fazer. Saiba
mais.
Vale coagiu camponeses a aceitar
indenizações
A Companhia Vale do Rio Doce foi acusada,
em junho, de ter invadido uma área de assentamentos
da reforma agrária no sudeste do Pará, pagando
indenizações para que os camponeses saíssem
da região. Segundo o jornal Folha de São
Paulo, a presidência do Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) acusou a Vale, em seu
relatório, exigindo que indenizasse diretamente
53 assentados, em contrapartida ao seu projeto bilionário
de produção de níquel.
Segundo o documento, a mineradora Onça
Puma, empresa de propriedade da Vale, tinha interesse
em área de 7.400 hectares localizados em dois assentamentos
- Tucumã e Campos Altos - e a "compra"
por lotes ocorreram por cinco anos. Essas terras, entretanto,
não podem ser vendidas, já que o assentado
não é dono da terra, mas sim, usuário.
O correto seria a mineradora negociar com o Incra, e não
diretamente com os assentados.
O relatório aponta que a mineradora
desencadeou a situação, mesmo ciente da
ilegalidade e sem autorização do Incra.
Além disso, teria feito ofertas "altamente
sedutoras" aos colonos. A Vale negou ter pressionado
os assentados e alegou que, apesar de não ter havido
autorização formal, o processo de indenização
foi acompanhado pelo Incra. A companhia ainda acusou os
assentados de tirar vantagem da situação,
dizendo que o projeto não seria interrompido.
A Procuradoria do Incra de Brasília
ingressou com uma Ação Civil Pública
na Justiça Federal de Marabá, contra a Onça
Puma, em 18 de junho. O Incra pediu ao Juiz Federal que
fosse imediatamente suspensa toda e qualquer atividade
da mineradora prejudicial ao meio ambiente e à
reforma agrária, retirando-se todo maquinário
destinado à extração mineral capaz
de provocar algum tipo de poluição ambiental.
O órgão também pediu que fossem reestruturados
os Projetos de Assentamento, de volta ao estado em que
se encontravam antes da chegada da Mineradora, com produção
agropecuária, funcionamento das escolas, postos
de saúde e transporte coletivo. Saiba
mais.
Associações de pequenos
trabalhadores rurais, sindicatos e a Comissão Pastoral
da Terra de Ourilândia, sul do Pará, acusaram
o Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra) de traição em agosto.
Os trabalhadores manifestam total indignação
com a decisão do Presidente do Incra, Rolf Hackbart,
publicada no dia 11 daquele mês, levando à
retirada de 7.300 hectares dos referidos assentamentos,
atendendo a pedido da Onça Puma. O presidente do
Incra teria sido pressionado pelo Planalto a agir assim,
sob pena de perder o cargo, conforme as associações
citadas.
IFC voltou a financiar empreendimento
controverso na Amazônia
Contrariando a política antes
adotada publicamente para a região amazônica,
a Corporação Financeira Internacional (International
Finance Corporation - IFC), braço do Banco Mundial
para o setor privado, anunciou financiamento a um novo
empreendimento controverso na região. Em maio,
foram emprestados R$ 40 milhões para o grupo SLC,
grande plantador de soja e algodão em vários
estados brasileiros, entre eles Mato Grosso e Maranhão.
O dinheiro do empréstimo seria utilizado para a
compra de mais terras na região norte do país.
Meses antes, o banco consultou diversas
entidades da sociedade civil organizada sobre seu modo
de atuação na região da Amazônia
Legal, criando, inclusive, um projeto colocado em consulta
para receber críticas, sugestões, apontamentos
e melhoramentos sobre a forma de atuação
do banco no financiamento de projetos e atividades do
setor privado no território amazônico. Saiba
mais.
Comunidades da Amazônia
acusaram Alcoa por desrespeito
Representantes de comunidades tradicionais
de Juruti, no oeste do Pará, anunciaram em 31 de
julho, que encaminhariam a instituições
governamentais e ao Ministério Público uma
mensagem de repúdio à forma como a mineradora
Alcoa trata os ribeirinhos do município. A decisão
foi tomada depois que o presidente da empresa na América
Latina, Franklin Feder, atrasou-se em mais de duas horas
para uma reunião com cerca de 80 pessoas, com o
objetivo de discutir problemas gerados pela instalação
da empresa na região.
O encontro foi cancelado devido ao atraso
da empresa. "Foi um desrespeito com a associação,
com as 40 comunidades que ela abrange, com o Ministério
Público e com os governos Federal e do Estado,
que também estavam representados lá",
criticou o presidente da Associação das
Comunidades da Região de Juruti Velho (Acojurve),
Gerdeonor Santos. Saiba
mais.
Diretor da PF foi preso por envolvimento
em operações ilegais com a MMX
A operação "Toque
de Midas", da Polícia Federal, viveu um episódio
sem precedentes na história da instituição.
Foi preso em seu próprio escritório, no
mês de setembro, o diretor-executivo e segundo homem
na hierarquia da Polícia Federal, Romero Menezes.
Imediatamente o ex-diretor pediu o afastamento do cargo.
Mesmo depois de solto, por ordem do Tribunal
Regional Federal da 1ª Região, em Brasília,
Menezes continuou a ser investigado por envolvimento em
operações ilegais que beneficiavam a mineradora
MMX, do grupo EBX, do empresário Eike Batista.
Além dele, estavam envolvidos no caso seu irmão,
José Gomes Meneses, e Renato Camargo dos Santos,
diretor no Amapá da MMX. O ex-diretor responde
em liberdade às acusações de tráfico
de influência, advocacia administrativa e vazamento
de informações sigilosas.
A operação "Toque
de Midas" investigava irregularidades no processo
de concessão do direito de uso da estrada de ferro
do Amapá, que liga o município de Serra
do Navio ao Porto de Santana, concedido à mineradora.
Segundo nota publicada pela PF, Romero haveria promovido
facilidades por meio de fraudes e credenciamentos irregulares
para a empresa. Além disso, foram encontrados indícios
de vazamento de informações sobre a operação
que acabaram por prejudicar o andamento da mesma.
Vale foi condenada a recompensar
financeiramente índios por uso de terras
Depois de realizar, por mais de dez anos,
atividades de extração de minérios
em terras dos índios Xikrin, localizadas no sudeste
do Pará, a Companhia Vale do Rio Doce será
obrigada a recompensar financeiramente a tribo indígena.
A Justiça Federal de Marabá
determinou o pagamento mensal de R$268.054,62 à
comunidade Xikrin do Cateté e R$388.843,27 aos
Xikrin do Djudjekô, num total de mais de R$ 650
mil a serem depositados pela companhia em favor das associações
de cada aldeia. A decisão tornou o repasse definitivo
em setembro, mas ele já havia sido restabelecido
desde dezembro de 2006, por força de uma liminar
que obrigou a Vale a manter os pagamentos.
Segundo os procuradores da República
da região, a decisão foi um divisor de águas
na afirmação de direitos indígenas
em face de empreendimentos privados porque poderia embasar
decisões semelhantes em outros processos. Saiba
mais.
Incra decretou retirada da Monsanto
de assentamento em MT
A empresa transnacional Monsanto foi
obrigada a se retirar de uma área equivalente a
26 campos de futebol, localizada dentro do assentamento
de Reforma Agrária em Campo Verde (MT). A decisão
foi tomada pelo Instituto Nacional de Colonização
e Reforma Agrária (Incra) em outubro, já
que a área em questão havia sido comprada
de forma ilegal pela empresa, além de utilizada
para a realização de experimentos com transgênicos.
Para efetuar a compra, a Monsanto utilizou
uma empresa brasileira laranja chamada Agroeste Sementes.
Segundo a coordenadora Nacional do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST), Itelvina Maria Maziolli, a Monsanto
teria forjado um contrato de compra e venda para tomar
posse da área. Saiba
mais.
Empresa ligada à mineradora
Alcoa foi acusada de utilização irregular
de estrada
Um impasse entre proprietários
de terra e a empresa Unirios, subcontratada da mineradora
Alcoa, causou tensão no município de Juruti,
oeste do Pará em outubro. A disputa havia iniciado
no mês de maio, em decorrência do uso de uma
estrada que liga a cidade a um porto fluvial construído
pela empresa.
Os trechos da via, com 2km de comprimento,
fazem parte de propriedades particulares, mas, desde sua
criação, foram utilizados para dar acesso
à população local da cidade ao rio
Amazonas. Com o inicio da instalação do
porto, em dezembro de 2007, foi firmado um contrato de
passagem entre a Unirios e os proprietários das
fazendas Macacaúba e Merajuba, para que a empresa
pudesse utilizar a estrada. Eduardo Azedo Nunes, proprietário
da fazenda Merajuba, explicou que o acordo só não
perdurou devido à inadimplência da empresa,
que mesmo deixando de pagar continuou passando pelas propriedades.
Saiba mais.
Suspeita de formação
de quadrilha em obra da ferrovia Norte-Sul
Investigações da Polícia
Federal e do Tribunal de Contas da União (TCU)
apontaram indícios de sobrepreço, fraude
em licitações e tráfico de influência
na construção da Norte-Sul em Tocantins
e Goiás, uma obra de R$ 3 bilhões incluída
no Programa de Aceleração do Crescimento
(PAC). O TCU apontou um sobrepreço de R$ 516 milhões.
Inquérito da PF apontou Ulisses Assad como "homem
forte" do grupo na área de licitações
da Valec, indicado para o cargo pelo senador José
Sarney (PMDB-AP).
Escuta telefônica feita pela Polícia
Federal, com autorização judicial, apontou
relações entre o diretor de Engenharia da
Valec (estatal responsável pela construção
da Ferrovia Norte-Sul), Ulisses Assad, o empresário
Fernando Sarney e construtores ligados ao grupo que foram
beneficiados por subempreitadas na obra.
Em 21 de maio, o empresário Gianfranco
Perasso, sócio da Lupama, descreveu como transferia
seus contratos, cobrando o "deságio de subempreitada".
Admitiu, ainda, que sua empresa não tinha condições
"físicas" nem "materiais" para
realizar os contratos e, por isso, repassava os negócios
a terceiros. A Lupama já recebeu uma subempreitada
da Constran, no valor de R$ 46,2 milhões, no trecho
entre Santa Isabel e Uruaçu, em Goiás. Saiba
mais.
Bunge confirmou aporte de US$
350 mi em usina com Itochu em TO
A multinacional americana Bunge formalizou,
neste último mês do ano, parceira com a trading
japonesa Itochu para a construção de uma
usina de açúcar e álcool no Estado
do Tocantins. Segundo o secretário de Agricultura
do Estado de Tocantins, Roberto Sahium, o governador do
Estado, Marcelo Miranda, entregou a licença de
instalação dessa usina para o CEO da Bunge,
Sérgio Waldrich.
A primeira usina dos dois grupos no Estado
será construída na cidade de Pedro Afonso,
com capacidade total para moer 4,4 milhões de toneladas
de cana. O investimento neste projeto "greenfield
" (construção a partir do zero) está
estimado em US$ 350 milhões. A Bunge empregará
80% dos recursos e a Itochu os 20% restantes. A usina
deverá entrar em operação em 2011,
com moagem prevista de 1,4 milhão de toneladas.
A produção de álcool da unidade terá
como destino o mercado asiático.
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