Sema encontrou
arsênio e soda cáustica no rio Murucupi...
quinta-feira, 30/04/09 - 07h02
A refinaria Alunorte foi multada pelo
Ibama a pagar R$ 5 milhões por um vazamento de
rejeitos que atingiu os córregos da região
do município de Barcarena (PA), na região
metropolitana de Belém. A fiscalização
também multou a empresa a pagar mais R$ 50 mil
por dia até que seja solucionado o problema.
A Alunorte ainda terá que pagar
multa de R$ 100 mil por ter dificultado a ação
de fiscalização, iniciada na segunda-feira,
quando o vazamento foi denunciado.
Ao chegar à portaria da empresa,
funcionários impediram a entrada dos fiscais durante
45 minutos, tempo suficiente para que o dia escurecesse
e a vistoria fosse inviabilizada. Questionados sobre o
problema, diretores da empresa negaram qualquer tipo de
vazamento - afirmou Aníbal Picanço.
Na terça-feira, com o retorno
da fiscalização à área, diretores
continuaram a negar qualquer problema de transbordo de
alguma bacia, o que tornaria, segundo eles, desnecessária
a vistoria no local.
Porém, mesmo com a dificuldade
imposta pela Alunorte, a equipe do Ibama percorreu a área
de bacias da empresa. Constatou o vazamento na bacia de
rejeitos que transborda para a floresta ao redor e, conseqüentemente,
às nascentes da região.
O pessoal da Alunorte (Vale do Rio Doce)
bem que tentou 'driblar' a fiscalização,
mas, com a ação, Picanço, superintendente
do Ibama, mostrou que honra a pátria e faz jus
ao nome, ou seja, passou a p... (pena...). Mexe com quem
está quieto!
Em nota, a Vale disse que vai recorrer
da multa, pois o vazamento é culpa da natureza,
a chuva que caiu não seria normal e foi ela que
provocou o vazamento.
Partindo da premissa, para a Alunorte
o ‘normal’ deve ser o acumulo de muita lama
vermelha contendo elevados teores da cáustica e
arsênio provenientes do beneficiamento da bauxita.
O normal deve ser economizar, construindo o menor número
de bacias de rejeitos possível. O normal deve ser
não estabelecer uma boa margem de segurança
no dimensionamento dessas barragens, para prevenir a possibilidade
de vazamentos.
O normal é dizer que o vazamento
da lama vermelha não representa riscos ao meio
ambiente e populações ribeirinhas, quando
sabemos que soda cáustica e arsênio são
tóxicos e podem comprometer, como de fato comprometem
todos os meios, físico, biótico e antrópico/socioeconômico,
na medida em que afetam formas de sustentação
e sobrevivência de comunidades ribeirinhas, principalmente
recursos hídricos e ictiofauna.
O crime é culposo quando a ação
ou omissão é prejudicial ao direito de outrem,
mas não intencional; ao passo que o crime doloso
é praticado por má-fé ou intenção
de fraude para obter vantagem induzindo os outros ao erro.
Acidentes ocorrem e não são intencionais,
mas ter consciência das reais possibilidades de
danos e negá-los para tentar eximir-se de responsabilidades
é terrível. É subestimar ou subjugar
a inteligência alheia. O normal mesmo é para
quem ‘adora’, ou a mídia convencional
tradicional escrita e televisiva, que cobra milhões
pela subseqüente ‘maquiagem verde’ ou
‘lavagem cerebral’ em nossos ‘inocentes
úteis’...
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