| Municipalismo fortalecido
quinta-feira,
01/06/05 20h00
A disputada e histórica eleição
da Federação das Associações dos Municípios
do Estado do Pará (Famep), realizada no dia 31 de maio,
repercutiu significativamente no meio municipalista. Após
muitas controvérsias, além de lances inusitados,
o pleito chegou ao seu final com uma dupla vitória: a da
Democracia e a do municipalismo. Com respaldo na soberania da
Assembléia Geral e com o compromisso, por parte dos representantes
das, até então, duas chapas concorrentes, a proposta
de unificação de interesses e a concessão
de supostas vantagens redundaram na certeza, para o significativo
número de pessoas presentes, inclusive de prefeitos e dirigentes
de Associações de Municípios, de que o municipalismo
saiu dessa disputa fortalecido, em especial a entidade máter
do municipalismo paraense, que parte, agora, – segundo esperam
seus dirigentes recém-eleitos – para medidas que
visem solidificar sua posição no contexto regional
e nacional. O auditório da Associação dos
Municípios das Rodovias Transamazônica, Santarém-Cuiabá
e Região Oeste do Pará (AMUT) ficou pequeno para
abrigar 27 prefeitos e oito presidentes de Associações
de Municípios, assim como Secretários Executivos
e técnicos dessas entidades, além de jornalistas
e radialistas, que desde o primeiro escrutínio (realizado
às 10 horas) até o início da tarde (a proclamação
da chapa vencedora ocorreu às 13h15) acompanharam o desenrolar
das discussões e votações que culminaram
com a aclamação nominativa da chapa única
encabeçada por Fernando Lobato, prefeito de Santa Cruz
do Arari e presidente da Associação dos Municípios
do Arquipélago do Marajó, como presidente, e Adão
Ribeiro, prefeito de Jacundá, como vice-presidente. Os
conselheiros eleitos são: Iran Lima, prefeito de Moju e
presidente da Associação dos Municípios do
Baixo Tocantins (Ambat); Orleando Feitosa, prefeito de São
João da Ponta e presidente da Associação
dos Municípios do Nordeste do Pará (Amunep) e Leny
Trevisan, prefeita de Medicilândia. Como espectador privilegiado
desse importante momento na história do municipalismo paraense,
assim como prefeitos recém-eleitos, como Helder Barbalho,
de Ananindeua, entre outros que manifestaram interesse em passar
a fazer parte da Famep, pude constatar, nitidamente, o interesse
geral em fazer daquele momento o marco para revitalização
de uma entidade que, como foi dito, diversas vezes, durante o
processo eleitoral, é bem menor do que muitas de suas afiliadas.
Sem dúvida alguma que houve confronto de idéias
e pontos de vista, assim como discussões, até certo
ponto acaloradas. Mas, finalmente, prevaleceu o consenso e, por
que não dizer, o bom senso, e, desde o primeiro dia deste
penúltimo mês do primeiro semestre deste ano, municipalistas
autênticos ou até mesmo aqueles que apenas intentam
fazer deste segmento um ponto de apoio aos seus interesses pessoais
podem ter a certeza de que a Famep inicia uma nova etapa em sua
vitoriosa trajetória. Ressalto vitoriosa, porque: se em
algumas etapas deste percurso, ela foi usada de forma diferente
dos objetivos para os quais foi criada, pelo menos manteve acesa
a chama de uma luta que, tenho convicção, se constitui
na base para a edificação de um alicerce social
que venha a atender, senão a totalidade, mas uma percentagem
significativa dos anseios de um povo sofrido como o brasileiro.
Posição incômoda
da Vale do Rio Doce
Ao acompanhar, atentamente, o pronunciamento de uma hora e 15
minutos do governador Simão Jatene, no auditório
do Hotel Sagres, por ocasião da etapa de encerramento do
Encontro de Secretários Municipais de Administração,
Finanças e Planejamento do Estado do Pará, tive
a oportunidade de perceber a nítida insatisfação
do Governador paraense com relação a atual situação
criada a partir da constatação, pela opinião
pública, da postura incômoda da Companhia Vale do
Rio Doce- CVRD, que segundo o Ministério Público
se enquadra na figura inequívoca de ré em matéria
divulgada, em primeira mão, pelo site Acorda Pará.
Senão vejamos: o governador Simão Jatene não
escondeu de ninguém que quizesse escutar que o Estado do
Pará perde cerca de dois bilhões e 700 milhões
de dólares já que “a Vale do Rio Doce recebe
para exportar minério de ferro”. Acho muito oportuna
a posição adotada pelo Governador do Pará,
visto que, muito embora haja uma acanhada contra-prestação
por parte desta empresa ao povo paraense, esta não é
a primeira vez que acontecem fatos dessa natureza e o muito pouco
que fica não tem comparação lógica
com o demasiado que daqui é levado. O que se vê,
ao longo dessa transição secular, na Amazônia,
é a repetição de fatos já denunciados
por Eduardo Galeano em sua conhecida obra “As Veias Abertas
da América Latina”. Pelo menos, essa foi a reação
que pude perceber na platéia que acompanhava, de forma
concentrada, a explanação do Governador, de microfone
sem fio na mão, na passarela central do auditório
do hotel, contestando de forma veemente esse quadro que já
perdura desde as últimas décadas do século
passado. Creio que as palavras proferidas, com eloqüência,
pelo governador Simão Jatene deixaram bem claro que, embora
já tenhamos passado do período de homenagens ao
mártir da Inconfidência Mineira, não resta
dúvida que para nós, que cremos no alcance da libertação
do jugo dos mais poderosos, ainda está evidente e bem atual
a frase “Libertas quae sera tamem”. Finalmente, quero
fazer parte do coro de expressivo número de formadores
de opinião que, se agregando aos pontos de vista de pessoas
reconhecidamente esclarecidas e politizadas, continuam a martelar
nessa tecla, acreditando que, ao contrário dos que afirmam
que “contra a força não há resistência”,
ainda prevalece a força da inteligência. Creio que
ainda veremos uma sucessão de derrotas do forte Golias
diante de modesto e inteligente David.
Beleza do Pará em vitrine nacional
Fruto do esforço de um grupo de paraenses entusiastas e
comprometidos em vencer um grande desafio, o que bem poderia,
à primeira vista, ser definido como mais um concurso de
beleza feminina desponta como um inequívoco diferencial
de marketing. Desdobramento natural da franquia “Beleza
Brasil 2005”, o projeto “Beleza Pará 2005”
é, sem dúvida alguma, uma forma inteligente de buscar
a divulgação do turismo ecológico e das belezas
naturais de cada região. A escolha de uma paraense na faixa
etária entre 18 e 24 anos, que more no Pará há,
no mínimo, seis meses antes do concurso, seja solteira
e sem filhos, e esteja preparada intelectual e culturalmente para
representar o Pará no concurso “Beleza Brasil”
sem dúvida alguma será uma oportunidade ímpar
para que municípios paraenses possam alcançar a
chance de levar ao resto do país uma divulgação
maciça das suas potencialidades turísticas e culturais.
Além disso, não está descartada a possibilidade
da candidata que representar o Pará venha a representar
o Brasil no concurso “Miss Terra”, a ser realizado
em outubro deste ano, em Manilla, nas Filipinas. Para completar
a importância do evento, ao qual me integrei por acreditar
em suas metas, dez por cento dos ingressos serão doados
a entidades carentes e os demais somente poderão ser adquiridos
mediante a doação de um quilo de alimento não
perecível, cujo total arrecadado será entregue à
Fundação Voluntários da Alegria, que trabalha
com crianças portadoras de câncer e Aids. Algumas
prefeituras já foram contatadas e, segundo os organizadores,
entre os quais a jovem Kátia Corrêa de Oliveira,
que já obteve terceiro lugar no concurso “Beleza
Brasil”, não resta dúvida que o número
projetado seja alcançado até o dia 25 deste mês.
P E R I S C Ó
P I O
O prefeito Helder Barbalho, que logo ao ser eleito
foi convidado por Antonio Armando, prefeito de Marituba, para
presidir a Ambel (Associação dos Municípios
da Região Metropolitana de Belém) declinou do convite
por estar consciente dos problemas que teria que enfrentar. Agora,
durante a concorrida eleição da Famep, disse que
“poderia, aquela altura, ter conseguido a presidência
da entidade”. Helder Barbalho, juntamente com outros prefeitos,
passará a ser associado da agora fortalecida Famep. @@@
Além do jantar oferecido pela Superintendência Regional
do Banco do Brasil, no Manjar das Garças, a representantes
da imprensa local, várias manifestações foram
feitas pela passagem do Dia da Imprensa, transcorrido no dia primeiro
deste mês. @@@ Embora ainda longe do que
se pode esperar por parte de administrações sérias
e comprometidas com a transparência, a seriedade e o respeito
pelo cidadão, muitos casos de irregularidades são
detectadas, quase que diariamente, em órgãos públicos.
Na esfera municipal, há muita gente “com as barbas
de molho” em vista da natural peneirada que ocorre em tempos
de mudança político-partidárias. Como hoje
em dia, é grande a fiscalização popular e,
volta e meia, caem alguns aproveitadores de plantão, não
resta dúvida que “muito pano para manga” ainda
há de ser descoberto. Tudo é uma questão
de tempo. @@@ Conversei com alguns prefeitos
paraenses, por ocasião de eventos realizados no auditório
da Federação das Indústrias do Estado do
Pará, no Belém Hilton e no Hotel Sagres. Sem medo
de errar, posso afirmar que, senão a totalidade dos mandatários
municipais, uma grande parte deles ainda não tomou pé
da real situação e, conseqüentemente, da extensão
dos problemas a serem resolvidos. Tudo por conta do comprometimento
de alguns com aqueles que os ajudaram a chegar a esse cargo. @@@
Esse quadro foi pintado, nitidamente, pelo governador Simão
Jatene ao se dirigir a seus “colegas” de planejamento,
no auditório do Hotel Sagres. Se utilizando de seu “Know
How” de artista (é um bom cantor, logo com conhecimento
de artes cênicas e completo domínio de palco), o
Governador mostrou, etapa por etapa, a trajetória dos ordenadores
de despesa e responsáveis pelas principais decisões
nas células municipais, desde o momento no qual, após
a eleição, se consideram semi-deuses, até
a fase na qual, já no terceiro mês de mandato, se
deparam com a constatação de que, segundo palavras
do próprio Governador, “o buraco é bem mais
embaixo. Mas muito bem mais embaixo”. @@@
Até a próxima quinzena...
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