A Insesatez e a Primavera
sexta-feira, 01/08/08 - 07h20
“Tentar ser como as primaveras
Deixar que lhe cortem os galhos
E a cada ano ressurgir mais belas”
(Cecília Meirelles)
Claro que estes versos ditos assim, deixar-se ferir para
ser melhor, parece insensatez.
Todavia, a insensatez , uma condição humana,
é uma palavra carregada de tão múltiplos
significados e significantes.
Insensatez extrapola as letras, carregando em si, além
da denotação, uma conotação
muito mais abrangente que o próprio significado,
porque traduz e induz às coisas da alma.
A alma humana tão assoberbada com a trabalheira
de driblar problemas, acalmar as ansiedades, não
dar vez à saudade, de tentar caminhar com alegria
,seja noite ou seja dia, usando a sabedoria, custe o que
custar. E a alma injustiçada, apesar das agruras
desta vida dura,aconteça o que acontecer não
se deixar abater.
Sim, insensatez faz parte de nossa humanidade. Pertence
à nossa alma, essa subjetividde mais complexa,
carregada de concretude em sua abstração.
Insensatez é fruto do momento. Um momento que
expulsou a logicidade e o equilíbrio, e, deixou-se
levar pela paixão.
É resultante de um sentimento louco, que nos induz
a pagar pra ver.
Querer ir além do imponderável e tentar
o até então inaceitável .
Dizer palavras loucas ,sem senso, que acabam por nos
levar ,também ,às atitudes sem sentido,a
caminhos até então desconhecidos e sem volta.
Atalhos obscuros. Tiro no escuro!
Depois o arrependimento,de não poder voltar outra
vez à trilha percorrida.
Deveras, o tempo não volta.Nem tampouco o tempo
pára. Ele dispara, e, nessa corrida louca, o que
ele quer é nos derrubar, nos passar a perna,nos
deixar pra trás.
E a gente vai vivendo , equilibrando , vai levando, vai
tentando resgatar o que se perdeu nas podas da estação
que passou.
E acabamos aprendendo que nem sempre dizemos as palavras
que queremos.E nem sempre somos capazes de mostrar a plenitude
do que sentimos. E, então fazemos como a primavera.
Antecipamos a perda, pra não perder um dia. E
continuamos a nos deixar sofrer,confiando que nossas folhas
e flores virão com mais exuberância na estação
seguinte.
E começamos a entender essa coisa mais louca –nossa
humanidade-que nos faz prisioneiros da insensatez de esconder
a frustração e o medo de perder.
Quem me dera, ser como as primaveras...
Deixar que lhe cortem os galhos ,
E,a cada ano, ressurgir mais belas.
Feliz Primavera! |