A Vida continua
terça-feira, 07/10/08 –
12h05
Acabo de ler “O Caçador
de Pipas” considerado o melhor livro do ano, escrito
por um escritor afegão estreante-:Khaled Hosseini.
Uma história comovente, uma narrativa
insólita e eloqüente sobre a frágil
relação entre pais e filhos, entre seres
humanos e seus deuses: amizade, amor, tradição,
honra, etnias, sociedades e religiões diferentes,
traição, coragem,dignidade e medo.
Anotei esta expressão: ”Zindagi
Migzara”, porque nunca, antes, como agora, pude
sentir tão de perto esta realidade: chova ou faça
sol, quer estejamos tristes ou alegres,tenhamos surpresas
boas ou más,a dor da gente não sai no jornal,e,
apesar de, e não por causa de-, a vida continua.
Sempre me encantou pensar sobre o tempo
em nossa curta, mas tumultuada existência.
Sempre persegui o tema da atemporalidade
da vida que, num passe de mágica da memória,
nos traz o ontem pro agora.
Sempre me encantou brincar com a dualidade
das palavras e escrever sobre a dualidade do ser. Pode
parecer injusto, mas o que acontece em poucos dias, às
vezes até uma única vez, pode alterar o
rumo de uma vida inteira.
E, assim sendo, todo o resto fica tão
menor, tão tolo, tão sem sentido.
A dualidade nos enlaça e nos faz
balançar entre a ternura e a secura da boca, entre
o amor e a dor, entre a falta e o excesso. Emoção
sem lágrimas. Sequidão de estio. Coragem
versus medo. Presente versus por vir. Dualidade de sentimentos.
Confusão de emoções. Pensamentos
mais que imperfeitos, sempre acompanhados de um “se”
e de um “ quando”. Mais- que- Imperfeito do
Subjuntivo.
Dualidade das palavras. Alguém
especial! Conotação e denotação
de mãos entrelaçadas, ambas se fazendo valer.
E, aí , entra outra palavra afegã; “Yelda”;
noite sem estrelas, a mais longa do ano, interminável
a quem espera que o nascer do sol traga a pessoa amada,
um fato novo , uma notícia inesperada e boa, qualquer
coisa, não importa o que .
O que se espera, é que depois
da noite escura faça-se a luz “ Fiat Lux”!
Porque "Zendagi Migzara" A
Vida Continua.
Não há nada que possamos
fazer para contê-la.
Que nossa "yelda" nos traga
o melhor vindo de Deus.
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