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Ercília Pollice

Escritora, poeta, acadêmica da Academia de Letras de Bauru,
artista plástica e assessora de Arte de Ju Machado-Escritório de Arte

 

Homens, recitam Tagore, lêem Rousseau, ouvem Chopin, encantam-se com as estrelas , e... depois se matam!

quarta-feira, 10/03/10 - 11h54

Já se falou sobre o homem que é um desconhecido. Já se escreveu que o homem é o lobo do homem, já ouvimos a pergunta: que é o homem para que dele se lembre? (Alguém interpelando Deus).

Todos nós, indistintamente, já ousamos fazer conjecturas à respeito das ações, nem sempre esperadas , deste ser que em conjunto forma aquilo que chamamos humanidade.

Tudo o que nos remete à humanidade ou a humanos deveria trazer em seu significado um sentimento de bondade, pois quando você testifica de alguém: “Ele é muito humano!” Isto significa que ele é bom, compassivo, compreensivo e misericordioso. Contudo, como nos distanciamos dessa premissa. Os homens cada dia mais são violentos, irascíveis, exploradores, vingativos, aproveitadores, mentirosos. A humanidade está descuidada de tudo e de todos.

O mesmo ser que dá sua vida para resgatar um ferido em algum desastre como vimos nestes dias passados, no Haiti, no Chile, numa inundação, aqui mesmo, perto de nós. Está também representado pelo ser que mata por uns míseros trocados, que assassina para roubar um par de tênis, ou tem a insanidade de roubar e matar seu pai, para comprar drogas. E até em meio às calamidades, os vemos ,lá, saqueando lojas, supermercados, não para conseguir comida, o que até seria plausível diante da situação. Não, ele está roubando coisas como fogão, sofás, ventiladores etc... Coisas que nesta hora de angústia nem deveriam fazer sentido alguém pensar nelas.

Afinal, quem somos nós? De que material somos feitos? Como podemos ostentar tantas máscaras? Como conseguimos conviver com as diferentes ‘personas’ que em nosso ser habitam?

Há de existir, até os céticos devem se perguntar algumas vezes, algo mais, além disto tudo. Alguma coisa invisível que aprimore nosso espírito e nos torne mais próximos do humano, que nos diferencie das feras, que nos assemelhe mais ao divino que muitos de nós acredita , nos criou. Ou, a quem não creia nisto, que nos aproxime da energia linda e forte que gerou tanta coisa linda e perfeita neste nosso planeta. (Para falarmos só do que nos é próximo e conhecido).

Há de se pensar, quando foi que passamos a nos afastar tanto da nossa humanidade interior, e a sermos tão indiferentes à humanidade que nos cerca.

Cá comigo, tenho minhas considerações, minhas respostas à perplexidade que certas ações detonam em minha mente e ferem meu coração até a dor. Ou, enchem-me de lágrimas os olhos diante de tanta insensatez e desfaçatez!

Todavia, deixo que cada um, recolha-se em si mesmo, e tente se lembrar de alguma coisa boa que anda oculta em seu ser, diante da perplexidade da vida moderna ou pós- moderna. E, o mais importante, tente resgatar essa essência de bondade e humanidade, já quase inexistente neste ser tão inteligente e perfeito chamado homem.Há de existir maneiras de tornar isso visível, crível, existível. Há de existir um jeito, ou jeitos, de tornar esse mundo mais humano no sentido primeiro da palavra.

 
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