Paradoxo
segunda-feira, 15/09/08 - 18h55
"E vida marvada, não dianta
fazê nada... ?"
Esse é um verso do nosso cancioneiro
popular, com a sabedoria própria do povo,é
como no dizer de Manuel Bandeira, "na língua
certa do povo, na língua errada do povo"
Não dá para entender a
vida. E por que teimamos em tentar entendê-la?
A vida é paradoxal e com isso
faz-nos também paradoxos ambulantes.
Há um só tempo, estamos
alegres e num instante nos sentimos tristes.
Há um só tempo, somos
felizes e uma palavrinha boba qualquer nos faz infelizes.
Há um só tempo, amamos
e somos capazes de odiar.
Há um só tempo, nos sentimos
especiais e comuns.
Há um só tempo, nos sentimos
muito amadas e por um gesto nos percebemos mal-amadas.
A dualidade do ser é coisa complicada.
Complicada e séria, pois torna-o
vulnerável ou forte dependendo das circunstâncias.
Há que se entender essa dualidade
pra que se entenda o ser.
Mas alguém, algum dia, será
capaz de compreendê-lo?
Uma mulher apaixonada, pode da docilidade
passar à fúria, se ela perceber um nuance
sequer de desamor no homem amado.
Uma mãe gentil vira uma fera
, se pressentir que sua " cria" corre algum
perigo. De fato, quando nos sentimos ameaçados
no nosso sentir ou querer, nos despimos de uma persona
e assumimos outra sem que tenhamos tempo de voltar ao
camarim.
O certo mesmo, neste complexo mundo
dos viventes, é que o ser na sua essência
mais profunda, precisa, carece, necessita sentir-se seguro
em seus sentimentos , e, sem a confirmação
constante dessa segurança , não consegue
manter sua coerência.
Dizem os Guestaltistas, que só
se vive em unicidade, quando sentidor e pensador caminham
juntos num mesmo passo... ou compasso.
Há que se administrar tantas
emoções, tantas confusões ,tantas
chateações...
A fragilidade do ser é coisa
indiscutível...mesmo os fortes, em determinados
momentos sentem-se enfraquecidos.
Mesmo os inteligentes em certas ocasiões sentem-se
emburrecidos.
Amor e desamor andam de mãos
dadas sem jamais se encontrarem Apenas caminham juntos
pela mesma estrada.
Todos temos nosso dia de querer um colinho,
uma passada de mão na cabeça, ou apenas
alguém que nos ouça.
Contudo, se as pessoas que nos cercam,
acostumaram-se a se fortalecer na nossa força,
não admitem em nós essa fragilidade. e nos
cobram um comportamento homogêneo, perfeito, sem
se darem conta das nossas imperfeições como
ser humano que somos, e portanto com direito adquirido
de tê-las,vez ou outra ou vez em sempre!
A lucidez em certas ocasiões nos
faz mais mal que bem.
Bem-aventurados os simplórios..
.são felizes por nada saber.
E pela vida afora , ou adentro , nem
sei mais, todos esperam de nós, coerência,eficiência,
tolerância, paciência...
Mas nunca ninguém nos ensinou a lição
que nos fará aptos a driblar a dor de uma saudade,
ou ,a insensatez que algumas vezes tem vez no nosso ser.
Quem porventura nos deu a lição
que o coração não tem dono, e nas
ordens é senhor?
Bem, viver é a arte do encontro
diz o poeta, embora haja tantos desencontros pela vida.
Mas o poeta é um fingidor, capaz
de fingir que a dor que sente nem é dor.
Aos outros mortais, os comuns mortais
, cabe apenas viver como manda as escrituras,deixando
pra cada dia o seu mal, ou completando , viver o bem de
cada dia,porque não sabem quanto tempo durará.
Seja como for, haja o que houver, custe
o que custar temos essa vida pra viver.
Todos queremos vivê-la bem; com
alegria, com satisfação, com paz e com perdão...
todos queremos sonhar e nossa busca maior e inconteste
é ser feliz.
Não me sai da cabeça os
versos da canção..." A felicidade é
como a pluma que o vento vai levando pelo ar... brilha
tranqüila, depois de leve oscila precisa que haja
vento sem parar...
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