Quando teremos a alma farta?
sábado, 13/12/08 - 15h10
“A alma farta pisa o favo de mel,
mas à alma faminta, todo o amargo é doce.
“
Provérbios, 27; 7
É engraçado como a gente
se acostuma com as coisas feitas de maneira torta. Tudo
nesta nossa terra é feita por vias indiretas. Fico
analisando, cá comigo mesma, os noticiários
que escuto diariamente, e percebo que nunca uma resoluçao,
uma diretriz,um ato, por mais simples que sejam, nos sào
dados de forma objetiva e suscinta. Nunca é um
tiro certeiro. Tiro certeiro, voltando às notícias
quentes e tristes, deste último ano, só
aqueles que os policiais acertam nos cidadãos comuns,
quando estes são atingidos na rua, em porta de
bares, dentro de carros, portões de estádios.
Fico estarrecida, como os ladrões fogem, os bandidos
dentro dos presídios dão todas as cartas,
traficantes escapam, mas os pobres civis são atingidos
e perdem a vida bestamente.
Não há como não
se extasiar, ao ver gente do povo que pede justiça
todos os dias, inocentar um policial que inadvertidamente
atirou num carro parado, 11vezes, com gente dentro.
Sabemos que essa não é
a abordagem certa nem a única possível.
Atirar 11 vezes, em meu leigo entender, já significa
um descontrole absurdo das emoções. O outro
lá em Brasília dá uma coronhada na
cabeça de um jovem torcedor e ainda com total despreparo,
usa uma arma não travada. Não existem mais
cacetetes, não?
É um atacar pra não ser
atacado. Isto denota um despreparo e uma insegurança
cheios de pavor.
Pavor, por ter de estar caçando
bandidos nas ruas. Bandidos estes que são mais
preparados e mais bem armados como eles próprios
jamais foram. Têm culpa, sim, mas também
são vítimas de uma sociedade que se modernizou
em tantos sentidos, mas continua arcaica em suas bases
principais; segurança, educação,
saúde, ética, justiça.
As coisas, por aqui, andam meio tumultuadas
em todos os sentidos. Índios que até então
viviam com brancos numa boa, trabalhando pra fazendeiros,
casando-se com brancas e tendo seus filhos, numa tranquila
miscigenação, de repente, ganham 45% de
um estado, e dizem ao repórter: “Eles perderam
têm de sair. O repórter lhes pergunta: -
Mas, quando? E ele responde: Hoje, agora. Não quero
nem saber”.
Bem, que se dê terras aos índios,
se é que é isso que eles querem. Duvido!
Quem quer viver isolado na selva sem conviver com as coisas
boas da civilizaçao? E tem mais. Eles não
esperavam que a decisão do STF incluísse
livre acesso das Forças Armadas às terras
demarcadas, nem que fossem ficar sujeitos à jurisdição
do Estado, quanto ao uso do subsolo e das madeiras. Um
deles falou ao mesmo jornalista: “Do jeito que eu
ouvi hoje, isto não tá nada bom, não.
Precisa ver isto. Vão mandar nas nossas terras?
Essa, é que não...”.
Os arrozeiros compraram as terras do
próprio governo, gaúchos em sua maioria,
deram emprego aos índios que assim quiseram,estão
estabelecidos desde a décadade 70, foram trazidos
pelo próprio governo, formaram famílias,
agora serão postos pra fora como?
Correndo feito cães danados? Serão
tratados como bandidos? Irão pra onde? Quem lhes
ressaecirá os prejuízos monetários
e morais. Sim, porque se minorias merecem respeito à
maioria também o merece. Somos todos brasileiros.
Inversão de valores é como se cobrir com
um cobertor curto. Cobe a cabeça e descobre os
pés. Tá mal! Assim não dá
Juvenal!
Não sou contra dar terras aos
índios. Até vejo nisso, uma maneira de proteger
a Amazônia, das ONGS, dos invasores, dos desmatadores,
dos garimpos ilícitos etc. Já que tudo,
segundo parece, será monitorado pelo exército,
Funai, órgãos sujeitos ao governo central.
O que não acho muito inteligente é demarcar
estas terras, num território tão próximo
às fronteiras, meio complicadas destes países
vizinhos, e usando terras, já tratadas, desmatadas,
com colheitas fartas e certas, e ocupadores que não
brincam em serviço. Afinal a renda do estadod e
Roraima vem deles na sua maior parte.
Nossa! Num país gigante como
o nosso, e com uma floresta imensa como a floresta amzônica,
precisava mexer onde tem caixa de marimbondo? Por que
não fizeram isto em estados onde o desmatamento
está sendo feito de maneira desmedida, bandida
e ilícita?
Bem, voltando ao tema, estamos tão
acostumados com matanças, lambanças, festanças
comemoradas sem motivo justo ou verdadeiro, que qualquer
ato que nos pareça próximo do correto, aplaudimos
e aquiescemos com ele, mesmo que tenha coisas amargas
pelo meio.
Quando penso que, por um estudante morto
por um policial na Grécia, a população
está pondo pra quebrar, exigindo até renúncia
de governo. Aqui, se pra cada civil morto este ano, cada
criança assassinada, fôssemos sair às
ruas quebrando tudo, não teríamos mais ruas
inteiras.
Há algo podre “no reino
da Dinamarca” como diria a célebre fala.
Temos de começar pelo começo, em todos os
sentidos. Aqui começamos tudo com a bonde, andando.
Parece que perdemos a noção
do certo e do errado. Sabe, quando eu vejo a mini série
Capitu, penso que todos estão vendo nosso Brasil
daquele jeito. Meio confuso, meio realismo mágico,
meio enevoado, onde as falas se misturam e se perdem,
e se a atenção não for redobrada,
daqui a pouco, nem saberemos mais se esta Capitu é
a mesma do Machado de Assis. Em encenação
teatral tudo cai bem, porque se não nos agradar,
mudamos de canal.
Mas usar esses efeitos especiais para os fatos da vida
real. Não dá não, companheiro?
Será que alguma vez teremos a
alma farta pra pisarmos o favo de mel? Será que
alguma vez teremos mel..., sem crises pelo meio?
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